2019/09/02

Estudo sobre Ezequiel 28

Estudo sobre Ezequiel 28

Estudo sobre Ezequiel 28




Ezequiel 28
c) A ruína do governante de Tiro (28.1-19). Essa seção compreende dois oráculos contra o governante de Tiro como personificação do Estado-ilha: no primeiro (v. 1-10), ele é designado governante (heb. nagid)-, no segundo, (v. 11-19) rei (melek). O governante de Tiro nessa época era Etbaal II (uma pessoa com o mesmo nome é mencionada como pai de Jezabel em lRs 16.31). Como muitos outros reis do Oriente Médio na Antiguidade, ele era considerado uma manifestação da deidade.
v. 2. Sou um deus ou “Eu sou El” (o líder do panteão cananeu). no trono de um deus no coração dos mares\ a ilha de Tiro é aqui retratada (de forma singular) como o local da habitação da deidade (contraste com v. 14). v. 3. mais sábio que Danieh heb. dan’el (cf. NEB), proverbial em termos de sabedoria e também de justiça, como em 14.14, 20. A sabedoria celebrada aqui é a sabedoria prática empregada na obtenção de prosperidade comercial sem precedentes (v. 4,5). v. 7. estrangeiros [...] das mais impiedosas nações: os babilônios, como em 30.10,11; 31.12. v. 8. cova heb. shahath, e não bôr como em 26.20, mas significando da mesma forma o lugar de destruição abaixo da terra (cf. SL 16.10). A ilha-fortaleza do rei vai se transformar no seu túmulo, v. 10. a morte dos incircuncisos\ uma morte vergonhosa (“você morrerá como um cachorro”, NTLH); os fenícios e os egípcios (cf. 32.19) praticavam a circuncisão, mas a circuncisão deles, de certa forma, seria considerada incircuncisão; ambos cairiam diante dos incircuncisos babilônios.
No segundo oráculo, a queda do rei de Tiro é descrita em termos de expulsão do homem primitivo do paraíso, de acordo com uma versão fenícia da história do Éden. Segundo essa versão, o homem primitivo é coroado e adornado regiamente, como o despido Adão de Gn 1.26-28. “O verdadeiro protótipo do rei foi Adão, o vice-regente de Deus, com o seu domínio sobre o mundo” (H. L. Ellison, The Centrality of the Messianic Idea for the OT, 1953, p. 14). Na história fenícia, como em sua contraparte hebraica, o pecado fundamental do homem era o orgulho, pelo qual ele foi expulso do Éden pelo querubim que o guardava (v. 16; cf. Gn 3.24) e consumido pelo fogo (v. 18, um aspecto ausente na narrativa hebraica). Esse texto contribuiu com alguns detalhes para o retrato tradicional da queda de Satanás.
v. 12. o modelo da perfeição: acerca dessa metáfora, cf. Jr 22.24; Ag 2.23 (a NEB difere: ”você colocou o selo na perfeição”), cheio de sabedoria: acerca da sabedoria do primeiro homem, cf. Jó 15.7,8. v. 13. todas as pedras preciosas-, as nove jóias citadas no TM aparecem no peitoral do sumo sacerdote (Êx 28.17-20); a LXX alista aqui todas as 12. O governante de Tiro, como o homem primitivo, era sacerdote e rei. v. 14. ungido como um querubim guardião-, NEB: “um querubim altivo como guardião”; a LXX omite os dois adjetivos, no monte santo de Deus-, os fenícios consideravam o monte Zafom, no norte da Síria, como a casa dos deuses, como o Olimpo na Grécia (cf. Is 14.13: “no ponto mais elevado do monte santo”), as pedras fulgurantes-. expressão interpretada de diversas maneiras, mas a explicação de David Qimhi de que eram pedras preciosas (o material da decoração do palácio do rei-sacerdote?) é tão razoável quanto qualquer outra. v. 16. Por meio do seu amplo comércio..., a prosperidade comercial de Tiro induziu à arrogância, que é aqui reproduzida como o pecado do primeiro homem. Os v. 16-18 combinam aspectos da analogia do paraíso com os da situação histórica. v. 18. você profanou os seus santuários-, ao consagrar dentro deles tesouros obtidos com violência e injustiça, v. 19. chegou o seu fim terrível...-, cf. 26.21; 27.36. Cada um dos três grupos de oráculos contra Tiro é concluído com esse refrão.

6) Oráculo contra Sidom e mensagem de esperança para Israel (28.20-26)
Sidom, com os seus dois ancoradouros, ficava na costa, a aproximadamente 40 quilômetros ao norte de Tiro; envolveu-se com Tiro na revolta contra Nabucodonosor em 594/3 a.C. (cf. Jr 27.3), mas foi subjugada por ele alguns anos mais tarde. Aqui a cidade é ameaçada com o castigo da peste e da espada; a conhecida fórmula de reconhecimento é usada nos v. 22 e 23.
A fórmula de reconhecimento é também usada duas vezes (v. 24,26) no breve trecho da restauração de Israel que é anexado às palavras de condenação de Tiro e Sidom. Tanto na misericórdia quanto no juízo, Javé manifesta a sua glória, para que todas as nações possam vê-la (cf. SL 98.2; 126.2b).

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