2019/09/02

Estudo sobre Ezequiel 44

Estudo sobre Ezequiel 44

Estudo sobre Ezequiel 44




Ezequiel 44
4) O fechamento da porta oriental (44.1-3)
Depois de a glória divina ter entrado pela porta leste (43.1-5), esta foi mantida fechada; a partir daí nenhum mortal poderia usá-la, a não ser o príncipe (v. 3). Poderíamos identificá-lo com o “meu servo Davi” (34.23,24; 37.24,25), mas ele dificilmente é uma figura messiânica; as suas responsabilidades são mais as de um comissário eclesiástico. Ele tem permissão para entrar e sair pela porta leste quando come a sua parte dos sacrifícios de comunhão (de paz) que ele traz para comer na presença do Senhor (v. 3; cf. 45.16,17; 46.2, 8). Os seus privilégios sagrados são de fato restritos, se comparados com os de Davi anteriormente, que em ocasiões especiais trajava vestes sacerdotais, oferecia sacrifícios e abençoava os adoradores (2Sm 6.14,17,18), entrou na tenda que abrigava a arca e “assentou-se diante do Senhor” (2Sm 7.18) e conferiu o status sacerdotal a seus filhos (2Sm 8.18). A ordem da nova era almejada em Cunrã, em que o Messias davídico é subordinado ao sacerdócio, está fundamentada no projeto de Ezequiel.
Esse trecho pode ter dado origem à tradição segundo a qual, quando o Messias vier, vai entrar no templo pela porta leste, razão pela qual a porta dourada no muro oriental do Haram esh-Sherif está permanentemente fechada.

5) A lei do sacerdócio (44.4-31)
a) Qualificações para o serviço sacerdotal (44.4-16). A santidade exigida pela presença da glória divina é destacada novamente, com insistência renovada na separação. Nos dias pré-exílicos, diversos tipos de culto na casa de Deus haviam sido realizados por não-israelitas, como os gibeonitas (Js 9.23,27) e os cários (2Rs 11.4,19; cf. a denúncia contra “todos os que evitam pisar a soleira dos ídolos” em Sf 1.9). A sua descrição como incircunciso no coração e na carne (v. 9) sugere iniquidade (cf. Dt 10.16; Jr 4.4) e também incircuncisão literal. Esses não têm permissão para entrar no templo: os estrangeiros precisam ser excluídos (contraste com Is 56.6,7, em que o templo de Javé deve ser chamado “casa de oração para todos os povos”). Essa exclusão foi colocada em prática no segundo templo dos dias de Neemias (cf. Ne 13.4-9); na época do NT, os não-israelitas podiam entrar no pátio dos gentios, que tinha sido murado havia pouco tempo por Herodes, mas não podiam ultrapassar a barreira dos recintos sagrados propriamente ditos, sob pena de morte (cf. Atos 21.28,29). Mas está claro, com base em 47.22,23, que a filosofia exclusivista da visão de Ezequiel não é motivada por patriotismo fanático e nacionalista.
O serviço que antes havia sido feito por estrangeiros deveria agora ser realizado por aqueles levitas que se tinham mostrado indignos das funções sacrificiais por participarem da idolatria (v. 10). Eles poderiam matar animais a favor de adoradores particulares (v. 11) e realizar outras tarefas no templo (v. 14), mas não ministrar no altar (v. 13). A opinião geral entre estudiosos é que esses levitas haviam sido os sacerdotes nos santuários locais que Josias havia fechado em todo o território em 621 a.C., durante as suas reformas (2Rs 23.5, 8), e que esses sacerdotes haviam sido transferidos para o santuário central em Jerusalém de acordo com Dt 18.6-8, mas foram impedidos pelo sacerdócio de Jerusalém de compartilhar das suas prerrogativas (cf. 2Rs 23.9). Isso ainda é hipotético. Os próprios sacerdotes de Jerusalém também não haviam permanecido sem culpa nos dias da apostasia. No tempo de Acaz, por exemplo, o sacerdote Urias colaborou no estabelecimento de um altar assírio no templo (2Rs 16.10-16), e as diversas instalações pagãs que Josias removeu do templo e de seus arredores (2Rs 23.4, 6,7,11,12) não tinham permanecido lá sem a anuência sacerdotal. Ezequiel de fato conhecia coisas repugnantes cometidas ou toleradas pelos funcionários e responsáveis do templo nos seus próprios dias (8.3ss).
Um grupo de sacerdotes de Jerusalém, no entanto, sacerdotes levitas e descendentes de Zadoque, não tinham feito esse tipo de concessões (v. 15). Zadoque, o fundador dessa linhagem, realizou o ministério sacerdotal na corte de Davi, junto com Abiatar, descendente do antigo sacerdócio de Siló (2Sm 8.17; 15.24ss). Não há evidência contundente a favor da teoria de que Zadoque pertencia ao sacerdócio pré-israelita do ’El ‘Elyôn (Deus Altíssimo) em Jerusalém. No tempo de Salomão, Abiatar foi rebaixado (1Rs 2.26,27), e Zadoque, que havia ungido Salomão como rei (1Rs 1.39), tornou-se líder sacerdotal incontestado (1Rs 2.35). A sua linhagem continuou responsável pelo templo em Jerusalém até a destruição do templo de Salomão em 587 a.C. Quando o templo de Zorobabel foi construído 70 anos depois, foi a família dos zadoquitas que forneceu os sucessivos sumo sacerdotes desde Josué, fdho de Jeozadaque, até Onias III e o seu irmão Jasom, que foram depostos, um após o outro, por Antíoco IV (c. 170 a.C.). Depois disso, um sumo sacerdote zadoquita foi mantido no templo dos judeus em Leontópolis, no Egito, até que Vespa-siano o fechasse em 71 d.C. A comunidade de Cunrã considerava os zadoquitas os únicos sumos sacerdotes legítimos que, até a revolta de 66 d.C., oficiaram em Jerusalém. Os zadoquitas recebem uma linhagem leví-tica em 1Cr 6.1-15,50-53.
b) Regulamentos sacerdotais (44.17-31). As regulamentações acerca das vestes e do estilo de vida dos sacerdotes são semelhantes às de Êx 28.40-43; Lv 21.1-23 etc., com algumas variações.

v. 19. para que não consagrem... cf. 42.13, 14; 46.20. v. 21. Nenhum sacerdote beberá vinho..:. cf. Lv 10.9. v. 22. Eles não se casarão com viúva..:, em Lv 21.13,14, essa restrição se aplica somente ao “sumo sacerdote, aquele entre seus irmãos...” (cf. Lv 21.7 acerca de restrições maritais aplicáveis aos sacerdotes em geral); Ezequiel, no entanto, não faz menção de um sacerdote principal, v. 23. Eles ensinarão ao meu povo..:, acerca do ministério de ensino dos sacerdotes, cf. Dt 33.10; Ml 2.6,7; acerca de suas funções judiciais, cf. Dt 17.8ss. v. 27. o sacerdote oferecerá em favor de Sl mesmo uma oferta pelo pecado cf. Lv 4.3ss; Hb 5.3; 7.27. v. 28. Eu serei a única herança [...] Vocês não lhes darão propriedade alguma mas em 45.4,5; 48.11-14, os sacerdotes e levitas possuem uma “porção sagrada”, um “distrito sagrado”, alocado para sua residência, v. 29. tudo o que em Israel for consagrado ao Senhor-. BJ: “consagrado por anátema em Israel”; heb. hêrem (cf. Lv 27.21,28,29). v. 31. Os sacerdotes não comerão [...] animais encontrados mortos-. cf. 4.14. Em Lv 7.24, essa provisão é aplicada a todo o Israel.

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