2019/09/02

Estudo sobre Ezequiel 7

Estudo sobre Ezequiel 7

Estudo sobre Ezequiel 7 




Ezequiel 7

O dia da ira (7.1-27). 
Esse capítulo é comumente — e sem dúvida com razão — interpretado como um poema, embora não seja impresso como tal. Há três estrofes, cada uma terminando com a fórmula de reconhecimento característica de Ezequiel (v, 4,9,27). O tema é a iminência da condenação de Israel: Chegou o fim! (v. 2). Esse tema é repetido por causa da obstinação do povo em não crer que o desastre estivesse perto (cf. 12.21-28). Assim, o profeta especifica o desastre: a idolatria será castigada (v. 3,4,8,9), o orgulho e a violência serão vingados (v. 10,11), as transações comerciais vão murchar (v. 12,13), não haverá disposição para resistir ao inimigo (v. 14), a espada, a fome e a peste farão o pior (v. 15), e os que escaparem não vão se sair melhor do que os que sucumbirem (v. 16,17). Os ricos serão reduzidos à mendicância; o dinheiro será inútil, pois não haverá comida para comprar (v. 18,19). O templo será profanado e pilhado (v. 22); os pagãos tomarão posse da sua propriedade (v. 21,24). Nenhum conselho adequado à catástrofe virá dos seus conselheiros tradicionais (v. 26); os seus próprios governantes estarão no fim de suas capacidades e serão incapazes de dar proteção e orientação (v. 27).
a) Primeira estrofe (7.1-4). v. 2. O fim\ a palavra qes é a mesma que é usada para um fim semelhante em Am 8.1-3. O fim da paciência de Deus significa o começo do juízo.
b) Segunda estrofe (7.5-9). v. 5. Assim diz o Soberano, o Senhor: essa estrofe é em grande parte uma repetição da anterior, v. 7. sobre os montes: talvez como os lugares principais dos altares idólatras (6.2ss), mas a LXX omite a frase (cf. emenda na NEB).
c) Terceira estrofe (7.10-27). v. 10. condenação: repetição do v. 7. O significado do heb. sephirah é incerto nesses dois trechos, mas ”condenação” (cf. BJ) é mais provável (o acréscimo de “tua” na ARA e ARC é desnecessário). vara\ cf. vara para castigar (v. 11). v. 11. A violência tomou a forma de uma vara para castigar a maldade, a LXX traduz por “a violência surgiu e vai quebrar a vara dos ímpios”; o versículo tem deixado perplexos muitos tradutores, v. 12. a ira está sobre toda a multidão: omitido na LXX, talvez porque já na época o hebraico era difícil de traduzir, v. 13. mesmo que viva muito tempo [...] não voltará atrás: omitido na LXX. nenhuma vida humana será preservada: talvez: “nenhum homem cuja vida é mera iniquidade vai sobreviver” (v. versões para outras traduções possíveis).
v. 14. pois a minha ira está sobre toda a multidão: omitido na LXX como nos versículos 12,13; mas aqui ela é mais inteligível, v. 15. Fora está a espada, dentro estão a peste e a fome. a descrição das condições de cerco (cf. 6.11). v. 16. Todos os que se livrarem e escaparem: cf. 5.3,4. como pombas nos vales: omitido na LXX. gemendo: a Versão Siríaca traz ”eles morrerão” (se adotamos a formulação da LXX e da Siríaca, o significado é: “todos morrerão, cada um na sua iniquidade”; cf. especialmente BJ). v. 17. todo joelho ficará como água: a LXX sugere a incontinência em virtude do terror (assim a BJ). v. 18. cabeça [...] rapada e “pano de saco” (ARA), um sinal de luto (cf. Is 3.24; 15.2; 22.12; Jr 16.6; Am 8.10), o que era proibido em Dt 14.1. v. 19 . fazê-los tropeçar na iniquidade a NEB traz “a iniquidade deles vai causar a sua queda” (cf. BJ). v. 20. suas lindas jóias: ouro, pedras preciosas etc. v. 22. o lugar que tanto amo: o templo, possivelmente o Lugar Santíssimo (cf. SL 74.1). v. 23. Preparem correntes: a NEB traz ”cerrem os seus punhos” (mais uma ação simbólica como em 6.11). a cidade: Jerusalém, v. 24. os santuários deles: cf. Am 7.9; em ambos os textos, a referência é a santuários locais (“altares idólatras”). Podería até haver um contraste entre “santuários deles e meu lugar” (ARC; v. 22). v. 25. pavor. BJ: “angústia”. v. 26. profeta [...] sacerdote [...] autoridades: sobre uma divisão tríplice semelhante, cf. Jr 18.18, em que as pessoas insistem em que nenhum colapso como indicado aqui vai cair sobre elas. Lei: heb. torah, “instrução” (NEB: “orientação”); o ensino era responsabilidade dos sacerdotes (cf. 44.23; Dt 33.10; Ml 2.6,7). v. 27. povo da terra: aqui colocado em contraste com o rei e o príncipe (ou governador). Nesse período, a frase é usada com relação ao povo comum em distinção da corte, dos sacerdotes e dos profetas (as autoridades públicas estabelecidas); cf. 22.29; 45.22; 2Rs 16.15; Jr 1.18 etc.

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