2019/09/18

Estudo sobre João 13

Estudo sobre João 13

Estudo sobre João 13



I. O MINISTÉRIO DA SALA DO ANDAR SUPERIOR (13.1—17.26)
1) Prática e prescrição da humildade (13.1-17)
João não registra detalhes da ceia em si. Mas ele preserva algumas ações e palavras que eram símbolos duradouros da natureza de Cristo, que ele queria que os discípulos sempre lembrassem, v. 1. antes da festa da Páscoa: Alguns eruditos argumentam que a cronologia de João difere da dos Sinópticos ao colocar a última ceia mais cedo na semana da Paixão, antes da Páscoa, enquanto os Sinópticos a representam como a refeição da Páscoa (cf. Mc 14.1-26). Mas a aparente discrepância de um dia pode ser resolvida se se puder mostrar claramente que os fariseus e outros grupos em Israel comemoravam a Páscoa um dia antes do que os saduceus. Certo apoio para a observância de dois calendários distintos tem sido provido pelos manuscritos do mar Morto. R. V. G. Tasker sugeriu que todo esse versículo pode ser separado do trecho contíguo e compreendido como uma introdução a ele. (Acerca de mais indicações de tempo, cf. 18.28; 19.14,31,42.) v. 2. Estava sendo servido o jantar (gr. deipnou ginomenou): Para ginomenou (presente), há uma variante bem documentada, genomenou (aoristo), daí a ARC: “acabada a ceia”. C. H. Dodd (lnterpre-tation oftheFourth Gospel, 1953, p. 401) destaca o significado dessa frase, indicando que a ação seguinte está situada no contexto da ceia do Senhor com o seu tema da memória. Se isso fosse a refeição da Páscoa, deveríamos esperar que João fosse muito mais explícito. Além disso, o desse versículo, referindo-se a Judas, sugere que o momento da sua deserção durante a Páscoa ainda não havia chegado de fato. v. 4. tirou a sua capa: Com esse ato, Jesus retrata a humilhação que, na sua expressão mais plena, significava para ele a entrega da sua vida.
Não pode haver significado alegórico além disso, e procurar algo assim é negligenciar o v. 15, que afirma de forma clara que o ato era principalmente para servir de exemplo. Jesus assumiu a posição de um escravo, quando tomou a toalha, posição que ele de fato adotou de forma soberana como o Servo do Senhor, v. 8. Se eu não os lavar, você não terá parte comigo-. As versões tradicionais (ARA e ARG) também trazem “comigo”, que está, na verdade, muito mais próximo do que Jesus disse realmente. As palavras de Jesus novamente destacam o ponto de que o que ele está fazendo é uma parábola encenada. Se Pedro, portanto, quer estar associado ao seu Senhor, precisa permitir que faça o que ele quer. Os homens precisam ter não somente o desejo de servir a Cristo, mas também aceitar o serviço dele por eles. E que alguma purificação esteja tipificada aqui, parece razoável, embora não devamos forçar a figura além dos limites, v. 10. precisa apenas lavar os pés-, C. K. Barrett sugere, corretamente, que o problema textual dessas palavras, independentemente de se devem ser omitidas ou não (como fazem alguns manuscritos), não pode ser decidido somente com base em considerações textuais, mas também na interpretação, pois a versão mais breve torna impossível supor que o que Jesus tinha feito não era de enorme importância, v. 14. vocês também devem lavar os pés uns dos outros-, Jesus já falou acerca daquela purificação fundamental que ele trouxe por meio da sua vida e morte. Agora os que foram purificados por ele precisam expressar a sua purificação no serviço humilde uns aos outros, v. 17 .felizes serão se as praticarem. A lição precisa ser atrativa para a vontade deles, como também para o seu intelecto. E aquele que colocar em prática o que sabe encontra a verdadeira felicidade.
2) O traidor (13.18-35) v. 18. conheço os que escolher. Apesar de Judas, Jesus pode dizer que o seu conhecimento de todos eles era completo desde o início. Mas a ação de Judas somente mostra quão plenamente as Escrituras (e.g., SI 41.9) se cumprem em Jesus (cf. 17.12). voltou-se contra mim (“levantou contra mim o seu calcanhar”, ARA): E por compaixão que Jesus não revela os detalhes da ação do traidor. “Calcanhar” (gr. pternd) é um hapax legomenon do NT (ocorre apenas uma vez no NT). E. F. Bishop conta como esse ditado, especialmente entre árabes (e o heb. “calcanhar”, ‘aqeb [cf. Jacó], é cognato do termo árabe), sugere um insulto covarde por parte de um amigo íntimo, v. 23. Um deles, o discípulo a quem Jesus amava-. Alguns estudiosos chegaram a pensar que esse era o discípulo “ideal” que não existia na vida real, aquele que reage com perfeição aos ensinos de Jesus. No entanto, isso pode ser descartado. De acordo com 21.24, ele foi “a testemunha” em cuja evidência esse evangelho foi fundado e por quem foi escrito (cf. tb. 19.26; 20.2). Essa testemunha era conhecida das autoridades em Jerusalém e dava testemunho de primeira mão da crucificação (cf. 18.15; 19.35). V. uma discussão mais detalhada na Introdução,
v. 25. Senhor, quem é?\ Essa pergunta, colocada por João, está em concordância com a impressão geral que temos dele em todo o NT. Em outros textos (cf. Mc 14.17ss; Mt 26.20ss), cada um dos discípulos pergunta, assustado, se ele mesmo é o traidor. Mas esse homem, com consciência mais clara, pede a Jesus a indicação direta, v. 26. Aquele a quem eu der este pedaço de pão\ Nas refeições no Oriente, era um gesto comum de amizade especial por parte do anfitrião oferecer um bocado a um dos hóspedes. A ação de Jesus, então, parece dizer a Judas que, apesar da sua intenção, o amor do Salvador permanece o mesmo. v. 30. Judas saiu, A intenção de Judas agora se torna um propósito definido. Ele sai da luz e da companhia de Jesus e de seus amigos para a noite (cf. 6.64). A lição aqui para todos os tempos certamente é que, mesmo com o amor de Deus sobre ele, o homem está livre para preferir o mal ao bem. v. 31. Agora o Filho do homem é glorificado-, Cf. 17.1. Jesus, na perfeição do caráter humano, aceita a decisão de Judas. Mas isso não passa despercebido, v. 32. Deus também glorificará o Filho nele mesmo\ A dignidade com que Jesus como Homem aceita a resolução perigosa de Judas é correspondente à dignidade com que Deus vai revesti-lo durante a obra em que ele se envolve agora. v. 34. Amem-se uns aos outros: Não podemos contar a emoção com que foram pronunciadas essas palavras. Judas tinha exposto o mal resultante do egocentrismo. Jesus estava prestes a mostrar a eles seu amor completo pelo Pai em obediência à sua vontade. Ele vai deixá-los fisicamente — eles não podem segui-lo agora —, e o único vínculo que vai mantê-los unidos é o amor, nutrido neles pelo Espírito (cf. 14.15ss).

3) Consolo para os discípulos em aflição (13.36—14.31)
v. 36. Para onde vou, vocês [...] me seguirão mais tarde: E aqui que a verdade severa do que Jesus diz começa a clarear para Pedro. Mas ele não se intimida. Ele tem mais consideração pela amizade com Cristo do que pela sua própria vida, não importam os fracassos que vá experimentar mais tarde na história. Mas ele não entende ainda que Jesus lhe promete que ele vai, de fato, segui-lo. Vai ser para a morte e, depois da morte, para a vin-dicação. A ideia da separação já é suficientemente dura. Mas a ideia do fracasso no momento da separação é muito pior. Assim, Jesus conforta os discípulos e os encoraja a olharem para a alegria futura do reencontro. 

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