2016/09/12

Estudo sobre João 4

Estudo sobre João 4

Estudo sobre João 4


A mulher samaritana (4.1-42)
Os samaritanos são mencionados com certa frequência nos Evangelhos (cf. Lc 9.5156; 10.29-37; 17.15,16; v. “Samaritanos” no NBD). v. 1. Jesus: O v. 2 é um comentário editorial corrigindo falsos rumores, v. 4. Era-lhe necessário passar por Samaria: Em João, Jesus é apresentado como quem trabalha em íntima associação com o seu Pai, até mesmo nos eventos que conduzem para a “hora” final. Mas aqui, provavelmente, não é nada mais do que uma necessidade geográfica, v. 5. Sicar. Geralmente identificada com a atual Askar, não muito distante do tradicional ”poço de Jacó” que pode ser visitado hoje, embora W. F. Albright (Archaeol. Pal., p. 247) favoreça a leitura da Vetus Siriaca, “Siquém” (cf. At 7.16). perto das terras que Jacó dera a seu filho José. Que isso ficava perto de Siquém, está relativamente claro (cf. Gn 48.22, “região montanhosa”, heb. shechem\ v. tb. Gn 33.19; Js 24.32). v. 6. cansado da viagem (gr. kekopiakõs) é uma de uma série de ênfases no evangelho (cf. Introdução) para destacar a humanidade do nosso Senhor, meio-dia: grego ”sexta hora”. 
v. 9. os judeus não se dão bem com os samaritanos: Esse antagonismo remonta aos séculos VI e V a.C., quando os judeus exilados retornaram, da Babilônia, para Judá, e consideraram impura essa miscigenação de populações. A ruptura foi ampliada com a construção do templo rival no monte Gerizim. Na literatura rabínica, proibições específicas excluem praticamente todo contato entre os dois grupos. Essas regras talvez estejam por trás da afirmação de João aqui (gr. synchraomai significa “usar junto com”, e.g., potes e panelas). A NEB traduz de forma apropriada: ”Judeus e samaritanos, deve-se destacar, não usam vasilhas em comum”. 
v. 10. Se você conhecesse o dom de Deus: Somente esse dom pode fechar as brechas entre pessoa e pessoa, à medida que aprendem a compartilhar tudo que o Pai lhes deu por meio de Cristo. Mas o Filho é ele mesmo o Dom (cf. 3.16). água viva: Originalmente, água corrente. No AT, no entanto, o retrato foi usado para descrever a atividade divina ao dar vida aos homens (cf. Jr 2.13; Zc 14.8; Ez 47.9 etc.), v. 14. quem beber (gr. hos d’an pie): Barrett traduz corretamente: ”todo o que beber”, i.e., de uma vez por todas, em contraste com a necessidade de água diária, fonte de água (gr. pêgê hydatos): A fonte de Jacó é descrita pela mesma palavra (v. 6). Era suprida com água corrente. Mas há versões (cf. RSV) que sabiamente fazem a distinção entre o v. 6 e o 14. (A palavra gr. phrear é usada nos v. 11,12). Ambas as palavras são usadas, pois esse phrear é também suprido por um pêgê subterrâneo. A fonte de que Jesus está falando vem de fora do homem, assim garantindo um suprimento inesgotável. 
v. 15. A mulher, no entanto, não entende que Jesus está falando de um aspecto espiritual correspondente à fonte que ela usava continuamente. v. 16. chame o seu marido: Sua resposta foi tanto uma desculpa mesquinha quanto uma confissão verdadeira. E Jesus observa a honestidade da afirmação, embora isso não tenha sido percebido pela mulher que a fez. Mas ele vai além de aceitar o que é honesto para expor toda a verdade. Tasker comenta: ”Porque ela falou a verdade, a verdade a liberta — ela está livre para receber o presente que Jesus lhe pode dar” (p. 76). v. 19. profe-ta. Há um alerta nessa palavra. No entanto, os samaritanos não aceitavam a autoridade dos profetas depois de Moisés. Mas, se Jesus é um profeta, ele deve ser o profeta de Dt 18.15ss, o profeta como Moisés, o Taheb da expectativa dos samaritanos.
v. 20. Nossos antepassados adoraram neste monte-. I.e., Gerizim, que era sagrado para os samaritanos. Esse era o lugar em que, de acordo com o texto de Dt 12.5, Deus “escolheu”, e não “vai escolher”, para colocar o seu nome. Será que alguém com percepção profética pode agora resolver esse problema tão antigo? Mas a questão é irrelevante aqui. A adoração, a partir de agora, vai ser oferecida a Deus em todos os lugares (Ml 1.11) por meio de Cristo, v. 22. a salvação vem dos judeus-, Apesar da evidência da vida insatisfatória da mulher, os samaritanos tendiam a ser mais rigorosos do que os judeus. Mas a eleição destes era para a difusão do poder salvador de Deus “até os confins da terra” (cf. Is 49.5,6). v. 23. em espírito e em verdade-, I. e., em virtude do novo nascimento, e à luz da revelação da verdade em Cristo. “Espírito” aqui é suficientemente vago para denotar tanto aquela essência sobrenatural da vida cristã quanto o meio, i.e., o Espírito Santo, por meio do qual ela é concedida. v. 24. Deus é espírito (gr. pneuma ho theos) é mais uma questão de descrever a liberdade soberana que Deus tem em contraste com os homens, fechados num mundo material, do que uma definição da sua natureza. Por isso, os homens precisam adorá-lo em espírito, pois somente por meio dele podem ter comunhão com Deus. v. 25. o Messias (chamado Cristo) está vindo-. As palavras do Senhor concernentes ao modo essencial da adoração fazem a mulher responder. Ela crê ao menos que no final Deus vai revelar o seu propósito.
v. 26. Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você. Lit.: “Eu sou (ele) que fala com você”. Essa auto-revelação torna completo o propósito imediato do Senhor (cf. v. 19). “Eu sou” ocorre muitas vezes em João (cf. 6.35,51; 8.12,18; 10.7,9,11,14; 11.25; 14.6; 15.1,5). Sua forte semelhança com o Javé do AT (“Eu serei o que serei”) tem sido observada com frequência. Mas a ideia não está necessariamente intrínseca em todas essas referências como elas se apresentam, embora algumas implicações tenham se insinuado a João e aos seus primeiros leitores. Essa é a primeira autoconfissão de Jesus no evangelho, v. 28. deixando o seu cântaro-, Essa não é uma referência alegórica. Nesse momento tão significativo, a mulher pode ter de fato colocado o jarro à disposição de Jesus. Ela pergunta com hesitação: Será que ele não é o Cristo? v. 32. Tenho algo para comer. Assim como a mulher não percebeu o significado das referências de Jesus à água da vida, assim os discípulos evidentemente interpretaram erroneamente as palavras de Jesus acerca da comida (cf. SI 119.103) por meio das quais ele se refere à sua missão na vida, de fazer a vontade daquele que me enviou (v. 34) por meio das suas obras e palavras (cf. 9.4; 10.25,37,38; 14.10,11; 17.4; v. tb. 7.17; Dt 8.3). e concluir a sua obra-, A obediência de Jesus ao Pai era completa e perfeita (cf. 17.4). v. 35. Vocês não dizem...?-. I.e., “Não é um fato comum?”. Provavelmente não temos aqui um provérbio. Barrett associa isso com a suposta exatidão sazonal com que se ofereciam os primeiros frutos a Deus no dia 16 de nisã (cf. artigo ”Pano de fundo social do Novo Testamento”).
vejam os campos! Eles estão maduros para a colheita: Isso se evidencia no contato com Nicodemos e a mulher de Samaria. v. 36. ... se alegram juntos o que semeia e o que colhe'. Jesus lançou a semente e fez uma colheita rápida, v. 38. Eu os enviei para colherem: Provavelmente uma referência à atividade batismal dos discípulos em que eles realmente tinham entrado nos esforços de outros, como João Batista (cf. 3.23; 4.2). v. 42. o Salvador do mundo: O que de fato resultou da estada de dois dias de Jesus em Samaria provavelmente nunca saberemos; isso pode prover um pano de fundo para a missão samaritana de Filipe em At 8.5ss. Mas sabemos que alguns samaritanos foram convencidos além de toda dúvida de que Jesus era a provisão de Deus para a salvação universal.

II. REVELAÇÃO POR MEIO DE ATOS E PALAVRAS (4.43—6.71)
1)  O filho do oficial (4.43-54)
Há uma semelhança entre esse milagre e o da cura do servo do centurião (cf. Mt 8.513; Lc 7.1-10). Está no fato de que ambas as curas foram realizadas de certa distância, v. 44. em sua própria terra (patris) deve significar aqui não Nazaré, na Galileia, como geralmente significa nos Sinópticos (cf. Mc 6.4 etc.), mas, em vista do contexto messiânico, Jerusalém, na Judeia, considerada por todos os judeus seu próprio lar. v. 48. Os sinais que Jesus realiza só têm a intenção de serem indicadores do caminho para a compaixão de Deus. Eles não são suficientes como único fundamento para a fé. v. 50. O homem confiou na palavra de Jesus: Mesmo assim, sua fé ainda não era fé salvífica. Era somente, até então, segurança de que Jesus era genuíno (cf. v. 53). v. 52. à uma da tarde: tradução do grego “sétima hora”, v. 53. Assim, creram ele e todos os de sua casa: Isso agora era fé absoluta que dava valor à sua crença anterior sem que tivesse visto (cf. 20.29). v. 54. o segundo sinal miraculoso: Cf. 2.11.

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