2019/08/25

Estudo sobre João 5

Estudo sobre João 5

Estudo sobre João 5 



João 5 


O paralítico de Betesda (5.1-47)
Há aqui algumas semelhanças com a cura registrada nos Sinópticos (cf. Mc 2.1-12; Mt 9.2-8; Lc 5.18-26). Os dois incidentes suscitam controvérsias. Em Marcos, destaca-se a conexão entre a condição do homem e o poder de Jesus para perdoar pecados, ao passo que aqui os pecados do homem são mencionados quase que de passagem (cf. v. 14). E interessante observar como nas épocas de festas Jesus acusava severamente os judeus de incredulidade (cf. v. 29; 11.55ss; 7.2-9) de forma tal que finalmente precipitou o clímax do seu ministério, v. 1. uma festa: A ausência do artigo definido deixa a festa indefinida, embora alguns (entre eles, R. H. Lightfoot e J. Rendei Harris) tenham sugerido que se tratava do Ano Novo.
5:2. Betesda: Tanto a evidência de manuscritos para o nome quanto seu significado exato são incertos. “Betzata” tem boa base (ou talvez “Bezata”), sendo conhecida de Josefo. Por outro lado, muitos estudiosos ainda preferem a leitura “Betesda” (lit. “casa de misericórdia”), possivelmente em virtude de sua adequabilidade como um lugar em que Jesus realizou um milagre. Beth-‘eshda (“casa do derramamento”), preferido por Calvino, parece ser confirmado pelo rolo de cobre da caverna 3 de Cunrã [v. 3b e 4 são corretamente omitidos no texto em algumas versões. Eles, sem dúvida, são acréscimos posteriores à história e não têm forte apoio nos manuscritos. Eles, provavelmente, preservam uma tradição que explicava o movimento da água. A narrativa tem ótima fluência sem eles].
5:6. Você quer ser curado?: Não é uma pergunta superficial. Parece que o nosso Senhor se dirigiu ao caso mais necessitado ali e, de forma apropriada, tentou evocar alguma fé e confiança desse homem. 

5:7. quando a água é agitada: O fenômeno é interpretado nos versículos omitidos em algumas versões como uma intervenção angelical. Westcott comenta: “As propriedades de cura do tanque podem ter sido devidas aos elementos minerais”. Escavações no tanque de Sta. Ana revelaram cinco pórticos (cf. NBD, p. 143-4). 5:9. num sábado: Numa afirmação sucinta, o evangelista prepara o discurso que segue agora. 5:10. não lhe é permitido carregar a maca: Os judeus tratam tudo que vêem em termos da lei. Os escritos rabínicos traziam regras detalhadas quanto à remoção e transporte de móveis no sábado. Uma cama não podia ser carregada, embora carregar um paciente numa cama fosse permitido, 5:13O homem [...] não tinha ideia de quem era ele: Isso parece estranho para nós, mas a mente oriental aprendia a aceitar o sobrenatural, muitas vezes se esquecendo de se incomodar com o meio que tinha servido para a sua realização. De qualquer maneira, Jesus havia desaparecido para evitar a curiosidade da multidão.
5:14. Não volte a pecar. Isso sugere que Jesus via alguma conexão, por indireta que fosse, entre esse caso de sofrimento e algum pecado de que o homem era culpado (cf. 9.23). O perdão não foi mencionado, embora a expressão Não volte a pecar sugira que o pecado até então na vida do homem estava perdoado, 5:17. Meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando-. O restante do discurso decorre dessa afirmação. Deus descansou no sétimo dia, de acordo com as Escrituras (cf. Gn 2.2,3). Contudo, a observância do sábado não tinha a intenção de ser um descanso na inatividade, mas o descanso que vem da comunhão espiritual com Deus, que está incessantemente ativo como Criador e Sustentador do Universo. 5:18. mas também estava dizendo que Deus era seu próprio Pai (gr. patera idion): Esse aspecto, acima de tudo o mais, incitou os judeus ao ódio mortal contra Jesus, junto com sua concordância de que agia em comunhão direta com o Pai, dizendo: o Filho não pode fazer nada de si mesmo (v. 19). O relacionamento de Jesus com o Pai é singular, de forma que ele não age independentemente do Pai. O Filho também faz: A esfera de atividade do Filho é coextensivo ao do Pai. 
5:20. obras ainda maiores do que estas: I.e., maiores do que a cura desse paralítico. Essas vão compelir a atenção dos judeus, e.g., a ressurreição de Lázaro (cf. 11.45). 5:21. da mesma forma que o Pai ressuscita os mortos: A maioria dos judeus acreditava que a ressurreição de mortos estava reservada para uma época vindoura (cf. Ez 37.13) e seria cumprida no Messias. O v. 22 é uma afirmação explicada mais tarde no v. 27. Entrementes, um propósito claro dessa delegação de autoridade a Cristo é que todos honrem o Filho (v. 23), reconhecendo sua igualdade em autoridade e ação. v. 24. Quem ouve a minha palavra e cré A construção da frase aqui mostra que o ouvir e o crer precisam ser considerados juntos. Ouvir não é somente uma atividade passiva. O grande shema‘ (“Ouça, ó Israel...”) do AT (Dt 6.4-9) pressupunha a fé pelas obras. Assim, aqui a palavra de Cristo evoca uma reação (cf. 6.63,68; 15.3), e aquele que a apresenta tem a vida eterna e não será condenado — pela fé, ele agora espera e desfruta da absolvição final e da vida da era da ressurreição.
5:25. está chegando a hora, e já chegou: Cf. 4.23. Os mortos aqui são os espiritualmente mortos. O Filho do homem já os despertou por sua palavra. Que os que ouvirem viverão, está fundamentado na expectativa do AT (cf. Is 55.11). Assim, a palavra de Cristo trazendo vida separa pessoa de pessoa, dessa forma levando alguns ao julgamento (cf. v. 27). 5:26. ele concedeu ao Filho ter vida: Faz parte da natureza essencial do Filho, compartilhada com o Pai, que ele é capaz de ser a fonte de vida para outros (cf. 1.4). 5:27. porque é o Filho do homem (gr. hoti hyios anthrõpou esti): O Filho do homem do livro de Daniel (cf. Dn 7.13,14) nunca está longe da mente dos evangelistas. Aqui, sem dúvida, o autor está pensando principalmente na sua humanidade. Visto que ele compartilha completamente a humanidade, e em virtude de sua suprema autoridade conferida a ele pelo Pai, ele pode exercer o julgamento, v. 28. todos os que estiverem nos túmulos: Cf. v. 25. Tanto bons quanto maus estão incluídos (cf. versículo seguinte). A ressurreição dos fisicamente mortos é algo que vai ser incluído mais tarde no programa divino. A voz de Jesus vai ser ouvida no juízo final, embora não haja nenhum detalhamento (cf. Dn 12.2). 5:30. não procuro agradar a mim mesmo: Isso coloca o julgamento do qual Cristo falou além de todo questionamento. Nele não há sinal de auto-engrandecimento (cf. v. 41-44).
5:31. O dito de Jesus aqui talvez pareça contradizer o que ele diz mais tarde (cf. 8.13,14). Mas não há contradição. Aqui, ele está se referindo às declarações que ele talvez tenha feito como auto-afirmação. Mas o seu testemunho está em harmonia com o do Pai, de modo que ele confia no Pai (cf. v. 32). 5:34. mas menciono isso para que vocês sejam salvos: Tão grande é a preocupação de Jesus pelos judeus que ele chama a atenção deles para a obra de João Batista, se isso os conduzir a Ele. 5:35. João era uma candeia que queimava e irradiava a luz (gr. lychnos): O testemunho de João, na melhor das hipóteses, era secundário (cf. 1.8,33; 8.14). Ele deu testemunho como uma candeia por meio da qual brilhou a verdadeira luz na medida do azeite que lhe foi confiado, e durante certo tempo vocês quiseram alegrar-se com a sua luz: O fervor religioso, talvez, conduziu muitos judeus a se interessarem pela pregação de João, visto que se ocupava da proclamação do reino. 5:37. o Pai [...] ele mesmo testemunhou a meu respeito-. Isso, presumivelmente, se refere ao batismo de Jesus. Eles não ouviram a sua voz (cf. Mc 1.11) nem viram a sua forma (gr. eidos, forma exterior; cf. Lc 3.22) — na pomba que desceu (1.32). 5:38. nem a sua palavra habita em vocês-. Aqui a acusação de Jesus contra os judeus atinge o clímax. Se a Palavra de Deus tivesse um lugar de proeminência na vida deles, eles teriam reconhecido tanto a autoridade de Cristo quanto a de João Batista. 
5:39. Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras: O verbo pode ser ou imperativo ou indicativo. A segunda opção dá o melhor sentido. Os judeus criam que as Escrituras geravam vida, mas eles não a compreenderam como um testemunho de Cristo (cf. v. 21; Lc 24.25ss,44ss), pois não encontraram o caminho para ele. 5:42. vocês não têm o amor de Deus: A sua devoção a Deus não era genuína, pois, se fosse, teriam recebido o testemunho de Cristo. Eles, porém, são condenados mais ainda porque estão dispostos a aceitar um mestre auto-intitulado (v. 43). 5:45. Quem os acusa ê Moisés: Eles não devem pensar que Moisés é o seu advogado; ele é o seu acusador, e o julgamento está na autoridade da Palavra (12.47). 5:47. como crerão no que eu digo?: A fé no AT se considera incompleta, sempre apontando adiante para o seu cumprimento (cf. Dt 18.15,16). Esse argumento é dirigido à mente religiosa judaica. Se eles não creem nas Escrituras, é pouco provável que aceitem o ensino desse rabino para eles.

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