2019/09/18

Estudo sobre João 7

Estudo sobre João 7

Estudo sobre João 7


III. JESUS, A FONTE DE TODAS AS VERDADEIRAS BÊNÇÃOS (7.1—10.39)
1) Controvérsia na festa das cabanas (7.1-52)
v. 2 .festa das cabanas-. Também conhecida por “festa dos tabernáculos”, era uma festa anual, que durava oito dias, de 15 a 22 de tisri (Lv 23.33-36), sendo o último dia um sábado. Jerusalém ficava apinhada de peregrinos celebrando a festa da colheita e o cuidado histórico de Deus na peregrinação do deserto; muitos construíam seu próprio abrigo perto da cidade santa para a ocasião (cf. Lv 23.42). v. 3. os irmãos de Jesus-, Não há uma boa razão para supor que eles não fossem filhos de Maria e José. Eles insistiram com Jesus para que lhes fizesse uma demonstração aberta do seu poder, e no v. 5 o evangelista indica que esse pedido nasceu da incredulidade deles. Alguns manuscritos inserem “então” aqui, presumivelmente para harmonizar isso com outros trechos como At 1.14. Mas o fato de que eles eram incrédulos até então nos ajuda a entender em parte por que Jesus confiou o cuidado de sua mãe a outro discípulo (cf. 19.25ss). v. 6. o tempo certo (gr. ho kairos ho emos)\ Não a “hora” joanina (gr. hõrd). Pode haver uma pequena distinção. ”Tempo” aqui fala de oportunidade, enquanto “hora” em outros trechos (cf. 7.30; 8.20; 12.23; 13.1; 17.1) fala de sua morte e exaltação designadas,
v. 7. Para a maioria dos peregrinos, uma visita a Jerusalém para a festa das cabanas faria pouca diferença de outras vezes. Mas para Jesus significa que a sua presença, despertando o pecado nos outros, serve para evocar o ódio deles. v. 8. eu ainda não subirei-, A ida de Jesus para Jerusalém só acontecerá, como destaca Stauffer, “quando o Pai tiver dado o sinal” (p. 27). v. 10. ele também subiu, não abertamente, mas em segredo-, João registra uma série de visitas de Jesus a Jerusalém (cf. 2.13; 5.1; 12.12), mas essa harmoniza claramente com os autores dos Sinópticos (cf. Mc 9.30), em que o sigilo de Jesus é o prelúdio do drama final que conduz à prisão, julgamento e crucificação. E, em virtude de sua entrada em segredo, os judeus na cidade estavam perguntando onde ele estava (v. 11). Não precisaram esperar muito (v. 14). Esse é o primeiro registro que João faz da pregação pública de Jesus em Jerusalém em contraste com ele respondendo a perguntas, v. 15. instrução (gr. grammata, lit. “letras”): Os comentaristas que argumentam que o capítulo 6 está fora de lugar referem-se, entre outras coisas, ao fato de que essa pergunta parece seguir os ditos acerca dos “escritos” (grammata) de Moisés em 5.47. Isso não pode ser forçado. As palavras sem ter estudado significam que Jesus não havia sido educado nas escolas rabínicas. Podemos comparar a presente pergunta à observação posterior dos líderes judaicos segundo a qual Pedro e João eram “homens comuns e sem instrução agrammatoif' (At 4.13); a sua habilidade de expor as Escrituras foi explicada assim: “eles haviam estado com Jesus”, 
v. 17. Se alguém decidir fazer a vontade de Deus, descobrirá: Não pode haver autoridade maior do que esta que pode ser posta à prova. Em outras ocasiões, o nosso Senhor foi questionado de forma semelhante (cf. Mt 21.23; Jo 6.30) e ele sempre deu essencialmente a mesma resposta, v. 19. nenhum de vocês lhe obedece: Se esses homens realmente estivessem interessados em fazer a vontade de Deus (v. 17), então a Lei de Moisés seria seu guia soberano em todas as questões. Mas eles negam a autoridade de Jesus, e a ameaça que fizeram de matá-lo deu a Jesus a oportunidade de inverter o argumento. Eles o tinham acusado de violar abertamente o sábado (cf. 5.1-9). v. 22. Moisés lhes deu a circuncisão: Embora isso fosse praticado pelos patriarcas, Moisés regulamentou a prática na promulgação da Lei (cf. Lv 12.3). E é certo que a interpretação rabínica do trecho de Levítico tornava a circuncisão no sábado superior ao próprio sábado. v. 24. façam julgamentos justos: O ensino de Jesus aqui acerca da circuncisão se soma à controvérsia geral do sábado como está registrada nos Sinópticos. Jesus está interessado em tornar as pessoas completas e saudáveis, e não simplesmente em fazer uma interpretação mais liberal ter efeito sobre a regulamentação de Levítico. v. 28. vocês me conhecem e sabem de onde sou: A franqueza de Jesus era fonte de pasmo. As autoridades ainda não tinham capitulado? Realmente não; o Cristo não teria origem conhecida, isto é, esperava-se que o tempo e a forma de sua aparição fossem um mistério,
v. 29. eu o conheço [...] ele me enviou: Jesus reivindica tanto autoridade quanto conhecimento divinos. Parece que João está quase sugerindo (v. 30) que os judeus eram fisicamente incapazes de colocar as mãos nele antes que chegasse a sua ”hora”, v. 33. irei para aquele que me enviou: O verbo “ir” (gr. hypagô) em João denota particularmente o retorno do nosso Senhor para o lugar ao qual pertence (cf. 8.14; 13.33,36; 14.4,5,28; 16.5,17 etc.). Sua morte não seria o fim da sua obra. Seria, como Lucas formula, somente um “êxodo” (Lc 9.31) para o Pai. v. 34. onde eu estarei: Cf. 14.3; 17.24; v. tb. 8.21; 13.33. Cristo está essencialmente com o Pai sempre, em espírito. Mas em breve vai retornar para lá corporalmente. Em alguns desses trechos, está em vista uma separação histórica mais precisa. “Onde eu estarei” pode significar “onde estou prestes a estar”. Mas em toda separação existe um fato difícil — vocês não podem ir. Agora os judeus o procuravam com raiva. Virá o tempo quando o procurarão em angústia, v. 35. espalhado: Diáspora era um nome coletivo para os judeus em terras estrangeiras (cf. Tg 1.1; IPe 1.1). Ir a eles já era suficientemente ruim, mas eles acrescentam, com ironia, entre os gregos, a fim de ensiná-lo? A verdadeira ironia estava no fato de que eles estavam falando a verdade e não previam a missão de Cristo aos gentios por meio do corpo da sua Igreja. Assim, agora Cristo faz um convite universal no oitavo dia, No último e mais importante dia da festa (v. 37). venha a mim e beba: Provavelmente as libações rituais de água oferecidas em certos dias durante a festa das cabanas estavam bem frescas na memória do Senhor. Elas lembravam os judeus da fidelidade de Deus na mudança das estações (cf Zc 14.7,8)- A ideia do alimento espiritual, no entanto, já foi elaborada (cf. 4.14; 5.26; 6.53ss). Aqui ouvimos explicitamente que do seu interior fluirão rios de água viva (v. 38), significando que outros poderão saciar sua sede com a fartura transbordante de vida no crente. Uma disposição geral de referências está na mente do autor (cf. Is 44.3; 55.1; 58.11; Zc 13.1; 14.8). A referência é ao Espírito que viria com toda a sua purificação e poder renovador depois que Jesus fosse glorificado pela morte e exaltação (ICo 12.13). v. 40. Certamente este homem é o Profeta: Assim como Moisés tinha extraído água da rocha, Jesus agora promete ao seu povo água para beber (cf. 6.14; ICo 10.4). v. 43. o povo ficou dividido'. As pessoas parecem ter adotado um ponto de vista tríplice. Alguns continuaram convencidos de que Jesus era um impostor, provavelmente associando a sua origem na Galileia às dúvidas deles. Outros criam que ele poderia ser o precursor profético do Messias. E ainda outros aceitavam as suas afirmações na sua totalidade. v. 47. vocês também foram enganados?: Os oficiais que voltaram impotentes aos principais sacerdotes não precisaram fazer confissão específica alguma. Sua estupefação dava testemunho eloquente da sua reação a Jesus. Mas os fariseus respondem: “nenhum dos líderes espirituais foi assim enganado”. Se os outros haviam sido iludidos por esse Jesus, pior para eles. Mas eram todos inflexíveis? Não, um deles, Nicodemos, mostrou sábia imparcialidade, pois tinha, de fato, concedido uma audiência a ele (v. 51).
v. 52. da Galileia não surge profeta: O papiro 66, o mais antigo manuscrito existente de João, traz a notável leitura (definido): “o profeta” (cf. v. 40), em vez da ideia de “um profeta” de nossas outras autoridades. (A leitura com o artigo definido havia sido conjecturada por Rudolf Bultmann antes ser encontrada no P. 66). 

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