2019/09/18

Estudo sobre João 8

Estudo sobre João 8

Estudo sobre João 8


A verdadeira luz e suas implicações (8.12-59)
Nessa seção, chegamos à segunda grande auto-revelação do Senhor que é levada ao clímax pela discussão que segue. v. 12. Eu sou a lu% do mundo'. A divisão entre os judeus (cf. 7.43) se devia à cegueira. Jesus declara que ele é a luz da qual a vida é a fonte e que brilha no caminho para uma experiência mais completa com Deus. No início, Deus se manifestou ao trazer a luz (cf. Gn 1.2). A festa das cabanas, além disso, trazia à memória a orientação divina para Israel por meio da coluna de fogo, e uma cerimônia de luzes era realizada que provia iluminação em todo o templo. Na escuridão, Deus é desconhecido. Aquele que segue Jesus emerge da escuridão caótica como o mundo, no princípio, v. 15. eu não julgo ninguém-. Embora ele tenha autoridade para executar julgamento como Filho do homem (cf. 5.27), Jesus o retém (cf. 17.2). A afirmação, provavelmente, explicava a inserção do trecho do adultério que precede essa passagem. E significativo também que o incidente tratava de uma transgressão capital que só era imputável com base no testemunho de diversas testemunhas (cf. Dt 17.6; v. tb. v. 13). v. 16. Mesmo que eu julgue [...] porque não estou sozinho-, A lei judaica exigia evidências de ao menos duas testemunhas (Dt 19.15). Mas, embora o testemunho de Jesus seja irrefutável, eles respondem que não se pode exigir corroboração da evidência de Deus como se ele fosse uma testemunha terrena (cf. v. 19). v. 20. perto do lugar onde se colocavam as ofertas'. A área que continha as caixas de ofertas, provavelmente no pátio das mulheres (cf. Mc 12.41) perto da câmara do Sinédrio, a sua hora\ Cf. 7.30. v. 21. Eu vou embora-. Cf. 7.33. Agora Jesus explica que a sua partida para o Pai vai ter consequências terríveis para alguns (cf. 16.8-11).
v. 22. Será que ele irá matar-se? Uma interpretação grosseira das palavras de Jesus. Mas elas são inconscientemente irônicas, pois ele iria, de fato, entregar a sua vida (cf. 10.17). v. 23. Vocês são daqui de baixo'. Ambos os domínios, ”o de baixo” e “o de cima”, se encontram na terra, que é, de fato, o cenário do seu conflito. A terminologia pode ser a de um Universo em três patamares, mas é usada no sentido ético para distinguir os domínios do bem e do mal. v. 25. Exatamente o que tenho dito o tempo todo: gr. ho ti kai lalô hymin poderia ser traduzido pelas palavras iniciais “Por que será que eu estou falando com vocês?” (assim a NEB), que se encaixariam com o restante do trecho, v. 28. Quando vocês levantarem o Filho do homem: Embora a ideia de “levantar” esteja geralmente carregada de implicações teológicas (v. comentário de 3.14), aqui isso é menos intenso. Jesus se refere ao ato da crucificação pelos homens, que traria, não obstante, a sua exaltação. A sua morte vai evidenciar a sua obediência. Sua exaltação vai endossar suas declarações messiânicas. Tão diretas e francas foram as palavras de Jesus aqui que muitos creram nele (v. 30). v. 31. Se vocês permanecerem firmes na minha palavra'. Alguns judeus tinham crido nele (gr. pepis-teukotas autõ) de uma maneira que aceitava formalmente o seu ensino. Outros (cf. v. 30, gr. episteusan eis auton) tinham exercido a fé dinâmica e verdadeira nele.
v. 32. e a verdade os libertará'. Somente ao colocar de lado todos os preconceitos, a tradição e a vontade própria, pode um homem ver toda a verdade, especialmente a verdade acerca de si mesmo. v. 33. nunca fomos escravos de ninguém: Esses judeus não estavam negando os fatos evidentes da sua história. Antes, estavam afirmando que a liberdade religiosa sempre lhes tinha sido garantida de alguma forma. v. 35. O escravo não tem lugar permanente na família: Jesus fala, no entanto, de servidão sob o pecado (cf. Rm 6.17). Um filho sempre é livre; um escravo não pode se libertar a si mesmo (cf. Gn 21.9-14). Isaque permaneceu na casa de seu pai, ao passo que Ismael, filho de Hagar, foi posto para fora. v. 36. Portanto, se o Filho os libertar. João reserva o substantivo hyos em relação a Deus somente para Cristo, v. 39. Se vocês fossem filhos de Abraão: Há diversas leituras variantes sugeridas para essa frase. A alternativa principal diz: “Se vocês são filhos de Abraão, então façam as obras de Abraão”. (Mas cf. v. 42, que se encaixa melhor com a formulação anterior.) “Filhos” implica relacionamento de sangue (cf. 1.12), embora João use o plural tekna, e não hyioi, independentemente de implicações mais sutis. v. 40. Abraão não agiu assim: Talvez Jesus esteja pensando na recepção que Abraão deu aos mensageiros de Deus (cf. Gn 18). v. 42. Se Deus fosse o Pai de vocês: Cf. v. 39. Jesus nega aos judeus o direito definitivo de reivindicarem descendência espiritual de Abraão. E tem mais: se alguma nação poderia reivindicar o direito de chamar Deus de Pai, essa nação seria Israel (cf. Os 11.1; Ml 2.10). Mas Jesus se nega a reconhecer até mesmo esse direito, visto que os judeus rejeitaram o único Filho de Deus. Agora seguem duas perguntas severas e irrespondíveis, v. 43. Por que a minha linguagem não é clara para vocês?: É porque eles não conseguem ouvir a mensagem dele. A dificuldade deles é moral, e não intelectual. Assim, o silêncio dos judeus evoca uma das mais severas de todas as censuras de Jesus (v. 44). v. 46. Qual de vocês pode me acusar [gr. elenchei\ de algum pecado?: Ninguém! Então, ele de fato fala a verdade, e o peso da culpa está de forma clara e severa do lado deles pelo que ele disse. Aliás, o Espírito vai convencê-los de pecado mais tarde (cf. 16.8). Mas os ouvidos deles estão moucos porque não pertencem a Deus (v. 47). v. 48. você é samaritano: O forte repúdio às palavras de Jesus os conduziu a sugerir que o fato de ele negar o parentesco dos judeus com Abraão estava fundamentado no preconceito samaritano, e pode bem ser que as palavras de Jesus os lembraram da terminologia de teólogos samaritanos. O termo “samaritano”, no entanto, é mais provavelmente um simples termo de insulto (cf. v. 41).
v. 51. jamais verá a morte: Isso já é loucura, pois Abraão morreu (v. 52). Jesus, no entanto, fala da morte como separação final e irrevogável de Deus. v. 56. Abraão [...] regozijou-se porque veria (gr. êgaliasato hina) o meu dia: Abraão esperou o cumprimento da promessa inicial de Deus (cf. Gn 22.18). ele o viu e alegrou-se-. Alguns comentaristas antigos criam que essa era a visão de Abraão (cf. Gn 15.17-21) da extensão da sua posteridade. Fílon interpretou o riso de Abraão (cf. Gn 17.17) como alegria, e não incredulidade. Outros têm sugerido que Abraão viu a obra de Cristo lá do paraíso. Certamente é antes uma referência àquela penetração no propósito de Deus, pela qual Abraão se alegrou na Palavra de Deus, que agora se tornou carne para que os homens a vissem. Mas como, perguntam os judeus, pode ele saber tanto acerca de Abraão? v. 58. antes de Abraão nascer, Eu Sou!: Isso é uma reivindicação clara de existência eterna. Que correspondência com o nome inefável foi pretendida no uso que Jesus fez da expressão Eu Sou, precisa permanecer aberto a questionamento. Precisamos lembrar que Jesus está primordialmente respondendo ao sofisma dos judeus concernente à duração da sua vida. Mas que eles viram implicações blasfemas no que ele disse está claro (v. 59); talvez eles discerniram um eco de “Eu, o [...] que sou” em Is 41.4 etc. Assim, a conclusão a que o argumento conduziu foi que o tempo de privilégios especiais para os descendentes físicos de Abraão já passara (cf. Mt 3.9). A palavra eterna veio em carne para fundar uma nova comunidade. O povo escolhido é agora constituído de seguidores de Jesus, e as prerrogativas da semente de Abraão passaram para esse novo povo.

Índice: João 1 João 2 João 3 João 4 João 5 João 6 João 7 João 8 João 9 João 10 João 11 João 12 João 13 João 14 João 15 João 16 João 17 João 18 João 19 João 20 João 21

Nenhum comentário:

Postar um comentário