2019/08/03

Apocalipse 1 — Estudo Devocional

Apocalipse 1 — Estudo Devocional

Apocalipse 1 — Estudo Devocional




Apocalipse 1 

Á revelação daquilo que acontece e que o olhar não enxerga. Não só o que está mais adiante no tempo, mas também o que está além da forma de intercâmbio que os homens imaginaram como justificação, que construíram para fugir do amor com que Deus os criou. A beleza do Filho atravessa todas as categorias estéticas de João, que cai desfalecido. Com a ternura da mão, se inicia a Palavra Absoluta: “Eu sou o primeiro e o último...
1.1-3 as coisas que Jesus Cristo revelou. “Apocalipse” é uma palavra grega que significa “revelação” — alguns povos adotam o título do livro já traduzido para seu idioma. Este título já indica a iniciativa de Deus em revelar e comunicar a sua igreja, por meio de João, uma mensagem urgente, clara e poderosa, à qual era importante ouvir e obedecer. João se identifica como servo de Deus e testemunha de Jesus Cristo, que por si próprio é mensagem e porta-voz de Deus. Jesus envia seu anjo como interlocutor instruindo-o e traduzindo--lhe os significados das visões. Como na geração do primeiro século e nas de séculos posteriores, fica claro que nossas existências individuais se encontram entrelaçadas com a da Igreja, e a vida da Igreja com o que acontece no mundo em geral. E já no início do texto recebemos um forte estímulo para o estudo, um convite para lermos e ouvirmos a mensagem: é que seremos felizes quando buscarmos conhecer o que Deus quer que saibamos sobre nossa vida, tempo e circunstâncias. A mensagem do livro tem caráter urgente e diz respeito ao que está se passando no contexto econômico, social e político em que as igrejas se encontram. João recebe a visão do Cristo glorificado e sua mensagem em um contexto de adoração: no “dia do Senhor” e “pelo Espírito” (v. 10).
1.4-8 graça e paz. João com amor abre sua exposição anunciando a Graça e a Paz do Deus Eterno e de sua corte celestial; então deixa claro que as cartas são escritas e enviadas às sete igrejas da Ásia, descrevendo o Deus Trino como seu autor (v. 11). Desde aqui começamos a perceber como a mensagem do Apocalipse utiliza os números com um significado simbólico. Embora estas sete igrejas fossem importantes e estratégicas naquela província, o número “sete” (o mais utilizado no livro) representa a completude, a totalidade e a perfeição de Deus. Portanto, muito provavelmente estas sete igrejas (identificadas nos próximos dois capítulos) estão representando toda a igreja de Jesus Cristo. Da mesma forma, os sete espíritos simbolizam a perfeição e a plenitude de Deus (caso essa afirmação estivesse em qualquer outro livro da Bíblia, teríamos de entender que Deus possui sete espíritos diferentes, mas no Apocalipse essa interpretação literal, sem simbologia nenhuma, é a menos provável — e o mesmo vale para todos os outros números). Veja o quadro “Os números no Apocalipse” (Ap 4).
1.5-6 a testemunha fiel. Para uma igreja sofredora, Jesus é descrito como: testemunha fiel e verdadeira, um exemplo a ser seguido perante o sofrimento e martírio; como o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o vencedor sobre a morte, garantindo a ressurreição de seus seguidores; e como soberano sobre todos os reis da terra (os que perseguem os cristãos), que tem todos debaixo de seu controle. Ele nos ama. Para quem está sofrendo isso pode não parecer óbvio, mas é a mais pura verdade: o amor de Jesus é incondicional e permanente. Ele nos livrou dos nossos pecados — a verdadeira escravidão — e assim completou a obra da nossa salvação, fez de nós um reino de sacerdotes. De escravos passamos a fazer parte de seu Reino, como sacerdotes que servem pela adoração e intercessão e constituem meio dele abençoar o mundo.
1.8 o Alfa e o Ômega A primeira e a última letras do alfabeto grego (para nós seriam o “a” e o “z”). Assim se encerra esta profecia, declarando a autoridade de Deus, por meio de seus nomes. Deus tem completa autoridade sobre a história humana, o passado, presente e futuro; o Todo-Poderoso governa tudo, inclusive as mais difíceis situações que possam enfrentar seus seguidores. O Eterno Deus está sempre presente conosco. Esta abertura pode nos acompanhar em toda a leitura do livro. Em momentos difíceis da história ou de nossa vida, quando circunstâncias terríveis acontecerem, lembremo-nos daquele que já nos livrou e confiemos no Salvador, aquele que nos ama e que virá sobre todos.
1.9 tomo parte com vocês. João se identifica como mais um irmão em sofrimento, e afirma que os cristãos tomam parte no Reino de Cristo, em seus sofrimentos e na paciência para suportar as provas. Este anúncio desfaz as ilusões de que poderíamos passar a vida toda sem sermos incomodados, mas é uma mensagem de ânimo, esperança e consolo para a Igreja em qualquer tempo de crise ou de perseguição política ou religiosa, quando os direitos básicos daqueles que creem em Jesus se veem ameaçados ou restringidos. No contexto de batalha cósmica, política e religiosa como o que se apresenta no Apocalipse, pode-se contar com sofrimento devido às circunstâncias globais e à nossa fé. A mensagem garante esperança, mesmo quando sentirmos o silêncio de Deus. O Espírito assistirá a totalidade dos fiéis em Cristo.
1.10-12 mande esse livro às igrejas. O livro claramente é endereçado a estas igrejas, e o uso da quantidade sete indica que pretende ser endereçado a “todas” as igrejas. Repare como já desde o começo no Apocalipse são utilizadas imagens do povo de Deus do Antigo Testamento (Israel) — como os candelabros de ouro — para representar o povo de Deus atual, os que creem em Jesus Cristo, sem distinção de raça ou nacionalidade. O livro inteiro de fato está cheio de imagens e personagens que provêm do Antigo Testamento. Por não perceberem essa troca de símbolos — que também foi útil para aquela época de perseguição — muitas pessoas pensam que quase todo o conteúdo do Apocalipse diz respeito à nação israelita, de raça judaica tal qual no AT, uma interpretação que provavelmente está totalmente equivocada.
1.12-20 para ver quem falava comigo. João vislumbra Jesus na corte celestial. Jesus aparece no meio de sete candelabros, que representam não somente as sete igrejas que estavam sob a supervisão do apóstolo João, mas também a Igreja em geral. Cristo em sua realeza, glória, poder e autoridade, como Eterno Deus, Rei amoroso e terno, que nos conforta. A presença de Jesus no meio das igrejas mostra a fidelidade e o amor do Senhor para com sua Igreja, por quem deu sua própria vida. Jesus também sustenta os anjos guardiões de sua Igreja na palma de sua mão. Jesus está em total controle da situação, e seu cuidado para com seu povo é inegável. Não estamos sozinhos nem desamparados neste mundo — esta é a mensagem para a igreja sofredora. A visão é tão poderosa que João cai aos pés de Jesus como morto, e é o próprio Jesus quem o reanima e tranquiliza: “Não tenha medo, porque eu sou Senhor da vida e da morte”.
1.18 sou aquele que vive. A morte foi domada por Cristo, o Senhor, e nele temos a vida eterna. Todas as circunstâncias possíveis e imagináveis que cercam a vida estão sob o senhorio de Cristo. Nossa segurança e vitória estão asseguradas mesmo quando sofrermos ou morrermos. Com estas palavras de Cristo poderemos atravessar qualquer circunstância que surja. A vida da Igreja, de todos os que creem em Cristo, está guardada em sua boa e forte mão. O Senhor é Deus, soberano em tudo que faz. Veja o quadro “Não tenha medo”.

A afana do Apocalipse
O Senhor nos fala em sua palavra usando toda a amplitude possível da linguagem, tanto na categoria visível diurna como na dimensão simbólica do sonho. Os sonhos constituem uma tapeçaria feita das mais diversas imagens, as quais adquirem espontaneidade quando dormimos. As imagens que contemplamos em nossos sonhos são expressões de pequenas emoções que vivenciamos durante o dia. É possível que também correspondam a outras emoções misteriosas, ligadas à origem da vida, emoções essas que frequentemente não podem ser expressadas na linguagem da cultura em que habitamos.
O Deus da Graça, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que supre continuamente as deficiências da nossa cultura, nos instrui em sua Palavra com narrativas denominadas “apocalípticas”. Estas narrativas caracterizam alguns livros da Bíblia, como Ezequiel, Daniel e o Apocalipse. Este último traz uma mensagem cheia de imagens, que perfurará todo o fatalismo que transborda de nossas obsessões, todos os medos que vivemos em nossas insônias. Medos esses que, ao lermos, já não se reforçam mais com a força e crueldade do poder do império, mas se aquietam com a mansidão do “Cordeiro que parecia ter sido morto”.
As imagens e símbolos narrados pelo livro do Apocalipse têm a força de nos impactar com emoções fortíssimas. O texto do livro contém as imagens da “longa noite” que vai desde o dia da “expulsão do jardim” até a manhã da ressurreição! Esse impacto, do relato em contato com nossos medos, provocará uma dinâmica que nos fará percorrer todos os nossos temores até chegarmos ao primeiro deles. Essas incontáveis imagens, que acompanharam os medos dos habitantes do planeta, agora anunciam a chegada ao rio da vida.
Uma vez cumprido o percurso regressivo até os seios de nossa mãe (como descreve o S1131), aparecerá o desejo mais profundo de nossas vidas, desejo que se expressa em um grito profundo, articulado em nossa imaturidade biológica. O sujeito, um recém-nascido insatisfeito, aqui se encontra no papel oposto ao que relata o salmo: aqui o nenê está faminto, e só encontra carência! E em sua interioridade a insegurança afirma o choro do desespero.
No Apocalipse esse grito do desejo, originado na vulnerabilidade da nossa biologia, resume todo o livro. Este grito único tem como conteúdo apenas um nome: “Jesus!” (Semelhante à criança gritando “mamãe!”). Ele traz em seu interior todo o espanto da morte, da fome, da peste, da espada, e implodirá em um silêncio absoluto para, depois do alívio, exclamar: “Vem, Senhor Jesus, vem logo!”
Assim, o final da Bíblia no leva de volta a seu começo, porque o “vem logo, Senhor Jesus” é de certa forma a resposta à pergunta de Gn 3.9, feita depois da queda no pecado, que fez Adão sentir medo e se esconder: “O SENHOR Deus chamou o homem, e perguntou: Onde é que você está?
Agora, com a chegada do novo Adão, o homem redimido em vez de se esconder pode pronunciar o nome de Jesus, cujo amor o salva de sua história de desacertos e erros cometidos na busca obsessiva de “deuses” feitos à sua medida (1 Jo 4.1 7): “Vem, Senhor Jesus!”
Essa garantia dita por Jesus aqui e em várias outras passagens da Bíblia é uma demonstração da supremacia absoluta de Cristo sobre tudo o que o ser humano poderia temer (que poderíamos resumir em Satanás e a morte). O Senhor tem as sete estrelas em sua mão, e nossa vida está no meio delas. Aquele que está conosco é o Primeiro (a origem) e o Último (a quem pertence a última palavra). Ele é “aquele que vive”, isto é, toda a vida está concentrada nele — ele é a vida definitivamente vitoriosa. O Senhor Todo-Poderoso está no meio da Igreja, e ela está em sua mão — é na Igreja que o retorno, o caminho do arrependimento, já começou. Veja os quadros ”Os dois caminhos” (Ap 7) e “Arrependimento” (Ap 9).
A palavra inicial de Deus é que dissolve o terror. O medo iniciou-se na humanidade com a desobediência de Adão, que se esconde do chamado de Deus. O bebê se sustenta em meio a seus temores pelo olhar presente da mãe. Já o homem pecador imagina que conseguirá controlar o medo com suas próprias representações, com a “criação” do eu autônomo, que “não precisa de Deus” (e portanto não se arrepende). Quando o arrependimento não acontece, nosso mundo imaginário se altera e nossos próprios fantasmas nos visitam; assim, perdemos o frágil e falho controle que tínhamos sobre nossas próprias fantasias, e acabamos ficando à mercê das construções tecnológicas, como a “marca da Besta” (veja quadro em Ap 73), uma deformação que não tem nenhuma relação com a sinfonia da vida. O Apocalipse revela a dissolução dos nossos controles imaginários, que homens e mulheres construímos para tentar manter de pé essas construções idolátricas, numa espécie de antibiologia, feita no horizonte permanente da morte. O arrependimento (veja quadro em Ap 9) provoca alívio em nós, por finalmente crermos no Salvador. E o Deus da graça nos oferece o olhar do Senhor Jesus, que ficará sempre conosco, por todo o horizonte da vida.

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