2016/10/19

Apocalipse 2 — Comentário Evangélico

Apocalipse 2 — Comentário Evangélico

Apocalipse 2 — Comentário Evangélico





Apocalipse 2

Nos capítulos 2—3, Cristo lida com as sete igrejas. Ele examina a condição espiritual delas com seus olhos de fogo ao ficar no meio de­las. Ele faz isso hoje. O importante é o que Cristo pensa a respeito da igreja, não o que os homens e as de­nominações acham. Observe que as cartas para as sete igrejas repetem os diferentes elementos usados na descrição de Cristo apresentada nos versículos 13-16. A mensagem das cartas enfatiza os atributos de Cristo que se aplicam à necessidade específica da igreja. O perigo para as igrejas é Cristo remover o testemu­nho delas (2:5). Antes, ele teria uma cidade nas trevas que um candeeiro fora da sua vontade divina.

Adiante, o relato repetirá grande parte do simbolismo desse capítulo. Ele não receberá ênfase excessiva se você usar seu guia de referência cruzada quando estudá-lo.

III. As sete igrejas da Asia Menor

Se Apocalipse 1:19 é o esboço ins­pirado do relato, então Apocalip­se 2—3 lida com “as coisas [...] que são”. Em outras palavras, Cristo se­lecionou sete entre as muitas igrejas da Ásia Menor a fim de transmitir sua mensagem específica para cada uma delas. Sem dúvida, as outras igrejas têm pecados, contudo os assuntos discutidos com essas sete igrejas cobrem todas as circuns­tâncias possíveis. Cristo selecionou essas sete igrejas para ilustrar as possíveis condições espirituais das igrejas até seu retorno. 

Alguns estudiosos creem que es­sas igrejas também ilustram a “his­tória profética” da igreja da época apostólica até o fim das eras: a de Éfeso é a igreja da era apostólica, que começa a perder aquele amor inicial por Cristo; a de Esmirna é a igreja perseguida do século I (c. 100-300 d.C.); a de Pérgamo é a ligada a Roma, a igreja estatal; a de Tiatira representa o domínio do catolicismo romano; a de Sardes simboliza a igreja reformada; a de Filadélfia (“amor fraternal”) é a igre­ja missionária dos últimos dias; e a de Laodiceia é a igreja indiferente, apóstata dos últimos dias. Entre­tanto, lembre-se que todas essas condições apresentadas estiveram presentes na igreja em uma época e estão presentes hoje. Além disso, se essa sequência é a “história proféti­ca” da igreja, então Jesus não pode retornar para seu povo até que se cumpra a era da igreja laodicense, o que impossibilita que ele retorne em breve. As sete igrejas ilustram o desenvolvimento geral da igreja ao longo das eras, porém esse não é o principal objetivo das sete cartas. 

Observe o uso da palavra “ven­cedor” para cada igreja (Ap 2:7,11,17,26; 3:5,12,21). Esses “vencedores” não são os Supersantos” de cada igreja, um grupo especial que receberá privilégios especiais, mas os verdadei­ros crentes de cada uma delas. Não ousemos presumir que todo membro de cada igreja local ao longo da his­tória é um verdadeiro filho de Deus. Aqueles que realmente pertencem a Cristo são “vencedores” (1 Jo 5:4-5). Em cada período da história, houve verdadeiros santos na igreja profes­sa (muitas vezes, chamada de “igreja invisível”). Cristo envia uma palavra especial de encorajamento para eles, e, com certeza, podemos aplicá-la a nós mesmos. 

Veja também que ele associa Satanás a quatro igrejas: (1) ele é a causa da perseguição em Esmirna (2:9); (2) tem seu “trono” em Pérgamo (2:13); (3) ensina “coisas profun­das” em Tiatira (2:24); e (4) usa sua “sinagoga” de falsos cristãos a fim de opor-se aos esforços para ganhar almas em Filadélfia (3:9). 

Cristo menciona vários perigos que cercam essas igrejas: 


A. Os nicolaítas (2:6,15) 

O nome “Nicolau” significa “con­quista o povo” e sugere a separação de clérigos e de leigos nas igrejas. Em Efeso, esse pecado se iniciou como “obras” (v. 6); todavia, em Pérgamo, torna-se uma doutrina. Isso acontece desta forma: os en­ganadores introduzem atividades falsas na igreja, e, depois de um tempo, elas são aceitas e encora­jadas. 


B. A sinagoga de Satanás (2:9; 3:9) 

Provavelmente, refere-se a congre­gações que afirmam ser crentes, mas, na verdade, são filhos do dia­bo (Jo 8:44). A palavra “sinagoga” significa apenas “reunião”, é uma assembleia de pessoas religiosas. Portanto, Satanás tem uma igreja! 


C. A doutrina de Balaão (2:14) 

Leia Números 22—25. Balaão le­vou Israel a pecar ao dizer-lhe que, como era o povo da aliança de Deus, podia misturar-se com os pagãos que não seria julgado por isso. Balaão não podia amaldiçoá- lo, mas tentou-o com os pecados da carne. Assim, sua doutrina era que a igreja podia casar com o mundo e ainda servir a Deus. 


D. A paga Jezabel (2:20) 

Leia de 1 Reis 16 a 2 Reis 10. Jeza­bel era a esposa pagã do rei Acabe e levou Israel à adoração de Baal. Ela seduziu Israel com seus ensinamen­tos falsos. 


IV. A mensagem pessoal 

Observe os problemas espirituais dessas igrejas, e as instruções de Je­sus para elas a fim de que alcanças­sem suas bênçãos: 


A. Éfeso 

Ocupa-se bastante com o trabalho para o Senhor, mas não tem amor sincero por ele. Programa sem pai­xão. Essa é a igreja ocupada que tem estatísticas excelentes, todavia des­via-se da devoção sincera a Cristo. 


B. Esmirna 

Essa igreja não recebe críticas do Se­nhor, no entanto um perigo a ronda. Essa é uma igreja pobre e sofredo­ra. Seria fácil fazer concessões, en­riquecer e escapar da perseguição. Devia sentir-se muito desencoraja­da por não ser rica como a igreja laodicense. 


G Pérgamo 

Essa igreja tinha membros que abra­çavam a doutrina falsa de que é pos­sível professar Cristo e, ao mesmo tempo, viver em pecado. As pessoas também estavam sob o jugo pesado de ditadores espirituais que promo­viam a si mesmos, não ao Senhor. 


A. Ti atira 

Essa mulher, a falsa profetisa Jeza bel, não podia ensinar, e a doutrina dela levava as pessoas a pecar. Na igreja local, temos de manter a or­dem de Deus (1 Tm 2:11-15). 


B. Sardes 

Reputação sem vida. Os melhores dias dessa igreja ficaram no passa­do. Essa é a igreja do “foi”; tinha um grande nome no passado, mas ne­nhum ministério hoje. Ela está pron­ta para morrer, todavia pode ter vida nova se fortalecer o que tem. 


C. Filadélfia 

A igreja que tinha diante de si uma porta aberta e leva o evangelho para o mundo. Essa é a igreja que guarda a Palavra e honra o nome de Cristo. No entanto, sempre há o perigo de se fazer concessão, porque a sina­goga de Satanás não está muito lon­ge deles. 


D. Laodiceia 

A igreja apóstata e indiferente que tem muita disponibilidade finan­ceira, mas não tem bênção. Essa é a igreja com riqueza material e po­breza espiritual. O mais triste é que nem mesmo sabia como era pobre e miserável! Cristo esta à porta da igreja e pede que, pelo menos, um crente se entregue a ele. 


I. Éfeso: a igreja que voltou (2:1-7) 

Essa passagem exalta as mãos e os pés de Cristo: ele conserva as estrelas (os mensageiros das igrejas) e anda em meio às igrejas em julgamento (candeeiros). Ele inicia com Éfeso, a cidade mais próxima de Patmos e grande centro comercial. O impe­rador libertara Éfeso, e esta recebeu o título de “metrópole suprema da Ásia”. Sua construção mais impor­tante era o grande templo de Diana, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Ele tinha 129,5 metros de comprimento por 67 de largura e 18 de altura, com grandes portas duplas e 127 pilares de mármore, alguns co­bertos com ouro. A adoração a Dia­na era a “imoralidade religiosa” em seu pior aspecto. Leia Atos 19;20. 

A igreja efésia tinha obras, tra­balho e paciência —, mas faltava-lhe amor por Cristo. Em contraste a isso, a igreja tessalonicense foi recomen­dada pela “operosidade da [sua] fé, [pel]a abnegação do [seu] amor e [pel]a firmeza da [sua] esperança” (1 Ts 1:3). O que conta não é o que fazemos para Cristo, mas o motivo e o incentivo que nos impulsionam. A igreja efésia era ativa e tinha padrões espirituais elevados. Seus membros não suportavam “homens maus” e não escutavam os falsos mestres. O trabalho fora difícil, mas eles não es­moreceram. Do ponto de vista huma­no, era uma igreja bem-sucedida sob todos os aspectos. Algumas igrejas ativas de hoje, com sua programação intensa e seus trabalhadores fatiga­dos, se encaixam nessa descrição. 

Todavia, o Homem que estava no meio das igrejas viu o que faltava à igreja efésia: ela abandonara [não perdera] seu primeiro amor Jr 2:2). A igreja local é casada com Cristo (2 Co 11:2), e sempre há o risco do amor esfriar. Às vezes, ficamos, como Marta, tão ocupados com o trabalho para Cristo que não temos tempo para amá-lo (Lc 10:38-42). Cristo preocupa-se mais com o que fazemos com Ele do que com o que fazemos por ele. O trabalho não substitui o amor. A igreja efésia era bem-sucedida para o público, mas falhara para Cristo. 

Ele aconselha-a: “Lembra-te [...], arrepende-te e volta à prática das pri­meiras obras” (v. 5). Se voltarmos ao nosso primeiro amor, repetiremos nossas primeiras obras, aquelas obras de amor que marcaram nosso primeiro encontro com Cristo. O candeeiro da igreja será removido, se ela não voltar à condição de coração correta. A igreja local deve brilhar como uma luz no mundo. A luz se apaga sem amor verdadeiro por Cristo. 

Jesus elogia essa igreja por odiar as obras dos nicolaítas. O nome gre­go “Nicolau” significa “conquistar o povo”. Ele se refere ao desenvolvimento da classe sacerdotal (clerical) na igreja que deixa de lado os cren­tes comuns. Ao mesmo tempo que deve haver liderança pastoral na igreja, não deve haver distinção en­tre “clérigos” e “leigos”, em que os primeiros assumem ares arrogantes e dominam os últimos. 


II. Esmirna: a igreja sofredora (2:8-11) 

Observe como cada descrição de Cristo volta ao retrato de 1:13-16 e refere-se a uma necessidade especial da igreja específica. Cristo lembra a igreja de Esmirna de seu sofrimen­to, morte e ressurreição porque ela é perseguida (2:8). Esmirna signifi­ca “amargo” e relaciona-se com a palavra “mirra”. A pessoa pensa no aroma liberado por causa da pesada perseguição. A igreja sempre é mais pura e a romântica quando passa por períodos dê sofrimento. 

Cristo não crítica essa igreja. Os Santos eram fiéis, apesar do so­frimento. Eles pensavam ser pobres, mas eram ricos, em contraste com a laodicense, que pensava ser rica e era pobre (Ap 3:17). Os falsos cristãos (da “sinagoga de Satanás”; Jo 8:44; Fp 3:2) blasfemavam (caluniavam) os santos. Satanás está por trás de toda perseguição, mesmo a realiza­da em nome da religião. Cristo avi­sa-os de que terão mais perseguição pela frente; talvez os “dez dias” (v. 10) refiram-se às dez grandes per­seguições que a igreja sofreu nos séculos iniciais de sua existência. Satanás vem como leão e tenta de­vorar (1 Pe 5:8), mas a perseguição apenas fortalece a igreja. 

O inimigo matará o corpo, po­rém os santos não precisam temer a segunda morte, que é o inferno (20:14; 21:8). Os que nasceram duas vezes morrerão apenas uma vez. Aqueles que nasceram apenas uma vez morrerão duas vezes. 


III. Pérgamo: a igreja mundana (2:12-17) 

Pérgamo significa “casado”, e essa igreja casou-se com algumas doutri­nas e práticas erradas. Ela apresen­tava três problemas sérios: 


A. O trono de Satanás (v. 13) 

Essa passagem refere-se às “seitas misteriosas” da Babilônia que estabeleceram seus “quartéis-generais” em Pérgamo. Entre elas, estava a adora­ção ao imperador, que exerceu um papel importante nessa cidade pagã. 


B. A doutrina de Balaão 
(v. 14; veja também Nm 22—25) 

Balaão foi um profeta mercenário que levou o povo de Israel ao pe­cado em troca de riqueza e de pres­tígio. Ele encorajou Israel a adorar ídolos pagãos e incentivava a prosti­tuição. A igreja de Pérgamo casara- se com o mundo a fim de conseguir vantagens mundanas. 


C. A doutrina dos nicolaítas (v. 15; veja também v. 6) 

O que se iniciou como “obras” em uma igreja, agora estabelece-se como doutrina em outra. Essa igreja dividiu- se entre “sacerdotes” e “pessoas”. 


IV. Tiatira: a igreja impenitente (2:18-29) 

Os olhos de fogo e os pés de bron­ze veem e julgam, mas essa igreja perversa não se arrepende. A igreja tinha obras, serviço e perseverança, mas estava cheia de pecado. Nessa passagem, temos Jezabel, a rainha perversa, esposa do rei Acabe (1 Reis 16-2 Reis 10), a única mulher mencionada nas sete cartas. Ela era pagã, filha de um sacerdote de Baal, e pro­moveu a adoração a este em Israel. Ela era culpada de “prostituição” e de “feitiçaria [...]” (2 Reis 9:22) e tam­bém de idolatria, assassinato, fraude e de se declarar profetisa. E a igreja de Tiatira seguia o exemplo e a lide­rança dela! 

Veja que essa falsa profetisa da igreja usava doutrinas falsas para se­duzir (enganar) o povo de Deus. Ela deu-lhes licença para pecar (veja 2 Pe 2 e Jd). A tragédia é que, em­bora Deus lhe dê oportunidade, ela não se arrepende. Nunca é tarde para a igreja se arrepender e voltar ao Senhor, porém devemos estar atentos para não perder as oportuni­dades oferecidas por Deus.


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