2016/10/19

Apocalipse 3 — Comentário Evangélico

Apocalipse 3 — Comentário Evangélico

Apocalipse 3 — Comentário Evangélico



Apocalipse 3 

I. Sardes: a igreja morta (3:1-6)
A igreja de Sardes tinha obras, mas não vida. Ela já tivera a fama de ser viva, mas agora estava morta. Que descrição vivida de alguns ministé­rios históricos de hoje! G. Campbell Morgan chamou isso de “reputação sem realidade”.
Cristo adverte os santos: (1) estejam vigilantes, alertas; (2) con­solidem as poucas coisas que têm; (3) lembrem-se da Palavra que rece­beram e ouviram; (4) permaneçam firmes e estejam preparados para quando eu voltar.
O versículo 5 tem preocupa­do as pessoas, pois sugere que o nome dos cristãos infiéis será tirado do Livro da Vida. O “Livro da Vida” contém o nome de todos os que nasceram de novo. Os que re­jeitam a Cristo terão o nome apa­gado do livro, porque estão mortos. Os verdadeiros cristãos têm o nome escrito no Livro da Vida do Cordeiro (13:8; 21:27). Os que não tiverem o nome escrito no último Livro da Vida irão para o inferno (20:15). A pessoa pode ter o nome em uma lista da igreja e não ter sido salva. Que surpresas teremos quando “se abrir[e]m [os] livros” (20:12)! Hoje, as igrejas podem ter nomes “vivos” e, mesmo assim, estar mortas.
II. Filadélfia: a igreja servidora (3:7-13)
O nome “Liladélfia” significa “amor fraternal”, portanto sabemos de ime­diato que lidamos com pessoas sal­vas e que amam umas às outras e ao Senhor. Essa igreja representa a igreja missionária dos últimos dias. As igre­jas da Idade Média fizeram muito pouco para propagar o evangelho por outras terras, a não ser por espo­rádicos empreendimentos missioná­rios. Elas gastaram mais tempo em guerras religiosas e no jogo político com os governantes civis. As igrejas não precisam ser grandes ou fortes (v. 8)     para ter a fé e o amor necessários para atravessar a porta de serviço que Cristo abriu à frente delas. A “chave de Davi” (v. 7) refere-se à autorida­de dele como Lilho de Davi; veja Isaías 22:22, que apresenta a chave como um símbolo de autoridade. É importante que a igreja esteja vigilan­te e pronta para aproveitar as opor­tunidades que Deus lhe apresenta, pois as portas se abrem e se fecham o tempo todo ao redor do mundo. Nin­guém pode interferir quando Cristo abre ou fecha uma porta.
Essa igreja sofre oposição da igreja falsa (sinagoga de Satanás), os impostores. Esses falsos irmãos afirmam ser a igreja e opõem-se ao ministério do povo de Deus, mas Cristo promete fazê-los prostrar-se. A igreja falsa tem popularidade, in­fluência e dinheiro; todavia, um dia, se curvará diante dos verdadeiros santos de Deus que levam a verda­de ao mundo.
O versículo 10 é uma das de­clarações mais vigorosas de que a igreja não passará pelo período da tribulação. Os verdadeiros crentes de hoje fazem parte da igreja de Filadélfia e não passarão pelos sete anos de terrível julgamento sobre a terra. Veja também 1 Tessalonicenses 5:8-9. O próprio texto de Apo­calipse é outra prova disso, pois não menciona a igreja até 22:16. Apo­calipse 22:20 apresenta uma ora­ção que não poderíamos fazer se o período de tribulação fosse anterior ao arrebatamento da igreja.
III.      Laodiceia: a igreja apóstata (3:14-22)
O nome “Laodiceia” significa “go­verno do povo” e sugere uma igre­ja democrática que não segue mais seus líderes espirituais ou a autori­dade da Palavra de Deus. A igreja é indiferente, nem fria nem quente. Nessa igreja, a verdade foi diluída no erro. A tragédia é que essa igreja é “rica”, do ponto de vista material, e não sabe que é pobre, miserável, cega e nua. Que retrato da igreja apóstata de hoje, que tem prestígio, riqueza, poder político e pobreza espiritual.
Laodiceia era conhecida por sua lã, suas riquezas e seus remédios; por isso, no versículo 18, Cristo usa essas imagens para aconselhá-la. Ele quer dar-lhe a verdadeira riqueza da Palavra do Senhor, a vestimenta da graça e a capacidade de ver as coisas espirituais. Havia algo errado com os valores, a vestimenta e a visão de seus membros. Ele os disciplinaria em amor, se não se arrependessem.
Muitas vezes, usa-se o versícu­lo 20 como um convite ao evange­lho, uma boa aplicação. No entanto, a interpretação básica é que Cristo fica do lado de fora da igreja indife­rente. A igreja tem riqueza e poder, mas não tem Cristo. Ele está até dis­posto a entrar na vida de uma pessoa, desde que seja convidado a fazer isso. É trágico uma igreja se tornar tão indiferente e soberba a ponto de Cristo ter de sair e permanecer fora dela. Seus membros eram totalmente indiferentes em relação a Cristo. Eles o deixavam de fora dos planos, dos programas e do coração deles.
Hoje também existem esses sete tipos de igrejas da época de João. Temos igrejas ocupadas que aban­donaram o primeiro amor (Éfeso) e, muitas vezes, tornam-se indiferentes em relação a Cristo (Laodiceia). As doutrinas falsas começam aos pou­cos e, depois, crescem e infestam toda a congregação. Contudo, em cada igreja, há um remanescente de crentes verdadeiros (os vencedores) que são responsáveis na fidelidade a Cristo até o retorno dele.
Os estudiosos bíblicos suge­rem que as promessas aos vence­dores, apresentadas nesses capítu­los, assemelham-se às histórias do Antigo Testamento: a árvore da vida no Eden (2:7); o homem expulso do jardim para a morte (2:11); o maná do deserto (2:17); a era do reino de Israel (2:26-27); o ministério sa­cerdotal (3:5); o templo (3:12) e o trono glorioso de Salomão (3:21). É como se Cristo reunisse a história de Israel e a aplicasse ao seu povo hoje.
Por fim, observe a importância da Palavra de Deus para as igrejas. Cristo chama sete vezes as igrejas para que escutem o que o Espírito diz. As igrejas começam a se des­viar da verdade quando deixam de ouvir a voz do Espírito, por intermé­dio da Palavra, e começam a ouvir as vozes dos falsos mestres. Não devemos negar a fé (2:23), mesmo que isso custe a nossa vida. Deve­mos guardar a Palavra dele (3:8,10) e não negar seu nome. Não há vida nem esperança para a igreja à parte da Palavra de Deus. Nesse capítulo, a palavra-chave é “trono”, usada sete vezes. Na ver­dade, o relato todo usa-a 38 vezes. Apocalipse deixa claro que o trono de Deus, não o dos homens, gover­na o universo. Veja Salmos 103:19.



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