2016/10/12

João 1 — Exposição do Evangelho de João

João 1 — Exposição do Evangelho de João

João 1 — Exposição do Evangelho de João 


João 1

1.1 O VERBO. João começa seu Evangelho denominando Jesus de “o Verbo” (gr. Logos). Mediante este título de Cristo, João o apresenta como a Palavra de Deus personificada e declara que nestes últimos dias Deus nos falou através do seu Filho (cf. Hb 1.1). As Escrituras declaram que Jesus Cristo é a sabedoria multiforme de Deus (1 Co 1.30; Ef 3.10,11; Cl 2.2,3) e a perfeita revelação da natureza e da pessoa de Deus (Jo 1.3-5, 14,18; Cl 2.9). Assim como as palavras de um homem revelam o seu coração e mente, assim também Cristo, como “o Verbo”, revela o coração e a mente de Deus (14.9; ver o estudo A PALAVRA DE DEUS). João nos apresenta três características principais de Jesus Cristo como “o Verbo”. (1) O relacionamento entre o Verbo e o Pai. (a) Cristo preexistia “com Deus” antes da criação do mundo (cf. Cl 1.15,19). Ele era uma pessoa existente desde a eternidade, distinto de Deus Pai, mas em eterna comunhão com Ele. (b) Cristo era divino (“o Verbo era Deus”), e tinha a mesma natureza do Pai (Cl 2.9; ver Mc 1.11 nota). (2) O relacionamento entre o Verbo e o mundo. Foi por intermédio de Cristo que Deus Pai criou o mundo e o sustenta (v. 3; Cl 1.17; Hb 1.2; 1 Co 8.6). (3) O relacionamento entre o Verbo e a humanidade. “E o Verbo se fez carne” (v. 14). Em Jesus, Deus tornou-se um ser humano com a mesma natureza do homem, mas sem pecado. Este é o postulado básico da encarnação: Cristo deixou o céu e experimentou a condição da vida e do ambiente humanos ao entrar no mundo pela porta do nascimento humano (ver Mt 1.23 nota)
1.2 NO PRINCÍPIO COM DEUS. Cristo não foi criado; Ele é eterno, e sempre esteve em comunhão amorosa com o Pai e com o Espírito Santo (ver Mc 1.11 nota sobre a Trindade).
1.4 VIDA... A LUZ DOS HOMENS. Cristo é a personificação da genuína e verdadeira vida (cf. João 14.6; 17.3). Sua vida era a luz para todos, i.e., a verdade de Deus, sua natureza, propósito e poder tornam-se disponíveis a todos por meio dEle (João 8.12; 12.35,36,46).
1.5 A LUZ RESPLANDECE NAS TREVAS. A luz de Cristo brilha num mundo mau e pecaminoso controlado por Satanás. A maior parte do mundo não aceita sua vida, nem sua luz; mesmo assim “as trevas não a compreenderam”, i.e., não prevaleceram contra ela.
1.9 ALUMIA A TODO HOMEM. Cristo ilumina toda pessoa que ouve o seu evangelho, concedendo-lhe certa medida de compreensão e graça para que essa pessoa possa livremente escolher, aceitar ou rejeitar a mensagem. Além da luz de Cristo, não há outra mediante a qual possamos conhecer a verdade e sermos salvos.
1.10 O MUNDO NÃO O CONHECEU. O “mundo” se refere à totalidade da sociedade organizada e que age independente de Deus, da sua Palavra e do seu governo. O mundo nunca concordará com Cristo; permanecerá indiferente ou hostil a Cristo e ao seu evangelho, até o final dos tempos (ver Tg 4.4). O mundo é o grande oponente do Salvador na história da salvação (cf. Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17; 4.5).
1.12 FILHOS DE DEUS. O homem tem o poder (o direito) de se tornar filho de Deus somente se crer no nome de Cristo. Quando ele o recebe, nasce de novo e é feito filho de Deus (João 3.1-21). Portanto, nem todas as pessoas são “filhos de Deus” no sentido bíblico.
1.12 CRÊEM. É importante notar que João nunca emprega o substantivo “fé” (gr. pistis). Entretanto, emprega o verbo “crer” (gr. pisteuo) 98 vezes. Para João, a fé salvífica é, pois, uma atividade; algo que as pessoas realizam. A verdadeira fé não é crer e confiar de modo estático em Jesus e na sua obra redentora, mas uma dedicação amorosa e abnegada que continuamente nos aproxima dEle como Senhor e Salvador (cf. Hb 7.25).
1.12 RECEBERAM... CRÊEM. Este versículo retrata claramente como a fé salvífica é tanto um ato instantâneo como uma atitude da vida inteira. (1) Para alguém se tornar filho de Deus, deve “receber” (gr. elabon, de lambano) a Cristo. O tempo pretérito do aoristo aqui denota um ato definido de fé. (2) Após este ato de fé, de receber a Cristo como Salvador, deve haver da parte do pecador uma ação contínua de crer. O verbo “crer” (gr. pisteuosin, de pisteuo) é um particípio presente ativo, indicando a necessidade da perseverança no crer. A fé genuína precisa continuar após o ato inicial da pessoa aceitar a Cristo para que ela seja salva. “Aquele que perseverar até ao fim será salvo” (Mt 10.22; 24.12,13; Cl 1.21-23; Hb 3.6, 12-15).
1.13 NASCERAM... NEM DA VONTADE DA CARNE. Esta passagem mostra que Deus não tinha obrigação de prover salvação para o homem mediante a morte de Cristo. Na provisão da salvação, Deus não teve outra compulsão senão o seu próprio amor e compaixão. A iniciativa em prover a salvação do perdido pecador, parte de Deus.
1.14 O UNIGÊNITO DO PAI. O termo “unigênito” não significa que Cristo foi um ser criado. Pelo contrário, a declaração refere-se ao seu relacionamento exclusivo com o Pai, i.e., ao fato de Ele ser o Filho de Deus desde toda a eternidade. Aqui temos a sua filiação em relação ao Deus trino (João 1.1,18; 3.16,18; ver Mc 1.11 nota).
1.14 E O VERBO SE FEZ CARNE. Cristo, o Deus eterno, tornou-se humano (Fp 2.5-9). NEle se uniram a humanidade e a divindade. De modo humilde, Ele entrou na vida e no meio-ambiente humanos com todas as limitações das experiências humanas (cf. João 3.17; 6.38-42; 7.29; 9.5; 10.36).
1.17 GRAÇA E A VERDADE. Os que viveram sob a Lei do AT, experimentaram uma certa medida de graça, conforme se vê na fé de alguns (Gn 5.24; 7.1; 15.6), e nas promessas de perdão (Êx 34.6,7; Lv 5.17,18). Agora, através de Cristo, a graça e a verdade estão disponíveis no mais alto grau (Rm 5.17-21). A verdade já não está oculta nas prefigurações como era o caso dos sacrifícios. “Graça sobre graça” (v. 16) significa que a graça e o poder de Deus são mais e mais outorgados aos que crêem e correspondem a essa graça. Graça é o poder, a presença e a bênção de Deus que experimentam os que recebem a Cristo (ver o estudo FÉ E GRAÇA). A salvação não é fruto do nosso empenho em guardar a lei, mas do Espírito Santo e da graça de Deus que regenera nosso espírito e nos recria segundo a imagem de Cristo
1.29 O CORDEIRO DE DEUS. Jesus é o Cordeiro provido por Deus para ser sacrificado em lugar dos pecadores (cf. Êx 12.3-17; Is 53.7; ver o estudo A PÁSCOA). Pela sua morte, Jesus fez plena provisão para a remoção da culpa e do poder do pecado e abriu o caminho para Deus a todos neste mundo
1.33 BATIZA COM O ESPÍRITO SANTO. A palavra “com” é uma tradução da preposição grega en e pode ser traduzida “por”, “com” ou “em”. Por isso, uma tradução alternativa seria “o que batiza no Espírito Santo”, assim como “batizar com água” pode ser melhor traduzido “batizar em água”. Todos os evangelhos enfatizam que Jesus é “o que batiza com [em] o Espírito Santo” (1.33; Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16). Este batismo seria o sinal e a marca dinâmica dos seguidores de Jesus. O Espírito Santo seria derramado sobre eles a fim de poderem levar a efeito sua obra salvífica em todo o mundo (cf. At 1.8). O propósito de Jesus nesta dispensação é continuar batizando no Espírito (ver Mt 3.11 nota; At 2.39 nota).
1.51 VEREIS O CÉU ABERTO. Jesus alude a si mesmo como a escada, através da qual a revelação de Deus vem ao mundo (cf. Gn 28.12; ver também Lc 5.24 nota, sobre a expressão “Filho do Homem”).


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