2016/11/14

Deuteronômio 21 — Estudo Devocional

Deuteronômio 21 — Estudo Devocional

Deuteronômio 21 — Estudo Devocional





Deuteronômio 21 

Crimes de morte
21.1-9 não se descubra quem foi que o matou. Percebe-se aqui a grande importância que se dá para o assassinato. Se alguém foi morto, alguém outro é responsável e deve pagar com a própria vida. Neste sentido, é possível entender a preocupação do povo de Israel em fazer algo para não ser punido, como um ritual de purificação. A ideia daquela época de pecado coletivo ou solidariedade fazia com que o indivíduo sentisse medo de ser punido por Deus por um crime que ele não cometeu, pois se entendia que a nação (ou uma cidade) poderia sofrer pelo pecado de um único homem. Esse ritual serviria para afirmar que algo grave aconteceu, e também permitiria que os inocentes em relação àquele crime aliviassem o sentimento de medo da punição. É a bezerra nova que ocupa o lugar do ocorrido, tomando a culpa sobre si e morrendo para expiar o pecado por aquele crime. Mais tarde essa imagem se desenvolve no sacrifício de Cristo, que também permite a sensação de alívio de culpa.

21.6 lavarão as mãos. O ato de lavar as mãos sobre o corpo de uma bezerra parece remontar ao costume de se absolver da culpa (como Pilatos fez ao final do julgamento de Cristo, em Mt 27.24).

Prisioneiras de guerra
21.10-14 prisioneiros… entre eles uma mulher bonita. Essas orientações promovem uma atitude mais humana em tempos de guerra, um contexto em que é muito comum aproveitar-se do mais frágil: prisioneiras eram estupradas e capturadas para serem vendidas como escravas. O texto proíbe que um guerreiro apenas satisfaça seus desejos sexuais com uma mulher, além de não permitir o comércio de mulheres-escravas: o soldado deveria se tornar responsável por ela e deveria respeitar o seu período de luto. Psicologicamente é possível observar que essa orientação propõe uma ampliação da consciência, pois visa tirar o sujeito do egocentrismo da satisfação de seus desejos, e levá-lo a observar os sentimentos alheios. A mulher não seria mais vista como um objeto, mas como uma pessoa com direitos e dignidade.

Os direitos do primeiro filho
21.15-17 não poderá mostrar preferência. Essa lei traz justiça num ambiente de poligamia, comum naquela época. A ordem do nascimento dos filhos é que prevalece sobre a preferência do chefe de família, este não pode dar o direito de primogenitura ao filho que desejar, mas fica condicionado a seguir uma lei externa. Esta e outras leis do Deuteronômio ensinam um modo de agir e pensar em que o sujeito precisa se submeter às regras externas, obrigando-o a sair do egoísmo. Historicamente, tal regra evitou confrontos e mágoas entre homens e suas esposas, e entre pais e seus filhos.

Filhos desobedientes
21.18-20 um filho teimoso e rebelde. Esta passagem não se refere a filhos que cometam desobediências e rebeldias menores, que são naturais no processo educacional. A orientação aqui parece se referir a indivíduos que não tinham a capacidade de se adaptar socialmente, algo parecido com o que hoje chamamos de “psicopatas”, pessoas que farão qualquer coisa para satisfazer seus desejos e não sentem nenhum remorso por crimes cometidos. gasta dinheiro à toa e é beberrão. Fica claro que não se está falando de crianças, mas de filhos já com mais idade.

21.21 o matarão a pedradas. Essa lei que hoje soa cruel poderia fazer algum sentido para um povo peregrino que não tinha um sistema prisional. Não se sabe se esse costume foi realmente posto em prática durante a história de Israel. e ficarão com medo. Essa regra, além de tirar o péssimo exemplo do meio do povo, também serviria para coibir esse tipo de comportamento, ao anunciar que naquela sociedade não haveria impunidade. Indivíduos de pensamento mais egocentrados, que não observam o bom senso ético ou moral, teriam o seu comportamento agressivo inibido pelo medo de serem punidos. Em certo sentido esse castigo radical lembra a ideia neotestamentária de Jesus ao dizer que “se uma das suas mãos faz com que você peque, corte-a fora!” (Mc 9.43), onde serve como alegoria para os pensamentos e desejos que teimam em não se submeter.

Diversas leis
21.22-23 Sepultem o corpo. Sabe-se que era hábito em Israel enterrar os mortos (Gn 23.4). Entretanto, a exposição pública do corpo de um criminoso por tempo prolongado ao relento, para apodrecer ou ser comido por animais, poderia ser entendida como uma desforra, uma vingança, algo como “chutar um cadáver”. Neste sentido, possivelmente temos aqui uma separação entre justiça e vingança. A a punição com a morte por determinado crime era entendida como necessária para a manutenção da ordem e da proteção do povo, especialmente em uma cultura que não tinha o costume de manter prisioneiros. Se fosse importante que o povo pudesse ver que o criminoso realmente estava morto (para não precisarem temer seus ataques, ou para desencorajar seguidores de uma rebelião), seu corpo poderia ser exposto durante aquele dia. Mas o comportamento de deixar o corpo do criminoso ao relento poderia ser entendido como vingança, o que aos olhos do Senhor seria algo reprovável. A sugestão bíblica aqui parece trazer um preceito novo aos costumes da época: fazer justiça sim, mas não desrespeitar os inimigos, nem mesmo os piores.

21.23 um corpo pendurado assim faz a maldição de Deus cair sobre a terra. A tradução tradicional diz “o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus”. Paulo explica que foi assim que Jesus, ao ser pendurado na cruz, assumiu a maldição da Lei em nosso lugar, libertando aos que nele creem da necessidade de obedecer a todos os seus preceitos (Gl 3.13).

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