Interpretação de 1 Coríntios 14

Interpretação de 1 Coríntios 14

Interpretação de 1 Coríntios 14



1 Coríntios 14


5) A Superioridade da Profecia e o Culto Público na Igreja. 14:1-36.

Ao que parece havia uma causa principal para as desordens na igreja, a qual envolvia o uso inadequado do dom de línguas. O apóstolo resolve o assunto neste capítulo. Ele afirma a superioridade da profecia sobre as línguas (vs. 1-25), depois acrescenta a orientação para o exercício dos dons (vs. 26-33) e para a regulamentação da participação das mulheres nas reuniões das assembléias (vs. 34-36). Segue-se um resumo e uma conclusão (vs. 37-40).
Ninguém que tenha investigado a natureza do dom de línguas poderia ser dogmático no assunto. A presente exposição deste capítulo segue a opinião que o dom de línguas era a capacidade de falar em línguas conhecidas, não uma fala estática. (E.R.C. estranha, não aparece no texto grego, o qual diz simplesmente língua.) Muitos comentadores modernos adotam a opinião de que o dom envolvia a fala estática (cons. MNT, pág. 206-225; Morris, op. cit., pág. 172, 173,190-198). Há certos fatores, entretanto, que lançam alguma dúvida sobre a exatidão desta interpretação.
Em primeiro lugar, parece claro que o falar em línguas registrado em Atos foi em línguas conhecidas (cons. Atos 2:4,8,11). À vista de que Lucas foi um companheiro íntimo de Paulo (ele pode até mesmo ter estado em Corinto) e ter escrito o livro de Atos depois da correspondência com Corinto, deveria lhe parecer lógico observar a distinção entre o fenômeno de Atos e de Corinto, se ela existisse. Em outras palavras, I Coríntios deveria ser interpretado segundo Atos, o desconhecido pelo conhecido, um bom princípio de hermenêutica. Além disso, a terminologia de Paulo é idêntica a de Lucas em Atos, embora Lucas defina melhor a sua terminologia. Paulo usa a palavra grega glossa, significando língua; Lucas usa esta palavra e ainda a define melhor como sendo um dialektos (Atos 1:19; 2:6, 8; 21:40; 22:2; 26:14), uma palavra que em todos os casos se refere à língua de uma nação ou região (cons. Arndt, pág. 184). É bastante inverossímil que os fenômenos descritos pelos dois escritores em termos idênticos, sejam diferentes.
Finalmente, a intenção do dom era que fosse um sinal para os judeus (I Co. 14:21, 22), conforme profetizado no V.T. (cons. Is. 28:11), como também uma sugestão referente ao método do cumprimento da ordem dada em Atos 1:8. No Pentecostes foi inaugurada a obra do Espírito, a qual reverteria a maldição de Babel (cons. Gn. 11:1-9), quando aconteceu a confusão das línguas (conhecidas). Assina, o dom tinha dois gumes. Era um sinal para despertar os judeus (em todos os casos da ocorrência do dom, em Atos, os judeus estavam presentes; cons. Atos 2:4 e segs.; 8:17,18; 10:46; 19:6), e um sinal da obra de Deus que reuniria os redimidos sob a bandeira do Rei Messias no seu reino vindouro. Introduzindo línguas estáticas no quadro só introduziríamos a confusão sob diversos aspectos. Pontos adicionais para sustentar a tese de que as línguas foram línguas conhecidas são apresentados na exposição da seção.
1. O versículo introdutório, que não contém nenhuma partícula conectiva, é uma reafirmação do conteúdo de 12:31b - 13:13, com vistas à mudança de assunto. Segui (lit. buscai) é mais forte do que desejai. Ao que parece, segundo esta declaração, embora os dons espirituais sejam soberanamente concedidos, eles não são necessariamente garantidos a cada pessoa no momento da conversão. Principalmente aponta para a avaliação que Paulo faz da profecia em contraste com as línguas. Falar em línguas não edifica (vs. 2-5), não traz benefício sem interpretação (vs. 6-15); na verdade, apenas inebria (vs. 16-19).
2. Outra língua (lit. uma língua). As palavras ninguém o entende refere-se ao falar em línguas sem intérprete.
3-5. A avaliação do apóstolo é explícita. A profecia é maior do que as línguas, salvo se as interpretar. No caso de interpretação, o falar em línguas assume praticamente o caráter de profecia. (Seda esse o motivo de estarem geralmente juntos em Atos? Cons. Atos 10:46; 19:6.)
6-15. A inutilidade das línguas sem interpretação, Paulo as ilustra com fatos extraídos da vida. Revelação precede a profecia e a ciência precede a doutrina (lit. ensinamentos).
7. Sons . . . distintos são necessários na música e no falar; caso contrário ninguém entende.
9. Assim vós introduz a aplicação da ilustração.
10,11. Uma outra ilustração no reino das línguas; e o ponto de destaque é, “a fala é inútil ao ouvinte, se ele não a entende” (ICC, pág. 310).
12. Assim também vós introduz a conclusão do argumento extraído das ilustrações. A edificação é o alvo dos dons espirituais.
13,14. Aquele que tem o dom de línguas deve orar pedindo o dom da interpretação. Caso contrário, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera. Isto é, não colhe nenhum fruto da compreensão dos ouvintes.
15. Também orarei com a mente significa orar de modo que haja fruto na compreensão dos ouvintes, como indicam os versículos seguintes. Falar de maneira inteligível é o essencial.
16. O indouto provavelmente se refere àquele que não tem o dom de línguas ou interpretação, ou talvez àquele que não passa de um interessado (cons. F.F. Bruce, Commentary on the Book of the Acts, pág. 102; Morris, op. cit., pág. 195, 196). Refere-se ao povo em geral.
18,19. A referência de Paulo é clara. Por mais que ele use línguas fora da assembléia (publicamente ou em particular), na igreja (enfático no grego) ele devia falar com entendimento para instruir outros.
20-25. Paulo mostrou a superioridade da profecia para os de dentro, e agora ele discute sua superioridade para os de fora.
21,22. O apóstolo introduz uma citação livre da lei (a lei aqui se refere ao V.T.) para mostrar que as línguas tinham a intenção de ser um sinal da presença de Deus com outros além dos judeus. Em Is. 28:11,12, o lugar da citação, os assírios são mencionados como homens de outra língua. Assim, o dom se destina em primeiro lugar aos incrédulos. Em Atos este dom foi mencionado quatro vezes (o “vendo” de Atos 8:18 parece sugerir que houve um sinal exterior em Samaria), e em todos os casos os judeus estavam presentes. Era intenção de Deus indicar a este grupo incrédulo que Ele estava com o novo movimento. Está bastante claro que línguas conhecidas, tais como foram faladas em Pentecostes eram os únicos sinais adequados para os judeus difíceis de ser convencidos. A linguagem estática tem muitas explicações naturais, mas nenhuma delas é o fato histórico de que grupos não-cristãos tenham freqüentemente falado assim (MNT, pág. 208, 209).
23-25. Paulo descreve os diferentes efeitos das línguas e da profecia sobre os de fora, indicando a superioridade da profecia. Não há nenhuma contradição nesta passagem com 14:22, como pode parecer à primeira vista (as línguas não ajudam o incrédulo, quando a profecia parece ajudá-lo). No último versículo, trata-se de indivíduos que ouviram e rejeitaram a verdade, conforme prova a comparação com os israelitas rebeldes, enquanto que nos versículos seguintes trata-se de ouvintes que estão ouvindo a mensagem pela primeira vez (ICC, pág. 319). A profecia conduz a convicção da condição de pecado da pessoa, ao julgamento (lit. examinado) e à manifestação dos segredos do coração. O resultado é que adorará a Deus, o verdadeiro objetivo de todo ministério (cons. Mt. 14:33).
26-33. Aqui se dão instruções sobre o exercício dos dons. A seção é importante porque é “a más íntima visão que temos dos cultos da igreja primitiva” (Morris, op. cit., pág. 198, 199). Que contraste encontra-se aqui com os cultos formais e inflexíveis que prevalecem entre a maior parte do Cristianismo de hoje! Barclay, comentando esta liberdade e informalidade, destaca dois fatos que emergem aqui. Primeiro, “Está claro que a igreja primitiva não tinha ministério profissional” (op. cit., pág. 149). Segundo, no culto propriamente dito “não havia nenhuma ordem estabelecida” (ibid., pág. 150). Os crentes primitivos não iam aos cultos para ouvir um sermão de um homem ou simplesmente para receber; iam para dar. Muito se tem perdido com a renúncia de tais privilégios.
26,27. Cada um de vós (E.R.C.) aponta para a livre participação, mas como essa liberdade poderia levar à desordem, Paulo aconselha, Seja tudo feito para edificação. O falar deverá ser sucessivamente.
28, 29. As línguas não deviam ser faladas a não ser que um intérprete estivesse presente, e quando muito só três deviam participar. Ao que parece a orientação para a profecia era mais amena.
32,33. Os impulsos proféticos estavam sujeitos aos próprios profetas, isto é, àqueles que enunciavam as profecias. O autocontrole deve sempre estar presente; caso contrário, resultaria em confusão.
34,35. Uma palavra para as mulheres foi inserida aqui, possivelmente porque houvesse uma intrusão não autorizada de algumas nos cultos da igreja. Elas deviam ficar caladas (cons. I Tm. 2:12). Mesmo se, como pensam alguns, as mulheres tinham permissão de orar e profetizar na igreja primitiva (cons. 11:5, embora deva-se lembrar que a profecia foi um dom temporário), outra manifestação não era permitida. Paulo nada diz sobre as solteironas que não têm em casa seus próprios maridos!
36. O apóstolo dá uma resposta indignada à sugestão implícita de que Corinto tivesse direito de ser diferente das outras igrejas. Os crentes coríntios não eram diferentes em autoridade e posição.
6) A Conclusão. 14:37-40.
Um resumo e uma conclusão, começando com uma forte declaração de autoridade.
38. Será ignorado. O ignorante das palavras de Paulo devia ser abandonado em sua condição. A tradução correta, entretanto, poderia ser, que seja ignorado, isto é, por Deus (com base em uma diferente tradução de bons manuscritos).
40. Decência pode se referir ao comportamento das mulheres e à observância da Ceia do Senhor (11: 2-34) e com ordem pode se referir aos dons espirituais (12:1 - 14:40). 

Índice: 1 Coríntios 1 1 Coríntios 2 1 Coríntios 3 1 Coríntios 4 1 Coríntios 5 1 Coríntios 6 1 Coríntios 7 1 Coríntios 8 1 Coríntios 9 1 Coríntios 10 1 Coríntios 11 1 Coríntios 12 1 Coríntios 13 1 Coríntios 14 1 Coríntios 15 1 Coríntios 16