Interpretação de 1 Coríntios 7

1 Coríntios 7

Em 1 Coríntios 7, o apóstolo Paulo fornece orientação prática para a vida cristã, abordando vários aspectos dos relacionamentos, do casamento e do estado de solteiro. Ele enfatiza a importância do amor e do respeito mútuos nos casamentos, discute as vantagens do casamento e da condição de solteiro e oferece conselhos sobre casamentos mistos. Ao longo do capítulo, Paulo incentiva os crentes a priorizar sua devoção a Deus em quaisquer circunstâncias em que se encontrem.

Interpretação

7:1-40 Tendo discutido as coisas que vieram ao seu conhecimento (cons. 1:11; 5:1), o apóstolo volta-se agora para assuntos que surgiram na correspondência (cons. 7:1. peri de; veja Introdução). Os problemas relacionados com o casamento são os primeiros a serem examinados. O capítulo, depois de um prólogo que trata dos princípios gerais (vs. 1-7), contém a discussão de problemas dos casados (vs. 8-24) e dos solteiros (vs. 25-40).

7:1-7 O apóstolo apresenta o princípio geral de que, enquanto o celibato é uma questão de preferência pessoal (vs. 6, 7), o casamento no entanto é uma obrigação para aqueles que não têm o dom da continência (vs. 1, 2), fornecendo o verdadeiro casamento a devida provisão para a satisfação sexual de cada parceiro (vs. 3-5).

7:1. Quanto ao que me escrevestes. O equivalente à nossa fórmula moderna, Quanto à sua carta. É impossível que Paulo tenha sido solicitado a aprovar o celibato como dever de todos. Ele aceita que o estado é bom.

7:2 O casamento, entretanto, é o dever daqueles para os quais a sociedade pervertida e os hábitos daquele tempo pudessem se tornar irresistíveis. Isto não é uma depreciação do casamento; é uma maneira honesta de encarar os fatos a fim de evitar a impureza. Literalmente, fornicações, o plural se referindo talvez aos muitos casos em Corinto (cons. 6:12-20).

7:3-5 O verdadeiro casamento, entretanto, é uma sociedade, uma união de duas pessoas que se tornam “uma só” (v. 6:16), envolvendo obrigações mútuas e direitos conjugais.

7:6, 7 As palavras precedentes foram ditas por concessão, (permissão E.R.C.) não por mandamento. O casamento é uma concessão, não uma obrigação. A orientação do Senhor, o dom de Deus, é a coisa mais importante (com. Mt. 19:10-12).

7:8, 9 Paulo dirigiu-se primeiro àqueles que eram solteiros quando ele escreveu, mas que já tinham experiência sexual. Os solteiros, provavelmente, viúvos, em oposição às viúvas. Homens solteiros e virgens são aconselhados em outra passagem (vs. 1, 2, 25, 28-38). Permanecessem (tempo aoristo) é a decisão final para uma vida inteira.

7:10, 11 As seguintes palavras de Paulo relacionam-se com a manutenção ou interrupção dos laços do casamento, no caso de crentes casados (vs. 10, 11) e de um crente com um descrente (vs. 12-16). Para os crentes a regra é “não se separem”, sustentada pelo ponto de vista do Senhor, não eu mas o Senhor (cons. Mc. 10:1-12). No caso de uma separação desaprovada, Paulo destaca duas possibilidades. A esposa que não se case, tempo presente, enfatizando o estado permanente. Ou então, que se reconcilie com seu marido, tempo aoristo, enfatizando um acontecimento de uma vez por todas, em separações subsequentes.

7:12 Mas o que dizer das uniões onde um dos interessados tornou-se cristão? A lei judia exigia que o incrédulo fosse abandonado (cons. Esdras 9:1 – 10:44). Novamente, a regra é “não se separem” (I Co. 7:12, 13).

7:14 Porque. A primeira razão é que o parceiro incrédulo e os filhos de tal união são santos (santificados). Isto não significa que uma criança que nascer em um lar onde apenas um dos pais é cristão, nasce “na família de Cristo” (cons. Barclay, op. cit., pág. 71). Paulo simplesmente quer dizer que o princípio do V.T. da comunicação da imundícia não está em vigor (cons. Ageu 2:11-13). A união é legal e confere privilégios aos membros (cons. ICC, pág. 142), privilégios tais como a proteção de Deus e a oportunidade de estar em íntimo contato com a família de Deus. Isto facilita o caminho para a conversão do incrédulo.

7:15 Uma segunda razão para a preservação da união encontra-se no fato de que Deus chamou-nos para a paz. Uma situação curiosamente ambígua, entretanto, existe. Alguns intérpretes acham que Paulo aqui incentiva o crente a consentir na separação no interesse da preservação da paz, se o incrédulo deseja separar-se. De outro modo poderia haver guerra! Por outro lado, a ideia de Paulo pode ser que a separação deveria ser evitada se possível, uma vez que isso acabaria com a paz da união. O princípio geral do contexto (vs. 10, 11) favorece o segundo ponto de vista, como também o versículo seguinte. Nada se diz sobre um segundo casamento para o crente; de nada adianta colocar palavras na boca de Paulo quando ele silencia. É verdade que o verbo “apartar-se” na voz média (como neste versículo) era quase um termo técnico para o divórcio nos papiros (MM, pág. 695, 696). Isto, entretanto, nada realmente prova aqui.

7:16 Pois. O terceiro motivo para não haver separação é que a salvação do outro membro pode ser alcançada através da preservação da união. Outros entendem que a declaração significa que é melhor concordar com a separação, uma vez que ninguém sabe se o outro parceiro se converterá ou não. O contexto geral favorece o primeiro ponto de vista. Mas não é fácil determinar o que Paulo quis dizer.

7:17-24 Agora o apóstolo resume, indicando que este princípio de permanecer no estado em que se encontra, é simplesmente parte de um princípio geral, que atinge todas as esferas da vida. A regra para tudo é permanecer como está quando chamado, a não ser que a profissão seja imoral. Três vezes Paulo declara o princípio (vs. 17, 20, 24), entremeando as declarações de princípios com duas ilustrações, uma religiosa (cons. Rm. 2:28, 29) e a outra secular. A expressão diante de Deus, que conclui a seção, enfatiza o fato de que a presença de Deus torna qualquer trabalho secular, um trabalho com Deus. Num certo sentido, então, cada cristão está ocupado em “trabalho cristão de tempo integral”. À luz dos ensinamentos de Paulo aqui, não seda também uma coisa duvidosa forçar os jovens a entrarem para o serviço de tempo integral na qualidade de missionários, pastores, etc.? A coisa realmente importante para cada crente é estar dentro da vontade de Deus.

7:25. Ora, quanto (E.R.C.) (peri de) indica aos leitores que uma resposta, a outra parte da carta da igreja é o que se segue. No restante do capítulo Paulo trata de três grupos: 1) os jovens solteiros (vs. 25-35); 2) os pais (vs. 36-38); 3) as viúvas (vs. 39-40). A seção está demarcada por duas declarações referentes à autoridade do autor (vs. 25, 40). O ponto comentado no parágrafo é o seguinte: O celibato é desejável, mas não exigido.

7:26-28 Ser bom para o homem permanecer assim como está. Antes, é bom que uma pessoa fique como está. O primeiro motivo para alguém permanecer solteiro está por causa da instante necessidade, uma frase que provavelmente se refere à pressão exercida sobre a vida cristã pelo mundo hostil (cons. v. 28; II Tm. 3:12). Se a vida cristã já é difícil em si mesma, por que impor mais um encargo a alguém através do casamento?

7:29-31 Uma segunda razão foi sugerida pela declaração, o tempo se abrevia (lit. o tempo se encurta). O apóstolo se refere ao tempo precedendo à vinda do Senhor (cons. Rm. 13:11). Toda a vida tem de ser vivida à luz desse grande fato. Então a aparência deste mundo passará e um novo e glorioso dia despontará.

7:32-35 Uma terceira razão se encontra nestes versículos. Está expressa negativamente nas palavras eu quero é que estejais livres de preocupações (v.32), e positivamente nas palavras facilite o consagrar-vos desimpedidamente ao Senhor (v. 35). Um problema textual está profundamente envolvido nas palavras que ligam os versículos 33 e 34. Poderia se encontrar a solução modificando as palavras, e assim está dividido (v. 34), para “Separadas por uma semelhante divisão de interesses estão a mulher casada e a solteira” (ICC, pág. 150, 151). O ponto que o apóstolo quer elucidar está claro: O casamento é uma coisa perturbadora. Isto ele declara explicitamente no versículo 35. As palavras facilite o consagrar-vos, desimpedidamente, ao Senhor faz lembrar a narrativa de Lucas sobre o incidente da visita do Senhor à casa de Maria e Marta em Betânia. Há também diversas conexões verbais no texto grego entre a narrativa de Lucas e as palavras de Paulo (com. Lc. 10:38-42). É como se Paulo estivesse tacitamente dizendo que o casamento transforma Marias em Martas, impedindo assim que façam a escolha da “boa parte”, ocupar-se com o Senhor e a Sua Palavra.

7:36-38 Aqui os pais estão na pauta. A passagem deve ser compreendida à luz dos costumes daquele tempo. O pai tinha o controle dos arranjos para o casamento de sua filha. Trata sem decoro refere-se à procrastinação do casamento quando há evidência da falta do dom da continência. É duvidoso que Paulo aqui tenha em mente “casamentos espirituais” nos quais as pessoas passavam por uma forma de casamento e continuavam, no entanto, a viverem juntas como irmão e irmã (cons. Barclay, op. cit., pág. 74, 75; MNT, pág. 98-100).

O que está firme, isto é, não acha que esteja fazendo o que é impróprio. E assim que introduz o sumário, que na realidade é um sumário de todo o capítulo. Um faz bem; outro faz melhor. O celibato não é um estado mais santo que o do casamento; o celibato simplesmente é mais útil no serviço do Senhor. Mas mesmo no casamento, todas as coisas, até onde for possível, devem ficar sujeitos aos interesses dEle. A expressão dá em casamento (v. 38 E.R.C.) sempre tem este sentido no N.T. (cons. Mt. 22:30; 24:38); nunca quer dizer simplesmente casar-se, o que parece decidir que a interpretação dada é a verdadeira.

7:39-40 A viúva está livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor, isto é, com cristão. Isto parece indicar claramente que Paulo jamais aprovou o casamento misto (casamentos entre crentes e incrédulos), uma verdade que tem uma larga aplicação hoje em dia. Paulo retoma novamente ao lado prático, todavia, quando escreve será mais feliz se permanecer viúva (cons. v. 8). As palavras de conclusão parecem indicar que Paulo considerava estas suas palavras divinamente aprovadas (o também parece apontar para alguém em Corinto que reivindicava a aprovação do Espírito para suas atividades contrárias às Escrituras); e o fato de terem sido preservadas no Livro Sagrado confirma tal ponto de vista.

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