2017/02/20

“Cachorro” na Bíblia

“Cachorro” na Bíblia

“Cachorro” na Bíblia

CACHORRO

No hebraico, kehleb, que vem de um termo que significa “uivar”. No hebraico temos kúon e kunárion, “cão” e “cãozinho”, respectivamente. O termo hebraico é usado por trinta e uma vezes, de Êxo. 11:7 a Jer. 15:3. Kúon é termo grego usado por cinco vezes: Mat. 7:5; Luc. 16:21; Fil. 3:2; II Ped. 2:22 (citando Prov. 26:11) e Apo. 22:15. Kunárion é usado por quatro vezes: Mat. 15:26,27; Mar. 7:27,28.
Esse animal era considerado totalmente impuro para os hebreus, o que significa que, em Israel, ninguém ficava acordado à noite porque o cão do vizinho estava latindo. Na Palestina e no Egito, o cão era animal consumidor de carniça, percorrendo as aldeias e povoados brigando e rosnando por causa de qualquer alimento que encontrasse. Um cão, embora prefira a carne, come qualquer tipo de refugo, pelo que está sujeito a muitas doenças, algumas das quais ele pode transmitir ao homem. O trecho de 2 Reis 9 registra como o cadáver de Jezabel foi devorado pelos cães. Na história temos provas de que, algumas vezes, os cadáveres eram lançados aos cães, para serem consumidos por eles, nas culturas antigas. No Egito, os cães eram muito apreciados. Parece evidente que o cão foi o primeiro animal a ser domesticado no Egito, onde era usado de muitos modos pelos caçadores, criadores, etc., servindo como vigias e companheiros do homem. Israel, portanto, estava bem familiarizado com o cão; mas, uma vez que escaparam do Egito, os israelitas não quiseram continuar a amizade com os cães. Mas, visto que havia cães por toda a parte, os israelitas não conseguiam livrar-se deles. Restos de corpos de cães têm sido encontrados nas camadas mais inferiores de Jerico. A arqueologia tem encontrado certa variedade do greyhound, ou cão de corrida, que já seria domesticado desde 3000 A.C. Sabemos que em toda a Mesopotâmia, os cães eram muito estimados. Relevos provenientes da Babilônia retratam cães de diferentes raças. Os historiadores informam-nos que havia matilhas de cães que viviam perto das cidades, como se fossem lobos; de fato, cães selvagens viviam nas proximidades das cidades. Isso significa que havia muitos cães semiselvagens vivendo perto das cidades, constituindo um perigo às pessoas. Naturalmente, também havia cães que eram criados como bichos de estimação, os quais formavam uma elite entre os cães. Em Jó 30:1 há alusão ao cão que guardava as ovelhas. Isso significa que ou esse livro foi escrito antes do aparecimento do livro de Levítico, ou então que Jó não era israelita. O trecho de Isaías 56:10, ao falar sobre os cães mudos, que não sabem ladrar, sugere a existência de cães que guardavam os rebanhos, protegendo-os dos ataques dos animais ferozes. Por conseguinte, é possível que alguns israelitas criassem cães com propósitos especiais, como esse.
As cidades do oriente Próximo e Médio até hoje são assoladas por imensas matilhas de cães que passam a noite uivando, algo que é aludido em Salmos 59:6,14. Os visitantes dos países orientais dizem-nos que essa condição é um descalabro. Ali, os cães continuam consumidores de carniça. Os árabes evitam cães soltos pelas ruas, por serem animais imundos.

Usos Figurados:
1. Pessoas cruéis são chamadas “cães” (Sal. 22:16,20; Jer. 15:3). Estão em pauta os cães semi-selvagens que havia nas proximidades das cidades antigas, mais semelhantes aos lobos, em seus hábitos.
2. Expressões como “cão”, “cabeça de cão” e “cão morto” eram usadas para indicar opróbrio ou humilhação, que as pessoas usavam contra outras ou contra si mesmas (I Sam. 24:14. II Sam. 3:8; 9:8; II Reis 8: 13).
3. Os gentios, como um povo cerimonialmente impuro que eram, são chamados “cães” (Mat. 15:26,27). Temos nessa referência a história da mulher siro-fenícia. O relato mostra-nos que até mesmo pessoas humildes, consideradas impuras ou imundas, podem participar dos benefícios do evangelho.
4. Os falsos apóstolos foram chamados “cães” por causa de sua impureza espiritual e ganância pelo dinheiro (Fil. 3:2).
5. Aqueles que são excluídos do reino dos céus são chamados ”cães” (Apo. 22:15), o que é uma referência à sua vileza espiritual, a razão mesma da exclusão deles.
6. O próprio Satanás é chamado “cão”, por causa de sua vileza e malignidade (Sal. 22:20).
7. O Cão nos Sonhos e nas Visões, a. Uma pessoa fiel, em quem se pode confiar, pode ser representada como um cão. b. Uma pessoa pode apresentar-se em um sonho mediante a imagem desse animal, talvez repreendendo os seus hábitos sexuais, c. Um sonho com um cão que uma pessoa possuiu pode representar aquele período de sua vida, nada tendo de especifico com o próprio cão. d. Uma caçadora, acompanhada de um cão, pode representar a Anima, um dos arquétipos de Jung. A Anima é a força feminina em um homem, e. Um cão pode representar apetites sexuais descontrolados, ou então os aspectos não civilizados da personalidade de uma pessoa.

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