2017/09/27

João 1 — Comentário Devocional

João 1 — Comentário Devocional

João 1 — Comentário Devocional




João 1

1.1 - O que Jesus ensinou e o que fez estão inseparavelmente ligados a quem Ele é. João mostrou Jesus corno um ser humano e, ao mesmo tempo, divino. Apesar de Jesus ter assumido uma completa humanidade, vivendo como homem, nunca deixou de ser o Deus eterno que sempre existiu, o Criador e Sustentador de todas as coisas e a Fonte da vida eterna. Esta é a realidade a respeito de Jesus e o fundamento de toda a verdade. Se não acreditamos nisto, não teremos fé suficiente para confiar a Jesus o nosso destino eterno. Esta é a razão pela qual João escreveu seu Evangelho: desenvolver a fé e a confiança em Jesus Cristo; desta forma podemos crer que Ele verdadeiramente é o Filho de Deus (20.30,31).

1.1 - João escreveu para cristãos judeus e gentios de todas as épocas e de todos os lugares. Como um dos doze apóstolos de Jesus, João foi uma testemunha ocular do Senhor; desta forma, o relato do discípulo é preciso. Seu livro não é uma biografia (como o de Lucas), embora o tema também seja a vida de Jesus. Muitos leitores de João tinham formação grega. Esta cultura encorajava a adoração de muitos deuses mitológicos, cujas características sobrenaturais eram tão importantes para os gregos quanto as genealogias eram para os judeus. Mas João mostrou que Jesus não é apenas diferente; Ele é infinitamente superior aos deuses da mitologia.

1.1ss - O que João quis dizer com “o Verbo”? O termo grego logos , traduzido para o português como “verbo’', foi bastante empregado por teólogos e filósofos, tanto judeus como gregos, mas com significados diferentes. Nas Escrituras Hebraicas, o Verbo é o Agente da criação (SI 33.6), a Palavra, a mensagem de Deus para o seu povo por intermédio dos profetas (Os 4 1), e a lei de Deus. seu padrão de santidade (SI 119.11). Enquanto na filosofia grega, o logos significa o principio da razão que governa o mundo, o pensamento; na cultura hebraica, é outra forma de referir-se a Deus. Assim, a descrição de Jesus como o Verbo feita por João indica claramente que ele se refere a um ser humano que conheceu e amou. mas ao mesmo tempo o Criador do universo, a suprema revelação de Deus, a Deidade encarnada (1.14), o retrato vivo da santidade de Deus, o único em que tudo subsiste (Cl 1.17). Para os leitores judeus, afirmar que Jesus é a encarnação de Deus é blasfêmia. Para os leitores gregos, dizer que “o Verbo se fez carne' (1.14) era inconcebível. Para João. o novo entendimento sobre o Verbo eram as Boas Novas de Jesus Cristo.

1.3 - Quando Deus criou o universo. Ele transformou o nada em alguma coisa. Pelo fato de sermos seres criados, não temos de que nos orgulhar. Lembre-se de que você só existe porque Deus o fez, e que só tem dons especiais porque Deus os deu. Com Deus somos valiosos e únicos; longe dEle nada somos, e se tentarmos viver sem Deus, estaremos abandonado o propósito para o qual fomos criados

1.3-5 - Por acaso você já pensou que sua vida é complexa de mais para que Deus possa entender? Lembre-se, Deus criou todo o universo, nada é difícil para Ele. Deus nos criou; Ele sempre esteve e sempre estará vivo, e seu amor é maior do que qual quer problema que possamos enfrentar.

1.4,5 - A frase “as trevas não a compreenderam” significa que o mal não têm e nunca terá domínio sobre a luz de Deus. Jesus Cristo é o Criador da vida, e sua existência traz luz à humanidade. Pela luz de Cristo, enxergamos a nós mesmos como real mente somos (pecadores que necessitam de um Salvador). Quando seguimos a Jesus, a Luz verdadeira, evitamos andar cegamente e cair em pecado. Cristo ilumina o caminho à nossa frente, assim podemos discernir como viver. Ele remove as trevas do pecado de nossa vida. Você já permitiu que a luz de Cristo brilhe em sua vida? Deixe Jesus dirigir sua vida, e você nunca tropeçará nas trevas.

1.6-8 - Para obter mais informações sobre João Batista, veja seu perfil adiante.

1.8 - Assim como João Batista, não somos a fonte da luz de Deus: simplesmente refletimos essa luz. Jesus Cristo é a Luz verdadeira, Ele nos ajuda a enxergar o caminho para Deus e nos mostra como andar neste caminho. Mas Cristo escolheu refletir sua luz a um mundo incrédulo por intermédio de seus seguidores, talvez porque os ímpios não sejam capazes de suportar diretamente a completa glória resplandecente da luz do Senhor. A palavra “testemunha’’ indica o nosso papel como refletores da luz de Cristo. Nunca somos apresentados como a luz para os outros, mas estamos sempre indicando a Cristo, a verdadeira Luz.

1.10,11 - Apesar de Cristo ter criado o mundo, o povo que Ele criou não o reconheceu (1.10). Até o povo escolhido por Deus para preparar os demais povos para o Messias o rejeitou (1.11), apesar de todos os textos do AT indicarem a vinda dEle.

1.12,13 - Todo aquele que aceitou Jesus Cristo como Senhor de sua vida renasceu espiritualmente, recebendo uma nova vida de Deus. Por meio da fé em Cristo, este novo nascimento ocorre de dentro para fora; nossas atitudes, nossos desejos e motivos são reformulados, mudados. Ao sermos gerados por nossos pais biológicos, tornamo-nos fisicamente vivos e membros de uma família terrena (1.13); ao sermos gerados por Deus. tornamo-nos espiritualmente vivos e membros da família celestial (1.12). Você já pediu a Cristo para fazer de você uma nova pessoa? Este novo nascimento está disponível a todo aquele que crê em Cristo.

1.14 - “O verbo se fez carne “. Ao encarnar. Cristo se tornou: (1) o Mestre perfeito — a vida de Jesus nos permitiu perceber como Deus pensa e, por conseguinte, como devemos pensar (Fp 2.5-11); (2) o Homem perfeito — Jesus é o modelo do que devemos tornar-nos. Ele nos mostrou como viver e nos dá o poder para trilhar esse caminho de perfeição (1 Pe 2.21); (3) o Sacrifício perfeito — Jesus foi sacrificado por todas as iniquidades do ser humano; sua morte satisfez as condições de Deus para a remoção do pecado (Cl 1.15-23).

1.14 - A expressão “o Unigênito do Pai” significa que Jesus é o único e exclusivo Filho de Deus. A ênfase está na palavra Unigênito. Jesus é único em espécie e em seu relacionamento com Deus. Ele é diferente de todos os cristãos, chamados “filhos de Deus”.

1.14 - Quando Jesus foi concebido no ventre de Maria. Deus se fez homem. Ele não era em parte humano e em parte divino; era completamente humano e completamente divino (Cl 2.9). Antes de Cristo vir ao mundo, o povo conhecia a Deus parcialmente. Depois da vinda de Cristo, o povo pôde conhecer a plenitude de Deus, porque Ele se tornou visível e tangível em Cristo, sua expressão perfeita na forma humana. Os dois erros mais comuns a respeito de Jesus são: minimizar a sua humanidade ou a sua divindade, Jesus é tanto Deus como homem.

1.17 - A graça e a verdade (“o amor e a fidelidade de Deus que são infalíveis") são aspectos da natureza do Deus que Ele usa para lidar conosco. Moisés enfatizou a lei e a justiça de Deus, enquanto Jesus Cristo, a misericórdia, o amor, a fidelidade e o per dão de Deus. Moisés foi o preceptor da lei.,enquanto Cristo veio para cumprir a lei (Mt 5.17). Na antiga aliança, a natureza e a vontade de Deus foram reveladas na lei, mas na nova. foram reveladas em Jesus Cristo. Depois que o Filho de Deus se manifestou, em voz de a revelação de Deus vir por meio de frias tábuas de pedra, vem por intermédio da vida de uma pessoa. Quanto mais conhecermos a Cristo, mais aumentará nosso entendimento acerca de Deus!

1.18 - No AT, Deus se comunicou com a humanidade por intermédio de várias pessoas. Normalmente os profetas eram encarregados de entregar mensagens especificas, mas ninguém viu a Deus. Jesus e tanto Deus como o único Filho de Deus. Em Cristo, Deus revelou sua natureza e sua essência de uma maneira que poderia ser vista e tocada. Em Cristo, Deus se tornou um homem e viveu na terra.

1.19 - Os sacerdotes e os levitas eram lideres religiosos respeitados em Jerusalém. Os sacerdotes serviam no Templo, e os assistentes os ajudavam. Os fariseus (1.24), um grupo muitas vezes repreendido por João Batista e Jesus, aparentemente obedeciam às leis de Deus, a fim de parecerem piedosos, mas interiormente eram cheios de orgulho e ganância. Eles acreditavam que suas tradições orais eram tão importantes quanto a Palavra inspirada por Deus. Esses lideres foram ver João Batista por algumas razões: (1) como guardiões da fé. sentiram-se motivados a investigar qual quer nova pregação (Dt 13.1 -5; 18.20-22); (2) queriam descobrir se João possuía as credenciais de um profeta; (3) João tinha muitos seguidores e este número crescia, gerando ciúmes nos líderes religiosos judeus, que talvez quisessem entender por que aquele homem era tão popular. Para obter mais informações sobre os fariseus, veja os comentários em Mateus 3 e Marcos 2

1.21-23 - Na mente dos líderes religiosos, havia quatro opções acerca da identidade de João Batista. Talvez ele fosse: (1) o profeta predito por Moisés (Dt 18.15), (2) Elias (Ml 4.5), (3) o Messias ou (4) um falso profeta. João negou ser qualquer um deles. Ele revelou sua função de acordo com as predições do profeta Isaías: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus” (Is 40.3). Os líderes pressionaram João a dizer quem era porque o povo esperava o Messias (Lc 3.15). Mas João enfatizou apenas o que tinha vindo fazer: preparar o caminho para o Messias. Os fariseus estavam confusos. Queriam saber quem era João, mas este queria que soubessem quem era Jesus.

1.25,26 - João batizava os judeus. Os essênios (uma rigorosa seita monástica do judaísmo) usavam o batismo como sinal de purificação, mas, normalmente, apenas os gentios eram batiza dos quando se convertiam ao judaísmo. Assim, quando os fariseus indagaram com que autoridade João batizava, na verdade, queriam saber quem dera a João o direito de tratar o povo escolhido de Deus como um povo gentio. Ao dizer “Eu batizo com água”, João simplesmente ajudava o povo a executar um ato simbólico de arrependimento. Mas logo viria aquEle que verdadeiramente perdoa os pecados, algo que somente o Filho de Deus, o Messias, pode fazer.

1.27 - João Batista disse que não era merecedor de ser ao me nos um escravo de Jesus. Mas, de acordo com o texto em Lucas 7.28, Jesus disse que João era o maior de todos os profetas. Se uma pessoa tão importante se sentiu inadequada até para ser escravo de Jesus, quanto mais deveríamos colocar nosso orgulho de lado para servir a Cristo! Quando verdadeiramente entendemos quem é Jesus, o nosso orgulho e a alta importância que atribuímos a nós mesmos desaparecem.

1.29 - A cada manhã e a cada anoitecer, um cordeiro era sacrificado no Templo pelos pecados do povo (Êx 29.38-42). Isaías profetizou que o Messias, Servo de Deus, seria conduzido à morte como um cordeiro (Is 53.7). Para cumprir a punição pelo pecado, uma vida tinha de ser sacrificada; para que a oferta fosse perfeita, Deus escolheu dar a si mesmo em sacrifício. Os pecados do homem puderam ser removidos por meio do sacrifício perfeito de Jesus. Esta foi a maneira pela qual as nossas iniquidades foram perdoadas (1 Co 5.7). O “pecado do mundo” significa o de cada ser humano. Jesus pagou o preço pelos nossos pecados por meio de sua morte. Você pode receber o perdão confessando os seus pecados a Ele.

1.30 - Apesar de João Batista ser um pregador bem conhecido que atraia grandes multidões, estava contente por Jesus ocupar a posição mais elevada. Esta e a verdadeira humildade, a base para o poder de Deus manifestar-se na pregação, no ensino ou em qualquer outro trabalho que fizermos para Cristo. Quando você se sente feliz por fazer a vontade de Deus, honra Jesus Cristo, e Deus fará grandes coisas por seu intermédio!

1.31-34 - Por ocasião do batismo de Jesus, João Batista declarou que Ele era o Messias. Naquele tempo Deus deu a João um sinal para mostrar-lhe que Jesus verdadeiramente foi enviado por Ele (1.33). João e Jesus eram parentes (Lc 1.36); João conhecia Jesus; mas, somente por ocasião do batismo de Jesus, o profeta compreendeu que Ele era o Messias. O batismo de Jesus foi descrito em Mateus 3.13-17; Marcos 1.9-11 e Lucas 3.21.22.

1.33 - O batismo nas águas realizado por João Batista era um preparatório, porque visava ao arrependimento e simbolizava ser lavado dos pecados. Jesus, em contraste, batizaria com o Espírito Santo. Ele enviaria o Espírito sobre todos os crentes, capacitando-os a viver e a ensinar a mensagem da salvação. Este derramamento do Espírito veio depois que Jesus ressuscitou e ascendeu ao céu (ver 20.22; At 2).

1.34 - O trabalho de João Batista era indicar ao povo o Messias tão esperado, Jesus. Hoje, as pessoas procuram alguém que lhes dê segurança em um mundo inseguro. Nosso trabalho é mostrar-lhes Cristo, para que entendam que Ele é quem procuram.

1.35ss Aqueles novos discípulos usaram alguns títulos para designar Jesus: Cordeiro de Deus i 1.36). Rabi (1.38). Messias (1.41), Filho de Deus (1.49) e Rei de Israel (1.49). À medida que eles conheceram mais Jesus, cresceu o apreço que tinham por Ele. Quanto mais tempo dedicarmos a conhecer a Cristo, mais o entenderemos e o apreciaremos! Inicialmente, podemos ser atraídos a Ele por seus ensinamentos, mas, por fim, conheceremos Jesus como o Filho de Deus. Apesar de os títulos usados por aqueles discípulos apontarem para um progresso rápido no conhecimento de Cristo, a verdade é que eles só entenderiam melhor Jesus depois de três anos em sua companhia (At 2). Aquilo que facilmente declararam deveria ser experimentado na pratica. As palavras de fé nos vêm facilmente, mas o profundo apreço por Cristo vem á medida que vivemos pela fé!

1.37 - Um dos discípulos aqui mencionados era André (1.40); o outro, João, o escritor deste Evangelho. Por que estes discípulos deixaram João Batista? Porque o profeta queria era que seguissem a Jesus. Para isto ele os havia preparado. André e João foram os primeiros discípulos de Jesus, junto com Simão Pedro (l .42) e Natanael (1.45).

1.38 - Quando aqueles dois discípulos começaram a seguir a Jesus, Ele lhes perguntou: “Que buscais?” Seguir a Cristo não é suficiente; devemos fazê-lo pelas razões certas. Acompanhar Jesus por nossos próprios objetivos seria pedir que Ele nos seguisse e se alinhasse conosco, para suportar e melhorar a nossa causa, não a dEle. Devemos examinar os nossos motivos ao segui-lo. Estamos buscando a glória de Deus ou a nossa?

1.40-42 - André aceitou o testemunho de João Batista a respeito de Jesus, e foi imediatamente falar dEle a seu irmão, Simão. Não havia dúvidas na mente de André de que Jesus era o Messias. Por isso, ele não apenas contou a seu irmão, como também se mostrou ansioso por apresentar Jesus a outros (ver 6.8,9; 12 .2 2 ).

1.42 - Jesus não viu apenas quem era Simão, mas quem ele se tornaria. Esta é a razão pela qual lhe deu um novo nome: Cefas, em aramaico, ou Pedro, em grego (que significa “pedra”). Pedro não é apresentado como uma “rocha sólida” por todo o Evangelho, mas tornou-se um cristão convicto na época da Igreja Primitiva, como aprendemos no livro de Atos. Ao dar um novo nome a Simão, Jesus apontou para uma mudança no caráter do discípulo. Para mais informações sobre Simão Pedro, veja seu perfil em Mateus.

1.46 - A cidade de Nazaré era desprezada pelos judeus, porque uma guarnição das tropas do exército romano se instalava ah. Alguns têm especulado que uma atitude indiferente ou uma baixa reputação moral e religiosa por parte do povo de Nazaré levaram Natanael a fazer esse comentário rude. A cidade natal de Natanael era Caná, que ficava aproximadamente a seis quilômetros e meio de Nazaré.
 
1.46 - Ao ouvir que o Messias era de Nazaré, Natanael ficou surpreso. Filipe respondeu: “Vem e vê”. Para a felicidade de Natanael, ele se encontrou com Jesus, e tornou-se seu discípulo. Se tivesse hesitado por causa de seu preconceito e não investigas se, teria perdido o Messias! Não permita que estereótipos de Jesus levem as pessoas a perderem o seu poder e o seu amor. Convide-as a ir e ver quem Jesus realmente é.

1.47-49 - Jesus conhecia Natanael antes de se encontrarem. Ele também conhece quem realmente somos. Uma pessoa honesta se sentirá confortável com a ideia de que Jesus a conhece completamente; a desonesta ficará desconfortável. Você não pode fingir ser algo que não ó! Deus conhece o autêntico eu e quer que você o siga!

1.51 - Essa é uma referência ao sonho de Jacó registrado em Gênesis 28.12. Como o único Homem-Deus. Jesus seria a escada entre o céu e a terra. Jesus não disse que essa seria uma experiência visível como foi a transfiguração, mas que poderiam ter um discernimento espiritual da verdadeira natureza de Jesus o do propósito de sua vinda.


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