segunda-feira, agosto 06, 2018

Mateus 3:1-12 — Comentário Católico

Mateus 3:1-12 — Comentário Católico

A pregação de João Batista (3,1-12) 

Mateus passa um tanto abruptamente da infância de Jesus para o começo de seu ministério público. Neste momento, Mateus adota a narrativa de Marcos, à qual se adicionam frases e ditos de Q (aqui os vv. 7-12, parte do 11, todo o v. 12); isto complica a situação literária. Mateus começa com a atividade de João Batista. 1. naqueles dias: cerca de 26 d.C. João Batista: pregador judeu do arrependimento, João procede de um ambiente sacerdotal essênio e é conhecido fora das fontes bíblicas (Josefo, Ant. 18.5.2 § 116-19). Mateus o introduz aqui por causa de suas tradições e porque, embora houvesse diferenças entre eles, João e Jesus foram tidos pelos primeiros cristãos como relacionados por suas pregações proféticas, seriedade religiosa, prática do batismo e expectativa do final dos tempos num futuro próximo. Alguns dos discípulos de João Batista desenvolveram seu movimento como rival do cristianismo (Mt 11,2); contudo, por causa de seu martírio e por causa do respeito de Jesus para com ele, os cristãos começaram a considerá-lo um precursor de Jesus. Mateus vai além de outros evangelistas, fazendo de João “um pequeno Jesus”, pondo a própria mensagem central de Jesus em sua boca (cf. v. 2 com 4,17) e identificando João Batista com Elias (11,14; 17,10-13). 2. arrependei-vos: o termo grego metanoein conota uma “mudança de postura”; o termo em hebraico sub significa “voltar-se” (de seus pecados para Deus), um tema fundamental nos profetas do AT (veja m. Yoma 8,8-9; G. F. Moore, Judaism [Cambridge MA, 1927] 1. 507-34; E. E. Urbach, The Sages [2 vols.; Jerusalem, 1975] 462-71; J. Behm, TDNT 4. 975-1008, para ideias rabínicas de arrependimento; para analogias clássicas às pregações de João Batista na diatribe cínico-estoica, ver S. K. Stowers, The Diatribe [SBLDS 57; Chico, 1981]). o Reino dos Céus está próximo: veja o comentário sobre 4,17. Ao contrário dos outros sinóticos, Mateus adia o tema perdão dos pecados até 26,28. 3. Is 40,3 é citado na forma da LXX, e as referências a Iahweh são transferidas a Jesus.

Comentário Devocional: Mateus 1 Mateus 2 Mateus 3 Mateus 4 Mateus 5 Mateus 6 Mateus 7 Mateus 8 Mateus 9 Mateus 10 Mateus 11 Mateus 12 Mateus 13 Mateus 14 Mateus 15 Mateus 16 Mateus 17 Mateus 18 Mateus 19 Mateus 20 Mateus 21 Mateus 22 Mateus 23 Mateus 24 Mateus 25 Mateus 26 Mateus 27 Mateus 28

Esta é a primeira citação do Deuteroisaías, o profeta da boa nova de consolação, libertação e retorno do exílio. Deuteroisaías é muito importante para o NT como uma espécie de protoevangelho, mas o NT o desnacionaliza e remove dele a nota de vingança. Esta passagem era importante também para os essênios (1QS 8,14). 4. pêlos de camelo: a roupa é de um profeta (lRs 1,8; Zc 13,4), especialmente Elias. Gafanhotos e mel silvestre: sua dieta sugere o alimento silvestre. Na tradição posterior, João Batista transformou-se em um modelo para os monges, que não deviam comer carne; uma vez que os gafanhotos eram um tipo de carne, eles foram reinterpretados como vagens de alfarroba. 5. região vizinha ao Jordão: poderia incluir não somente a Galileia, mas também a Transjordânia e os lagos de Enon (Jo 1,28; 3,23), uma área ampla. 6. eram batizados: do grego baptizein, que significa “mergulhar” ou “imergir”, cerimonialmente talvez também “aspergir”. Aqui o batismo é um ritual religioso de limpeza ou de purificação, com analogias nas abluções sacerdotais do AT, farisaicas e qumrânicas; aqui não são feitas apenas pelo penitente, mas por João. Confessando os pecados: um sentimento de culpa moral é difundido, como é a necessidade de confessar, mas as formas que essa necessidade toma variam muito. Não está claro como a confissão foi feita aqui, mas talvez devêssemos pensar no Dia da Expiação, quando aconteciam lamentações gerais pelas promessas não cumpridas. 7. A fonte Q começa aqui. Mateus reduz os destinatários aos fariseus e saduceus (cf. Lc 3,7). Por que esta severidade para com estes dois grupos? De acordo com Josefo (/.W. 2.8.2-14 § 119-66), havia três seitas principais dentro do judaísmo nesse tempo: fariseus, saduceus, essênios; um quarto grupo foi associado frequentemente aos zelotes. Embora os fariseus não fossem sempre hostis a Jesus (Lc 13,31) e, em Marcos, não tomem parte em sua morte, Jesus sentiu-se obrigado a criticá-los severamente (p.ex., cap. 23) pela importância que tinham como líderes religiosos. O movimento em suas origens (o período macabeu) tinha ajudado a salvar o judaísmo, mas nessa época se tornara perigosamente rígido e exclusivista. No tempo de Mateus, seus herdeiros, os rabinos, haviam se tornado os principais oponentes judeus do cristianismo, e Mateus está determinado a mostrar que o cristianismo representa o verdadeiro Israel. Os saduceus eram o partido sacerdotal relacionado de maneira muito próxima ao Templo e, assim, implicado mais diretamente na morte de Jesus (26,3-4). raça de víboras: esta expressão é repetida em 12,34; veja Ap 12,9; Jo 8,44. ira que está para vir: embora a ideia fundamental seja tão antiga quanto os profetas (Pensamento do AT, 77:99-102), há uma nova nota de urgência escatológica no chamado ao arrependimento; o julgamento de Deus está próximo. 8. fruto: as boas obras, que vão além das boas intenções do arrependimento, são a comprovação. 9. filhos de Abraão: a salvação não é hereditária. Isto sugere um tema básico em Mateus: os gentios podem ser salvos. Cf. Amós 3,2. Deus não mostra parcialidade étnica ou social (Dt 1,17; 16,19; 2Cr 19,17; Ag 10,34; Rm 2,11; G12,6; Ef 6,4; Cl 3,25). 10. já: a situação é política e espiritualmente tensa e urgente, machado: Is 10,34; Jr 46,22. árvore: Mt 7,19.11. eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhes as sandálias: Mateus difere dos outros evangelhos e de At 13,25 ao apresentar “tirar” em vez de “desatar”. Isto pode refletir um refinamento rabínico posterior, que ensina que um discípulo deve fazer para seu mestre qualquer coisa que um escravo faria, exceto retirar seus sapatos (Ketub. 96a). com fogo: aqui devemos distinguir o que João Batista provavelmente disse, de acréscimos cristãos posteriores. Se as palavras “com o Espírito Santo e” são deixadas de lado como um acréscimo posterior, então João Batista aponta para o julgamento do próprio Deus. 12. recolherá seu trigo: a colheita fornece imagens da separação no julgamento, queimará: veja Is 48,10; 6,24; Jr 7,20; etc.