segunda-feira, agosto 06, 2018

Mateus 4:1-11 — Comentário Católico

Mateus 4:1-11 — Comentário Católico

A tentação de Jesus (4,1-11)

Marcos relata este acontecimento em apenas dois versículos (1,12-13). Conta o fato da tentação, mas não dá detalhes. Isto é importante porque provavelmente reflete de modo exato, a situação dos discípulos a respeito deste acontecimento: sabiam que Jesus fora tentado (a historicidade do acontecimento não admitia dúvidas), mas, uma vez que a tentação é uma experiência essencialmente íntima e pessoal, não sabiam exatamente o que tinha acontecido na consciência de Jesus. A versão de Q em Mateus e em Lucas representa, assim, um midrásh narrativo ou uma interpretação do acontecimento de modo a torná-lo pastoralmente útil para os crentes. Isto é feito conectando os 40 dias de jejum com Moisés e Elias no deserto e com a tentação ou prova da paciência de Deus pelo povo no êxodo, que se rebelou contra o alimento divino (o maná) e adorou o bezerro de ouro; e ao identificar Jesus como o Filho de Deus (v. 3), significando Israel, o povo de Deus (veja 2,15), não o Messias. Todas as respostas de Jesus ao tentador são citações de Dt 6-8. As tentações individuais em Mateus não são tão estranhas como parecem à primeira vista; todas se baseiam em várias formas de pecado contra o grande mandamento de amar a Deus “com todo o teu coração, e com toda a tua alma, e com toda a tua força” (Dt 6,5), conforme a ordem foi compreendida pelos primeiros rabinos: “coração” refere-se aos dois impulsos ou pulsões afetivos, o bem e o mal; “alma” significa a vida, inclusive o martírio; “força” significa riqueza, as propriedades e outras posses externas (m. Ber. 9,5). Este tema fundamental do amor de Deus une todo o relato.

Explicação: Mateus 1 Mateus 2 Mateus 3 Mateus 4 Mateus 5 Mateus 6 Mateus 7 Mateus 8 Mateus 9 Mateus 10 Mateus 11 Mateus 12 Mateus 13 Mateus 14 Mateus 15 Mateus 16 Mateus 17 Mateus 18 Mateus 19 Mateus 20 Mateus 21 Mateus 22 Mateus 23 Mateus 24 Mateus 25 Mateus 26 Mateus 27 Mateus 28

3. Filho de Deus: assim o tentador chama Jesus, isto é, o representante de Israel, pedras: transformar as pedras em pães implicaria o pecado da rebelião contra a vontade divina. 4. só de pão: a resposta de Jesus vem de Dt 8,3. Para compreender seu significado completo, deve-se ler todo o contexto em Dt 6-8. A palavra de Deus é transformada no alimento principal. 5. Somente a primeira tentação acontece no deserto, à Cidade Santa: Jerusalém. 6. o Filho de Deus: Jesus é interpelado outra vez como representante do povo e é convidado a testar o cuidado providencial de Deus arriscando desnecessariamente sua vida, uma zombaria do martírio real e da paixão futura, anjos: o diabo cita a Escritura, neste caso SI 91,11-12 segundo a versão grega. 7. Não tentarás ao Senhor: a resposta de Jesus vem de Dt 6,16 (veja I Cor 10,9). Deve-se servir ao Senhor com toda a sua vida, mas não de maneira leviana. 8. todos os reinos do mundo com o seu esplendor: Glória é o termo bíblico para designar o esplendor ou a riqueza exterior ou manifesta, a plenitude da existência. Aqui ela representa a tentação de preferir o poder e a riqueza ao amor a Deus compreendido como fidelidade à aliança com ele. 10. a ele só prestarás culto: a resposta de Jesus vem de Dt 6,13, que resume a grande mensagem veterotestamentária do monoteísmo ético. Somente Deus é digno de nossa adoração. A tentação de Jesus tem significado universal: (a) Jesus representa Israel porque ele é o início do novo povo de Deus, fundador de uma nova humanidade; (b) a tentação fundamental é não amar a Deus de todo coração, correndo risco de vida, às custas da riqueza. Jesus é mostrado aqui como o perfeito amante de Deus (Hb 4,15).