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sábado, 4 de julho de 2009

Introdução ao Antigo Testamento

Introdução ao Antigo Testamento

Biblioteca Bíblica

INTRODUÇÃO AO ANTIGO TESTAMENTO, V
O Antigo Testamento, também chamado de Velho Testamento, ou mais corretamente Escrituras Hebraicas, é composto de 39 livros divinamente inspirados, de Gênesis a Malaquias, segundo o atual arranjo costumeiro, constituem a maior parte da Bíblia.

Os livros do Antigo Testamento, conforme aparecem na maioria das versões da Bíblia, podem ser divididos em três seções: (1) Históricos, Gênesis a Ester, 17 livros; (2) Poéticos, Jó a O Cântico de Salomão, 5 livros; (3) Proféticos, Isaías a Malaquias, 17 livros. Essas divisões são um tanto gerais, visto que a seção histórica contém partes poéticas (Gên 2:23; 4:23, 24; 9:25-27; Êx 15:1-19, 21; Jz 5), bem como proféticas (Gên 3:15; 22:15-18; 2Sa 7:11-16); a seção poética contém matéria histórica (Jó 1:1-2:13; 42:7-17), bem como profética (Sal 2:1-9; 110:1-7); e na seção profética encontram-se informações históricas e matéria poética (Is 7:1, 2; Je 37:11-39:14; 40:7-43:7; La 1:1-5:22).

Por combinarem e rearranjarem estes mesmos 39 livros numa ordem diferente, os judeus contavam apenas 24 ou 22 livros, e, segundo o seu cânon tradicional, agrupavam-nos do seguinte modo: Primeiro, havia a Lei (hebr.: Tohráh), também chamada de Pentateuco, consistindo em (1) Gênesis, (2) Êxodo, (3) Levítico, (4) Números e (5) Deuteronômio. Em segundo lugar vinham os Profetas (hebr.: Nevi’ím), divididos em os “Profetas Anteriores”, (6) Josué, (7) Juízes, (8) Samuel (Primeiro e Segundo, juntos como um só livro), (9) Reis (Primeiro e Segundo, como um só livro), e os “Profetas Posteriores”, subdivididos em Profetas “Maiores”, (10) Isaías, (11) Jeremias e (12) Ezequiel, e (13) Doze Profetas “Menores” (num único livro composto de Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias). A terceira seção era chamada de Escritos Sagrados (Hagiógrafos, ou, em hebraico, Kethuvím), começando com (14) Salmos, (15) Provérbios e (16) Jó; daí vinham os “Cinco Meguiloth” ou cinco rolos separados, a saber, (17) O Cântico de Salomão, (18) Rute, (19) Lamentações, (20) Eclesiastes e (21) Ester, seguidos por (22) Daniel, (23) Esdras-Neemias (juntos) e (24) Crônicas (Primeiro e Segundo, juntos como um só livro). O livro de Rute era às vezes anexado a Juízes, e Lamentações a Jeremias, para perfazer 22 livros, total correspondente ao número de letras no alfabeto hebraico, embora este não seja hoje o costumeiro arranjo nas Bíblias hebraicas.

Nem todos os primitivos catálogos tinham os livros do Antigo Testamento na ordem acima. O motivo era que, naquele tempo, os respectivos livros encontravam-se em rolos separados. Para ilustrar: No Talmude Babilônico (Bava Batra 14b) declara-se: “Nossos Rabinos ensinavam: A ordem dos Profetas é: Josué, Juízes, Samuel, Reis, Jeremias, Ezequiel, Isaías e os Doze Profetas Menores.” (Traduzido para o inglês por M. Simon e I. Slotki.) Isto talvez explique por que Jeremias precede Isaías em diversos manuscritos hebraicos escritos na Alemanha e na França.

I. Os Escritores do Antigo Testamento


Todo o Antigo Testamento foi escrito e compiladas por judeus, membros da nação ‘incumbida das proclamações sagradas de Deus’. (Ro 3:1, 2) E, na maior parte, estas Escrituras pré-cristãs foram escritas em hebraico, com os seguintes pequenos trechos escritos em aramaico: Gênesis 31:47; Esdras 4:8 a 6:18 e 7:12-26; Jeremias 10:11; Daniel 2:4b a 7:28. Palavras aramaicas são também encontradas em Jó, em certos Salmos, em O Cântico de Salomão, em Jonas, em Ester e nos trechos hebraicos de Daniel. Também o livro de Ezequiel mostra influência aramaica.

Moisés escreveu e compilou os primeiros cinco livros da Bíblia, e a ele seguiram uns 38 escritores e compiladores, inclusive Josué, Samuel, Davi, Salomão, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Esdras e Neemias. Eles viveram num período de 1.100 anos, desde o 16.° até o 5.° século AEC, e tinham diversas ocupações, tais como de pastor, copista, governador, rei, profeta e sacerdote.

Alguns dos escritores da Bíblia foram testemunhas oculares dos incidentes que registraram; Moisés escreveu sobre suas experiências perante Faraó. (Êx 5:1-12:32) Recolheram certos dados históricos de registros anteriores por meio duma diligente pesquisa, como no caso da compilação de registros genealógicos. (1Cr 1-9) Muitas coisas, porém, tais como conhecimento a respeito da assembléia de hostes angélicas no céu e revelações no campo de profecia, eram assuntos que estavam além do domínio do conhecimento humano e só podiam ser conhecidos por inspiração direta de Deus. Isto, bem como a perfeita unidade do conjunto, apesar de ser a obra produto de muitos escritores de formações diversas, elaborada durante um período tão longo, atestam e demonstram que os escritores bíblicos deveras “falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo”. — 2Pe 1:21.

II. Cânon do Antigo Testamento.


Os livros do Antigo Testamento não aparecem nas nossas Bíblias na ordem em que foram escritos. Joel, Amós e Jonas viveram cerca de dois séculos antes de Jeremias, Ezequiel e Daniel. Tampouco os títulos dos livros revelam sempre seu escritor. O livro de Jó, por exemplo, evidentemente foi escrito por Moisés; o livro de Rute, por Samuel. Pormenores sobre os respectivos livros, sobre quando e por quem cada um deles foi escrito, são apresentados na “Tabela dos Livros da Bíblia na Ordem em Que Foram Terminados”. Veja os artigos sobre os respectivos livros para saber do conteúdo, da importância e do significado, da prova de autenticidade, e para obter outras informações.

O cânon do Antigo Testamento já estava bem especificado no tempo em que Jesus Cristo estava na terra, conforme evidenciado pelas suas declarações registradas nas Escrituras Gregas Cristãs. Por exemplo, ele citou o arranjo das três seções quando falou de “todas as coisas escritas na lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos”. (Lu 24:44) Seus seguidores escreveram ou falaram sobre a “leitura pública da Lei e dos Profetas”, as “Escrituras”, ‘a lei de Moisés e os Profetas’, as “Escrituras sagradas” e “os escritos sagrados”. — At 13:15; 18:24; 28:23; Ro 1:2; 2Ti 3:15.

Digno de nota é também o fato de que não se admitiu no cânon hebraico nenhum dos escritos apócrifos. Desde os dias de Esdras e Malaquias, no quinto século AEC, o cânon completo das Escrituras Hebraicas tem sido guardado e protegido contra a inclusão de quaisquer escritos de natureza duvidosa. Os copistas de manuscritos, chamados soferins, mais tarde sucedidos pelos massoretas, exerciam um cuidado escrupuloso.

Originalmente, o hebraico do Antigo Testamento foi escrito sem vogais ou pontuação, e sem a nossa atual divisão em capítulos e versículos. Na segunda metade do primeiro milênio EC, os massoretas, que também eram copistas bíblicos muito cuidadosos, estabeleceram um sistema de sinais vocálicos e de acentos como ajuda na leitura e na pronúncia.

II. Preservação e Transmissão.


Os soferins (escribas) judeus, embora meticulosos para evitar erros de cópia, fizeram certas emendas, ou correções, no texto onde, na opinião deles, o texto original parecia mostrar falta de reverência para com Deus ou desrespeito pelos Seus representantes. Em mais de 140 casos, os escribas judeus alteraram o Tetragrama (o equivalente consonantal do nome Yehowah) para rezar ou “Soberano Senhor” ou “Deus”.

Hoje não existe nenhum dos escritos originais do Antigo Testamento, mas há possivelmente 6.000 cópias manuscritas com todo o Antigo Testamento ou partes delas. O Papiro Nash, que contém pequenos trechos de Deuteronômio, e muitos dos Rolos do Mar Morto, foram copiados antes de nossa Era Comum. Além de cópias das Escrituras em hebraico, fizeram-se muitas versões das Escrituras pré-cristãs, em muitas línguas, quer no todo, quer em parte. A primeira tradução propriamente dita foi a Septuaginta grega, começada por volta de 280 AEC. A Vulgata latina de Jerônimo também continha uma tradução antiga do Antigo Testamento.

Críticos da Bíblia fizeram muitos esforços na tentativa de desacreditar o Antigo Testamento, classificando-as de falsificações ou então de simples folclore a que faltava autenticidade histórica. Um tipo de ataque tem sido a dissecação de diversos livros bíblicos no empenho de provar que foram escritos por mãos diferentes, como se a pessoa fosse incapaz de escrever em mais de um estilo. Tal argumento é inteiramente infundado, porque aqueles que escrevem poesia também podem escrever prosa, e vice-versa. O advogado que elabora um documento legal, fácil e rapidamente, muda de estilo quando conta alguma experiência pessoal. Quando os críticos afirmam que certos versículos, que eles tacham de “J” e em que ocorre o nome Yehowah, não foram escritos pelos mesmos escritores dos versículos onde aparece o título “Deus” (hebr.: ’Elohím), os quais designam como “E”, eles demonstram um raciocínio muito fraco.

Salientando a falácia da afirmação desses críticos, K. A. Kitchen, da Universidade de Liverpool, diz: “Em parte alguma do Antigo Oriente há alguma coisa de que se saiba definitivamente que paralele a elaborada história de fragmentária composição e fusão [texto composto] de literatura hebraica (ou assinalada por exatamente tal critério), conforme as hipóteses documentárias querem postular. E, inversamente, qualquer tentativa de aplicar o critério dos teóricos documentários a antigas composições orientais, que contêm histórias conhecidas, mas demonstram o mesmo fenômeno literário, resulta em óbvios absurdos.” — Ancient Orient and Old Testament (Oriente Antigo e Velho Testamento), 1968, p. 115.

III. Importância do Antigo Testamento.


Nunca é demais enfatizar a importância do Antigo Testamento, porque sem o seu código de leis, sua história e suas profecias, grande parte das Escrituras Gregas Cristãs teria sentido duvidoso. (Lu 24:27, 44) “Porque todas as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução.” “Ora, estas coisas lhes aconteciam como exemplos e foram escritas como aviso para nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas de coisas.” (Ro 15:4; 1Co 10:11) Portanto, os escritores bíblicos cristãos repetidamente citavam os anteriores escritos bíblicos ou se referiam a eles, desta maneira dando prosseguimento a muitos dos temas e das promessas apresentados nas Escrituras Hebraicas e ampliando-os. Nas Escrituras Gregas Cristãs, ou Novo Testamento, se apresenta citações diretas de 320 passagens das Escrituras Hebraicas. Segundo uma lista publicada por Westcott e Hort, o total conjunto das citações e referências chega a umas 890.

Sem o Antigo Testamento nos faltariam muitos pormenores sobre a origem do homem, a causa da morte e a promessa edênica de que a cabeça da serpente será esmagada pela semente da mulher. Sem o Antigo Testamento não conheceríamos muitos dos pormenores sobre coisas tais como o Dilúvio dos dias de Noé, por que o sangue é sagrado, o pacto de Deus com Abraão, como Yehowah lutou a favor do seu povo pactuado e a história do representativo reino teocrático.
3 Deixe seu comentário:
Anônimo disse...

Olá Pr.Fábio, eu sou o Leonardo de Amorim e sou estudante de teologia 6 sem. E sou prof. de EBD de minha igreja (Igreja Batista do Campeche/ Fpolis). Venho através deste pedir autorização para usar e mencionar os conteudos postados neste site, pois tenho estudado e tenho sido muito edificado pelos estudos aqui postados e tenho o desejo de compartilhar com a classe de jovens da EBD! Levarei em consideração as palavras deixadas pelo sr abaixo!

Editor disse...

Olá Leonardo! Fico feliz por sua visita. Fique à vontade para usar as matérias desde que indique a fonte, ou o link para nosso blog.

Fica na paz...

Anônimo disse...

Graça e Paz! Pastor... Sou o Pastor Fábio de Belém do Pará e ao Ler sua matéria fiquei muito feliz por tal interpretação e estudo postado neste site... DEUS o abençoe e lhe peço permissão para usá-la quando necessário... aguardo resposta...
Shallom...

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