2009/05/21

Comentário de João 5:2

Ora, em Jerusalém havia, perto do [mercado] das ovelhas,... A palavra “mercado” não está no texto, e de tal mercado nenhum relato é dado nas Escrituras, nem nos escritos Judaicos; e, além disso, no tempo de nosso Senhor, as ovelhas e os bois eram vendidos no templo; antes, isso significa o portão das ovelhas, de cuja menção é feita em Nee. 3:1, pela qual as ovelhas eram trazidas para a cidade, para o templo.

Um reservatório. A Vulgata Latina e a versão Etíope leem, “havia em Jerusalém um reservatório de ovelha”; e assim é interpretada na versão Árabe, e Jerom. É chama de “reservatório do gado”.
[1] Os Targunistas em Jer. 31:39 falam de um reservatório chamado בריכה עגלה, “o gado”, ou “reservatório do novinho”, como o Dr. Lightfoot a verte; embora a tradução dela, tanto na Poliglota Londrina e na Bíblia do Rei da Espanha, a interpretem “um eservatório circular”. Esse reservatório de Betesda é acreditado por alguns como sendo o mesmo que os Judeus chamavam o grande reservatório em Jerusalém; eles dizem:[2]

“Entre Hébron e Jerusalém está a fonte de Etã, de onde as águas, de onde as águas bem pelos canos até o grande reservatório, que está em Jerusalém.”

E R. Benjamim
[3] fala de uma piscina que pode ser vista até este dia, onde os anciões matavam os sacrifícios deles e todos os Judeus escreviam os seus nomes na parede: e alguns pensam que foi chamada assim, porque as ovelhas que foram oferecidas em sacrifício, foram levadas para lá; e ali foram lavadas, que deve estar, ou antes, ou depois delas serem mortas; não antes, porque isto não foi requerido, que o que seria morto para sacrifício devesse ser lavado primeiro; e depois, só a entranhas do animal eram lavadas; e para isto havia um lugar particular no templo, chamado לשכת המדיחין “a sala lavatória”; onde, eles dizem[4] que eles lavavam as partes internas dos sacrifícios santos. Então, esta piscina aqui parece, ao invés, como Dr. Lightfoot observa, ter sido um lugar para banho das pessoas impuras; e tendo esta virtude futura maravilhosa mencionada, as pessoas doentes apenas, a certos tempos, iam até lá. As versões Persa e Siríaca a chamam, “um lugar de batistério”; e ambas omitem a cláusula, “perto do Mercado das ovelhas”, ou “portão”: não é fácil dizer onde e o que era:

Que é chamado na língua hebraica, Betesda;… Que significa, de acordo com as versões Siríaca, Persa e Árabe, “uma casa de clemência”, ou “graça”, ou “bondade”; porque muitos objetos miseráveis receberam clemência aqui, e uma cura. Hegesipo
[5] fala de uma Betesda que Cesto, o general romano entrou, e queimou; e a qual, de acordo com ele, parece estar fora de Jerusalém, e assim não no lugar aqui mencionado; e, além disso, esse lugar é chamado de uma reservatório, embora os edifícios ao redor dele viessem pelo mesmo nome indubitavelmente. A versão da Vulgata Latina e Etíope leem “Betsaida”, de forma muito injusta; e o lugar é chamado por Tertuliano[6] de “o reservatório de Betsaida”. A língua hebraica aqui mencionada כתב של עבר הנהר, “o idioma daqueles além do rio”,[7] i.e. o rio o Eufrates; que é o idioma dos Caldeus, como distinto do idioma Assírio que é chamado o idioma santo e santificado; o primeiro é o que os Cuthitas, ou os Samaritanos usavam; o segundo, aqueles em que o livro da lei foi escrito.[8]

Tendo cinco alpendres;… Ou varandas clausuradas para as quais eram muito convenientes aos doentes, que se deitavam ali para obter uma cura, assim concorda Nonnus: Atanásio
[9] fala do próprio reservatório, como em existência, embora os edifícios estivessem quase em ruínas pelo tempo dele; e[10] Daviler observa que ali ainda existem cinco arcos do “pórtico”, e a parte da bacia. Agora este lugar pode ser um emblema dos meios da graça, o ministério da palavra, e ordenações: a casa de Deus onde o Evangelho é pregado, pode ser chamado Betesda, uma casa de clemência; visto que então aqui são proclamadas a graça livre, soberana, rica, e abundante e clemência de Deus, por Cristo, como a razão e fundação da esperança de um pecador; a clemência de Deus, como é exibida na convenção de graça, na missão de Cristo, e redenção por ele, em regeneração, e no perdão de pecados, e realmente, no todo da salvação, do início ao fim, é exibido aqui para o alívio de mentes aflitas: e esta Betesda que é um reservatório, alguns dos anciões pensavam, que fosse um emblema e prefigurou a ordenação do batismo; e que a virtude milagrosa dela seja posto nela para dar honra e creditar naquela ordenação, brevemente a ser administrada: mas como estes não são os meios de regeneração e conversão, ou de uma cura ou purificação, mas os pré-requisitos, poderia ser, antes, um símbolo da fonte do sangue de Cristo, aberta para os pecadores poluídos se lavarem nela, e que os limpa de todo o pecado, e cura todas as doenças; e ela está aberta na casa da clemência, e pelo ministério da palavra: ou, antes, melhor de tudo, o próprio Evangelho, e a sua administração; que às vezes é comparada as águas, e uma fonte delas; veja Isa. 4:1 Joel 3:18; e considerando que este reservatório estava em Jerusalém, e que tão frequentemente designa a igreja de Cristo debaixo da Dispensação do Evangelho, pode apropriadamente representar o ministério da Palavra ali: e está próximo do Mercado da ovelha, ou portão, um reservatório das ovelhas, que pode não estar fora de sua significância; e pode nos levar a observar, que próximo onde as ovelhas de Cristo estão, o qual o Pai deu-lhe, e ele morreu por elas, e tem que trazê-las, ele fixa a sua palavra e ordenações para os recolher: e já que havia cinco varandas, ou alpendres, conduzindo até este lugar, alguns dos anciões acreditam que a lei, constituindo dos cinco livros de Moisés, pode ser pretendida por eles; porque debaixo da lei, e debaixo de uma obra dela, os homens estavam antes deles entrarem na luz e liberdade, e conforto do Evangelho; e como as pessoas que se deitam nestas varandas, não recebiam nenhuma cura ali, assim não há nenhum alívio, paz, alegria, vida, e salvação, pela lei das obras.



Fonte: John Gill's Exposition of the Entire Bible


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Notas:
[1] De Locis Hebraicis, p. 89. L. Tom. III.
[2] Cippi Hebraici, p. 10.
[3] Itinerar. p. 43.
[4] Misn. Middot, c. 5. seç. 2. Maimon. Beth Habbechira, c. 5. seç. 17.
[5] De Excidio, l. 2. c. 15.
[6] Adv. Judaeos, c. 13.
[7] De Semente, p. 345. Tom. I.
[8] No Dicionário de Chambers, sobre a palavra “Piscina”.
[9] Vid. Gloss. em T. Bab. Sabbat, fol. 115. 1. Megilla, fol. 18. 2. & Sinédrio, fol. 21. 2.
[10] Maimon. & Bartenora em Misn. Yadaim, c. 4. sect. 5. Vid. Gloss. em T. Bab. Megillia, fol. 8. 2.

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