Significado de João 5


Significado de João 5

Significado de João 5



João 5

5.1 — A festa entre os judeus provavelmente não era a Páscoa, a qual João quase sempre se refere pelo nome (Jo 2.13; 6.4; 11.55). Deve tratar-se do Purim, que não havia sido instituída por Deus, mas era uma festa criada pelos judeus para celebrar o livramento dos israelitas e da rainha Ester. Era uma festa instituída pelos judeus.

5.2 — A Porta das Ovelhas no muro de Jerusalém ficava próximo ao templo e era por onde as ovelhas passavam para o sacrifício. O tanque de Betesda era uma piscina dupla cercada por uma galeria de quatro colunas, construídas por H erodes, e por uma quinta galeria que dividia as piscinas do norte e do sul. Os cinco alpendres ficavam entre essas duas galerias de colunas, sendo duas em cada lado e uma no meio.

5.3,4 — Perto da piscina ficava uma multidão de pessoas enfermas esperando o movimento das águas. Todos os manuscritos antigos foram copiados sem a última parte do versículo 3 e todo o versículo 4 — esperando o movimento das águas. Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.

5.5 — Um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo. Não se sabe qual a natureza exata da enfermidade desse homem, mas percebesse que afetava sua capacidade de andar (v. 7).

5.6,7 — Queres ficar são? Por que Jesus perguntou a um homem enfermo se este queria ser curado? Alguns acusam o paralítico de ter perdido a esperança, entretanto, ele estava à beira da piscina tentando ser o primeiro a entrar quando a água fosse agitada — enquanto eu vou, desce outro antes de mim (v. 7). Jesus fez essa pergunta para ver se o homem queria mesmo ser curado e para que ele se voltasse para o único capaz de realizar tal milagre.

5.8 — Levanta-se, toma tua cama e anda. A cama era uma maca, algo muito comum na Judéia.

5.9 — João fala desse milagre porque é um testemunho da divindade de Jesus. Jesus mesmo disse a João Batista que o fato de os coxos andarem era uma prova de que Ele era o Messias (Mt 11.1-5), pois o profeta Isaías havia profetizado isso há muito tempo: Os coxos saltarão como cervos (Is 35.1 -6). Carregar uma cama no sábado era considerado uma violação à Lei de Moisés (v. 10).

5.10 — Os judeus aqui provavelmente eram os líderes de Israel, membros do conselho (veja nota 1.19). A Lei de Moisés ensinava que o Sábado tinha de ser diferente dos outros dias. Nele, nem pessoas nem animais podiam trabalhar. O profeta Jeremias proibiu que se carregassem cargas ou que se trabalhasse no Sábado (Jr 17.21,22). Neemias deixou bem claro que negociar no Sábado, como se ele fosse um dia comum, era proibido (Ne 13.15-19). Com o passar dos anos, os líderes judeus reuniram milhares de regras e decretos concernentes ao Sábado.

Nos dias de Jesus, eles tinham 39 tipos diferentes de trabalho. Uma dessas categorias de trabalho incluía carregar alguma coisa, nem que fosse uma agulha no bolso. Ponderava-se até mesmo sobre a questão de alguém usar dente postiço ou uma perna de madeira no Sábado. Segundo eles, carregar algum móvel ou até mesmo fazer um tratamento médico no Sábado era proibido. Jesus não violou a Lei; Ele apenas quebrou a tradição dos fariseus acrescentada à Lei.

5.11-13 — Aquele que me curou. O paralítico foi curado sem nem mesmo ter colocado sua fé em prática. Ele não sabia quem era Jesus quando Ele o curou (compare com Atos 3.1-10) e nem se mostrou grato a Ele depois (v. 14). Talvez tenhamos aqui um exemplo de como é importante suprir a necessidade de alguém sem esperar algo em troca; ajudar simplesmente porque a pessoa está necessitada. Isso é evangelismo. Jesus se havia retirado. João relata como Jesus saiu em silêncio e deixou a multidão em quatro ocasiões (Jo 8.59; 10.39; 12.36). Posteriormente, entretanto, Jesus acabou encontrando-se com esse homem (v.14).

5.14,15 — A advertência não peques (gr. hamartano) mais (literalmente, pare de pecar) demonstra que a enfermidade do homem era consequência do seu pecado, embora não fosse sempre assim (Jo 9.1-3).

Para que te não suceda alguma coisa pior deve ser uma alusão ao inferno. Há coisas piores na vida do que a enfermidade.

5.16 — Por essa causa, os judeus perseguiram Jesus e procuravam matá-lo. Essa é a primeira vez que João fala abertamente em seu Evangelho acerca da hostilidade contra Jesus.

5.17,18 — Meu Pai trabalha até hoje. Jesus é o Filho unigênito (Jo 1.14,18; 3.16,18); o Filho único de Deus. Ele afirma aqui não somente que tem uma comunhão íntima com o Pai, mas que também é semelhante a Ele em Sua natureza. E já que Deus faz boas obras sem parar, e por si mesmo tem o direito de fazê-lo no Sábado, o Filho faz o mesmo, já que se assemelha ao Pai. Certamente os líderes judeus entenderam as implicações do que Jesus estava dizendo (v. 18).

5.19-47 — Por causa desse milagre (Jo 5.1-9) e da discussão que houve depois dele (Jo 5.10-18), Jesus fez um longo discurso (Jo 5.19-47). Nesse discurso, Ele declara algumas coisas (Jo 5.19-30), prova o que está dizendo (Jo 5.31-39) e desafia Seus opositores (Jo 5.40-47).

5.19 — A primeira declaração diz respeito à sua comunhão íntima com o Pai — Sua igualdade com Ele. Posteriormente, Jesus explicou tal declaração dizendo quatro verdades (5.19b-22). Sua segunda declaração diz respeito ao seu relacionamento com as pessoas; Ele tem o poder de exercer o juízo e dar a vida (Jo 5.24-30). A declaração o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma significa que é impossível o Filho fazer algo sem o Pai por causa da unidade que há entre eles (v. 17).

Tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente é uma afirmação da Sua divindade e da unicidade com o Pai.

5.20 — O Filho faz o que o Pai faz (v. 19) porque o Pai ama ao Filho. E, já que o Pai ama ao Filho, revela tudo a Ele. O Pai mostraria ao Filho maiores obras do que a cura do paralítico. Jesus ressuscitaria mortos (v. 21) e, no fim, julgaria a humanidade (v. 22).

5.21 — Assim também o Filho vivifica aqueles que quer, ou seja, o filho dá vida a quem quer. Assim como Deus ressuscita os mortos e lhes dá vida, Cristo também dá vida espiritual às pessoas (v. 24). Jesus declara que tem o mesmo poder de Deus, afirmando que é semelhante a Ele.

5.22 — Deu ao Filho todo o juízo. Os judeus sabiam que somente Deus tinha o poder de julgar o homem. Ao declarar que o Pai lhe tinha dado todo o juízo, Jesus afirma novamente que é semelhante a Ele.

5.23 — Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Dizer que tem a mesma honra que o Pai é o mesmo que afirmar ter o mesmo poder que Ele.

5.24 — Crê naquele que me enviou é uma frase incomum. Cristo, não o Pai, geralmente é o objeto desse verbo no Evangelho de João. O assunto dessa passagem é a unicidade do Pai e do Filho (v. 17-23). Todo aquele que crê em Jesus crê naquele que o enviou.

Não entrará em condenação. Aquele que recebeu a vida eterna não passará mais pelo julgamento que definirá o destino eterno do homem. Entretanto, todos os cristãos terão que comparecer diante do tribunal de Cristo (Rm 14.10; Co 5.10), não para serem punidos pelo pecado, mas para receberem a herança no Reino do Messias.

5.25 — Vem a hora, e agora é. Em outras palavras, é hoje que Jesus dá a vida eterna àqueles que estão mortos espiritualmente.

5.26,27 — Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo. A conjunção porque indica que esses versículos explicam o versículo anterior. Jesus pode dar a vida porque Ele mesmo a tem. E Ele não apenas a dá, como também é a própria fonte. Esse é outro testemunho da divindade de Jesus, pois somente Deus tem a vida em si mesmo.

5.28 — Vem a hora. Jesus não somente nos dá a vida espiritual agora (v. 25), mas também nos dará uma vida física no futuro.

5.29 — Para a ressurreição da vida [...] para a ressurreição da condenação. Duas ressurreições distintas (Ap 20.4,5), elas são descritas do mesmo modo como no Antigo Testamento: dois eventos futuros sem distinção de tempo (Is 61.2). Jesus estava ensinando a universalidade da ressurreição, não o tempo em que ela aconteceria.

Os que fizeram o bem. O maior bem que todos podem fazer é crer em Jesus, naquele que Deus enviou para salvar-nos (Jo 6.28,29). Todas as outras boas ações começam a partir dessa atitude. Tudo de bom que fazemos sem essa fé não significa nada para Deus, e o resultado será a ressurreição da condenação.

5.30 — O juízo de Cristo é justo porque está em conformidade com a vontade de Deus. Jesus diz no versículo 19: O Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, o que significa dizer que Ele não pode fazer coisa alguma fora da vontade do Pai. Esse versículo é o ponto alto e a conclusão dos versículos 19 a 29.

5.31-47 — A palavra testemunho, como no versículo 34, é um termo muito importante para João. Embora o testemunho de Jesus sobre si mesmo fosse verdadeiro, segundo a Lei judaica, não era permitido dar testemunho de si mesmo em questões legais.

Há outro que testifica de mim (v. 32). O Pai e o Espírito testificam de Cristo (v. 3 7). Jesus também fala àqueles que o ouviam de outras três testemunhas: João [Batista] (v. 33-35), as próprias obras de Jesus (v. 36) e as Escrituras (v. 39), especialmente os livros de Moisés (v. 45-47).

5.31,32 — A outra testemunha era João Batista (v. 33).

5.33,34 — Vós mandastes a João. Os líderes judeus enviaram uma delegação para interrogar João Batista (Jo 1.19). Ele deu testemunho da verdade. O testemunho de João era que Jesus era o Senhor (Jo 1.27,34; 3.31) e o Cordeiro de Deus (Jo 1.29). E Jesus declara que tal testemunho é verdadeiro.

5.35 — Jesus é a luz (Jo 1.4,5). João era a candeia que ardia e alumiava. Jesus usa o verbo no passado porque naquela ocasião o ministério de João já tinha se cumprido; ele já estava preso ou talvez morto.

5.36 — As obras que o Pai me deu para realizar. João não realizou nenhum sinal (Jo 10.41). As obras citadas aqui são as que o Filho realizou, como profetizado no Antigo Testamento (Is 35.5,6) para confirmar que Ele havia sido enviado pelo Pai (v. 1-15; 2.1-11; 4-43-54).

5.37,38 — O Pai [...] ele mesmo testificou de mim. Nesse ponto Jesus não está se referindo à voz que veio do céu quando Ele foi batizado, mas às Escrituras (v. 39).

5.39 — Os líderes religiosos judeus deviam procurar cuidadosamente nas Escrituras, mas não viram que Jesus era o Messias nem creram nele (v. 38). Também há aqueles que hoje conhecem as Escrituras, mas não permitem que elas os guiem. A promessa de Deus é abençoar não aqueles que leem a Bíblia, mas aqueles que vivem segundo os princípios nela ensinados (Ap 1.3; Tg 1.22-25).

5.40 — Não quereis vir a mim. O problema daqueles homens não era a falta de provas; era a má vontade de considerar qualquer prova que os levasse a Cristo.

5.41 — Eu não recebo glória dos homens. Jesus disse que não recebia testemunho de homens (v. 34) nem glória por parte deles (v. 41), deixando bem claro que não era isso que procurava.

5.42 — A constatação não tendes em vós o amor de Deus não se refere ao amor que vem de Deus, mas o amor a Deus. A prova do amor de Deus está em Cristo (Jo 3.16; Rm 5.8). E, como Deus nos ama, temos de amá-lo também (Dt 6.5; 1 Jo 4-19).

5.43 — Eu vim em nome de meu Pai. Jesus veio em nome do Pai, revelando Deus a todos os homens, mas muitos o rejeitaram. Ironicamente, se alguém tivesse vindo em seu próprio nome e suas ideias estivessem de acordo com a vontade das pessoas, elas o aceitariam. Uma prova da decadência humana é ver como as pessoas rejeitam a verdade e aceitam a mentira, rejeitam Cristo e aceitam outros líderes religiosos.

5.44 — As pessoas não creram em Jesus porque não buscaram a honra que vem só de Deus. Essa glória é parecida com a glória que, segundo Paulo, será revelada a nós na presença de Deus (Rm 8.18). Como a glória humana é efémera e fútil! Os astros do cinema são honrados por sua atuação nos filmes, algo que em uma década será esquecido. Os ícones do esporte se deleitam com suas vitórias passageiras. As placas e os troféus que eles ganham um dia serão consumidos pelo fogo (2 Pe 3.10-13). Jim Elliot disse certa vez: “Sábio é aquele que dá o que não pode guardar para ganhar o que não pode perder”.

5.45 — Não cuideis que eu vos hei de acusar. O verbo cuidar aqui tem o sentido de ter esperança. Jesus não terá de acusar ninguém no dia do juízo, pois aquele em quem eles depositaram a fé, a Lei de Moisés, fará isso. Eles serão condenados pela própria Lei que confessavam guardar.

5.46 — Porque de mim escreveu ele. Moisés escreveu acerca de Jesus na promessa feita aos patriarcas, na história da libertação do Egito, na instituição da Lei e na profecia sobre um Profeta como Ele mesmo (Lc 24.25,26). Se aqueles homens cressem mesmo em Moisés, eles teriam aceitado Jesus com alegria. Mais de três mil profecias do Antigo Testamento foram cumpridas na primeira vinda de Cristo.

5.47 — Se não credes nos seus escritos. O maior problema era que as pessoas não criam na Palavra de Deus escrita por Moisés.

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