2009/07/23

Espancamento — Estudo Bíblico


ESPANCAMENTO 
Espancamento — Estudo Bíblico

A Lei mosaica continha provisões para a punição por espancamento. Este era feito com um bastão ou uma vara. Os juízes deviam decidir o número de golpes a aplicar, segundo a má ação cometida, tomando também em consideração a intenção, as circunstâncias, e assim por diante. A posição foi prescrita: “O juiz tem de fazer que [o delinquente] seja deitado de bruços e que diante dele se lhe deem golpes correspondentes em número à sua ação iníqua.” A punição era limitada a 40 golpes. (Deuteronômio 25:2, 3) O motivo de tal limitação era que mais do que isto degradaria a pessoa aos olhos dos seus patrícios. Este é um dos exemplos que mostra que a Lei dada por meio de Moisés não permitia punição cruel ou incomum. O objetivo da punição era corretivo, não vingativo e perverso, como as punições aplicadas por outras nações. Aquele que fazia o espancamento seria punido se excedesse o número legal de golpes. Portanto, os judeus restringiam os golpes a 39, para que não se ultrapassasse o limite por engano e assim se violasse a lei. — 2Co 11:24.

Permitia-se ao dono de escravos hebreu golpear seu escravo ou sua escrava com um pau, se o escravo fora desobediente ou rebelde. Mas, se o escravo falecesse sob o espancamento, o dono do escravo devia ser punido. Se o escravo sobrevivesse ao espancamento um ou dois dias, porém, isto seria evidência que indicaria que o dono do escravo não havia cogitado no coração praticar um assassinato. Ele tinha o direito de aplicar punição disciplinar, porque o escravo era “seu dinheiro”. Dificilmente desejaria algum homem destruir totalmente sua própria propriedade valiosa, sofrendo com isso um prejuízo. Também, se o escravo morresse depois de um ou mais dias, não se teria certeza de a morte ter sido decorrente do espancamento ou de alguma outra causa. Portanto, se o escravo continuasse a viver um ou dois dias, o amo não seria punido. — Êx 21:20, 21.

Se um homem acusasse sua esposa de ter enganosamente afirmado ser virgem por ocasião do casamento, e a acusação dele fosse falsa, os anciãos da cidade, como juízes, deviam discipliná-lo e também impor-lhe uma multa, porque dera má reputação a uma virgem de Israel. Esta disciplina talvez fosse a aplicação de certo número de golpes. — De 22:13-19.

As Escrituras enfatizam repetidas vezes o valor de golpes como medida disciplinar. Provérbios 20:30 mostra que a disciplina pode penetrar fundo, resultando em bem para a pessoa. Reza: “Feridas de contusões é o que expurga o mal; e os golpes, as partes mais íntimas do ventre.” O disciplinado assim devia reconhecer que agiu tolamente e devia mudar. (Pr 10:13; 19:29) O realmente sábio pode ser corrigido com palavras e evitará a necessidade de golpes.

Visto que toda a humanidade é dada à luz “em erro” e concebida “em pecado” (Sal 51:5), as Escrituras aconselham que a vara de autoridade parental tem de ser usada estritamente, às vezes na forma de vara literal. (Pr 22:15) Assim se pode poupar a criança do desfavor e da morte. — Pr 23:13, 14.

Parece que os judeus não continuaram a restringir-se à vara, mas, posteriormente, usavam açoites. (He 11:36) Esta é uma punição mais severa do que bater com varas, e embora fosse uma punição legalizada no tempo em que Jesus estava na terra, não se baseava na Lei. (Mt 10:17; 23:34) A Míxena, que supostamente é a elaboração duma tradição oral, descreve o processo do açoitamento:

“Atam-lhe as mãos a uma coluna em cada lado, e o ministro da sinagoga pega as vestimentas dele — se rasgarem, então estão rasgadas, se rasgarem totalmente, então estão totalmente rasgadas — de modo que ele exponha o peito. Coloca-se atrás dele uma pedra, na qual o ministro da sinagoga fica de pé com uma correia de couro de bezerro na mão, dobrada e redobrada, e duas [outras] correias que sobem e descem [estão presas] a ela.

“O comprimento e a largura do manípulo da correia são da largura de uma mão; e sua extremidade tem de chegar até o seu umbigo. Aplica-lhe um terço dos açoites na frente e dois terços atrás; e não pode golpeá-lo quando está de pé ou quando está sentado, mas somente quando está encurvado, porque está escrito: O juiz deve fazê-lo deitar-se. E aquele que bate, bate com uma só mão com toda a sua força.


“. . . Se ele morrer debaixo da sua mão, o açoitador não é culpado. Mas, se lhe tiver dado um açoite demais e ele morrer, terá de fugir para o exílio por causa dele.”

“Quantas surras aplicam no homem? Quarenta menos uma, porque está escrito: Por número, quarenta; [quer dizer,] um número perto dos quarenta.” — Makkot 3:12-14, 10; traduzido para o inglês por H. Danby.

Uma forma incomum de açoitamento foi adotada por Gideão para com os 77 príncipes e anciãos de Sucote, que negaram provisões aos seus homens quando foi no encalço dos reis de Midiã. Evidentemente, ele fez açoites de espinhos e sarças do ermo para surrá-los. Diz-se que ele lhes deu “uma severa lição”. — Jz 8:7, 14, 16.

Outras nações usavam uma forma mais severa de espancamento, e não se limitavam a 40 golpes. Os israelitas, no Egito, eram espancados pelos seus feitores egípcios, sem dúvida, bem severamente. — Êx 5:14, 16; 2:11, 12.

Os romanos usavam varas para o espancamento, arrancando-se primeiro a roupa exterior. (At 16:22, 23) A palavra grega traduzida ‘espancar com varas’, em Atos 16:22, é rhabdízo, aparentada com rhábdos (vara; bastão). (Veja 1Co 4:21, Int.) Ambas estas palavras gregas estão aparentadas com rhabdoúkhos, traduzido ‘esbirro’ em Atos 16:35, 38, que significa literalmente “portador de vara”. — Veja Int.

I. Os romanos também usavam açoites.

A vítima era esticada, evidentemente com as mãos atadas a um poste, com tiras de couro. (At 22:25, 29) O número de chicotadas aplicadas dependia inteiramente do comandante. A punição do açoitamento usualmente precedia o pregar em estaca. O relato diz que, depois de Pilatos ter cedido ao insistente clamor dos judeus, de que Jesus fosse pregado numa estaca, e ele lhes ter soltado Barrabás, “naquela ocasião, portanto, Pilatos tomou Jesus e o açoitou”. (Jo 19:1; Mt 20:19) Os romanos usavam às vezes o açoite para ‘examinar’ as vítimas, a fim de obter confissões ou testemunho. (At 22:24, 25) Dois verbos gregos para “açoitar” são mastigó·o (Mt 10:17) e mastízo (At 22:25). Ambos são aparentados com mástix, que pode significar “açoitar” em sentido literal (At 22:24; He 11:36), e, em sentido metafórico, “moléstia (doença) penosa”. (Mr 3:10; 5:34) Todavia, era ilegal açoitar um cidadão romano. A Lex Valeria e a Lex Porcia, promulgadas diversas vezes entre 509 e 195 AEC, isentavam os cidadãos romanos do açoitamento — a Lex Valeria, quando o cidadão apelava para o povo; a Lex Porcia, sem tal apelação.

O instrumento mais terrível para o açoitamento era conhecido como o flagellum. Consistia num cabo em que se fixavam diversas cordas ou tiras de couro. Estas tiras tinham presas nelas pedaços dentados de osso ou de metal, para tornar os golpes mais dolorosos e eficazes. O substantivo grego fragéllion (“chicote”; Jo 2:15) derivava do latino flagellum. O verbo aparentado, fragellóo, significa “chicotear”. — Mt 27:26; Mr 15:15.

Jesus disse aos seus discípulos que seriam espancados nas sinagogas por causa do nome dele. (Mr 13:9) Esta profecia se cumpriu diversas vezes. Alguns dos apóstolos foram presos e levados perante o Sinédrio judaico, e foram chibateados, depois de se negarem a concordar em parar com a sua pregação. (At 5:40) Saulo, que depois se tornou o apóstolo Paulo, antes de se converter era feroz perseguidor dos cristãos, encarcerando-os e chibateando-os em uma sinagoga após outra. (At 22:19) O verbo grego usado nestes relatos (déro) é aparentado com dér·ma (‘pele’; He 11:37, Int) e significa basicamente “esfolar”. — Veja Lu 12:47, Int.

Paulo foi espancado com varas na cidade de Filipos. Ele fez este incidente virar contra os seus perseguidores, aproveitando a oportunidade para defender e estabelecer legalmente as boas novas que pregava. Ele havia sido publicamente espancado e lançado na prisão, mas quando os magistrados descobriram que ele era cidadão romano, ficaram muito temerosos, porque não somente haviam chibateado um cidadão romano, mas haviam feito isso antes mesmo de ele ter sido condenado por um julgamento. Neste caso, também, Paulo e Silas haviam sido publicamente apresentados como malfeitores. Portanto, quando os magistrados mandaram que o carcereiro soltasse Paulo e Silas, Paulo respondeu: “Chibatearam-nos publicamente sem condenação, a homens que são romanos, e lançaram-nos na prisão; e agora nos lançam fora secretamente? Não, deveras, mas que venham eles mesmos e nos levem para fora.” Os magistrados tinham de reconhecer pessoalmente seu erro. “De modo que os esbirros relataram estas declarações aos magistrados civis. Estes ficaram temerosos quando ouviram que os homens eram romanos. Conseqüentemente, vieram e suplicaram-lhes, e, depois de os trazerem para fora, solicitaram-lhes que partissem da cidade.” (At 16:22-40) Assim foi vindicada a pregação das boas novas como não sendo violação da lei, porque os próprios magistrados, por tomarem tal ação, tornavam público que Paulo e Silas não haviam feito nada de errado. Paulo agiu assim, porque desejava ‘estabelecer legalmente as boas novas’. — Fil 1:7.

II. Uso Figurado.

O Rei Roboão comparou o modo como pretendia governar ao governo de seu pai Salomão, por metaforicamente se referir à punição mais severa com azorrague em contraste com chicotes. (No hebraico, a palavra para “azorrague” [‛aqrabbím] significa literalmente “escorpiões”, e, pelo visto, era um tipo de chicote com nós, ou com extremidades farpadas, parecidas ao aguilhão do escorpião, ou talvez com galhinhos nodosos ou espinhosos.) — 1Rs 12:11-14 n.

Quando Yehowah fez com Davi um pacto para um reino, Ele disse a Davi que o trono ficaria estabelecido na sua linhagem, mas que, se a dinastia dele ou qualquer dos seus descendentes agisse de modo errado, iria “repreendê-lo com vara de homens e com pancadas dos filhos de Adão”. (2Sa 7:14; Sal 89:32) Isto realmente ocorreu quando Yehowah permitiu que os reis das nações gentias derrotassem os reis de Judá, especialmente quando Nabucodonosor, rei de Babilônia, tirou Zedequias do trono em Jerusalém. — Je 52:1-11.

Yehowah disse que as nações que os israelitas deixassem de desapossar se tornariam ‘como açoites nos seus lados’. (Jos 23:13) Isaías 10:24-26 mostra que, ao passo que o assírio usou a vara para golpear injustamente a Sião, Yehowah brandiria contra o assírio “um chicote”. Uma praga, uma doença ou uma calamidade enviada por Yehowah como punição era chamada de flagelo. (Núm 16:43-50; 25:8, 9; Sal 106:29, 30) A disciplina da parte de Yehowah é comparada a açoites. — He 12:6.

Jesus predisse que, no tempo da sua presença, ele designaria “o escravo fiel e discreto . . . sobre todos os seus bens”. O Filho de Deus falou também sobre um escravo mau, que não estaria atento e aguardando ansiosamente o retorno do seu amo. Este “escravo mau” diria: “Meu amo demora.” Ele não somente comeria e beberia com inveterados beberrões, mas iria mais longe, espancando seus co-escravos e opondo-se à obra deles, de prover os escravos fiéis de Deus do alimento espiritual no tempo apropriado. Ele, por sua vez, seria punido com a maior severidade e se lhe determinaria a sua parte com os hipócritas. (Mt 24:45-51; Lu 12:42-46) Jesus passou então a mostrar que aquele que tem maior responsabilidade e que deixa de cuidar dela é mais repreensível do que aquele que não conhece ou entende muito bem os seus deveres. A punição de tal, o número de “golpes”, seria proporcional à sua responsabilidade. — Lu 12:47, 48.

Isaías profetizou que o Messias carregaria as doenças e as dores daqueles que exercessem fé nele. Disse: “Por causa das suas feridas tem havido cura para nós.” (Is 53:3-5) Pedro aplica esta profecia a Jesus Cristo, dizendo: “Ele mesmo levou os nossos pecados no seu próprio corpo, no madeiro, a fim de que acabássemos com os pecados e vivêssemos para a justiça. E ‘pelos seus vergões fostes sarados.’” — 1Pe 2:24.


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