2009/08/10

Comentário de John Gill: João 1:47-48

comentário do evangelho de joão1:47 - Jesus viu Natanael vindo a ele,... Porque, a parte de seu preconceito, ele era um homem de muita retidão e honestidade, que ele pensou no pedido de Felipe de forma razoável; e que era verdadeiro, e justo, que ele devia ir ver, e ouvir, e julgar por si mesmo, se a pessoa que Felipe falou era realmente o Messias, ou não; e assim veio com ele; e assim que ele estava vindo, Jesus o viu, e sabia tudo que tinha se passado entre eles dois:

E disse dele;... A aqueles que estavam parados junto dele, e para Natanael ouvir.

Eis um Israelita de verdade! Um dos filhos de Israel, como a versão Siríaca e Persa lê; um verdadeiro filho de Jacó; um honesto, um homem de coração pleno, como ele; alguém que era Israelita de coração; bem no íntimo; não alguém apenas assim na carne, mas no Espírito; veja Romanos 2:28; e que era uma coisa rara naquele tempo; e portanto, uma nota de admiração é colocada aqui; porque nem todos são Israel, esse era de Israel; e de fato, muitos poucos são: e assim, בן ישראל, “um filho de Israel”, e , ישראל גמור, “um perfeito Israelita”, são[1] ditos como tais que são verdadeiros a fé judaica, embora nem sempre da semente de Israel: é acrescentado...

Em quem não há fraude;… Não que ele era sem pecado; nem é dito disso dele; nem era ele nesse sentido sem fraude, como o próprio Cristo; mas a fraude não era um pecado prevalecente dentro dele: o curso de sua vida, e conduta, era com grande integridade, e retidão, e sem qualquer hipocrisia e defeito, nem para com Deus, nem para com os homens. Isso disse Cristo para mostrar o quanto ele aprovava seu caráter; e ele conhecia os segredos dos corações dos homens, e nas partes mais profundas das suas mentes.[2]

1:48 - Natanael disse a ele, de onde me conheces?... Isto que ele disse surpreendido, que ele, que era um estranho a Jesus, não deveria saber do seu caráter geral, e descreve o estado interno da sua alma: isto era mais surpreendente para ele, que se ele tivesse o chamado pelo seu nome, Natanael, como ele o fez com Simão; ou tivesse dito qual que era o lugar de seu domicílio; Caná de Galiléia; visto que isto normalmente poderia ser observado, e instruído, de alguém conhecido e familiar: pela resposta de Natanael, vemos como se ele não tivesse nenhuma dúvida, ou medo, sobre o caráter do que Cristo deu-lhe; mas, ao invés disso, ele acreditou isso, como todo homem bom deve estar consciente da sua própria integridade; o que só estava pasmando a ele era como ele deveria saber disto:

Jesus respondeu e disse a ele;... A fim de satisfazê-lo, como ele poderia saber de quem ele era no íntimo, seu espírito, e dá a ele algumas provas inegáveis de sua Onisciência, que ele teve que reconhecer, sendo este ninguém mais, ninguém menos, do que o Olho que Tudo Vê, e que poderia descobrir tudo.

Antes de Filipe te chamar, quando estavas debaixo da figueira, eu te vi;... Em cujas palavras Cristo dá dois exemplos da sua onisciência; uma é, que ele sabia que Felipe o tinha chamado; ele estava ciente de tudo aquilo passado entre eles, embora eles estivessem a sós, e a conversação fosse tida da maneira mais privada. Cristo sabia isso, de que Felipe tinha feito um relato dele, e da que objeção que Natanael tinha feito; e o convite que Felipe tinha dado para ir junto com ele ver o Cristo, e julgar por si mesmo quem era ele; que é significado aqui o chamando, e com que ele concordou: e o outro é, que ele o viu debaixo da figueira antes disso: ele estava sentando debaixo dela, como homens nesses países faziam; veja Mic 4:4, onde ele poderia estar lendo as Escrituras, e meditando nelas; e se, como alguns observam, ele estava lendo, e pensando no sonho de Jacó, relativo à escada que alcançou da terra ao céu, e na qual ele viu os anjos de Deus ascendendo e descendo,[3] as palavras de Cristo em João 1:51 deve ter golpeado sua mente com grande surpresa, e lhe dado outra prova convincente da sua onisciência: ou ele poderia estar orando aqui em segredo, e assim agiu diferente da generalidade, de homens religiosos daquela nação que escolhia rezar em sinagogas e cantos das ruas para que eles pudessem ser vistos;[4] e igualmente lhe provou ser o que o Cristo tinha dito dele, um verdadeiro e raro Israelita, sem malícia e hipocrisia que eram tão visível e prevalecente entre outros. Era habitual com os doutores ler, e estuda na lei, debaixo de figueiras, e às vezes, embora raramente, orar debaixo delas. É dito:[5]

“R. Jacó, e seus companheiros, estavam “sentados”, estudando a lei, תחות חדא תאינה, “debaixo de uma certa figueira”.

E a regra que eles tinham sobre a oração era:[6]

“Aquele que ora no topo de uma oliveira, ou de uma figueira, ou de qualquer outra arvore, deve descer, “e orar”.

É dito de Natanael, no dicionário Siríaco;[7] que sua mãe colocou ele debaixo de uma figueira, quando as crianças foram assassinadas, i.e em Belém; que, se poder ser confiado, deve ter sido algo muito surpreendente para Natanael e uma prova inegável da divindade de Cristo, e dele ser o verdadeiro Messias; visto que, ao mesmo tempo, ele era uma criança nesse tempo, e era a pessoa que Herodes buscava destruir, como Messias, e Rei dos Judeus,


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Notas

[1] Addareth Eliahu apud Trigland de Sect. Karaeorum, c. 10. p. 175, 176.
[2] Cf. João 2:25. N do T.
[3] Cf. Gênesis 28:12. N do T.
[4] Cf. Mateus 6:5. N do T.
[5] T. Hieros. Beracot, fol. 5. 3. Vid. Shirhashirim Rabba, fol. 16. 4.
[6] Ib col. 1. & T. Bab. Beracot, fol. 16. 1.
[7] Bar Bahluli apud Castell. Lexic. Poliglota. col. 8437.

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