2009/12/21

Teologia do Livro de Filipenses

TEOLOGIA, LIVRO DE FILIPENSES, CARTA, EPÍSTOLA
A Carta de Paulo aos Filipenses não é um tratado de teologia. Pelo contrário, é uma carta pessoal lidando principalmente com as questões pessoais que diz respeito aos cristãos em Filipos, para quem Paulo tem o maior carinho (1:7). E ainda Paulo, cuja mente está cheia dos pensamentos de Deus, Cristo, Espírito, salvação, ressurreição e ao novo mundo por vir, não pode escrever a mais breve das cartas sem pensar e escrever teologicamente. Assim, quando ele discute qualquer aspecto da vida em sua multiplicidade de dimensões, ele vê isso sempre na luz de Deus e como Deus fez e está fazendo no mundo.

Deus. O substantivo “Deus” aparece vinte e quatro vezes nesta carta curta, um fato que deixa claro que, para Paulo, Deus está no centro das coisas! A palavra que ele usa para Deus, theos, a tradução grega do hebraico Elohim, revela que Paulo vê nesta denominação uma de todas as amplas ideias do Velho Testamento. Deus, para ele, é o Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra, o Mestre do universo, transcendente acima de Sua criação, a vida está nEle, que é Ele mesmo o Autor e Sustentador da vida, o Pai, um conjunto para além de todos os outros seres, Único, Supremo e Soberano. Ele é Deus, theos, Aquele que todas as pessoas devem curvar-se em reverente admiração. Glória e louvor pertencem a Deus (1:11, 2:11); adoração deve ser dada a Deus (3:3); sacrifício é para ser feita a Deus (4:18, cf. Rom 12:1-2); as doxologias devem ser cantadas a Deus (4:20); oração deve ser dirigida a Deus (1:3, 9). Deus, para Paulo, é diferente de qualquer outra pessoa ou coisa, única.

E, no entanto, Deus não é tão distinto, de modo tão totalmente diferente, que Ele se ausentou do Seu mundo, possuindo nenhum interesse nele ou na vida daqueles a quem Ele criou à sua imagem. Pelo contrário, Paulo entende que Deus está tão perto e tão íntimo que aqueles que creem nEle são livres para falar dEle como “meu Deus” (1:3, 4:19). Ele está ciente, também, que Deus está continuamente presente na história humana, no trabalho constante, na vida de Seu povo, para criar dentro de si tanto o desejo, como o poder de alcançar o bem (2:13).

A doença de Epafrodito é para Paul uma prova ainda mais da presença imediata de Deus e da Sua vontade de agir em cada história humana. Quando esse amigo especial é restaurado a totalidade, Paulo menciona que “Deus teve misericórdia dele, e não somente dele, mas também em mim” (2:27). Ele está convencido de que Deus interveio e pôs fim a esta doença quase fatal. É a convicção esmagadora de Paulo de que Deus é transcendente e, portanto, não um emaranhado na teia dos problemas humanos. No entanto, Ele também é imanente e, portanto, livre e capaz de libertar os seres humanos a partir destes problemas. Essa percepção de Paulo dá grande incentivo para orar por seus amigos (1:9) e forte confiança para incentivar seus amigos a fazer o mesmo, em não se preocupar com nada, mas orar sobre tudo (4:6). Deus, para Paulo, está presente e atento às necessidades do Seu povo, pronto e apto para preencher o que falta da riqueza infinita de seus recursos em Cristo Jesus (4:19), que deve ser a Sua vontade.

Paulo também sabe que Deus se relacionou na história humana, a fim de desfazer o estrago que tinha sido feito como consequência do pecado, conciliando os desobedientes com Si mesmo e agindo para prover a salvação para todos os pecadores. Deus é santo, o Deus Altíssimo, mas não tão alto e santo que Ele não vai “descer” para se envolver nos assuntos humanos. Mais profundamente, Deus abaixou-se na pessoa do Seu Filho encarnado para salvar Seu povo da destruição e proporcionar-lhes a própria justiça exigida deles. Assim, Deus para Paulo não só é Soberano, mas Salvador da humanidade pecadora (1:28).

Gerald F. Hawthorne

Bibliografia

L. Cerfaux, Christ in the Theology of Saint Paul; J. D. G. Dunn, Christology in the Making; G. F. Hawthorne, Philippians; idem, Word Biblical Themes: Philippians; R. P. Martin, Carmen Christi: Philippians 2:5-11 in Recent Interpretation and in the Setting of Early Christian Worship; C. F. D. Moule, The Origin of Christology; P. T. O'Brien, The Epistle to the Philippians; J. Ziesler, Pauline Christianity.


Fonte: Baker's Evangelical Dictionary of Biblical Theology. Editado por Walter A. Elwell.

Um comentário:

Anônimo disse...

As cartas de Paulo me impressionam pela maneira clara, simples e sincera da relação dele com Deus. Em suas linhas, deparamo-nos com ensinamentos direcionados totalmente ao ser humano, sempre mostrando a ideia de arrependimento, sem a qual nenhum homem pode chegar a Deus.
O Soberano está acessível, à mostra e visível para quem O busca. Paulo, em sua sabedoria, cultiva esse pensamento e conduz o leitor a permanecer nesta procura.
Um grande abraço.
Ezio Ribeiro

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