Panorama dos Quatro Evangelhos



Panorama dos Quatro Evangelhos


QUATRO, EVANGELHOS, PANORAMA, ESTUDO BIBLICOS, TEOLOGICOS
I. Evangelho Segundo Marcos

Estilo Literário: Estilo romano, que não usa de rodeios, indo direto ao assunto

Autoria: Dos quatro livros do Novo Testamento, que são denominados “Evangelhos”, o segundo da ordem é aceito pela maior parte dos estudiosos como sendo o mais antigo. Este Evangelho em si é anônimo, ou seja, dentro do livro não há nenhuma afirmação definida quanto a quem é o autor. No início do 2º século foi atribuído a João Marcos, sobrinho de Barnabé (At. 13.5), que se tornou companheiro de Pedro (1ª Pe.5.13). Alguns estudiosos entendem que o jovem mancebo de Marcos 14:51-52 é uma referência encoberta ao autor, isso por que, segundo eles, a inclusão de tal incidente isolado aponta mais logicamente para Marcos do que para qualquer outra pessoa. Segundo os pais primitivos, João Marcos coletou seu material de Pedro.

O Propósito da Escrita: Marcos mostra Jesus como Homem de Ação e Poder. Destaca mais as obras de Jesus e menos Suas palavras, valendo para ele mais as ações. Não se preocupava com genealogias, pois, dirige sua obra aos romanos, que não tinham interesse na árvore genealógica de um estrangeiro. Marcos quer mostrar o PODER DE JESUS. E isso interessa aos romanos, que são os donos do poder temporário.

Segundo concorda a maioria dos estudiosos, Marcos escreveu em Roma, para os romanos e, por isso, escreveu no estilo romano, usando linguagem e vocabulário romano. E, porque escreve para os romanos, não cita a lei nem as profecias bíblicas, pois isto não seria claro para os romanos. Também, ao falar de coisas que os romanos não conheciam, dava a devida explicação. Por exemplo, explicou que o judeus “costumavam jejuar” (2.18); que “O Monte das Oliveiras ficava defronte do templo”(13.3); etc

Enfatizando as obras de Jesus, Marcos faz referências as 17 curas de enfermidades, 9 milagres ligados a fenômenos da natureza, 6 libertações de endemoninhados e 3 ressurreições. Marcos foi o primeiro a escrever e sua obra serviu de base para os outros escritores sinópticos.

Data: Nas citações dos pais antigos, pode ser observado que parece haver uma concordância geral de que Marcos escreveu da Itália ou, mais precisamente, de Roma. Contudo, a época da escrita não é tão fácil de se definir, pois, muita coisa depende de se Marcos escreveu antes ou após a morte de Pedro. Se como foi sugerido, tanto Mateus como Lucas tomaram emprestado de Marcos na produção de suas respectivas obras, então a data mais tardia seria antes da produção dos dois sínópticos restantes. Uma data provável seria por volta de 65 DC.

II. O Evangelho Segundo Mateus

Estilo Literário: O estilo usado pelo autor revela ser ele uma pessoa organizada, que busca apresentar os argumentos de forma sistemática.

Autoria: A tradição acerca da autoria do Evangelho de Mateus não é tão certa quanto a de Marcos. O primeiro livro do nosso Novo Testamento é anônimo, assim como os outros três evangelhos. Contudo, a tradição antiga é unânime em atribuí-lo a Mateus, um dos doze discípulos de Jesus. A realidade, é que pouca dúvida pode haver de que ele estava de alguma forma, associado com o Evangelho que leva o seu nome, isso por que, a habilidade de organização exibida pelo autor concorda com a mentalidade provável de um cobrador de impostos, como fora o apóstolo Mateus. Além disso, outras evidências internas se tornam em indicações notáveis de que ele é o autor desse Evangelho, em apoio às tradições da Igreja primitiva.

O Propósito da Escrita: O Evangelho de Mateus é claramente o mais “judaico” dos quatro e é melhor entendido, como tendo sido escrito para cristãos de fala grega, cuja maioria era de origem judaica. O autor supõe que o leitor esteja familiarizado com o Velho Testamento e as várias seitas da Palestina naquela época. Esta suposição, da parte do autor, leva o leitor a concluir que o livro foi escrito primariamente para os cristãos judeus de fala grega (judeus helenistas).

Mateus em muitos aspectos, é uma ponte entre o Velho Testamento e o Novo Testamento. Há mais de cem citações do Velho Testamento. Este livro parece efetuar uma transição, da expectação judaica de um messias político, para o cumprimento de todas as profecias messiânicas em Jesus de Nazaré.

O propósito do autor é demonstrar, sem deixar dúvida, que Jesus de Nazaré é o Rei Messias da Profecia hebraica; por esta razão, a palavra chave em seu Evangelho é cumprimento, a qual, é repetida com freqüência para indicar que as profecias do Antigo Testamento se cumpriram em Jesus Cristo. O objetivo do autor é organizar e sistematizar suas conclusões acerca de Jesus, o Cristo.

Os Evangelhos foram escritos nos dias de crescente separação entre a sinagoga e a igreja. A igreja se tornava cada vez mais gentia. O cristianismo, que havia adorado lado a lado com judeus não-cristãos no templo e nas sinagogas, desde o princípio estava sendo forçado a tomar uma posição que iria significar separação completa do judaísmo. Um dos problemas que a igreja primitiva enfrentou, quando partiu para o mundo gentio, foi o da liberdade cristã. Por um lado, alguns cristãos estavam usando a “salvação pela graça” como um pretexto para pecarem promíscuamente. Por outro lado, havia aqueles legalistas com um conjunto estrito de regras para a vida diária; uma lista de “sim” e de “não”. Mateus escreveu para combater esses dois erros extremos do legalismo e do antinomismo. O cristão é livre, mas não livre de uma vida responsável. A justiça que resulta da graça perdoadora não leva à iniquidade. O Dom da justiça envolve um padrão de conduta que vai muito além de qualquer sistema de regulamentos. A justiça dos cristãos deve exceder a do fariseu (Mt. 5:20). Essa justiça, todavia, não leva à justiça própria. O cristão se lembra que ele é sempre um receptor da graça perdoadora de Deus. Jamais está ele numa posição de exigir que Deus satisfaça seus pedidos.

Data: Se Mateus se valeu do Evangelho de Marcos, e este é do período de 45 - 70 DC., então, provavelmente, Mateus pertence a uma data levemente posterior.

III. O Evangelho Segundo Lucas

Estilo Literário: A facilidade do autor do terceiro Evangelho no uso do idioma grego sugere que era gentio (ou, judeu helenista), mais afeito ao idioma grego que a maioria dos judeus tê-lo-ia sido. O seu estilo, juntamente com o estilo do autor da epístola aos Hebreus, é o mais refinado de todo o Novo Testamento. As exceções têm lugar quando parece que ele seguia fontes informativas semíticas, orais ou escritas, ou então quando adotava um estilo semítico grego, para que soasse como grego “bíblico” da Septuaginta.

Autoria: O terceiro Evangelho e o Livro de Atos dos Apóstolos forçosamente saíram da pena de um mesmo autor, porquanto começam ambos com uma dedicatória a Teófilo, além de compartilharem de interesses comuns e de um só estilo de redação. Outrossim, o livro de Atos faz alusão ao primeiro livro (At. 1:1). E visto que o terceiro evangelho e o livro de Atos devem ter vindo do mesmo autor, deduzimos a autoria lucana de Lucas-Atos, do fato de ter sido ele o único dos companheiros de viagem de Paulo, que poderia ter escrito as seções “nós” no livro de Atos. Todas as demais personagem estão excluídas por terem sido mencionadas na terceira pessoa no livro de Atos, ou, devido à impossibilidade de harmonizar seus movimentos geográficos, em consonância com essas seções “nós” mencionadas. Outrossim, as antigas tradições confirmam a autoria lucana.

O Propósito da Escrita foi o de mostrar a certeza histórica do Evangelho de Cristo. Lucas se dirige a uma audiência gentílica e, dedica a sua obra a Teófilo. Ele está interessado em estabelecer a inocência política de Jesus sob as leis romanas. Ele procura mostrar que o Evangelho é universal, que Jesus derrubara a barreira existente entre judeus e gentios e, inaugurara uma comunidade de âmbito mundial, na qual, as antigas desigualdades entre escravos e libertos, entre homens e mulheres, não mais existem. Ele não demonstrou o interesse judaico pelas profecias messiânicas cumpridas, com o mesmo grau de intensidade com que o faz Mateus. E também, modificou expressões peculiarmente judaicas, afim de que seus leitores gentios pudessem compreender melhor o que lessem.

Lucas, mui provavelmente, era um gentio (ou pelo menos um judeu helenista), podendo ter-se convertido em Antioquia da Síria. Seu nome é de origem grega. Ele apresenta Jesus como o Filho de Homem e dirige sua obra aos gregos. Para ele, Jesus é o Homem ideal, com toda beleza perfeição e, Sua humanidade é sem participação do pecado. Assim fazendo, Lucas mostra que o primeiro Adão falhou, mas o segundo não. Cristo, o segundo Adão, venceu as tentações e desfez as obras do diabo, (I Jo.3.8). Lucas citou ensinos de Jesus sobre os gentios, pois, escreveu a gentios. Ele mostra que Jesus salva judeus e gregos (ou gentios). Lucas foi discípulo de Paulo, apóstolo dos gentios. Este evangelho é mais amplo e mais minucioso, pois, o seu autor fez “acurada investigação” (1:3) antes de escrevê-lo.

Data: Ao se tentar determinar a data de autoria, muitas coisas são levadas em consideração. Foi constatado que o Evangelho de Lucas forma o primeiro volume de Lucas-Atos. Atos teve que ser composto em alguma época subsequente aos acontecimentos narrados em Atos 28. O Evangelho foi escrito antes de Atos (1:1). Outro fator a ser considerado na determinação de uma data é o Evangelho de Marcos. Se Marcos foi uma das fontes que Lucas consultou em seu Evangelho, então a datação de Marcos tem um apoio definitivo no terminus a quo do Evangelho de Lucas. Se, como muitos estudiosos acreditam, Marcos foi composto durante as perseguições neronianas, então, a metade dos anos 60 seria a data antiga mais provável para Lucas.

IV. O Evangelho Segundo João

Estilo Literário: Seu autor demonstra ser profundo conhecedor dos costumes judaicos. Escrito em estilo simples e semítico, o último dos quatro Evangelhos exibe uma profundeza teológica que ultrapassa à dos evangelhos sinópticos.

Autoria: As tradições da igreja primitiva indicam que o apóstolo João escreveu o quarto evangelho já no término do primeiro século da era cristã, em Éfeso, cidade da Ásia Menor. Particularmente importante quanto a isso é o testemunho de Irineu, discípulo de Policarpo, o qual, por sua vez, fora discípulo do apóstolo João - uma direta linha de tradição, com um elo de ligação entre Irineu e o próprio João. Vale lembrar que o autor do quarto evangelho reivindica o privilégio de ter sido testemunha ocular do ministério de Jesus (1:4), além de demonstrar um estilo semítico em sua redação e de possuir conhecimento acurado sobre os costumes dos judeus. Também era profundo conhecedor da topografia da Palestina, conforme ela era antes do holocausto de 70 DC. Além disso, há o relato de detalhes vívidos que só poderiam ser esperados da parte de uma testemunha ocular.

Propósito da Escrita: Na época em que João escreveu este Evangelho, estava sendo divulgada uma heresia chamada EBIONISMO, que ensinava ser Jesus um mero homem, mas sem pecado. O Evangelho segundo João foi escrito com objetivo de refutar essa heresia. Daí, a razão dele ter colocado ênfase na divindade de Jesus.


Outros estudos bíblicos relationados com os Quatro Evangelhos:

Cf. Jesus Cristo e os Evangelhos
Cf. Estudos do Novo Testamento
Cf. Os Quatro Evangelhos
Cf. Estudo dos Quatro Evangelhos
Cf. Cronologia dos Evangelhos
Cf. Síntese dos Quatro Evangelhos

Panorama dos Quatro Evangelhos Panorama dos Quatro Evangelhos Reviewed by Biblioteca Bíblica on quarta-feira, maio 12, 2010 Rating: 5
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