2010/06/08

As Escrituras na Dispersão


As Escrituras na Dispersão

As Escrituras na Dispersão


Sabemos que, por volta do ano 250 a.C, o Pentateuco já havia sido traduzido para o grego, para o uso dos judeus da Dispersão, e o prefácio para a versão grega de Ben Sira indica que, por volta daquela data (132 a.C.) os Profetas Anteriores e Posteriores também haviam sido traduzidos para o grego. Não se pode ter certeza de quanto dos “Escritos” foi traduzido, digamos, no início da Era Cristã ou quanto foi considerado como canônicos em Alexandria. Não havia ainda um limite definido para os chamados “restante dos livros”.

A Bíblia grega que surgiu e que viria a ser, posteriormente, adotada pela Igreja Cristã, era muito menos restrita do que as Escrituras Hebraicas e organizada em uma ordem diferente de livros. Sabemos que os cristãos consideravam os assim chamados “livros excluídos” sob uma visão muito diferente da dos judeus da Palestina e continuaram a lê-los na tradução grega até bem depois que eles caíram em desgraça na Palestina. De fato, eles não apenas continuaram a copiá-los, mas até incluíram alguns deles no códice grego que continha seus escritos sagrados entremeados nos “Escritos” sem, contudo, levantar a questão sobre se eles deveriam ser considerados canônicos ou não. N.T.: Segundo o Dicionário Aurélio, códice do lat. Códice, é 1. forma característica do manuscrito em pergaminho, semelhante à do livro moderno, e assim denominada por oposição à forma do rolo; Cf. livro m rolo. 2. Registro ou compilação de manuscritos, documentos históricos, ou leis; código antigo. 3. Obra antiga de autor clássico. Oficialmente, deveria haver apenas um Cânon, ou seja, o das Escrituras hebraicas, mas no uso popular, essa interpretação estrita nem sempre era obedecida, particularmente porque os próprios “Escritos”, como já vimos, estavam em um estado ainda fluido. E justo supor que, embora eles fossem considerados sagrados, não eram considerados canônicos em nenhum sentido real e certamente estavam em um nível muito diferente de inspiração em relação à Lei ou aos Profetas. Referir-se a esse conjunto maior das Escrituras como o “Cânon Alexandrino”, como se ele pudesse ser contraposto ao Cânon Palestino, é realmente incorrer em petição de princípio. E significativo que Philo (morto por volta de 50 d.C), um típico judeu de Alexandria, não faz nenhuma menção desses livros não-canônicos, e no tempo de Josefo, a Bíblia grega que ele usava consistia substancialmente dos livros do Cânon hebraico como nós o conhecemos hoje.


Fonte: Between the Testaments: From Malachi to Matthew, de Richard Neitzel Holzapfel.

Veja outros estudos bíblicos relacionados:

Nenhum comentário:

Postar um comentário