2013/08/08

Apocalipse 1 — Significado e Explicação

Significado e Explicação de Apocalipse 1



Significado e Explicação de Apocalipse 1
1.1 — Revelação (palavra que significa algo desvelado, descoberto) indica que esse texto e um tipo de literatura conhecido como apocalíptica. A Revelação de Jesus Cristo pode significar que vem dele e é sobre Ele, porque Cristo e o assunto do livro inteiro. Os servos de Cristo são os crentes. A frase que brevemente devem acontecer e uma alusão a Daniel 2.28,29,45, visto que parece indicar que as coisas que devem acontecer nos últimos dias acontecerão em rápida sucessão. João e o escritor humano do Apocalipse, enquanto Jesus e o Autor divino.

Cf. Apocalipse e o Evangelho de João
Cf. Teologia do Livro de Apocalipse
Cf. Introdução Geral ao Livro de Apocalipse
Cf. Fundo Histórico do Livro de Apocalipse

1.2 — A palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo são as razoes pelas quais João foi exilado na ilha de Patmos (v. 9) e, também, o motivo por que os crentes são perseguidos hoje em dia. A expressão de tudo o que tem visto refere-se as visões relatadas em Apocalipse.

1.3 — Bem-aventurado, significando espiritualmente feliz, de acordo com a perspectiva de Deus ler e reter essa revelação e a primeira das sete bem-aventuranças citadas em Apocalipse (14.13; 16.15; 19.9; 20.6; 27.7,14). Esse e o primeiro de muitos grupos de sete encontrados em todo o livro, número este que significa completude, perfeição.

1.4 —João endereçou Apocalipse às sete igrejas na província romana da Ásia, área que atualmente corresponde ao sudoeste da Turquia. As igrejas localizavam-se em uma região de uns 80km2, e seus nomes estão dispostos em ordem, no sentido dos ponteiros do relógio, partindo do sudoeste. Graça e a versão crista para uma saudação comum no grego, e paz [hb. shalom] e uma típica saudação hebraica. Aquele que e, e que era, e que ha de vir designa Deus, que não só existe agora, mas sempre existiu e existira eternamente (Hb 13.8). A expressão os sete espíritos pode referir-se aos anjos das sete igrejas (cap. 2 e 3), a sete outros anjos (Ap 8.2), ou a plenitude do Espirito Santo (Is 11.2).

1.5 — Jesus Cristo, o primogênito dos mortos, garantiu a ressurreição futura do cristão por meio de Sua própria ressurreição (1 Co 15.20,23). Embora Ele seja o legitimo príncipe, ate a Sua segunda vinda, não exercera Sua autoridade (Mt 28.18) de maneira completa sobre os reis da terra (Ap 19.17-21). Mas, quando votar, Ele estabelecera Seu Reino de forma plena na terra (Ap 1.6) e nomeara corregentes preparados, os quais compartilharão de Sua autoridade para governar nações em submissão a Ele (Ap 2.26,27; 3.21; 5.10; 20.4; 21.24).

1.6 — Reis e sacerdotes lembram o desígnio de Israel em Êxodo 19.6, o qual também e aplicado a Igreja pelo uso da expressão sacerdócio real em 1 Pedro 2.9. Cristo, ao sacrificar a si mesmo (Ap 1.5), salvou e separou para si um povo especial, os cristãos, sacerdotes reais, para oferecerem sacrifícios espirituais a Deus (Rm 8.17; Hb 3.1,14; 13.15,16).

1.7 — A frase vem com as nuvens lembra a visão que Daniel teve acerca do Filho do Homem (Dn 7.13; Mt 24.30). Jesus associa a visão de Daniel a Sua gloriosa segunda vinda (Mt 24-30; At 1.11). A expressão todo olho indica que Cristo será visível universalmente na Sua segunda vinda, ao contrario do que ocorreu em Sua primeira vinda. A frase ate mesmo os que o traspassaram alude a crucificação de Cristo (Jo 19.34), por influencia dos lideres judeus, e aponta para a profecia de Zacarias que diz que Israel se lamentara por ter rejeitado o Messias (Zc 12.10; Jo 19.34,37). De fato, não apenas Israel, mas também todas as tribos da terra se lamentarão por terem rejeitado Cristo e se arrependerão por sua incredulidade.

1.8 — A autodescrição de Deus como o Alfa e o Ômega (a primeira e a ultima letra do alfabeto grego), principio e o fim, indica que Ele e o Todo-poderoso e eterno, já existindo que tudo fosse por Ele criado. Esse conhecimento pode ser um grande conforto para quem esta sofrendo (v. 9). O Senhor esta guiando a historia de maneira soberana em direção a sua consumação, a vitória de Cristo sobre tudo e todos (1 Co 15.24-28).

1.9 — João se identifica fortemente com seus leitores como um irmão e companheiro na aflição, uma tribulação que alguns já estavam sofrendo (Ap 2.9,10). Paulo disse que haveria muitas tribulações (At 14.22) para os cristãos antes da vinda do reino (Ap 11.15). Tais provações servem para desenvolver paciência e maturidade crista (Tg 1.2-4); afinal, suporta-las e um pré-requisito para reinar com Jesus (Rm 8.17; 2 Tm 2.12). O sofrimento imediato de João estava relacionado ao seu exílio na pequena ilha de Patmos, no mar Egeu. Embora o apóstolo tivesse sido exilado como uma tentativa de silenciar a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo (a palavra grega traduzida como testemunho significa literalmente testemunha, e esta associada a palavra mártir), João, continuou escrevendo o Apocalipse (1,2) como testemunha de Cristo.

1.10 — A expressão em espirito alude ao estado de exultação espiritual no qual João se encontrava quando recebeu as visões do Apocalipse (Ap 4.1,2).

1.11 — Cada uma das sete igrejas na província da Ásia recebeu uma copia completa de Apocalipse e uma mensagem individual da parte de Cristo (Ap 2.1—3.22).

1.12 — Os sete castiçais de ouro representam as sete igrejas nomeadas no versículo 11 (v.20).

1.13 — Semelhante ao Filho do Homem e uma referencia a Daniel 7.13. Comparando-se essas duas passagens, além do uso da expressão Filho do Homem por Jesus (Mt 20.28) em relação a si mesmo, notamos que Cristo e o sujeito dos versículos de 12 a 18 de Apocalipse 1. Jesus tem uma natureza completamente humana e completamente divina. A veste comprida e o cinto de ouro indicam que o Cristo glorificado esta vestido como um sumo sacerdote (Ex 28.4)

1.14 — A aparência branca da cabeça e dos cabelos e um paralelo a descrição do ancião de dias, em Daniel 7.9, e a aparência gloriosa do Cristo transfigurado no monte (Mt 17.2). As descrições demonstram a pureza e imortalidade, tanto de Deus-Pai como do Deus-Filho. Adicionalmente, o cristão vencedor será vestido de vestes brancas (Ap 3.5; 19.8), um símbolo de pureza, e estará na presença de Cristo. Os olhos de Cristo são como chama de fogo. Isso indica Sua justiça, assim como Seu juízo sobre todas as coisas impuras (Dn 10.6; 1 Co 3.13).

1.15 — Seus pés, semelhantes a latão reluzente podem significar respeito ou poder, assim como domínio sobre todas as coisas, já que tudo esta debaixo de Seus pés (1 Co 15.25).

1.16 — As sete estrelas são os anjos das sete igrejas (v. 20). Esses anjos podem designar literalmente seres espirituais, guardiões daquelas igrejas. Uma aguda espada de dois fios era uma espada longa e afiada dos dois lados, a qual, saindo da boca de Cristo, simboliza o poder e o juízo que a Palavra de Deus promove ao penetrar no profundo do coração humano (Is 49.2; Hb 4.12).

1.17,18 — Quando Cristo fala de si mesmo como aquele que vive, foi morto e vivera para todo o sempre, Ele esta referindo-se a Sua existência eterna, a Sua vinda como homem, a Sua morte na cruz e a Sua condição gloriosa de ressurreto. As chaves da morte e do inferno apontam para a autoridade de Cristo sobre aqueles que morreram fisicamente e sobre os seus lugares atuais de descanso, os quais serão esvaziados na época do juízo do grande trono branco (Ap 20.11-15).

1.19 — A frase escreve as coisas que tens visto engrandece e esclarece a ordem anterior de Cristo: o que vês, escreve-o (v. 11). Aparentemente, a expressão as coisas que tens visto se refere a visão relatada nos versículos 10-18. A frase as que são, e as que depois destas hão de acontecer pode referir-se a condição das igrejas na Ásia (Ap 2—3), seguida das visões do futuro (Ap 4—22). O uso de depois em combinação com a visão de um semelhante ao Filho do Homem (v.13) e um empréstimo do texto em Daniel 2.29,45.

1.20 — Os anjos das sete igrejas tem sido entendidos algumas vezes como mensageiros celestiais. O significado usual da palavra anjo no Novo Testamento e em Apocalipse e o de seres espirituais que ministram aos que herdarão a salvação (Hb 1.14). As sete igrejas tem o Filho do Homem glorificado em seu meio (v.12,13), lembrando a promessa de Cristo que diz: Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ai estou eu no meio deles (Mt 18.20).

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