2014/07/06

Efésios 1:1-23 — Significado e Explicação

EXPLICAÇÃO, SIGNIFICADO, EFÉSIOS, carta, 1

Efésios 1:1-23 — Significado e Explicação




Efésios 1

1.1-3.21 - Na primeira metade da carta aos Efésios, como em outras varias epístolas de Paulo, são enfatizadas as doutrinas e crenças nas quais se baseiam os deveres e o comportamento comentados na segunda metade da epístola.

1.1,2 - As saudações nas epístolas do Novo Testamento seguem a forma de uma carta típica do primeiro século: o escritor é mencionado primeiro, e o destinatário em seguida; depois vem uma benção ou votos desejando que todos estejam bem de saúde. A diferença está no conteúdo da benção: as cartas pagas mencionavam deuses e deusas que não existiam, como Diana ou Apolo; os apóstolos invocavam o único Deus verdadeiro e Seu Filho Jesus Cristo para abençoar seus leitores. Em Efésios, Paulo se refere a si mesmo como um apóstolo porque ele foi pessoalmente comissionado por Jesus Cristo com autoridade especial para pregar o evangelho. O termo “santos”, no Novo Testamento, refere-se a todos os cristãos separados por Deus em Cristo.

Éfeso. Esta carta pode ter sido uma carta circular para a Igreja em Éfeso e em todas as cidades próximas.

1.2 - O dom gratuito da salvação, que e a graça de Deus, leva o ser humano a paz com Deus e com seus semelhantes e a uma vida plena. A deidade do Senhor Jesus Cristo fica clara quando o associamos ao Pai.

1.3-12 - Logo no início da carta, Paulo começa a louvar a Deus, que o escolheu antes da fundação do mundo. Foi em Cristo que Deus elegeu ele, Paulo, e os cristãos para serem abençoados e serem uma benção para os outros. A ênfase não está no simples fato de escaparmos do castigo eterno, mas no fato de agirmos como verdadeiros santos e rendermos louvor a glória de Deus com a nossa maneira de viver.

1.3 - As bênçãos do cristianismo são, sobretudo, espirituais. Deus não promete saúde, riqueza e prosperidade aos cristãos no Novo Testamento. A expressão nos lugares celestiais sugere que o cristão, vivendo em qualquer lugar do mundo, já esta, neste momento, em um sentido espiritual, assentado com Cristo nos céus.

1.4, 5 - Aqui, caridade corresponde ao termo ágape no grego, ou seja, ao amor divino que e gerado em nos pelo Espírito Santo, quando, por escolha e vontade própria, entregamos-nos a Cristo; não é um sentimento romântico.

Nos predestinou. A predestinação aqui não indica determinismo insensível ou um destino predeterminado. Consiste numa escolha amorosa da parte de Deus.

Segundo (gr. kata) é um termo significativo em Efésios, mas pode não ser notado, já que se trata de uma preposição comum. Paulo o emprega 14 vezes nesta epístola. No capítulo 1, lemos segundo o beneplácito de sua vontade (v. 5), segundo as riquezas da sua graça (v. 7), segundo o seu beneplácito (v. 9), segundo o conselho da sua vontade (v. 11) e segundo a operação da forca do seu poder (v. 19). No capítulo 3, lemos segundo a operação do seu poder (v. 7), segundo as riquezas da sua glória (v. 16) e segundo o poder que em nos opera (v. 20). Tudo isso quer dizer que Deus não nos da Sua graça simplesmente por causa (ele) de Sua abundância, mas de acordo com (kata) Sua abundância.

1.6 - Amado também poderia ser traduzido por aquele que Deus ama, ou seja, Jesus Cristo. Em Colossenses 1.13, Paulo usa uma expressão similar: Filho do seu amor. O Amado e um “título” messiânico que se refere ao Filho de Deus. Jesus não é simplesmente um no meio de outros que são amados por Deus, e o Filho amado.

1.7,8 - Redenção. Esse termo significa comprar de volta, resgatar. Nos tempos antigos, era possível comprar de volta uma pessoa que havia sido vendida como escrava. Do mesmo modo, Cristo, por meio de Sua morte, comprou-nos para Deus, resgatou-nos da escravidão do pecado.

Seu sangue. O sangue de Cristo é o meio pelo qual se realiza a nossa redenção. O Antigo e o Novo Testamento ensinam claramente que não ha perdão sem o derramamento de sangue, que implica a morte de alguém. Isso faz alusão ao sistema de sacrifícios da antiga aliança, que apontava para o autos sacrifício de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

1.9 - O mistério não e um enigma a ser decifrado nem um tipo de conhecimento comum aos iniciados em uma seita ou religião paga. No uso que o apóstolo faz do termo, mistério denota um aspecto da vontade de Deus que antes estava oculto ao ser humano, mas foi revelado por Ele em Cristo (Rm 11.25).

1.10 - A palavra grega traduzida por dispensação significa regra da casa. Refere-se ao modo como Deus administrou ou dispôs toda a história para cumprir Seu plano de salvação da humanidade, o qual tem fases distintas, embora o Senhor nunca mude. Neste contexto, dispensação provavelmente se refere ao tempo em que Deus estabelecera Seu Reino eterno.

1.11,12 - Nos (sujeito oculto), judeus, em Cristo fomos feitos herança, o que e muito melhor do que a herança prometida na antiga aliança. Não se trata de algo novo, mas em Cristo fomos predestinados (planejados), conforme o propósito de Deus, desde o começo.

1.13-23 - Neste trecho, Paulo se refere aos gentios (vos). A ênfase esta na obra do Espírito Santo. Este sela cada cristão, transformando-o em um bem especial de Deus por meio da fé; representa a garantia de que somos aceitos por Deus por meio da fé em Cristo. O objetivo do Espírito Santo e produzir uma Igreja totalmente perfeita, sendo Jesus Cristo a cabeça dela e os cristãos os membros desse Corpo espiritual. Que ideia maravilhosa saber que nos, que antes estávamos alienados de Deus, agora ajudamos a preencher o que Paulo chama de Corpo de Cristo.

1.14 - O penhor da nossa herança e o próprio Espirito Santo. O interessante e que a palavra grega usada para penhor também pode ser usada para indicar um anel de noivado. Como Cristo e o Noivo, e a Igreja e a noiva, o Espirito Santo e o sinal, o pagamento antecipado para o casamento ha muito esperado entre os dois (Ap. 19.7,8).

Possessão. O Antigo Testamento descrevia a nação de Israel como o tesouro particular de Deus, que foi adquirido por Ele por meio de Seus feitos poderosos de libertação do Egito, no êxodo (Ex 19.5; Dt 7.6). Aqui, Paulo descreve os cristãos como bens do Senhor, que custaram o sangue de Seu próprio Filho.

1.15-23 - Aqui esta a oração de intercessão mais ardente de Paulo por estes cristãos. Depois de agradecer por eles (v. 15,16), o apóstolo ora para que tenham discernimento espiritual (v. 17) quanto a gloria da sua herança (v. 18) e a sobre excelente grandeza do seu poder (v. 19-23).

1.15 - Ouvindo eu (Cl. 1.5,9). Paulo não menciona que orou por esses cristãos antes de tomar conhecimento da fé deles. Como a oração de Paulo e diferente de grande parte das nossas! Muitas vezes, pedimos a salvação de pessoas perdidas e, depois, quando elas passam a crer em Cristo, nos as abandonamos. Paulo fazia justamente o contrário. Talvez ele tenha se inspirado no modelo de oração do Senhor (Jo. 1.7,9,20)

1.16,17 - Minhas orações. Quando examinamos as orações de Paulo, aprendemos sobre a natureza da intercessão. Grande parte de nossas orações fica aquém da intercessão eficaz.

1.18,19 - A expressão os olhos do vosso entendimento se refere ao entendimento espiritual. Para descrever isso, Paulo usa palavras capazes de retratar o coração que enxerga iluminado pela luz divina. Qual seja a esperança significa que os cristãos podem esperar muitas coisas, mas há uma esperança que todos têm em comum (Ef. 4.4), o Senhor Jesus Cristo (Cl. 1.5,27). Nele encontramos a verdadeira esperança e as verdadeiras riquezas.

1.20 - Manifestou em Cristo. A ressurreição de Cristo dentre os mortos foi a expressão do poder de Deus e a prova do que o Senhor pode fazer em nós e por nós. Pondo-o. Cristo Jesus não somente ressuscitou dos mortos. Deus lhe deu um lugar a sua direita. Jesus assentou-se a destra do Pai, lugar de honra e poder, como o Filho de Davi, em cumprimento as profecias messiânicas nos Salmos 2 e 110. Jesus Cristo permanecera a direita do Pai até que os inimigos de Deus sejam subjugados e chegue o momento da volta de Cristo, para estabelecer plenamente o Reino de Deus entre os homens.

1.21 - Para os judeus da época de Cristo, o final dos tempos estava dividido em dois períodos: a era na qual eles viviam e o porvir. O Messias, chamado aquele que havia de vir (Mt. 11:3; Lc. 8:19,20), reinara plenamente na terra [como já reina no céu] no século vindouro.

1.22,23 - Em Efésios, Paulo enfatiza Cristo como cabeça [da Igreja], e em sua carta aos Colossenses, escrita durante o mesmo período em que ele estava preso, Paulo enfatiza a unidade do Corpo de Cristo. A Igreja aqui, em Efésios, não se refere a nenhuma congregação local, mas a todos os cristãos, o Corpo espiritual de Cristo.



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