2014/12/03

Interpretação de Apocalipse 20 e 21

Interpretação do Livro de Apocalipse





Apocalipse 20 e 21


O Milênio. 20:1-6.

Aproximamo-nos agora de uma das passagens mais discutidas da Palavra de Deus. Através dos séculos esta passagem tem sido geralmente aceita como determinando um período milenial durante o qual Cristo reinará nesta terra. Todos nós concordaríamos com C.J. Vaughan quando ele diz: "Jamais precisamos mais da ajuda de Deus do que ao penetrarmos na interpretação deste capítulo que ora se nos apresenta". Só nesta passagem das Escrituras temos a frase, "os mil anos", fator cronológico mencionado seis vezes em seis versículos. A palavra milênio (millennium) é uma palavra latina composta de mille, "mil", e annum, "ano"; assim, mil anos, seja o que for que esta passagem particular das Escrituras quer dizer. A passagem começa informando-nos que durante este tempo Satanás será lançado no abismo, onde permanecerá amarrado por mil anos. Este abismo não é o inferno. Parece que Satanás não tem poder de resistir a este ato do anjo que o amarra. João vê agora uma multidão dos que não adoraram a besta, assentados sobre tronos, e reinando com Cristo por mil anos. Este hão é o lugar apropriado para discutirmos o Milênio. O que nos parece claro, no entanto, é que o V.T., muitas e muitas vezes, refere-se a um tempo grande e glorioso no futuro quando a paz prevalecerá sobre a terra, quando o Messias reinará com justiça, e quando a natureza será restaurada à sua beleza original (veja, por exemplo, Is. 9:6, 7; 11:1; 30:15-33; também cap. 35; 44; e 49; 65:17- 66:14, Jr. 23:5, 6, etc.).
Há quatro opiniões com referência ao Milênio.
1) Alguns dizem que é apenas uma condição espiritual dos redimidos e que não deve receber nenhuma interpretação cronológica, sendo a idéia do mil simbólica de plenitude e inteireza.
2) Alguns defendem a estranha opinião de que o Milênio já aconteceu, muitos assinalando o seu começo na conversão de Constantino. Mas se o período chamado Idade das Trevas pode ser chamado de Milênio, então as profecias bíblicas referentes a tal período jamais se cumprirão.
3) Alguns dizem que já nos encontramos no Milênio, mas insistimos novamente que se este século acossado pela guerra, de anarquia e Comunismo ateu, é o Milênio, então as esperanças criadas pela Palavra de Deus para esta terra devem ser abandonadas.
4) Finalmente, muitos crêem que é uma profecia real de um período de mil anos, seguindo-se ao Armagedom, quando Cristo reinará sobre a terra como o Rei dos reis. A igreja primitiva era unânime na defesa deste ponto de vista. Charles (op. cit.,) que não aceita o Milênio, sob nenhum aspecto, admite contudo que "a profecia do milênio no capítulo 20 deve ser aceita literalmente".
Encontramos uma declaração famosa sobre esta passagem no New Testament for English Readers de Alford que tem sido citada em muitas obras posteriores, mas sinto-me compelido a citá-la novamente: "Há muito que já foi percebido pelos leitores deste Comentário, que eu não posso consentir na distorção de palavras do seu sentido simples e da sua colocação cronológica na profecia, por causa de qualquer dificuldade ou risco de abuso que a doutrina do milênio possa provocar. Aqueles que viveram perto da época dos apóstolos, e toda a Igreja durante 300 anos, aceitaram-nas em seu sentido simples e natural; e é coisa estranha ver, atualmente, expositores que estão entre os primeiros no respeito à antiguidade, deixando de lado complacentemente o mais irrefutável exemplo de consenso que a antiguidade primitiva apresenta. No que se refere ao texto propriamente dito, nenhum tratamento legítimo extorquirá o que é conhecido como a interpretação espiritual atualmente em moda".
Muita discussão tem surgido por causa da curta frase, Esta é a primeira ressurreição (Ap. 20:5). A teoria de que a primeira ressurreição se refere à conversão, uma passagem da morte para a vida, isto é, uma ressurreição espiritual, parece completamente fora de propósito em uma passagem como esta. A segunda ressurreição, embora não seja assim chamada, certamente é aquela à que se referem os versículos 11-15 deste mesmo capítulo. Não é necessário limitar aqueles que participaram da primeira ressurreição as grupos enumerados no versículo 4. A primeira ressurreição pode facilmente ser aceita em estágios – os mortos em Cristo, depois nós os que estamos vivos, e então, após um breve intervalo, os mártires e fiéis do período da Tribulação.
7-10. No final do Milênio, temos a inserção de um episódio estranho, cuja fonte só pode ser de inspiração divina, isto é, que Satanás será solto de sua prisão, e sairá novamente a enganar as nações, reunindo-as para a guerra (vs. 7, 8) e um ataque contra o acampamento dos santos e a cidade querida (v. 9). Isto provavelmente se refere à cidade terrestre de Jerusalém, embora alguns a tenham feito se referir à Cidade Santa, o que nos parece ser mais irracional. Scott tem uma opinião interessante a respeito: "Nenhuma menção se faz de como Cristo e o Seu povo enfrentará esta última tentativa louca de Satanás. Tudo é silêncio no arraial e na cidade. As nações apóstatas marcharão para os braços da morte. Seu julgamento é súbito, rápido, esmagador e final (op. cit., pág. 388). Com a destruição dos inimigos de Deus, Satanás é o falso profeta já foram confinados a este lugar de horrível destino.
Muitas vezes se faz a pergunta, "Por que esta última rebelião depois do benéfico reino milenial de Cristo?" Por um só motivo, revelar que mil anos de prisão não altera o caráter mau do mal. Mais ainda, os homens não regenerados não mudam, e embora toda a terra esteja sob o governo de Cristo, grandes multidões Lhe obedecem por medo e não por amor.

O Juízo Final. 20:11-14.
Mais um grande acontecimento universal deve ter lugar antes que haja paz e justiça eternas, a saber, o juízo. dos mortos impenitentes. Isto está apresentado no último parágrafo deste capítulo cronologicamente tão apinhado. Um dia de julgamento, por vezes chamado de "O Último Dia", foi mais mencionado por nosso Senhor do que por todos os apóstolos e suas obras juntas (veja Mt. 10:15; 11:22, 24; 12:36; Jo. 5:28, 29; 6:39-54; 11:24; Hb. 9:27; 10:27). Em todas as passagens Cristo é identificado como o juiz (veja Atos 17:31; Jo. 5:22-27; II Tm. 4:1; especialmente). O Bispo Gore falou em nome de toda a Igreja quando disse: "Parece-me que cada crente no Deus dos profetas, e de nosso Senhor, deve crer com eles em um Dia de Deus, que provocará o clímax da presente dispensação da história humana" (Belief in Christ, pág, 149).
Da justiça feita ao crime, exercida pelo Estado, milhares escapam todos os anos; na verdade, muitos crimes nem chegam a ser conhecidos pelas autoridades. Mas ninguém poderá escapar a este julgamento. Os mortos serão chamados de suas sepulturas, e do mar, e do próprio Hades (v. 13); e aqueles cujos nomes não foram encontrados no Livro da Vida serão lançados no lago de fogo, que é a segunda morte (v. 14). O registro de cada vida humana nesta imensa assembléia será então exibido. A própria morte, ao que parece, não será abolida até que o Grande Trono Branco seja estabelecido, e o destino humano seja resolvido. Se cremos e aceitamos com alegria as promessas da glória eterna que se encontram neste livro, temos também de crer com igual convicção que este destino terrível dos mortos não arrependidos é igualmente verdadeiro. (Para um comentário sobre toda a questão do juízo, vaia meu livro, Therefore Stand, na seção intitulada, "Um Justo Juízo por Vir", págs. 438-466).

A Santa Cidade. 21:1 – 22:5.
Chegamos agora à revelação final que nos é dada nas Sagradas Escrituras, um clímax glorioso para tudo quanto Deus inspirou os homens a escreverem para a edificação do Seu povo através dos séculos. Nesta passagem passamos do tempo para a eternidade. O pecado, a morte e todas as forças antagônicas a Deus foram para sempre aniquiladas. Muitos estudantes da Palavra estão convencidos de que aquilo que temos nesta última seção (não me refiro aqui ao epílogo) é uma descrição do lar eterno dos redimidos em Cristo.
É provável que não se identifique com o céu, mas certamente deve ser o que as Escrituras apontaram antecipadamente – a Cidade de Deus, a Nova Jerusalém, a Sião que é de cima. Ninguém deve ser dogmático aqui quanto ao que deve ser interpretado simbolicamente e o que deve ser aceito literalmente. Diferentes mestres, com igual devoção à divina autoridade das Escrituras, têm diferentes opiniões quanto a hermenêutica desta grande passagem. Até mesmo Lang, normalmente um literalista, insiste sobre o forte simbolismo da passagem e declara que "o motivo do emprego dos símbolos pode ser o simples fato de que não há outro meio de criar em nossas mentes qualquer justo conceito de realidade" (Op. cit., pág. 369).


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