2015/07/25

Significado dos SETE SELOS em Apocalipse

Significado dos SETE SELOS em Apocalipse
O que Significam os SETE SELOS em Apocalipse?



A Visão dos Sete Selos (Apo. 6:1-8:6)

Adam Clarke (in loc.) expressa sua frustração, por não poder compreender o restante do livro de Apocalipse, com a seguinte afirmativa: "Segue-se agora a porção menos inteligível desse misterioso livro, sobre o qual tanto se tem escrito, mas tudo em vão. E natural que os homens desejam ser sábios; quanto mais difícil for um tema, mais deve ser ele estudado. A esperança de descobrir algo que seja aproveitado pelo mundo e pela Igreja tem impelido os homens mais eruditos a empregarem seus talentos e a consumirem o seu tempo nessas insondáveis predições.

Mas, qual tem sido a utilidade de todo esse labor erudito e bem-intencionado, para a humanidade? Poderia a hipótese explicar a profecia, ou a conjectura encontrar uma base sobre a qual a fé pode alicerçar-se? E que avanço temos feito até aqui, nos esforços por explicar os mistérios desse livro?" Calvino também reconheceu o problema, preferindo nada escrever sobre o Apocalipse. Na igreja primitiva, em algumas localidades, o Apocalipse não obteve posição canônica por muitos séculos, provavelmente devido à imensa dificuldade para entendê-lo. (Ver a seção II no artigo sobre Apocalipse, a respeito desse particular).

Entretanto, isso não nos deveria desencorajar, porquanto é patente que qualquer predição pode ser extremamente obscura, quando o tempo de seu cumprimento ainda está distante, embora possa tornar-se surpreendentemente clara quando chega a época de sua realização. A convicção deste escritor é a de que todas as profecias que temos à nossa frente, nos capítulos sexto a décimo nono, serão cumpridas dentro dos próximos cinqüenta anos ou menos. A maior parte dessas predições certamente relata o período da grande tribulação por que passará a terra, nos últimos dias.

Os místicos contemporâneos já começam a prever coisas perfeitamente paralelas às predições do Apocalipse. Isto é, essencialmente, uma "profecia" acerca dos "últimos dias", e não um manual da história eclesiástica escrita de antemão. Portanto, rejeitamos aquela interpretação que busca encontrar esses eventos preditos espalhados na história eclesiástica. Pelo contrário, haverão de concentrar-se em um único período, de breve duração, o qual precederá de imediato à "parousia" ou segunda vinda de Cristo. Como guia para os pensamentos do leitor, oferecemos um artigo sobre o tema, a Tradição Profética e a Nossa Epoca, onde aparecem, de forma não complicada e destituída de símbolos, as profecias relativas aos últimos dias, que incluem os dias preditos no Apocalipse. Portanto, acreditamos que uma imensa luz de entendimento tem sido focalizada sobre as profecias que passamos agora a considerar. Desnecessário é dizer que o Apocalipse continua envolvido nas brumas do mistério em muitos pontos, não havendo acordo entre os comentários sobre nenhum desses pontos; não obstante, o "quadro em geral", é perfeitamente claro. 

Seria útil se o leitor, neste ponto, consultasse o artigo sobre o livro, em sua seção XIII, intitulada "Conceitos e Métodos de Interpretação", bem como em sua seção X, "Ponto de Vista Geral do Conteúdo e Análise", com conceitos de arranjos, que envolvem as predições aqui contidas. Essas seções mostram como o livro tem sido manuseado por vários intérpretes, dotados de diferentes
mentalidades e pontos de vista.

Os Sete Selos. Desses selos é que o restante do livro de Apocalipse se vai desdobrando. Alguns estudiosos pensam que a questão deve ser encarada de um ponto de vista "telescópico": os sete selos representam sete julgamentos, um após o outro. Do último julgamento é que se derivariam as sete trombetas, que também representariam outros juízos sucessivos. Destes últimos é que se derivariam os "ais", outros julgamentos sucessivos. Finalmente, desses "ais" se derivariam as "taças". Isso, pois, significaria que os capítulos sexto a décimo nono nos fornecem uma longa série de juízos divinos, que se seguiriam em ordem cronológica, como as diversas seções de um telescópio que se vão estendendo. Há também os eruditos que pensam que os selos contêm todos os juízos, e que as demais séries de "sete", como as trombetas, as taças, etc. seriam meras repetições de detalhes desvendados, pertencentes e inerentes aos selos.

Alguns eruditos pensam que os "selos" são paralelos aos "anjos", o que significa que os capítulos sexto a nono seriam paralelos aos capítulos catorze a dezesseis, em que uma série nos daria o ponto de vista terreno, e a outra o ponto de vista celestial. Além disso, as trombetas (que seriam um desdobramento do sétimo selo) seriam paralelas às taças, de tal modo que os capítulos oitavo a décimo seriam paralelos ao capítulo dezesseis. Contudo, diferentes idéias sobre esses mesmos juízos são apresentadas pelos estudiosos. Se esses paralelos realmente existem, não podemos afirmar com plena confiança. O que se pode dizer com relativa confiança é que há muitos juízos descritos nos capítulos que se seguem, que ocorrerão imediatamente antes da volta de Cristo, não estando eles dispersos ao longo da história da humanidade, como se quase todos eles já pertencessem agora ao passado. A seção X do artigo sobre o Apocalipse procura expor diante do leitor os tipos de teorias que são mencionados acima. A exposição apresentará os juízos divinos do ponto de vista telescópico.
Em certo sentido, naturalmente, até mesmo de acordo com o ponto de vista "telescópico", os "selos" incorporam em si mesmos o Apocalipse inteiro, já que o sétimo selo contém as sete trombetas, e a sétima trombeta contém as sete taças. Desse modo, para todos os efeitos práticos, termina a descrição dos juízos divinos, anteriores à segunda vinda de Cristo, porquanto os capítulos dezessete e dezoito são descrições detalhadas do julgamento que sobrevirá à Babilônia (mencionada pela primeira vez em Apo. 16:19).

Em favor do método futurista de interpretação, que o autor desta enciclopédia defende, deve-se salientar que o vigésimo quarto capítulo do evangelho de Mateus (o pequeno apocalipse, como é chamado), com seus paralelos (Marcos 13 e Lucas 21), apresentam essencialmente o mesmo quadro que se vê nos capitulos sexto a décimo nono do Apocalipse, embora não de forma simbólica e ornada.
Certamente, o Senhor tencionava que suas predições fossem compreendidas como revelações dos acontecimentos que antecederão imediatamente ao seu segundo advento, e não acontecimentos que estão espalhados por toda a era da igreja.

Consideremos, acerca disso, os seguintes quadros comparativos: Mal. 24:6,7,9,29 (Mar. 13:7-9,24,25 e Luc. 21:9-12,25,26). Apo. 6:2-17 e 7:1em comparação com as passagens acima.

1. Guerras
2. Conflitos internacionais
3. Terremotos
4. Fomes
5. Perseguição contra os justos
6. Sinais nos céus, eclipses do sol e da lua, deslocamento das estrelas, abalo dos poderes celestiais.

Se fizermos a comparação sugerida acima, veremos que tem lugar o mesmo padrão geral do juízo. Charles, em sua introdução ao décimo sexto capítulo do Apocalipse (pág. 157 do International Critical Commentary, supõe que o vidente João tenha dependido dos evangelhos sinópticos quanto ao esboço de seu livro, neste ponto, embora tivesse vazado tudo em linguagem mística e simbólica. Também cremos que os "sete selos" do Apocalipse são essencialmente paralelos aos sete ais, do evangelho de Lucas. Naturalmente, o material não é totalmente paralelo, porquanto há adições aqui e ali; mas o "quadro geral" é o mesmo, e isso é o que nos interessa. Nenhuma predição bíblica foi dada para satisfazer nossa curiosidade sobre o que sucederá. Antes, foi dada para consolar e instruir àqueles que terão de atravessar os eventos preditos. Assim, pelo que foi escrito nos livros sacros, eles compreenderão que Deus não os abandonou, mas continua a guiá-los, de tal modo que nada precisarão temer, por mais horrendos que vierem a ser os acontecimentos ao seu redor.

Uma pergunta se faz necessária aqui: a Igreja passará por esses tão severos julgamentos? "Sim!" (Ver o artigo sobre o Arrebatamento, com razões "pró" e "contra" essa ideia). Lembremo-nos que o Apocalipse foi escrito para as "sete igrejas", isto é, para a "igreja universal". Foi escrito especificamente a fim de consolar uma igreja debaixo de perseguição, e esta era tão intensa que ameaçava até a existência daquela entidade. Não foi escrito a fim de assegurar aos cristãos da época de Domiciano que eles escapariam à sua ira ou dos turbulentos acontecimentos da época. Portanto, a "igreja" perseguida pelo anticristo, o qual promoverá a mais feroz de todas as perseguições religiosas
de todos os séculos, não escapará aos terríveis acontecimentos futuros preditos; antes, terá de atravessar aquele período. Tão-somente uma parte da igreja "será protegida" em meio às perseguições, mas não tirada do meio delas. Isso haverá de purificar a igreja, preparando a "noiva" para sair ao encontro do Noivo celeste. Será o "banho da noiva" comentado em Efé. 5:26,27 no NTI, sem o qual uma noiva antiga não saía ao encontro do noivo. "No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16:33). Não existem palavras mais significativas para a nossa presente geração, em todo o N T., do que essas; nossos filhos crescerão vendo o cumprimento
cabal das mesmas.

Acreditamos que a tribulação vai durar cerca de 40 anos (o número místico de provação), não somente os sete anos tradicionais. O número sete pode significar um tempo (dentro dos 40 anos) que tem aplicação especial para a nação de Israel. Pode ser que a igreja escapará deste período, mas certamente, antes disto, vai enfrentar o anti cristo, Ou o número sete pode ser simbólico para
"o ciclo completo" de angústia.

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