Significado de Gênesis 9

Gênesis 9

9.1 E abençoou Deus a Noé e a seus filhos e disse-lhes: frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra. A bênção de Deus à família de Noé estabeleceu um novo começo para a humanidade. O verbo abençoou expressa a ideia de prazer, da ternura da satisfação de Deus (Gn 1.22, 28; 2.3; 12.2, 3). Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra. Esta foi a ordem de Deus desde o início. Desta forma, as promessas que o Senhor havia feito a Adão e Eva (Gn 1.26-28) eram agora reafirmadas a Noé, o “novo Adão”. Entre outras coisas, o repovoamento da terra pela família de Noé significava que a sociedade começava de novo, mas agora a história estava dividida em duas eras: a pré-Dilúvio, e a pós-Dilúvio.

9.2 A bênção de Deus aqui é muito maior do que a primeira (Gn 1.28, 29), pois agora os animais e os pássaros teriam um temor natural dos seres humanos e estariam sob o controle das pessoas.

9.3-5 Três novas realidades marcam o período pós-diluviano: (1) a carne poderia ser comida com os vegetais; (2) o sangue não poderia ser ingerido com a comida; e (3) aquele que derramasse sangue teria de prestar contas de tal ato.

9.3 Tendo em vista esta ordem divina, presume-se que até aquele momento os homens e as mulheres alimentavam-se apenas de vegetais.

9.4 A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis. Podemos saber mais sobre esta restrição lendo Levítico 17.11, 12. O sangue representa a vida do animal. Logo, poderia ser derramado em sacrifícios, pois toda a vida pertence ao Senhor.

9.5 E certamente requererei o vosso sangue. Mais sagrada do que a vida dos animais é a vida de uma pessoa. Os animais poderiam ser mortos para a alimentação, mas nenhum assassinato seria tolerado pelo Senhor.

9.6, 7 Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem. Estas palavras poéticas foram ditas com intuito de causar impacto e notabilidade. A imagem de Deus (Gn 1.26, 27; 5.1) ainda está no homem. O pecado não a destruiu completamente. Deus dá mais valor ao ser humano do que a qualquer outra criatura viva, porque o ser humano possui a imagem de Deus.

9.8-10 Esta é a segunda ocorrência deste importante conceito de aliança. Deus prometeu que Ele estabeleceria Sua aliança com Noé, e aqui Ele realiza esta grande obra (ver Gn 15.8; compare com Gn 3.15). Esta aliança assegura a vida dos animais de todas as espécies.

9.11 Nunca mais haverá outra enchente como a descrita nos capítulos 6—8.

9.12-15 O arco-íris é um sinal da promessa de Deus de nunca mais haver Dilúvio sobre a terra e a constante lembrança de Suas palavras. Mais tarde, Abrão (Abraão) pediria ao Senhor um sinal da aliança que Deus fez com ele.

9.16, 17 E estará o arco nas nuvens, e eu o verei, para me lembrar do concerto eterno. Isso tem um significado precioso: não só as pessoas olhariam para o arco-íris e se lembrariam da promessa de Deus; Ele também o faria.

9.18, 19 Os filhos de Noé já haviam sido mencionados antes (Gn 5.32; 6.10; 7.13), mas a menção novamente deles aqui reforça a sobrevivência da humanidade após o Dilúvio e estabelece a etapa seguinte. Cam é apontado como o pai de Canaã. Essa identificação foi particularmente importante para os primeiros leitores de Gênesis: os israelitas que estavam por entrar em Canaã (Dt 1.1). Mas esta informação também prepara o leitor para a vergonhosa história que está para ser apresentada nos versículos seguintes (Gn 9.20-23).

9.20, 21 A cultura da vinha era padrão no cenário da agricultura na antiga Israel. Aqui é citada por causa da embriaguez de Noé.

9.22 E viu Cam, o pai de Canaã, a nudez de seu pai e fê-lo saber a ambos seus irmãos, fora. Aqui não fica claro se a grande ofensa de Cam foi ter visto a nudez de seu pai. Os versículos a seguir, especialmente o 23, sugerem que Cam tenha feito galhofa ao ver seu pai nu, e essa notícia chegou aos ouvidos de Noé depois que ele voltou a si.

9.23 Sem e Jafé, ao contrário de Cam, esforçaram-se para honrar seu pai, cobrindo-lhe a nudez, para não expô-lo; eles se recusaram a sequer olhar para a nudez do pai.

9.24, 25 Os três filhos de Noé haviam sido abençoados com o pai (Gn 9.1). Mas, quando soube do mau proceder de Cam, Noé amaldiçoou este e seus descendentes (Gn 10.6). Alguns acreditam que este versículo justifique a escravidão dos africanos (que, como se supõe, foram os descendentes de Canaã), mas esta é uma interpretação duvidosa, visto que os povos cananitas eram os descendentes diretos de Canaã, que estava sob a maldição de seu pai. Assim, quando os hebreus [descendentes de Sem] estavam às margens do rio Jordão para entrar na terra de Canaã (Dt 1.1), foram encorajados por esta realidade, que lhes prometia a vitória sobre os cananitas.

9.26, 27 Sem é abençoado com a hegemonia sobre seus irmãos, mas Jafé também é abençoado. Héber e Abrão eram descendentes de Sem (Gn 11.10-30), desta maneira a bênção de Sem era uma bênção que alcançaria seus descendentes, os israelitas (Gn 12.1-3). Novamente, o recurso poético que é usado nestes versículos lhes acrescenta poder e notabilidade. Da mesma forma que Noé abençoou seus filhos antes de sua morte, posteriormente Jacó também abençoaria seus filhos antes de morrer (Gn 49).

9.28, 29 A morte de Noé foi o fim de uma era. Somente ele e sua família viveram em dois mundos diferentes: uma terra antes do Dilúvio e depois deste. A longa vida de Noé (950 anos) deu-lhe oportunidade de transmitir a seus muitos descendentes a dramática história que havia vivido com a sua família. Pessoas de diferentes culturas e muitos lugares do mundo conhecem histórias de uma grande enchente no passado. Os detalhes de cada uma podem ser diferentes, mas o tema central é único e permanece.

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