Significado de Isaías 6

Significado do Livro de Isaías

Isaías 6

6.1 — Morreu o rei Uzias em 740 a.C., assinalando o fim de uma era. Esse bom rei (2 Cr 26.1-15) foi substituído pelo mau rei Acaz (Is 7.1), e a relativa prosperidade da primeira metade do século 13 a.C. Deu lugar à guerra siro-efraimita e às campanhas assírias contra Israel. O rei Uzias foi um dos melhores reis de Judá, mas sucumbiu ao orgulho (2 Cr 26.1-5) e foi castigado com lepra. Quando ele se tornou orgulhoso, Deus teve de discipliná-lo.

O trono onde o Senhor está assentado, que é alto e exaltado, representa Seu reinado eterno, supremo e universal. Ele está acima de todos os reis, porém, ao mesmo tempo, preocupa-se com o bem-estar de Seu povo.

Templo aqui significa palácio — o trono do Senhor na terra com seu contraponto no céu.

6.2 — Os serafins usam duas de suas seis asas para cobrir seus rostos, a fim de que não sejam consumidos ao fitar a glória do Senhor. Com duas de suas asas cobrem os seus pés, um ato de humilhação, e com duas eles voam para cumprir as ordens do Senhor. O comportamento dos serafins é conflitante com o orgulho de Uzias (2 Cr 26.16). O orgulho humano é ridicularizado pelo comportamento desses anjos. Eles sabem que, na presença de Deus, não há espaço para pompa nem razão para orgulho.

6.3 — Santo, Santo, Santo. Repetir duas vezes a palavra santo, em hebraico, equivale a descrever alguém como santíssimo. Repetir a palavra santo três vezes eleva o adjetivo ao nível máximo. Em outras palavras, a santidade de Deus é indescritível pela linguagem humana. Ser santo significa ser diferente, distante ou transcendente. Portanto, a canção do serafim é um refrão constante sobre o fato de a transcendência de Deus ser indescritível. Embora o Senhor seja totalmente diferente de nós, Ele é perfeito em Sua misericórdia, Ele se preocupa conosco e cuida de nós.

Toda a terra está cheia da sua glória. A ordem das palavras em hebraico é: “A inteireza de toda a terra é Sua glória”. Sabemos que a glória de  Deus transcende o Universo (SI 113.4-6). Todavia, para equilibrar a expressão da transcendência de Deus na primeira metade do versículo, as palavras da segunda metade ressaltam a proximidade entre Deus e Sua criação, isto é, Seu envolvimento com a terra e a humanidade.

6.4 — Se até os umbrais do templo celeste tremeram em resposta à santidade de Deus, quanto mais não tremerá toda a terra (v. 3) quando o Senhor a visitar (Mt 24.29,30).

6.5 — Ao se deparar com a extraordinária visão do Senhor, Isaías percebe que está passando por um julgamento — que está perecendo! Ele tem a impressão de que sua vida chegou ao fim. Eu sou um homem de lábios impuros. Isaías sabe que é pecador. Sabe que seus lábios são os únicos que não estão louvando Deus ali. Um povo. A situação de Isaías reflete a condição de todos nós. Ninguém, por si mesmo, é capaz de se manter de pé diante do Santo (SI 24.3).

O rei, o Senhor dos Exércitos. Depois de testemunhar a morte de Uzias (v. 1), Isaías contempla o Rei imortal.

6.6-8 — O clamor de Isaías consiste de sua purificação interior (v. 6,7), de sua convocação para o ministério (v. 8a) e de sua aceitação (v. 8b).

6.6 — A brasa viva retirada do altar simboliza tanto a purificação do sangue quanto a chama do Espírito que permitem ao profeta falar. Daí em diante, suas palavras serão luz para os ouvintes e poder para quem as aceitar. O fato de uma brasa do altar ter sido usada recorda-nos de que, no fim das contas, todo pecado é perdoado por meio de um sacrifício. Os sacrifícios no altar do templo tipificam o sacrifício definitivo de Jesus, o Salvador. Deus, em Sua soberania e bondade, perdoa o pecado de Isaías.

6.7 — Isaías tem seu Dia da Expiação pessoal perante o Senhor (Lv 23.26-32). A iniquidade é tirada, uma alusão à prática israelita de transmitir, simbolicamente, os pecados do povo para o bode expiatório e depois soltar o animal no deserto (Lv 16).

A palavra hebraica traduzida por purificado significa coberto e é o mesmo termo traduzido por expiado, termo que se refere ao processo de matar um animal e espargir seu sangue no altar para obter o perdão.

6.8 — Ocasionalmente, os profetas eram convidados a participar da corte celestial (1 Rs 22.19-22; Jr 23.18,22). Aqui o Senhor emprega o pronome nós para se referir a si próprio e aos Seus anjos (Gn3.22; 11.7).

Envia-me a mim. Nas religiões do antigo Oriente Médio, só os seres divinos eram enviados como mensageiros dos deuses, mas o Deus da Escritura encarrega o ser humano dessa tarefa. Só em certas ocasiões Ele usa anjos para revelar Seus propósitos à humanidade. O voluntariado de Isaías provém de um coração agradecido. Ele deseja servir ao Deus que lhe perdoou (v. 7).

6.9,10 — Paradoxalmente, a pregação de Isaías aos religiosos arrogantes de fato apenas endurece os ouvidos deles (Is 42.20). Só os humildes entendem a mensagem do Senhor. Quanto mais o profeta proclama a mensagem de Deus, menor a resposta que obtém do povo. Trata-se do chamado para um ministério desestimulante. Na verdade, a convocação de Deus é para que o profeta seja fiel a Ele, à Sua palavra e ao próprio chamado.

6.11 — Compreensivelmente, a terceira reação de Isaías diante do Senhor (compare com os v. 5,8) é de incredulidade. Ele se pergunta até quando o povo se mostrará indiferente às suas palavras, imbuídas da verdade de Deus.

6.11,12 — A resposta é sombria. Assolem... assolada. Essas palavras dizem respeito ao juízo de Deus, que recairá sobre Judá. O resultado será a captura da nação pelos babilônios. Afaste dela os homens e o desamparo são expressões referentes à desolação que se seguirá à conquista pela Babilônia.


6.13 — Mas [...] ser pastada. Depois da invasão babilônica, a parte da terra e do povo que ainda estiver intacta sofrerá novos ataques (Is 5.25). Essa previsão fala do retorno do exílio e das futuras dificuldades que Judá enfrentará na terra. A décima parte é uma das expressões de Isaías para o remanescente, uma pequena porcentagem dos israelitas. Do tronco arruinado de Israel, Deus produzirá uma santa semente (Is 11.1), pois Ele não pode renegar a nação que escolheu (2 Tm 2.13). Essa profecia teve um cumprimento imediato, ainda na época de Isaías. O rei Ezequias arrependeu-se e acabou fazendo parte da santa semente (cap. 38). A santa semente desabrochará no belo Renovo (Is 11.1). É a promessa de Jesus, o Salvador.