Significado de Isaías 7

Significado do Livro de Isaías

Isaías 7

7.1— 12.6 — Essa importante seção de Isaías contém uma série de profecias ligadas à guerra siro-efraimita — a invasão de Judá por Rezim e Peca. Essas profecias pretendem conclamar Judá a voltar a ter fé em Deus.

7.1 — Trata-se de um sobrescrito editorial a Isaías 7.2— 12.6 (2 Rs 16.5). O livro de Isaías foi escrito durante a vida do profeta, mas os capítulos de 7 a 12 situavam-se no contexto da guerra siro-efraimita. Síria é o nome dado à antiga nação de Arã.

7.2 —Essa seção do livro consiste de cinco profecias (Is 7.2-9,10-17,18-25; 8.1-4,5-10) que preveem tanto a libertação de Judá dos reis siros quanto sua devastação (praticamente aniquilação) nas mãos do rei assírio.

7.2-9 — O princípio da ordem para confiar no Senhor, e não na Assíria, consiste na contextualização histórica (v. 2-6) e no oráculo que prevê a destruição de Efraim (v. 7-9). A contextualização histórica é o registro do que foi dito a Acaz (v. 2), da mensagem do Senhor que Isaías deve levara a Acaz (v. 3,4) e dos conselhos da Síria e de Efraim acerca de Judá (v. 5,6).

7.2 — A expressão casa de Davi é um termo que substitui o rei de Judá, Acaz. Essa expressão recorda a aliança eterna firmada entre o Senhor e Davi, em que Deus prometeu deixar ao Seu servo uma semente, um trono e um reino eternos (2 Sm 7.16; SI 89.19-37). O nome Efraim representa o Reino do Norte, Israel. O coração da nação se moveu porque a Síria já havia derrotado Acaz em outra ocasião (2 Cr 28.5).

7.3 — Sear-Jasube significa um remanescente retornará. O nome do filho de Isaías sugere o futuro exílio e a salvação do remanescente fiel. Isso ocorrerá muito tempo depois da morte de Isaías. Quando se deu essa conversa, Acaz provavelmente se encontrava no canal, tomando providências para garantir o suprimento de água de Jerusalém em caso de sítio (2 Cr 32.30).

7.4 — Deus desqualifica com desdém os reis arrogantes da Síria e de Israel. Aquilo que Acaz tanto teme Deus considera meros pedaços de tições fumegantes tirados da fogueira. O filho de Remalias é Peca, rei de Israel (v. 1).

7.5,6 — As intrigas urdidas pela Síria e por Efraim não escaparam aos olhos de Deus, e ele agora as revela a Isaías. Tabeal significa pessoa imprestável. Síria e Israel querem designar um rei-fantoche para governar Judá.

7.7,8 — Não subsistirá. Os planos da humanidade são inúteis quando se opõem aos planos de Deus. Dentro de sessenta e cinco anos sugere que a pessoa precisa acreditar que Deus cumprirá Suas promessas, até mesmo depois da morte dela.

7.9 — Crerdes está na segunda pessoa do plural. O profeta se dirige à família real e à nação. Crerdes e ficareis firmes formam um jogo de palavras em hebraico com a mesma raiz de onde deriva nossa palavra amém. Crer significa conhecer a palavra de Deus, aceitá-la como verdadeira e confiar que o Senhor nos ajudará a guardá-la. Crer no Senhor é indispensável para receber o que Ele prometeu (Jo 14.1).

7.10 — A profecia de Isaías é dirigida principalmente ao rei Acaz, mas também a outros (v. 13).

7.11 — O sinal pertence à previsão dos v. 7-9, a queda do poder de Samaria. Nas profundezas ou em cima nas alturas indica que Acaz pode pedir o sinal que bem desejar.

7.12 — Não o pedirei [...] tentarei. Nabocado perverso Acaz, essas palavras arrogantes soam vazias.

7.13 — Os verbos estão na segunda pessoa do plural aqui (v. 14). Portanto, nesse versículo, Isaías fala a toda a descendência real de Davi. Afadigardes. Deus responde indignado a Acaz. O reizinho arrogante atreve-se a desprezar ao Senhor! Ele não confia em Deus nem na hora em que os inimigos o cercam (v. 12).

7.14 — Mais uma vez, temos os verbos na segunda pessoa do plural. Isaías dá às costas ao rei que não passou pelo juízo e se dirige a todos os presentes. O sinal virá para muitos. A palavra Senhor declara a supremacia de Deus, Seu grande domínio sobre toda a criação. O adjetivo mesmo concede uma certeza absoluta a respeito do sinal iminente. A palavra hebraica traduzida por virgem significa uma jovem em idade de casar. Mas a palavra também apresenta a ideia de virgindade, por isso a Septuaginta, a tradução grega da Bíblia hebraica, que data do século 2 a.C., traduz a palavra hebraica por um termo grego que significa precisamente virgem.

7.15 — Manteiga e mel contrastam com pão e vinho, estes provenientes de terras cultivadas e que representam simbolicamente a dieta frugal do povo de Judá após a invasão assíria. Assim, a Criança, de forma semelhante ao filho de Isaías, Sear-Jasube (v. 3), será identificada com o remanescente.

7.16,17 — Antes. Profecias semelhantes foram ditas a respeito do nascimento do Filho e de outro filho de Isaías, Maer-Salal-Hás-Baz (Is 8.3). Israel e Síria serão destruídos antes que essa criança e o filho de Isaías cheguem à maturidade (Is 8.4, onde a Síria é Damasco, e Israel, Samaria).

7.18-25 — Esse oráculo consiste de quatro profecias comais (v. 18,19,20,21,22, 23-25), cada uma das quais começa com a expressão naquele dia (Is 2.12). Elas revelam os detalhes da ameaça velada do versículo 17 sobre como o Senhor julgará os descrentes.

7.18,19 — As hordas invasoras são comparadas a enxames de insetos — às moscas e às abelhas — que ocupam toda a Judá, condição cumprida pelas invasões assírias.

7.20 — Rapará [...] os cabelos. Trata-se de um símbolo de humilhação. Alugada refere-se à ideia tola de Acaz de pagar a Assíria para salvá-lo da aliança entre Síria e Israel.

7.21,22 — Naquele dia. Essa expressão pode indicar tempos difíceis, como nesse caso, ou períodos abençoados (como em Is 2.2). Uma vaca e duas ovelhas, em comparação com um grande rebanho: sinal de empobrecimento durante a provação. A terra ficará tão despovoada e empobrecida que a ração limitada de manteiga e mel (v. 15) parecerá até abundância.