2016/10/11

Significado de Atos 1

Significado de Atos 1

Significado de Atos 1



Atos 1

1.1 — Lucas endereçou o seu Evangelho ao excelentíssimo Teófilo (Lc 1.3), utilizando um título que indicava ser Teófilo alguém pertencente ao alto escalão. Um título formal é empregado aqui. Teófilo, provavelmente, deve ter sido um prefeito, governador ou alguém que exercia outro cargo público. É possível que Teófilo tenha-se tornado cristão entre a composição do Evangelho de Lucas e o livro de Atos dos Apóstolos, razão pela qual o autor refere-se ao destinatário como um irmão cristão apenas em Atos.

1.2,3 — Até ao dia em que foi recebido em cima é uma referência à ascensão de Cristo, aos últimos dias de Seu ministério na terra. Esses versos retomam Lucas 24.51 eAtos 1.9,22. Aos apóstolos que escolhera; aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo. O Jesus ressurreto apresentou-se não a todo o povo, mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus (At 10.41).

Nos 40 dias que se seguiram à Sua ressurreição, são narradas de 10 a 12 aparições de Jesus aos cristãos, confirmando a Sua ressurreição dentre os mortos. Na última dessas aparições, Jesus reuniu os apóstolos e ordenou-lhes que não saíssem de Jerusalém (At 1.4).

Com muitas e infalíveis provas é um argumento que fundamenta a confiança dos cristãos na ressurreição de nosso Senhor. A expressão grega traduzida por infalíveis provas refere-se a uma prova decisiva e convincente.

A fé cristã não está edificada sobre especulações ou mitos, mas está firme sobre atos soberanos e testemunhos dados pelo Deus encarnado no universo espaço-temporal. Nascimento, ministério, morte, ressurreição e ascensão do S e nhor Jesus Cristo estão solidamente enraizados na história.

Reino de Deus é o tema central da pregação de Cristo aos Seus apóstolos durante os 40 dias que marcam o período entre a ressurreição e a ascensão.

O centro significativo da história de Jesus não é a cruz, mas a coroa, ou seja, o tempo em que o Rei Jesus se revelará em toda a Sua majestade e reinará em glória (Is 11; Dn 7.13,14; 1 Co 15.24-28; Ap 20.4-6).

1.4 — Como foi pregado por João Batista (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.13) e reiterado pelo próprio Jesus, a promessa do Pai é a promessa do batismo com o Espírito Santo. Há sete referências desse batismo na Escrituras, entre as quais cinco são proféticas (At 1.5; Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.33); uma é histórica (At 11.15,16), e faz alusão ao Dia de Pentecostes, e outra é doutrinária (1 Co 12.13), explicando o significado e sentido do batismo com o Espírito Santo.

1.5 — Vós sereis batizados com o Espírito Santo. A voz passiva do verbo indica que o batismo não depende dos nossos esforços para alcançar a promessa, mas baseia-se na vontade do Senhor. O tempo futuro demonstra que não há incerteza ou dúvida na promessa. A palavra grega para batizados significa imersos ou mergulhados. A conotação dessa palavra grega também diz respeito a identificar- se com alguém ou algo. O batismo espiritual nos coloca em união espiritual uns com os outros no Corpo de Cristo, a Igreja (1 Co 12.12,13).

1.6 — Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe. A afirmação de Cristo de que o Espírito Santo estava para ser enviado evidentemente despertou os discípulos a respeito do estabelecimento do Reino. Eles esperavam que esse evento acontecesse durante o ministério de Cristo. Agora, após a ressurreição, certamente teria chegado o tempo. Relacionar a vinda do Espírito com a vinda do Reino se coaduna com o pensamento do Antigo Testamento (At 3.21; Is 32.15-20; 44.3-5; Ez 39.28,29; J1 2.28—3.1; Zc 12.8-10).

A indagação, Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel, expressa a ansiedade dos apóstolos para a antecipação das normas do Reino sobre as quais Cristo havia falado nas semanas e nos dias anteriores (At 1.3). A expectativa popular e a esperança fundavam-se na crença de que Cristo estabeleceria o Reino de Deus imediatamente.

1.7 — Não vos pertence saber. Jesus não corrigiu o ponto de vista de Seus discípulos no que diz respeito à restauração do reino de Israel (At 1.6). Em vez disso, Ele tratou de corrigir o que eles consideravam acerca do tempo dessa restauração. Tratava-se de um equívoco semelhante ao que Ele tentara corrigir com a parábola registrada em Lucas 19.11-27, a parábola das minas. Os tempos ou as estações. Essas duas palavras tratam do problema da datação de forma distinta da anterior. Tempos é uma referência à cronologia ou à duração do tempo, referindo-se a quanto tempo durará a espera pela vinda. O termo estações é alusivo às épocas ou aos eventos que ocorrerão no tempo compreendido entre a ascensão e o evento escatológico. Os discípulos não sabiam quanto tempo levaria até Cristo estabelecer o Seu Reino, nem poderiam saber os eventos que deveriam ocorrer antes desse estabelecimento. Pedro afirma que mesmo os profetas do Antigo Testamento não tinham conhecimento do tempo compreendido entre os sofrimentos de Cristo e a Sua posterior glorificação (1 Pe 1.11). Todas as coisas acontecerão no tempo de Deus, e à maneira dele. Apenas esse verso deveria ser suficiente para que ninguém tentasse estabelecer datas para o retorno de Cristo.

1.8 — Em vez de tratar da data do retorno de Cristo, o trabalho dos discípulos deveria ser levar a mensagem do Senhor a todo o mundo. Recebereis a virtude do Espírito Santo. Esse trecho refere-se ao poder necessário à vida piedosa, como demonstrado na vida dos homens do Antigo Testamento marcados pelo santo agir (ver os exemplos de Abraão em Gn 22; José em Gn 39; Moisés em Ex 14; Daniel em Dn 6). Essa foi a virtude ou o poder designado para a execução de uma nova tarefa: levar o evangelho até os confins da terra.

Ser-me-eis testemunhas é a ordem de Jesus aos Seus discípulos para que testemunhassem acerca dele aos outros, sem importar-se com as consequências. A tradição da Igreja nos diz que os 11 apóstolos que ouviram essa promessa, à exceção de João, morto no exílio, foram martirizados. Deus capacitou Seus discípulos para serem testemunhas fiéis e fervorosas, ainda que enfrentando a mais veemente oposição. Essa mesma virtude para testemunhar é acessível a nós hoje. Nossa tarefa não é convencer pessoas, mas testemunhar a verdade do evangelho.

1.9-11 — Jesus prometeu que não nos deixaria sozinhos, mas que Ele estaria conosco sempre, até a consumação dos séculos (Mt 28.20; Jo 14.18). Ele cumpriu Sua promessa por meio do Espírito Santo, que habita no convertido (Jo 16.4-7). Foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. Essas três afirmações falam da partida gradual e majestosa de Jesus aos céus. A ascensão tem um pequeno espaço nas narrativas dos Evangelhos. Em oposição a estes, Atos dos Apóstolos utiliza o relato como uma preparação para a narrativa dos eventos no Dia de Pentecostes, o dia do nascimento da Igreja, a qual tem como base fundamental a morte, ressurreição e ascensão de seu Líder, agora assentado à destra de Deus. Jesus dissera anteriormente que o Espírito Santo não viria até que Ele partisse 0o 16.7). Por essa razão, o livro de Atos dos Apóstolos apresenta a partida de Jesus no capítulo 1, e a vinda do Espírito Santo no capítulo 2, justapondo um relato ao outro.

Há de vir. A segunda vinda de Cristo e o estabelecimento de Seu Reino (At 1.6,7) ocorrerá do mesmo modo como Jesus ascendeu — física e visivelmente nas nuvens.

1.12 — A distância do caminho de um Sábado. Era a distância permitida pelos judeus para uma viagem no Sábado (Êx 16.29; Nm 35.5; Js 3.4), cerca de 800 metros. Qualquer um que viajasse além desse percurso não estaria cumprindo o quarto mandamento.

1.13 — E, entrando, subiram ao cenáculo. Teria sido o lugar onde Jesus passou a última Páscoa com Seus discípulos, o lugar onde Ele apareceu a eles após ressuscitar (Lc 24). É possível que o cenáculo tenha sido o mesmo lugar para ambos os eventos. Esse espaço teria pertencido a Maria, mãe de João Marcos. Sua casa é mencionada em Atos 12.12 como um lugar de encontro dos discípulos.

Os seguidores de Jesus habitavam nesse lugar, esperando em Jerusalém conforme o Senhor lhes havia ordenado, até que recebessem o poder que Ele prometera (At 1.5).

A exceção de Pedro, Tiago e João, essa seria a última menção nominal dos apóstolos. Eles não são mencionados no restante do livro porque entregaram sua vida ao cumprimento da grande comissão.

Segundo a tradição cristã, enquanto Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, Tomé foi transpassado pela espada por causa de sua fé. Mateus foi assassinado transpassado por uma lança. Matias foi decapitado. Tiago foi morto a chutes. Judas, Filipe e Bartolomeu foram crucificados. A história da ressurreição é poderosamente autenticada pela preferência dos apóstolos de morrer a repudiar a verdade do seu testemunho. As pessoas podem optar por mentir quando conveniente, mas aqueles homens alegremente sacrificariam a vida a fim de perpetuar conscientemente um engano? Nenhum dos apóstolos negou o que tinham testemunhado: a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo. Nenhum deles deu as costas para o testemunho, ou voltou-se contra seu relato pessoal da ressurreição de Cristo. Eles preferiram selar sua pregação com o próprio sangue.

1.14 — Unanimemente. Essa expressão aparece mais dez vezes no livro de Atos, sendo usada para significar de mesma mente, em conformidade. Esse termo é alusivo ao compartilhamento de ideias ou pensamentos entre as pessoas com conceitos comuns. Não é uma referência às pessoas que pensam e sentem da mesma maneira a respeito de todas as coisas, mas àqueles que deixam de lado sentimentos pessoais e comprometem-se com uma única tarefa — nesse caso, com o testemunho aos outros acerca do Senhor Jesus Cristo (Rm 15.5,6). Jesus disse que o mundo saberia que Ele havia sido enviado pelo Pai celestial quando testemunhasse o amor entre os cristãos (Jo 17-21). A unidade entre os cristãos descrita em Atos era uma demonstração desse amor.

Maria, mãe de Jesus, recebe um reconhecimento especial no grupo. Na cruz, Jesus disse a João que tomasse conta de sua mãe (Jo 19.25-27).

1.15-17 — Pedro assumiu a posição de liderança desde os primeiros dias do chamado dos apóstolos. Apesar de seus frequentes erros, ele nunca deixou de ser ousado ao tratar de problemas. Era inevitável ter de lidar com a questão de Judas Iscariotes. No cenáculo, cento e vinte pessoas estavam reunidas, e a maioria delas, sem dúvida, eram aqueles que testemunharam a ascensão de Jesus Cristo (1 Co 15.6). Embora Jesus tivesse passado a maior parte do tempo com os 12 apóstolos, havia muitos outros discípulos que viajavam com Ele (Jo 6.66).

O Espírito Santo predisse pela boca de Davi. Pedro comparou o discurso de Davi com a voz do Santo Espírito. Esse é um exemplo da doutrina bíblica da inspiração, que assevera que as palavras das Escrituras são a Palavra de Deus isenta de erros (2 Tm 3.16; 1 Pe 1.11; 2 Pe 1.20,21).

1.18,19 — Adquiriu um campo com o galardão da iniquidade. O campo obtido com o dinheiro que Judas recebera por trair Jesus foi realmente comprado pelos sacerdotes depois que Judas enforcou-se (Mt 27.6-8). Considerando que o dinheiro pertencia legalmente a Judas, os sacerdotes compraram o terreno no nome dele.

Rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. Aparentemente, a corda que Judas usou para se enforcar rompeu-se, e o seu corpo caiu, e ele se partiu ao meio. Por essa razão, o lugar era chamado de Campo de Sangue.

1.20-23 — Pedro aplicou os Salmos 69 e 109 à situação dos apóstolos. Um trecho do Salmo 69.25 fala da remoção de um inimigo do salmista. No Salmo 109.8, é mencionada a deposição de um inimigo de um ofício ou cargo. Pedro, iluminado pelo ensino de Jesus (At 1.3; Lc 24-44-46), observou essas referências como se tratassem de Judas, o traidor. A apostasia de Judas, e não a sua morte, foi o que motivou Pedro a pedir aos discípulos que escolhessem outro discípulo para ocupar o lugar de Judas como apóstolo. Posteriormente, quando Tiago foi morto (At 12.2), ninguém foi escolhido para ocupar o lugar dele. Pedro especificou duas qualificações para o apóstolo a ser escolhido. A primeira dessas qualificações era: ele deveria ter acompanhado os apóstolos desde o começo do ministério de Jesus, desde o batismo. A substituição deveria ser feita por alguém que vira o que os apóstolos viram e ouvira o que os apóstolos ouviram. Enfim, ele deveria ser uma testemunha ocular dos milagres e dos ensinamentos de Jesus. Em segundo lugar, ele tinha de ser uma testemunha ocular da ressurreição de Jesus.

1.24-26 — Lançando-lhes sortes. Era um costume dos judeus o conhecimento da vontade de Deus em certas questões mediante esse método (como o Urim e o Tumim). Os nomes de Matias e José, provavelmente escritos em pedras, foram colocados em uma jarra que foi sacudida até que um dos nomes saísse. O sorteio era determinado não pela sorte, mas pela vontade de Deus.

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