2015/09/16

Significado de Deuteronômio 1

Significado de Deuteronômio 1

Significado de Deuteronômio 1


Deuteronômio 1

1.1-5 — Estes primeiros versículos conectam Deuteronômio com Números (Nm 36.13) e ilustram o cenário inicial desta narrativa.

1.1 — Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel. A maior parte do livro de Deuteronômio consiste na explicação de Moisés acerca da Lei de Deus e em seus conselhos ao povo para que a siga. A referência a Moisés e a todo o Israel é repetida no versículo final (Dt 34-12). Dalém do Jordão: significa literalmente do outro lado do Jordão. Esta era a parte leste do Jordão, ou seja, Moisés e o povo estavam do outro lado a partir da perspectiva da terra de Canaã (Dt 3.8,20,25; 4-41; 11.30). A planície em que se encontravam é provavelmente a região norte de Moabe.

1.2 — Onze jornadas [na nvi, onze dias] há desde Horebe, caminho da montanha de Seir, até Cades-Barnéia. Este percurso, que Israel completaria em pouco menos de duas semanas, levou quarenta anos para ser concluído por causa da descrença e da desobediência do povo (Nm 13; 14). O ponto de partida da viagem, Horebe, é outro nome para monte Sinai (Dt 4.10,15; Êx 3.1), onde o Senhor revelou Sua glória, Sua Lei, e fez uma aliança com Israel. O ponto de chegada, Cades-Barnéia, um oásis no Neguebe, situado a 80 km de Berseba, destacou-se na história da marcha pelo deserto (Nm 13; 14).

1.3 — No ano quadragésimo. Na antiga Israel, as datas eram mencionadas tendo sempre como referência o êxodo. Desta forma, passaram-se quarenta anos após a saída do Egito. Israel levou, provavelmente, um ano na travessia até Cades-Baméia, partindo do monte Horebe, e mais um ano para chegar a Cades-Barnéia. Os trinta e oito anos restantes foram gastos vagando no deserto como resultado da desobediência da nação a Deus. O mês undécimo corresponde aproximadamente a janeiro/fevereiro. Nesta data, Moisés falou aos filhos de Israel, conforme tudo o que o Senhor lhe mandara acerca deles, ou seja, o Todo-poderoso entregou Sua Lei (Torá) aos israelitas por intermédio de Moisés.

1.4 — Depois que feriu a Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, e a Ogue, rei de Basã, que habitava em Astarote, em Edrei. Essas vitórias sob o comando de Moisés (Dt 2.26-37;21.21-35) propiciaram a conquista da terra pelo leste. Elas representaram uma amostra do triunfo que Deus daria aos israelitas sob a liderança de Josué. O povo considerou o bom êxito inicial um fator de grande importância na história da redenção (Dt 2.26-3 6 ;3 .1 -ll;4 .4 6 -4 9 ; Js 2 .10;9.10; 12.2-6; 13.10-12; SI 135.11;136.19,20).

1.5 — A palavra traduzida do hebraico como lei (tôrâ) significa basicamente instrução. Neste versículo, refere-se ao gracioso ensinamento de Deus aos israelitas a fim de que pudessem estabelecer a forma e o ramo correto para suas vidas (Dt 6.1-3; SI 19). O livro de Deuteronômio é a exposição e a aplicação da Lei de Deus revelada no monte Sinai.

1.6—4.43 — Esta seção é uma recapitulação da história de Israel, é um prólogo histórico comum nos tratados do Oriente Próximo. As promessas de Deus aos patriarcas, o cumprimento destas e a obstinada resistência de Israel em relação ao Senhor são o foco deste segmento.

1.6-18 — Estes versículos tratam das promessas de Deus e da necessidade que o povo tinha de liderança. Deus prometeu a Abraão que Seu povo viveria na terra de Canaã e receberia a Sua bênção (Gn 15.13-21). Tudo isso estava para acontecer (v. 6-8). Entretanto, Israel cresceu em número e precisava de pessoas que liderassem a nação (v. 9-18).

1.6 — O Senhor, nosso Deus, nos falou em Horebe. Esta é uma referência à revelação no monte Sinai que enfatiza o emissor da mensagem: o Senhor. Moisés lembrou aos israelitas que Deus mostrou Sua glória, fez uma aliança com eles e assegurou-lhes Sua presença.

1.7,8 — Voltai-vos e parti. Esta ordem divina alude à partida do povo de Israel rumo à Terra Prometida. A promessa de Deus era grandiosa, exatamente como a quantidade de pessoas. Ao dizer eis aqui esta terra, eu a dei diante de vós, Moisés enfatizou a fidelidade do Senhor quanto ao cumprimento de Suas promessas. A Terra Prometida se estendia do Neguebe, o Sul (Gn 12.9), até o rio Eufrates (Gn 15.18-21). Deus a prometera a Abraão, Isaque e Jacó há muito tempo (Gn 15.18-21;26.2-4;35.10-12), como se depreende da afirmação jurou a vossos pais. O verbo jurou (hb. shabá', na forma verbal Nifal — passivo simples) possui a pronúncia similar à do número sete (hb. shebá'). O significado primordial do verbo pode ser entendido como comprometer-se completamente, isto é, sete vezes. Quão maravilhoso é perceber que o Senhor soberano se comprometeu inteiramente com Seu povo no tocante a suprir suas necessidades (Hb 6.13-18). [Compare com a citação do juramento de Yahweh em Dt 1.35.]

1.9 — Eu sozinho não poderei levar-vos. Moisés sentiu que não poderia administrar sozinho todos os aspectos relativos à liderança do povo porque a quantidade de pessoas era enorme (Ex 18.13-26).

1.10,11 — O Senhor, Deus de vossos pais .Deus não era o Senhor somente dos patriarcas, mas também dos descendentes destes. Essa linguagem indica que os israelitas dessa geração continuavam vivos porque Deus não foi o Deus do passado, mas Ele era seu Deus nesse momento! Ao expressar seu desejo ao povo, e vos abençoe, Moisés rogou para que as promessas de Deus fossem cumpridas conforme Ele prometera. E continuou: vos aumente, como sois, ainda mil vezes mais. O Senhor abençoou abundantemente Israel, considerando a quantidade de pessoas (Ex 1.1-7). Sua bênção no passado seria a medida de Sua bênção no futuro.

1.12,13Tomai-vos homens sábios, inteligentes e experimentados. As qualidades dos líderes deveriam refletir os atributos de Deus. Sabedoria alude à habilidade de apaziguar as situações mesmo quando há grandes divergências. Inteligência remete à capacidade de confrontar a realidade olhando pela perspectiva divina e lidando de forma justa com todas as partes em uma disputa. Experiência é o conhecimento adquirido ao longo da vida observando as pessoas e fazendo as escolhas corretas sempre com base na Palavra de Deus.

1.14-16 — Bom é fazer a palavra que tens falado. A concordância com as instruções divinas é verdadeiramente uma boa atitude! Vários homens foram encarregados das tarefas administrativas, judiciais e militares para criar uma unidade entre o povo. Alguns deles também se tornaram juízes.

1.17,18 — Ouvireis assim o pequeno como o grande. Deus exigia justiça absoluta, independente do povo a que o réu pertencesse e de sua posição social. No versículo 18, as orientações terminam com a sentença vos ordenei todas as coisas que havíeis de fazer. Portanto, nota-se que as instruções de Deus eram abrangentes, pois englobavam todos os aspectos da vida.

1.19 — Caminhamos por todo aquele grande e tremendo deserto. Aqui, os adjetivos grande e tremendo foram usados para transmitir a ideia da imensidão cruel e árida do deserto durante a jornada dos israelitas.

1.20 — Os amorreus eram um dos povos que os israelitas encontraram em seu caminho rumo à Terra Prometida. O termo amorreus é usado geralmente para designar os cananeus, particularmente aqueles que viviam nas regiões montanhosas (Nm 13.29).

1.21 — Não temas e não te assustes. Mesmo que muitas vezes o futuro parecesse incerto, Moisés estimulava os israelitas a sempre terem fé em Deus porque Ele supriria todas as necessidades do povo (Dt 1.29;3.22;20.1,3;31.6,8).

1.22,23 — De cada tribo um homem. A sugestão de enviar espias à terra que o Senhor dera aos israelitas veio do próprio povo, mas somente foi posta em prática porque o Senhor estava de acordo com tal iniciativa (Nm 13.2).

1.24,25 — O vale de Escol era uma região próxima a Hebrom (Nm 13.23). Esse lugar é muito lembrado por causa do imenso cacho de uvas que os espias encontraram lá.

1.26 — Porém vós não quisestes subir, mas fostes rebeldes ao mandado do Senhor, vosso Deus. A segunda geração após o êxodo não esteve diretamente envolvida nessa rebelião, mas, na condição de descendente da primeira geração rebelde, compartilhou a culpa pela desobediência de seus pais (SI 78.5-8). Por outro lado, esses israelitas se tornaram os herdeiros da promessa de Deus no lugar daqueles que desobedeceram às orientações divinas.

1.27 — Porquanto o Senhor nos aborrece e nos tirou da terra do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus, para destruir-nos. Os rebeldes se recusaram a reconhecer a clara expressão divina do amor salvador concedido a eles. A primeira geração de israelitas não confiou naquele que a salvara da escravidão e suprira suas necessidades em diversas ocasiões. Em vez disso, acusou Deus de aborrecê-la [na nvi , odiá-la].

1.28 — Os enaquins [n v i ; na ARC, filhos dos gigantes] foram um antigo povo conhecido por sua estatura elevada (Nm 13.28).

1.29,30 — O Senhor, vosso Deus, que vai adiante de vós, por vós pelejará. O Senhor lutaria por Seu povo e lhe daria a vitória. Para alcançá-la, Moisés incentivava os israelitas relembrando o que Deus fizera no Egito para libertá-los. Ao que tudo indica, Moisés trouxe à memória o triunfo sobre os egípcios no mar Vermelho (Ex 14.1— 15.19).

1.31 — Como também no deserto, onde viste que o Senhor, teu Deus, nele te levou, como um homem leva seu filho. Deus se preocupava com Seu povo e amava-o como um pai faz com sua prole (Ex 19.4). Pela aliança abraâmica, os israelitas se tomaram filhos do Senhor (Is 63.16;64.8,9). Apesar de a imagem paternal ser bastante conhecida naquela época, raramente Deus era de fato chamado de Pai.

1.32 — Mas nem por isso crestes no Senhor. Esta é uma declaração objetiva de que o povo não vivia pela fé, apesar de tudo o que Deus fizera por ele. A linguagem utilizada indica certa decepção da parte do Senhor por causa da ingratidão e desobediência daqueles por quem Ele demonstrara Sua graça e Seu amor.

1.33 — Que foi adiante de vós por todo o caminho, para vos achar o lugar onde vos deveríeis acampar. O Senhor sempre esteve à frente, indicando o próximo passo que os israelitas deveriam dar, pois Ele próprio os liderava. Para simbolizar Sua presença no meio do povo, uma nuvem permanecia sobre o santíssimo. Toda vez que a nuvem se movia, Israel tinha de segui-la, ou seja, seguir o Senhor (Nm 10.33-36).

1.34,35 — Nenhum dos homens desta maligna geração verá esta boa terra que jurei dar a vossos pais. Por causa da rebeldia demonstrada, Deus impediu que as pessoas com vinte anos ou mais naquela época entrassem na Terra Prometida (Nm 14-29).

1.36 — Salvo Calebe, porquanto perseverou em seguir ao Senhor. Calebe foi fiel a Deus (Nm 13.30—14.28). De acordo com a n v i , ele seguiu o Senhor de todo o coração, isto é, não deixou sua fé ser abalada. Assim, Deus permitiu que o filho de Jefoné entrasse na terra e recebesse o território de Hebrom como sua propriedade familiar (Js 15.13).

1.37 — Também o Senhor se indignou contra mim. Moisés, o líder do povo, também foi alvo da indignação de Deus. Ele não teria mais permissão para entrar na terra porque desobedeceu à ordem do Senhor ao bater com seu cajado na rocha, em Meribá (Nm 20.10-13).

1.38 — A liderança dos israelitas foi concedida a Josué porque ele confiava em Deus (Nm 13.30—14.28). Antes de morrer, Moisés aconselhou seu substituto, encorajou-o e transferiu-lhe a autoridade necessária para comandar o povo em direção à Terra Prometida.

1.39 — E vossos meninos, de que dissestes: Por presa serão; e vossos filhos, que hoje nem bem nem mal sabem, ali entrarão, e a eles a darei, e eles a possuirão. A mais ultrajante das reclamações de Israel contra Deus era que Ele queria que seus filhos morressem (Nm 14.31). Entretanto, o Senhor demonstrou Seu amor e Sua fidelidade ao povo quando protegeu aqueles que tinham menos de vinte anos, a fim de que pudessem herdar a terra. Naquela época, as pessoas muito jovens eram consideradas completamente imaturas (Is 7.15), daí serem vistas por seus responsáveis como presas fáceis para os inimigos. Mas, ao proferir que apenas os meninos poderiam futuramente tomar posse da terra, Deus mostrou novamente Sua compaixão (Nm 14-18).

1.40 — Pelo caminho do mar Vermelho. Talvez este fosse o caminho em direção a Elate pelo mar Vermelho (Golfo de Acaba).

1.41 — Ao declarar pecamos contra o Senhor, os israelitas mostraram pesar, mas não o verdadeiro arrependimento. Além disso, a ousadia expressa na sentença nós subiremos e pelejaremos expõe a confiança deles em si mesmos. Logo, observa-se que continuavam ignorando as ordens de Deus.

1.42,43 — Não subais, nem pelejeis, pois não estou no meio de vós. O Senhor não protegeria os israelitas. Portanto, a vitória seria impossível. Contudo, pela afirmação falando-vos eu, não ouvistes [...] e vos ensoberbecestes, fica claro que o povo teve uma atitude arrogante e autossuficiente, pois não se submeteu ao Senhor.

1.44-46 — E perseguiram-vos, como fazem as abelhas, e vos derrotaram desde Seir até Horma. A expressão como fazem as abelhas transmite a ideia de perseguição ferrenha por uma multidão de inimigos ameaçadores (Êx 23.28; SI 118.12; Is 7.18). Horma, local em que os israelitas perderam a batalha, significa destruição e provavelmente faz referência a um lugar ao sul do território montanhoso dos amorreus, perto de Cades-Barnéia, que um tempo depois foi chamado por esse nome. Chorando perante o Senhor, o povo externou lágrimas de pesar, não de arrependimento.



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