Significado de Mateus 6

Significado de Mateus 6


Mateus 6
6.1-4 — Já receberam o seu galardão. O verbo traduzido por receberam era usado em recibos e significava totalmente pago. A única retribuição que os hipócritas receberiam era a glória dos homens (Mt 6.5,16). Compare tais recompensas com os galardões celestiais que Cristo dá a Seus servos (2 Co 5.10; Ap 22.12).

6.5-8 — Aqueles que oram com propósitos errados já receberam o seu galardão — assim como aqueles que praticam boas obras, mas com intenções indevidas (Mt 6.2).

6.7 — A partir dos propósitos de oração (Mt 6.1-6), Jesus voltou-se para os métodos de oração. O propósito da oração determina como alguém ora (Mt 26.39,42,44). Não há nada de errado em repetir uma oração. Jesus está falando aqui da repetição de palavras vazias.

Não é o tamanho da oração, mas, sim, o seu poder, que agrada a Deus. O próprio Jesus orou a noite inteira antes da crucificação e em outras ocasiões fez breves orações, na maioria das vezes. Ele não está criticando longas orações aqui, embora não haja nada de especialmente espiritual nelas. Ele está simplesmente dizendo que a oração deve expressar um desejo sincero do coração, não apenas um monte de palavras. Deus não se impressiona com palavras, mas com o verdadeiro clamor de um coração necessitado.

6.8 — Muitos questionam o significado dessa afirmação de Jesus: Vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes. As pessoas se perguntam: “Por que devemos orar então?”. A oração não é uma tentativa do homem de mudar a vontade de Deus. O método que Deus usa para mudar nossa vontade é fazer com que ela se torne semelhante à dele. Mais do que mudar alguma coisa, a oração muda as pessoas. Oração não é dirigida a Deus para que Ele nos responda, mas para nos sintonizar com a Sua vontade, para que Ele nos ajude a obedecer-lhe. A oração na vida de um verdadeiro cristão é uma atitude de total confiança e conformidade aos planos e propósitos de Deus.

6.9,10 — Orareis assim não significa usar as mesmas palavras, mas sim seguir esse modelo de oração. As pessoas geralmente reduzem essa oração a uma recitação vazia — justamente o que o Senhor disse para não fazermos (Mt 6.7). A oração aqui é composta por seis pedidos. Os três primeiros são para que venha o Reino (Mt 6.9,10), e os três últimos para que Deus supra as necessidades de Seu povo até que o Reino seja plenamente estabelecido (Mt 6.11-13).

Santificado seja o teu nome não são palavras de adoração ao Pai. O verbo aqui está no imperativo e quer dizer que o teu nome seja santificado! Isso nos traz à mente a profecia em Ezequiel 36.25-32, em que o profeta diz que Israel profanou o nome de Deus entre as nações. Um dia Deus reunirá Seu povo dentre as nações, irá purificá-lo e, assim, vindicará santidade ao Seu santo nome. A santificação do nome do Pai significa a chegada do Reino de Deus.

6.11 — O pão nosso de cada dia é uma lembrança do maná que Deus enviava diariamente para alimentar o povo de Israel no deserto.

6.12 — Este pedido, que é explicado em M ateus 6.14,15, não se refere a como as pessoas são justificadas (compare com Romanos 3.21-26; Efésios 2.8-10), mas sobre como alguém que foi justificado deve andar todos os dias com Deus. Não se trata de um perdão posicionai, forense (legal), mas de um preceito para preservar a comunhão familiar (1 Jo 1.9).

6.13 — A doxologia no final da oração vem de 1 Crónicas 29.11; alguns manuscritos antigos das Escrituras a omitem.

6.13-15 — E não nos induzas à tentação é um clamor para que Deus nos ajude a enfrentar a tentação diária do pecado. Em Tiago 1.13,14, fica bem claro que Deus não nos tenta com o mal, mas, ao contrário, nós é que somos tentados pelas nossas próprias concupiscências. No entanto, Deus nos testa para nos dar a oportunidade de provarmos nossa fidelidade a Ele. O desejo de Deus jamais foi induzir-nos a fazer o mal. Sendo assim, se resistirmos ao diabo, temos a promessa de que ele fugirá de nós.

6.16-18Quando jejuardes é uma referência ao jejum estabelecido pela Lei mosaica no Dia da Expiação (Lv 16.29) e o jejum voluntário. Os fariseus acrescentaram dois dias de jejum, às segundas e terças-feiras de cada semana, para mostrar ao povo sua piedade. Mas o verdadeiro propósito do jejum era a contrição e a comunhão com Deus.

O jejum é especialmente citado como um meio eficaz de subjugar a carne e vencer a tentação (Is 58.6). Os fariseus consideravam a prática do jejum uma maneira de demonstrar piedade e apareciam nas sinagogas vestidos de modo desleixado. A aparência abatida do rosto e as vestes maltrapilhas que usavam eram uma tentativa de mostrarem uma santidade maior diante do povo.

A frase desfiguram o rosto (gr. aphanizo) significa literalmente cobrem o rosto. Também é uma figura de linguagem que expressa os gestos de contrição e a aparência humilde daqueles que queriam que todos vissem que eles estavam jejuando. Isso também era feito com cinzas (Is 61.3).

6.19.20 — Não ajunteis [...] ajuntai pode ser parafraseado assim: “Não dê prioridade a isso, mas dê prioridade àquilo”. Essa passagem não quer dizer que é pecado ter certos bens ou provisões, como seguro, plano de saúde ou poupança. Afinal de contas, o homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos (Pv 13.22; 2 Co 12.14).

Para vós outros (ara) deixa bem claro que o desejo de receber galardão no Reino não é pecado. O problema está em querer recebê-lo totalmente aqui e agora. Não podemos levar nada material conosco, mas podemos investir agora para colher bens imperecíveis no futuro.

6.20.21 — A atenção dos cristãos deve estar voltada para os tesouros no céu. A palavra tesouros implica o acréscimo ou acúmulo de bens. Ambos os tesouros estão condicionados ao lugar em que se encontram (na terra, ou no céu). O conceito de ajuntar tesouros no céu não é sinal de algo que merecemos, mas a recompensa pelas obras da fé, como nos mostram vários outros ensinamentos de Jesus. A concentração de nossos esforços é que revelará onde nosso coração está.

6.22,23 — Observe as palavras de Paulo em Gálatas 3.1: Quem vos fascinou (iludiu) [...] perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado? O conceito aqui está baseado na antiga concepção de que os olhos são as janelas pelas quais a luz entra no corpo.

6.24 — Mamom se refere às riquezas, ao dinheiro ou bens materiais. Ninguém pode servir a dois senhores. Mamom nos encoraja a juntar bens materiais para desfrutarmos deles agora. Mas Jesus nos aconselha a investir em nosso futuro com uma entrega total a Ele.

6.25,26 — Depois de mostrar-nos o perigo de viver em função de juntar bens materiais, Jesus agora trata de uma tendência igualmente perigosa: a preocupação! Não andeis cuidadosos (gr. merimnao) quer dizer não fiquem ansiosos. A ansiedade é uma preocupação exagerada e prejudicial com nossas necessidades imediatas. E diferente de ter cuidado, precaução e fé. Portanto, até mesmo os pobres não precisam preocupar-se com o que vão comer, beber ou vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta? Essa pergunta indica que o equilíbrio mental e interior deve vir do espírito do homem, e não da provisão material. Colocar o coração nos bens materiais e preocupar-se com a falta deles é viver sempre inseguro e privar a si mesmo de receber as bênçãos espirituais de Deus.

6.27 — Estatura aqui, provavelmente, alude ao tempo de duração da vida ou idade. Côvado, aqui, alude a um período de tempo, não uma distância.

6.28-30 — Homens de pequena fé. Estes são os que creem em Cristo, mas vivem ansiosos pelas coisas materiais (Mt 8.26; 16.8).

6.31,32 — Gentios aqui se refere não judeus — aqueles que não conhecem a Deus (3 Jo 7). O povo judeu, devido à revelação dada a eles por Deus, pensava de uma maneira muito diferente dos gentios.

6.33,34 — Buscai[...] o seu reino e a sua justiça significa desejar que a justiça de Deus reine nessa terra (Mt 6.9,10).

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