Significado de Mateus 16

Significado de Mateus 16

Significado de Mateus 16


Mateus 16

16.1-4 — Sinal do céu. Os escribas e fariseus talvez estivessem pensando em sinais como o fogo que desceu do céu em resposta à oração de Elias (1 Rs 18.36-38), as pragas do Egito (Êx 7— 12) ou o sol que “parou” (Js 10.12-14).

16.4 — Deixando-os. Antes Jesus havia-se retirado porque os saduceus e fariseus se opuseram a Ele (Mt 12.15; 14-13; 15.21); mas o fato de Jesus tê-los deixado aqui significa que Ele os abandonou ou rejeitou. Jesus deixou esses líderes religiosos porque eles eram reprováveis.

16.5 — Para a outra banda se refere ao outro lado do mar da Galileia, onde viviam os gentios.

16.6-12 — Na Bíblia, o fermento é usado como um símbolo do mal. O que fazia parte da doutrina dos saduceus e fariseus era a hipocrisia, o legalismo, o oportunismo político e a rigidez espiritual. Jesus adverte os fariseus aqui por causa do sinal que eles pedem para ver em Mateus 16.1-4-

16.13,14 — Cesareia de Filipe ficava ao norte do mar da Galileia, na base do lado sul do monte Hermom. Por muito tempo foi considerada um lugar de adoração a ídolos. Havia uma grande pedra no centro do local onde se realizavam os ritos pagãos, e Jesus aproveitou então para usar uma figura de linguagem e dar outro sentido à pedra em Mateus 16.18.

Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? Por estar cercado de ídolos, Cristo leva os discípulos a proclamar Sua deidade, mas antes lhes pergunta quem as pessoas dizem que Ele é. Mas no fim o mais importante era a fé dos discípulos em Jesus.

16.15,16 — O Espírito da graça revelou a Pedro a verdadeira identidade do Senhor Jesus. O Filho do Deus vivo diz respeito à deidade de Jesus. Muitos fatores levam a essa conclusão: (1) Ele nasceu de uma virgem (Mt 1.18-20); (2) foi chamado de Emanuel, Deus conosco (Mt 1.23); (3) o título em grego é enfático: o Filho de Deus, o Deus vivo; e (4) as passagens posteriores a essa descrevem Cristo como Deus (Jo 20.27-29).

16.17 — Não foi carne e sangue quem to revelou. As pessoas não chegam à fé em Cristo por investigação e dedução, mas porque o Pai revela Seu Filho a elas (Jo 6.65).

16.18 — Pedro no original grego é Petros, e pedra é petra. Petros é uma pedra móvel, grande ou pequena, enquanto petra é uma rocha. Cristo pode ter feito essa declaração olhando para a estrutura rochosa que havia ali perto. Alguns dizem que essa diferenciação não pode ser feita porque o Senhor falou em aramaico, uma língua na qual não há tais variações para essa palavra; no entanto, a inspiração do Novo Testamento veio do Espírito Santo, que usou um vocabulário diferente. Além disso, Jesus pode ter falado grego dessa vez, pois Ele era trilingue e falava grego, aramaico e hebraico. Por outro lado, o trocadilho — petros e petra — não faria sentido, e não há como citar a tradução em aramaico feita em outros trechos do livro porque isso não era comum, já que o grego era o idioma mais usado na época. A pedra sobre a qual Cristo edificaria Sua Igreja é a confissão de Pedro: Tu és o Filho de Deus, o Cristo.

Edificarei a minha igreja nos mostra que a igreja ainda não havia começado. Dos quatro Evangelhos, somente em Mateus a palavra Igreja é encontrada, inclusive num texto que trata de disciplina (18.17). E claro que os discípulos ainda não entendiam a doutrina da igreja no Novo Testamento, que pressupunha a igualdade entre judeus e gentios (Ef 2.11—3.7). Eles entenderam apenas que a Igreja seria um grupo de pessoas ou uma congregação do Senhor. Alguns creem que as portas do inferno eram apenas uma forma judaica de referir-se à morte, e que Cristo só estava dizendo que a morte não venceria a Igreja. Um dia, no poder do Cristo ressurreto, a Igreja e todos os redimidos ressuscitarão. A morte não terá poder sobre a Igreja. Outros creem que a frase significa que as forças do mal não vencerão o povo de Deus.

16.19 — As chaves do Reino podem ter vários sentidos. Pode ser o acesso ao Reino de diferenciados grupos de pessoas (os judeus, em Atos 2—3; os samaritanos, em Atos 8.14' 17; os gentios, em Atos 10). Essas chaves abririam as portas para os perdidos.

Todavia, esse termo pode ter outro significado. As chaves aqui podem ser explicadas como aquilo que liga e desliga nos céus. Na literatura rabinica, os termos ligar e desligar se referem àquilo que é proibido e aquilo que é permitido. No contexto de Mateus 16.19, eles são termos judiciais (Mt 18.18), o que explica o pronome indefinido tudo, e não todos. Em outras palavras, o texto diz respeito à avaliação que Pedro faria daquilo que seria ligado ou desligado. Tal interpretação se ajusta muito bem ao conceito de chave, que basicamente significa autoridade.

Os termos será ligado e será desligado também são muito importantes, pois traduzem uma promessa de que seríamos guiados segundo o que a Igreja, representada aqui por Pedro, determinasse. O terno Reino dos céus se refere ao Reino futuro. Foi dada a Pedro a promessa de autoridade no Reino futuro, bênção que também é estendida a todos os doze apóstolos em Mateus 19.28.

16.20 — Os discípulos não deveriam dizer a ninguém que ele era o Cristo, porque o povo não compreenderia o conceito de um Messias sofredor. Além disso, a nação tinha rejeitado Cristo. Eles já tinham entrado num caminho sem volta (Mt 12.31,32).

16.21 — A locução desde então marca uma nova direção no ministério de Jesus. Essa expressão é encontrada duas vezes no livro de Mateus, aqui e em Mateus 4.17, onde vemos o início do ministério de Jesus e o anúncio de que o Reino está próximo. Aqui, em Mateus 16.21, vemos a cruz e a rejeição do Messias sendo anunciadas. Anciãos, principais dos sacerdotes e escribas aqui se referem à trama do conselho judaico, também chamado de Sinédrio. Ao incluir Jerusalém, esse versículo nos mostra que a rejeição do Messias seria oficial. Ser morto é a primeira de três profecias em Mateus que falam da morte de Cristo (Mt 17.22,23; 20.18,19).

16.22 — Pedro evidentemente nem deu ouvidos ao que o Senhor falou sobre Sua ressurreição. Como muitos cristãos, ele só via as coisas pelo lado negativo.

Começou a repreendê-lo. A mesma boca que confessara Sua divindade antes (Mt 16.16) estava tentando ensinar o Mestre!

16.23 — Chamar Pedro de Satanás foi algo muito sério. Porém, quando Pedro se interpôs no caminho dos planos de Deus, estava falando como um adversário. A mesma boca que foi usada como um canal do oráculo de Deus se tornou instrumento da mentira de Satanás. Como as pessoas são inconstantes! E como Deus é paciente!

16.24 — Já que Cristo morreu pelos remidos, nada mais justo do que os salvos se entregarem a Ele, mesmo que tenham de morrer por Ele.

16.25-27 — Vida aqui se refere à alma, pois na versão original do grego a palavra em Mateus 16.25 significa alma. Podemos dizer que esse termo se aplica ao que somos realmente. O que Cristo está dizendo aqui é que temos que ter compromisso para ganharmos o galardão. Podemos ver isso claramente no versículo seguinte. A maneira com que dedicamos nossa vida é o que vai determinar nosso galardão na vinda de Cristo (Ap 22.12).

16.28 — Até que vejam vir o Filho do Homem no seu reino. Esse versículo aponta para a transfiguração no capítulo 17. Há vários motivos que nos levam a essa conclusão: (1) a interpretação de Pedro em 2 Pedro 1.16-18; (2) os três Evangelhos sinóticos (João não fala sobre a transfiguração) trazem a transfiguração logo após essa profecia; e (3) nem todos os apóstolos viram a transfiguração (Mt 19.27-30). Durante a transfiguração, Pedro, Tiago e João viram como seria o Reino.

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