2015/11/03

Gênesis 17 — Estudo Bíblico

Estudo sobre o Livro de Gênesis





Gênesis 17

Treze anos se passaram e novamente apareceu o SENHOR a Abrão (1). Típico de ocasiões de estabelecimento de concerto, o Divino se identificou com Abrão. Ele era o Deus Todo-poderoso (El Shaddai). Não é dado outro detalhe, mas Ele tinha uma or­dem para Abrão. Era curta, mas severa: Anda em minha presença e sê perfeito. Em ocasião anterior, Enoque ilustrou a primeira parte da ordem vivendo uma vida de completa obediência e aceitação a Deus (Gn 5.34). Noé também foi designado perfeito (cf. Gn 6.9), significando que era um homem de vontade única, um homem de integridade. Abrão tinha de ser como estes homens de Deus.
Reagindo à informação que Deus desejava renovar o concerto (2) de promessa com ele, caiu Abrão sobre o seu rosto (3), tomado pelo conhecimento de que Deus estava falando com ele. A prostração do patriarca era postura comum em seus dias para mos­trar reverência ou temor extremo.
Em Gn 17.1-6, vemos o tema “A Garantia de Deus a Abrão”. 1) Deus é todo-suficiente, la,4-6; 2) Deus é Juiz onisciente, 2,3; 3) O ideal eterno de Deus para o homem é a perfei­ção, lb (G. B. Williamson).
A mensagem de Deus para Abrão estava dividida em quatro partes: Gn 17.5-8, 9-14, 15,16 , 19-21— em dois casos entremeados com conversa envolvendo Abrão.
A primeira palavra de Deus reiterou a realidade da relação do concerto (4), mas a promessa de uma semente foi aumentada: Serás o pai de uma multidão de nações. O concerto foi reforçado pela mudança do nome de Abrão para Abraão (5). A promessa foi ampliada incluindo uma posteridade de reis (6). Outra adição foi a garantia de que a relação seria perpétua (7). Também seria pessoal, para que a semente de Abraão afirmasse que seu Deus era o Deus que havia feito o concerto. Isto foi possível, porque o próprio Deus estabeleceu a relação e não porque eles tomaram a iniciativa de buscá-lo. Nova observação também foi acrescentada na promessa da terra: seria em perpétua possessão (8).
“A Fé que Espera é Recompensada” é o tema de 17.1-9. 1) O caráter de Deus e o nosso dever, 1; 2) O sinal do concerto, 5; 3) A substância do concerto, 2,4,7,8 (Alexander Maclaren).
A segunda palavra se concentrou na manutenção do concerto (9) e no sinal do concerto (11). Era uma série de ordens. A estipulação básica foi: Todo macho será circuncidado (10). O tempo normal para circuncidar a criança seria aos oito dias (12) de vida. Não haveria distinção de classes, pois no concerto quem estava escravizado tinha posição igual aos homens livres. Os servos poderiam participar no concerto perpétuo (13), mas diriam a quem não fosse circuncidado: Aquela alma será extirpada dos seus povos (14). Até onde se sabe, a instituição do rito da circuncisão entre o povo de Abraão foi o primeiro golpe contra o mal da escravidão e a favor da igualdade humana diante de Deus.
A terceira palavra dizia respeito à relação de Sarai (15) com o nascimento do filho prometido. Este ponto nunca foi esclarecido nas outras conversas entre Deus e Abraão. Ela precisava mudar de nome. A forma mais arcaica Sarai seria mudada por nova ortografia, Sara (15). Pelo que se sabe, as duas ortografias significam “princesa”. Ela seria uma bênção divina, a mãe de um filho (16), e mais, a mãe das nações e de reis de povos.
Pela segunda vez, caiu Abraão sobre o seu rosto (17), mas desta vez ele riu-se. A idade dele e da esposa impediriam o cumprimento de tal promessa. Com certeza seria melhor pensar em termos do bem-estar de Ismael (18). Mas Deus era insistente. Sara seria mãe, e o nome do filho seria Isaque (19). Aqui há um jogo de palavras, pois Isaque significa “risada”. Aquilo que pareceria cômico do ponto de vista humano seria mesmo a realidade.
Quanto a Ismael (20), Deus tinha planos para abençoá-lo como o ascendente de doze príncipes, de uma grande nação. Não obstante, o concerto não seria com sua linhagem; seria com Isaque (21), a quem Sara daria à luz em seu devido tempo.
Tendo recebido as ordens e promessas de Deus, Abraão obedeceu imediatamente. No mesmo dia circuncidou todos os machos de sua casa (23). Nessa época, Abraão tinha noventa e nove anos (24) e Ismael (25) treze. A circuncisão se tornou o sinal do com­promisso hebreu com uma crença religiosa que permaneceria por séculos ao longo dos tempos do Antigo Testamento. Era uma crença notavelmente diferente de qualquer povo circunvizinho. Eis uma crença fundamentada na revelação de Deus e estruturada na relação pessoal com o homem, em vez de estar estruturada nas forças naturais.'

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