2019/08/15

Gênesis 18 — Estudo Bíblico

Estudo sobre o Livro de Gênesis





Gênesis 18

A ESPERA PELO VERDADEIRO FILHO (18.1-20.18)
Estes três capítulos (18-20) estão entre a promessa que Sara teria o verdadeiro herdeiro e o cumprimento da promessa. Os capítulos 18 e 19 remetem o leitor de volta ao conteúdo dos capítulos 13 e 14. As fortunas e infortúnios de Ló são comuns a ambos os conjuntos de capítulos. O capítulo 20 também se refere a um acontecimento anterior, o logro do Faraó do Egito pertinente ao verdadeiro parentesco de Sara e Abraão. Como nos capítulos anteriores, o caráter de Abraão brilha radiantemente em contraste com o de Ló, mas não tanto em comparação ao do monarca estrangeiro.

Não é para Rir (18.1-15)
Para que o leitor não se perca com os detalhes da história, o primeiro versículo deixa claro que o que está envolvido é uma teofania, uma aparição do SENHOR (1), na tenda de Abraão nos carvalhais de Manre. Abraão estava descansando na sombra durante o calor do dia, ou seja, uma ou duas horas antes e depois do meio-dia.
Erguendo os olhos, Abraão se espantou ao ver três varões (2). Imediatamente, reagiu com a hospitalidade que ainda hoje subsiste entre o povo da Palestina. Curvando-se diante deles, Abraão implorou que os estranhos parassem em sua tenda, tirassem o pó dos pés, lavando-os, e descansassem debaixo da árvore (4). O patriarca disse que lhes serviria uma refeição e depois eles poderiam continuar a viagem, porquanto por isso chegastes até vosso servo (5). Os estranhos responderam graciosamente ao convite, e Abraão (6) foi correndo aos rebanhos para apanhar uma vitela, não sem antes mandar que Sara preparasse bolos no borralho (ARA). A manteiga (8) poderia ser do leite de vacas, de cabras ou de camelos. O leite era provavelmente azedo. Ainda hoje, na Palestina, leite coalhado é reputado em alta conta como bebida refrescante em um dia quente. De acordo com o costume, as mulheres do acampamento não se mostravam enquanto as visitas estivessem presentes, nem o anfitrião comia com os convidados. Seu dever era lhes atender em tudo de que precisassem.
A indagação sobre sua mulher (9) deve ter surpreendido Abraão como falta de edu­cação, porque sua resposta tem um tom de surpresa. O desenrolar da cena mostra que Abraão foi, pouco a pouco, compreendendo que um dos visitantes era diferente dos ou­tros. Foi ele (10) que prometeu que a futura maternidade de Sara seria uma realidade. Embora Abraão já tivesse sido informado disso (17.15-19), Sara não sabia. Ela riu-se (12) consigo mesma, meditando na improbabilidade de ser mãe na sua idade. Mas ficou chocada e amedrontada quando ouviu o estranho, agora chamado SENHOR (13), ques­tionar o marido dela sobre a incredulidade secreta que ela sentia. Ele perguntou: Have­ria coisa alguma difícil ao SENHOR? (14), e reafirmou: Sara terá um filho. A mu­lher foi pega desprevenida e resmungou uma negação, só para ser repreendida de novo. Foi assim que Sara ficou sabendo do seu futuro papel nos propósitos de Deus para o seu povo, tropeçando na soleira da porta do impossível, do ponto de visto humano.
Nesta história (18.1-4,9-14), encontramos provas de que: 1) Deus permite que situa­ções impossíveis se desenvolvam, 10-12; 2) Deus pode fazer o aparentemente impossível, 13; 3) Deus é glorificado na comprovação do seu poder, 14 (G. B. Williamson).

Uma Intercessão Persistente (18.16-33)
Havia outro aspecto da visita dos homens que estava reservado para os ouvidos de Abraão. Tendo reafirmado a promessa de Deus de um filho por meio de Sara, e tendo demonstrado a habilidade divina de conhecer os pensamentos secretos de uma mulher, o SENHOR (17) não teve dificuldade em convencer Abraão da gravidade do próximo item das notícias. O breve monólogo (17-19) revela a confiança que o SENHOR tinha neste homem, baseado em avaliação cuidadosa do seu caráter. Podia-se confiar que Abraão orde­naria e ensinaria seus filhos de certa maneira que a vontade divina revelada a ele prosse­guisse nas gerações futuras. Assim, haveria continuidade na justiça (19, tsedakah). Este termo conota fidelidade a padrões próprios, quer morais ou judiciais. A conservação do juízo (mishpat), ou seja, a manutenção de relações harmoniosas entre as pessoas, não seria apenas assunto de uma geração. O Senhor queria a continuidade desses valores, e Abraão, com seus descendentes, dava a promessa de cumprimento da vontade divina. As­sim, Ele se sentia justificado em revelar parte de sua preocupação pessoal a Abraão.
A apreensão divina também dizia respeito a Sodoma e Gomorra (20), pois clamores de queixa chegavam ao SENHOR e indicavam que o pecado se agravara muito. O SENHOR estava a caminho de fazer uma inspeção pessoal das condições. O forte antropomorfismo desta cena não sugere ignorância da parte de Deus. A ênfase está foca­lizada na profunda preocupação do SENHOR acerca dos males sociais; eles não passam despercebidos. Outra ênfase está na justiça básica de Deus. Ele não executa julgamentos baseados em rumores; Ele sabe, em primeira mão, qual é a situação. Além disso, Ele está propenso a considerar outros meios, que não a destruição, para corrigir as coisas. Ele está inclinado a ouvir e avaliar as orações daqueles que nele confiam.
Quando Abraão ouviu falar sobre Sodoma e Gomorra, grande preocupação tomou conta de sua alma, pois ele estava totalmente ciente da residência de Ló próximo a essas cidades.
O senso de justiça de Abraão logo se expressou. Com certeza o justo (23, tsaddik), que vive de modo digno na presença de Deus, não deve ser punido com o ímpio. Abraão começou com muito otimismo. Suponha que houvesse cinqüenta justos na cidade (24), seria justo Deus destruí-los? A resposta divina foi que o Senhor pouparia a cidade se cinqüenta justos (26) fossem encontrados. Mas, e se faltassem apenas cinco pessoas (28) para chegar a esse número, haveria o desastre?
Abraão conhecia muito bem seu lugar diante de Deus, pois em termos de poder e autoridade ele era pó e cinza (27). Contudo, persistiu, abaixando a quantidade de quarenta e cinco para quarenta (29), depois, para trinta (30), em seguida, para vinte (31). A cada vez o Senhor consentia o pedido do patriarca. Por fim, chegou ao número dez (32), que era quase o tamanho da família de Ló. Recebendo a garantia de que o juízo seria retido se dez justos fossem encontrados, Abraão parou de interceder. O resultado teria de depender da condição espiritual da família do seu sobrinho.
Em 18.20-33, segundo G. B. Williamson, nossa atenção é dirigida a “O Justo Juiz”. O foco está no versículo 25. 1) A extensão da misericórdia de Deus em responder a oração, 23-26; 2) A execução do julgamento de Deus sobre os pecadores impenitentes, 20,21 (cf. 19.23,24); 3) A isenção dos justos, 26-32 (cf. 19.12-22).

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