2019/08/15

Gênesis 19 — Estudo Bíblico

Estudo sobre o Livro de Gênesis





Gênesis 19

Não Havia nem Dez (19.1-29)
A história deste capítulo tem várias partes distinguíveis. O cenário está nos versículos 1 a 3. Depois, segue-se a situação da crise (4-11), a hora da decisão (12-16), o ato de libertação (17-22) e a ação de julgamento (23-29).
Dois dos homens, agora chamados anjos (1), chegaram a Sodoma logo depois de deixar Abraão em Hebrom, embora a distância entre os dois lugares fosse de dois dias habituais de viagem. estava à porta da cidade, lugar onde os homens tinham o hábi­to de se reunir no fim de um dia de trabalho. Era na porta que as pessoas resolviam suas questões legais (Rt 4.1-12). Ló cumprimentou os estranhos e lhes ofereceu hospedagem. Rendendo-se à persistência de Ló, os anjos foram tratados com hospitalidade generosa.
Pouco antes de irem dormir, Ló e seus novos amigos ouviram um tumulto fora da casa. Era uma multidão dos varões de Sodoma (4), de todas as idades, inflamados por luxúria bestial. O famoso pecado da cidade estava se mostrando em toda sua feiúra. Os homens queriam que os estranhos lhes fossem entregues para manter atos homossexuais com eles, pecado que veio a ser conhecido por sodomia.
Ló ficou chocado e confuso pela exigência. Em sua perplexidade, Ló, sem perceber, revelou outro grande pecado dos seus dias: a desvalorização trágica da condição feminina.
Valorizando mais a honra dos visitantes masculinos do que o bem-estar de suas duas filhas (8) jovens, Ló as ofereceu aos homens para que abusassem delas como quisessem. Mas os homens consideraram a oferta um insulto e acusaram Ló de ser estrangeiro arrogante. “Este camarada veio aqui como imigrante e fica agindo como juiz” (9cd, VBB).
Vendo o perigo que Ló corria, os visitantes o salvaram da turba e afligiram os homens com cegueira (11). O hebraico indica que a cegueira foi causada por um deslum­brante flash de luz.
Os anjos não precisavam aprofundar mais a investigação. A condição moral de Sodoma estava nitidamente clara. Exortaram (12) que avisasse todos os membros da casa, incluindo genros, para que se preparassem para fugir da cidade. Não havia dúvida da iminência do julgamento. Ló obedeceu à ordem, mas recebeu má acolhida de seus gen­ros (14). Só ficaram quatro na família, longe do mínimo que Abraão fixara para salvar a cidade da destruição (18.32).
À medida que chegava a hora da partida, Ló parecia por demais inerte para a ação. Os varões (16) tiveram de pegar pela mão a ele, sua esposa e filhas para fazer com que saíssem da cidade. Sob as condições firmadas pelo pedido de Abraão, os homens não tinham a obrigação de fazer isso. Preocuparam-se com Ló e sua família só por que o SENHOR lhe foi misericordioso.
No perímetro da cidade, a família recebeu mais orientações: Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte (17). Mas (18) ainda não estava inteiramente ciente da magnitude do desastre que viria. Os vagos perigos das montanhas lhe metiam mais medo, por isso rogou pelo privilégio de se esconder em uma aldeia vizinha chamada Zoar, que quer dizer pequena (20). Um dos anjos lhe concedeu o pedido, mas o exortou que chegasse à aldeia o mais rápido possível. Ló chegou a Zoar (22) no momento exato, pois a hora da destrui­ção foi ao amanhecer.
O destino de Sodoma e Gomorra (24) foi apavorante. O texto não menciona um terremoto, mas poderia ter acontecido, liberando da terra gases explosivos que, mistura­do com os depósitos de enxofre da região, criaram uma cena espantosa. Nem todos da família fugitiva conseguiram escapar. A mulher de Ló olhou para trás (26), desobede­cendo à ordem do anjo, e morreu, tornando-se uma estátua de sal.
Na história da fuga de Ló (19.15-26), Alexander Maclaren vê “O Destruidor Veloz”. 1) A demora e o salvamento de Ló, 15,16; 2) Escapa-te por tua vida, 17-22; 3) A horrível destruição, 23-25; 4) O destino dos morosos, 26.
De lugares altos e seguros, a leste de Manre, outra figura triste inspecionava a fumaça que subia da terra (28). Ele sabia qual era a causa da fumaça, mas ainda não sabia que seu sobrinho Ló fora misericordiosamente guardado do holocausto pelos anjos. Ainda lhe era desconhecido o fato de que esta libertação ocorreu porque Deus se lem­brou de Abraão (29).
4. A Embriaguez de Ló (19.30-38)
A história final da vida de Ló não é aprazível. Como Noé (Gn 9.20-23), Ló se enredou com vinho (32) depois da espetacular fuga da morte. Mas, neste exemplo, suas filhas também se envolveram. acabou se recolhendo nos montes, apesar dos seus temores anteriores (19), e estabeleceu casa em uma caverna remota.
Temos de julgar o incidente com compaixão, pois a série de calamidades que se aba­teu sobre os três de maneira nenhuma era comum. Eles não sabiam se alguém no vale também conseguiu escapar como eles. As moças estavam em renhido dilema. Onde have­ria um homem para casar com elas, e como haveria um filho para continuar o nome do seu pai? Estas não eram questões de pequena monta na sociedade em que viviam.
A solução que delinearam foi escandalosa, embora conseguissem racionalizá-la para contentamento próprio. Mas elas sabiam melhor que discutir o assunto com o pai. O plano era insensibilizar o pai com vinho e depois manter relações sexuais com ele. Sendo bem-sucedidas no esquema, deram, no devido tempo, à luz filhos.
A história não parece estar anexada ao relato da destruição de Sodoma e Gomorra para condenar Ló ou suas filhas. Ao contrário disso, o propósito parece ser meramente contar como surgiram os moabitas e os amonitas e por que eles foram considerados parentes próximos do povo hebraico. Por outro lado, não há senso de aprovação moral.

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Um comentário:

Unknown disse...

Amo Essas Explicações são claras e precisas!!

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