2019/08/15

Gênesis 24 — Estudo Bíblico

Estudo sobre o Livro de Gênesis





Gênesis 24

Em Busca da Moça Certa (24.1-67)
Como patriarca do clã, Abraão tinha a responsabilidade de providenciar uma noi­va para Isaque. A história que narra esta busca é uma das narrativas mais bem escri­tas e mais atraentes da vida de Abraão. O cenário é apresentado nos versículos 1 a 9. Em seguida, temos a busca e seu sucesso (10-27), depois a cena de negociação (28-61) e, por último, o casamento (62-67).
De acordo com os costumes do seu tempo, e ainda vigentes nas famílias menos ocidentalizadas do Oriente Próximo, o idoso pai tinha um importante dever a fazer pelo filho. Abraão nunca ficou favoravelmente impressionado com o caráter moral dos povos no meio dos quais estava em Canaã. Seus pensamentos retrocederam à pátria onde seus parentes ainda viviam. Ele queria uma moça com formação religiosa semelhante a de Isaque.
O texto não deixa claro se o servo, o mais velho da casa (2), era o Eliezer mencionado em 15.2, mas certos comentaristas percebem ser esta a situação. A importância que Abraão dava ao projeto de achar uma esposa pode ser medida pelo fato de exigir um voto solene do servo. A forma descrita era habitual no Oriente. A pedido de Abraão, o homem colocou a mão debaixo da coxa do seu senhor e recebeu instruções. A esposa de Isaque não devia ser dos cananeus (3), mas de sua parentela (4). Se a moça se recusas­se a ir para Canaã, Isaque não deveria ser levado de volta para o norte, porque Deus deu a promessa de que a semente de Abraão (7) receberia esta terra. Abraão estava certo de que Deus providenciaria uma esposa enviando seu Anjo adiante da face do servo. Abraão dependia de Deus para cumprir o que prometeu. Se a moça se recusasse a ir, o servo estaria livre do juramento (8).
Os detalhes da preparação para a viagem e a própria viagem são passados por alto apenas com a menção de que dez camelos (10) compunham a caravana. Nesta época, havia a cidade de Naor, talvez em honra do avô de Abraão (11.22-26). O idoso servo escolheu um lugar junto a um poço de água (11) onde havia a possibilidade de mulhe­res aparecerem.
A fé religiosa de Abraão exerceu nítida influência no servo que também era homem profundamente piedoso. Parado junto ao poço, imediatamente antes da hora em que as moças saíam a tirar água, ele ergueu a voz em oração. Seu maior desejo era que a escolha da esposa para Isaque não fosse decisão sua, mas que fosse escolha de Deus. Conhecendo suas próprias dificuldades em discernir a vontade de Deus, ele pediu que o SENHOR, Deus (12), mostrasse sua vontade mediante uma série de acontecimentos. Estes acontecimentos também serviriam a um propósito secundário, ou seja, revelar o caráter da moça. Tinha de ser uma jovem que mostrasse boa vontade pelo estranho, alguém que estivesse disposta a fazer a tarefa extra que denotava generosidade. Da parte de Deus, a série de acontecimentos mostraria a fidelidade às promessas do concer­to. A palavra é traduzida por beneficência (12, chesed), mas tem o significado mais amplo de lealdade a promessas feitas e de misericórdia em tempos de dificuldades. A oração de Eliezer era de extrema confiança e de alta expectativa.
O servo estava no lugar certo, no momento certo, e submeteu suas necessidades a Deus. Antes que ele acabasse de falar (15), a resposta à oração começou a se desenrolar diante dos seus olhos. Rebeca, sobrinha de Abraão, apareceu junto ao poço. Ela satisfazia todas as exigências fisicas e legais, mas não era o bastante; assim, o servo fez a pergunta-chave. Sem hesitação, ela lhe serviu água (18) e depois, espontaneamente, começou a tirar água (20) para os camelos. Boquiaberto, Eliezer viu seu pedido ser cumprido ao pé da letra.
Recompondo-se, o idoso homem deu um pendente de ouro (22) de grande peso e duas pulseiras de ouro. Esbaforido, ele perguntou pela família da moça. Ao saber que ela pertencia à linhagem de Abraão expressou muita alegria, de forma que sem se perturbar inclinou-se (26) e fez uma oração de louvor. O Deus do seu senhor confirmou as promessas, mostrando beneficência (27, chesed; também aparece nos vv. 12,14) e ver­dade (emet). As ações de Deus na vida dos que o seguem se correlacionavam com as promessas feitas a eles. Mas havia outra razão para este resultado surpreendente. O servo comportou-se no caminho de modo obediente e totalmente aberto para ser guiado pelo SENHOR. A preocupação de Abraão por seu filho, a obediência completa do servo e a generosidade sincera da moça combinaram com a orientação do Senhor para ocasionar um pleno cumprimento de maravilhas da promessa divina.
As notícias sobre o estranho puseram a família de Rebeca em movimento. Labão (29), um dos irmãos dela, correu ao encontro do homem junto à fonte (30), levou-o para casa e deu comida aos camelos (32). Antes que o servo de Abraão se sentasse para comer (33), ele insistiu que tinha de contar por que viera.
Contou uma história comovente sobre a riqueza de Abraão e tudo que seria passado para Isaque. Repetiu o teor do juramento ao qual seu senhor o fez jurar; e depois revisou os detalhes do incidente junto ao poço, inclusive a oração e a série de ações que coincidi­ram com seu pedido a Deus. Por fim, o assunto foi colocado francamente diante da famí­lia: Eles deixariam Rebeca voltar com ele para ser a esposa de Isaque? A principal dife­rença entre as palavras finais do servo para a família e as palavras de sua oração junto à fonte de água (13,27) é que as palavras beneficência (chesed) e verdade (emet) são trocadas de Deus para a família (49). Até este ponto, Deus havia sido fiel às suas promes­sas. Agora a família tomaria parte do pleno cumprimento da promessa dada com respei­to a Isaque? Muito dependia da resposta que dessem, pois se recusassem, o cumprimento da promessa se frustraria.
A resposta foi positiva. Labão e Betuel (50) reconheceram os procedimentos do Senhor e puseram de lado sua própria autoridade humana. Esta era decisão de tamanha importância que o servo de Abraão inclinou-se à terra diante do SENHOR (52) nova­mente. Depois deu ricos presentes a cada membro da família.
Pela manhã (54), o servo tinha notícias inesperadas para a família. Ele desejava começar imediatamente a viagem de volta para Canaã. Sua missão estava completa e ele queria entregar a moça a Isaque o mais cedo possível. A família protestou dizendo que deveriam passar uns dias com a amada Rebeca antes da viagem, mas deixaram que ela decidisse por si. E se ela recusasse o pedido do servo? Mas não recusou. Deu uma resposta pronta: Irei (58). Assim uma série de decisões pessoais cruciais, cuja negativa poderia ter impedido a vontade de Deus, foi feita em obediência ao propósito divino, levando a aventura a um final feliz.
Com a bênção da família (60) soando nos ouvidos, Rebeca viajou para o sul com a caravana de camelos. Ao término da viagem, a corajosa moça teve o primeiro vislumbre do homem que ela escolheu inteiramente pela fé, e não ficou desapontada. Modestamen­te, tomou ela o véu e cobriu-se (65). Um casamento sem namoro, mas com muita orientação do Senhor, foi consumado com amor e carinho.

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