2019/08/15

Gênesis 29 — Estudo Bíblico

Estudo Bíblico sobre Gênesis



Gênesis 29


AMOR FRUSTRADO NÃO MORRE (29.1-30)
Pouca coisa é relatada acerca do restante da viagem de Canaã, exceto que Jacó foi-se à terra dos filhos do Oriente (1). É provável que esta terra designava principalmente a região ao redor de Damasco, mas também pode ter incluído Harã (ver Mapa 1).
Jacó apareceu na sossegada comunidade de Harã com ímpeto e vigor. Ele sabia por que tinha ido até lá, e a primeira moça que encontrou era exatamente quem queria. Ela mostra boa vontade, mas o pai dela não. Os procedimentos de Labão com Jacó foram extremamente desconcertantes, sobretudo no dia do casamento de Jacó.

Os Rebanhos no Campo (29.1-8)
O fato de Jacó ter encontrado pastores que conheciam seus parentes deve ser considerado cumprimento da promessa de Deus estar com ele. Sendo pastor, Jacó notou coisas diferentes nos métodos de apascentar rebanhos. Era meio-dia e já havia três rebanhos de ovelhas reunidos perto de um poço no campo (2) — provavelmente uma cisterna —, mas ninguém lhes dava água. Havia uma grande pedra tapando o poço. A explica­ção pela demora em dar água às ovelhas é apresentada nos versículos 3 e 8, mas Jacó não sabia disso até que indagou sobre a identidade dos pastores e se conheciam Labão.
Os pastores não eram preguiçosos. Estavam esperando a filha de Labão chegar com seu rebanho, para que todos ajudassem na remoção da pedra e depois tapassem o poço novamente. Como na história do capítulo 24, esta narrativa assinala a segurança pesso­al das mulheres na sociedade de Harã, mesmo em campo aberto.

O Rapaz Encontra a Moça (29.9-14)
A visão da prima Raquel (10) mudou Jacó em um modelo de força. A grande pedra, que exigia o poder combinado de um grupo de pastores, foi prontamente retirada pelos arrancos vigorosos do estranho de Canaã. Cântaro após cântaro de água foi tirado do poço para as ovelhas da moça. Raquel (11) deve ter ficado agradavelmente surpresa quando foi beijada pelo emocionado Jacó, o qual se identificou como seu primo. O termo irmão (12) tem aqui o sentido de parente; na verdade, Jacó era sobrinho de Labão.
Como Rebeca (24.28), Raquel correu para casa com a notícia da chegada do estranho. A reação da casa foi imediata e hospitaleira. Labão, à maneira autenticamente oriental, abraçou e beijou o parente. Na hora da refeição com a família, Jacó os emocionou com a história de sua viagem. Durante um mês, não houve indicação de que Labão não tivesse pensamentos de puro afeto por Jacó. Um fato se salienta claramente: A che­gada de Jacó não teve as expressões de profunda devoção religiosa evidenciadas no servo de Abraão ao chegar à mesma casa anos antes (24.32-49).

O Duplo Casamento (29.15-30)
Durante a vigência daquele mês, é evidente que Jacó (15) trabalhou com os rebanhos de Labão. Esta situação fez com que Labão sugerisse o ajuste de um acordo salari­al. Sem dúvida, ele notou o interesse de Jacó por Raquel (16) e viu a oportunidade de aproveitar-se de seu sobrinho. Esta filha não era a mais velha, fato que deu ao pai impor­tante vantagem legal. Léia significa “vaca selvagem”. Ela possuía olhos tenros (17), o que não quer dizer necessariamente que fosse um defeito visual. Bem pode ser que os olhos fossem atraentes, característica física a seu favor. Por outro lado, Raquel (que significa “ovelha”) era bonita e Jacó a amava (18).
Jacó também esteve pensando no assunto e fez uma proposta imediata. Ele traba­lharia sete anos por Raquel. Não era do seu conhecimento as complicações por trás da oferta, mas Labão as conhecia e esperou o momento propício.'
Chegou a data marcada para o casamento e Jacó estava ansioso para ter sua amada só para si. Labão preparou o habitual banquete (22) nupcial. Porém, naquela noite, ele não apresentou Raquel, mas Léia (23), para ser esposa de Jacó. O véu nupcial e a escuridão esconderam esta mudança aos olhos do noivo.
Pela manhã (25), a surpresa e o desapontamento de Jacó não tiveram limites. Com fúria, ele repreendeu Labão pelo logro, mas Labão permaneceu impassível. Era ilegal dar a filha mais nova em casamento, enquanto a filha mais velha ainda fosse solteira (26), mas havia uma solução. Se Jacó trabalhasse por outros sete anos (27), Labão lhe daria Raquel assim que terminasse a semana de festividades nupciais de Léia.
Para Labão, a transação era bom negócio. Ele conseguiu casar a filha primogênita sem atrativos e obteve a promessa de mais sete anos de mão-de-obra especializada de Jacó. Nem se esforçou em justificar o fato de não ter informado Jacó sobre as leis matri­moniais daquele país, quando Raquel foi pedida em casamento pela primeira vez. Se­gundo o costume local, ele deu para cada filha uma criada pessoal.

DOLOROSA COMPETIÇÃO (29.31-30.24)
O registro da disputa que se desenvolveu na família de Jacó não é nada agradável. Também serve de base concreta para uma proibição feita posteriormente: o casamento de irmãs com um só homem e ao mesmo tempo (Lv 18.18). Igualmente importante, esta subdivisão fornece informações sobre a origem dos nomes das doze tribos de Israel, des­crevendo as circunstâncias do nascimento de cada um dos filhos de Jacó. Cada nome reflete algo dos motivos, emoções e religiosidade das duas irmãs.

A Esposa Não Amada foi Abençoada (29.31-35)
A palavra hebraica traduzida por aborrecida (31, senuah) nem sempre transmite fortes conotações negativas. O contexto deste exemplo favorece um significado mais brando (cf. v. 30). Jacó despejava afeto em Raquel, mas não menosprezava ou rejeitava Léia. O fato de ela dar à luz filhos dele demonstra que a relação carecia apenas do calor do verdadeiro amor.
Não é dada explicação para o favoritismo que o SENHOR (31) demonstrou a Léia, exceto que sua fé na misericórdia divina é expressa no versículo 32. Quanto a Raquel, ela foi a terceira esposa nesta família temporariamente estéril — Sara, Rebeca e agora Raquel.
Os nomes dos filhos de Jacó foram baseados primariamente nos sons das palavras ou frases e não no significado literal direto. O nome do primeiro filho, Rúben (32), era uma exclamação, que significa: “Olhe, um filho!” O verbo olhar é creditado para o teste­munho de Léia. A esperança de seu marido ter o verdadeiro amor por ela não foi concre­tizada. O nome do segundo filho, Simeão (33), está baseado no verbo hebraico shama, que significa “tem ouvido ou foi ouvido”. Está inserido em outro testemunho da miseri­córdia de Deus, ainda que não fosse amada pelo marido.
O nome do terceiro filho, Levi (34, “juntado, anexo”), está relacionado com o verbo se ajuntará (yillaweh). Dá um vislumbre das profundezas da ansiedade de Léia pelo afeto humano que Jacó firmemente lhe negava. Teve ainda outro filho, Judá (35, “lou­vor”), que sugere a amplitude oscilatória de suas emoções: de uma dor interna à expres­são de ação de graças ao SENHOR.

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