2019/08/15

Gênesis 49 — Estudo Bíblico

Estudo Bíblico sobre Gênesis



Gênesis 49

Jacó Abençoa Seus Filhos (49.1-28)
Com exceção do primeiro versículo, esta porção bíblica está na forma poética, rica em paralelismo de pensamento, jogo de palavras e metáforas. Era momento solene, pois o patriarca estava declarando sua vontade final e apresentando seu testamento antes de morrer.
Há forte traço de ironia no tratamento de Jacó com Rúben (3). Como primogênito, seu lugar era de alto privilégio e responsabilidade. Deveria ter sido líder de força, vi­gor, alteza e poder. Mas Rúben deu as costas às coisas mais excelentes e se rebaixou ao nível mais inferior. Procurou demonstrar liderança poluindo o leito (4) do pai em gros­seiro ato de incesto (cf. 35.22). Jacó não se esqueceu do fato e, agora, Rúben tinha de pagar elevado preço por sua loucura.
“A Tragédia da Instabilidade Espiritual” é ilustrada nas palavras de Jacó a respeito de Rúben: 1) Homem de grandes possibilidades, 3; 2) A excelência perdida de Rúben: Não serás o mais excelente, 4; 3) O erro fatal: Inconstante como a água, 4 (W. T. Purkiser).
Simeão e Levi (5) estão agrupados, porque tinham chefiado o massacre sangrento de Siquém (34.25-29). O choque de Jacó quando ficou sabendo deste incidente está vivi­damente descrito nesta condenação do ato irrefletido. Moffatt traduz assim: “Em seus planos, minha alma, nunca participe; coração meu, não se una ao seu conselho!” (cf. ARA). Nenhum deles teria território tribal em Canaã, mas seriam espalhados entre as outras tribos (ver Js 19.1-9; 21.1-42).
Judá (8) demonstrou ser homem melhor na maturidade do que na juventude e, antes da mudança para o Egito, evidenciou habilidade de liderança. O nome significa “louvor” e, assim, seria o louvor da família de Jacó como líder militar e político. Sua coragem seria igual à do leão (9); mas, acima de tudo, a realeza viria da tribo de Judá (1 Sm 16.1-13; 2 Sm 2.1-4; 5.1-5).
Muita controvérsia gira em torno da palavra Siló (10), que pode ter o significado de “descanso ou doador de descanso”. Este é o nome da cidade onde a arca descansou até o tempo de Samuel (1 Sm 4.1-22). Mas visto que esse local nunca foi importante na histó­ria de Judá, parece não haver ligação com esta profecia no versículo 10. Uma antiga tradução aramaica contém a frase “até que o Messias venha”, e esta interpretação detém forte posição no entendimento judaico e cristão do texto. O Targum Grego, o Targum Samaritano e o Targum de Onquelos dão uma leitura que indica uma palavra hebraica composta, que significa, literalmente, “aquele que é dele” (cf. Ez 21.27). Esta interpreta­ção também aponta significação messiânica, a qual tem sido contestada.”
Os protestantes estão bastante unidos em considerar que Jesus é o cumprimento desta predição que saiu dos lábios de Jacó. Entendida dessa forma, esta profecia signifi­cava que além das tribos de Israel os povos do mundo obedeceriam àquele que viria.' A tradução de Smith apanhou o espírito de realeza contido nesta descrição da liderança de Judá:

Ele amarra o jumento à videira,
E o filho do jumento à mais escolhida videira;
Lava a roupa em vinho,
E os mantos no sangue de uvas;
Seus olhos são mais escuros que o vinho,
E seus dentes mais brancos que o leite.

A principal característica de Zebulom (13) era a associação com o comércio maríti­mo. Estes povos seriam vigorosos comerciantes. Issacar (14) estaria relacionado com a tarefa do trabalhador e faria seu trabalho de modo fiel e imaginativo. Teria o epítome de “O Contribuinte” ou “O Pagador de Impostos'.
O nome (16) significa “juiz”. Mas que juiz fraco! Em vez de justiça, a traição marcaria suas decisões que afligiriam o queixoso como o veneno da víbora (17). Quando Jacó proferiu este pronunciamento, não pôde deixar de desabafar com angústia: A tua salvação espero, ó SENHOR! (18).
As palavras sobre os próximos três filhos foram curtas. Gade (19) seria oprimido, mas no final venceria. Aser (20) seria próspero tendo excesso de alimentos. Naftali (21) conhe­ceria a liberdade e seria abençoado com a capacidade de proferir palavras agradáveis.
Em contraste com estes três, Jacó transbordou com predições de um futuro frutífero para José (22). Embora perseguido, este filho foi sustentado pelas mãos do Valente de Jacó (24). Este era o Deus que foi o Pastor, Protetor e Pedra de Israel em toda sua vida. O Todo-poderoso (25) seria liberal com suas bênçãos, cinco das quais são enu­meradas. José seria diferente de todos os seus irmãos (26). Moffatt traduz partes dos versículos 24 e 25 significativamente:

O Valente de Jacó te apoia,
A Força de Israel te sustenta.
Oh, o Deus de teu pai que te ajuda,
O Deus Todo-poderoso que te abençoará.

Em 49.22-26, G. B. Williamson destaca “José, Ramo Frutífero”. 1) As tribulações de José, 23 (cf. 37.17-36); 2) A tentação de José, 24 (cf. 39.7-20; 40.14,23); 3) O triunfo de José, 25,26 (cf. 4.39-46).
Benjamim (27) é semelhante a lobo, “que devora a presa pela manhã e divide o espólio à noite” (Smith-Goodspeed; cf. ARA). A violência tomaria parte em sua aquisição de riquezas.

A Morte de Jacó (49.29-33)
Tendo distribuído suas bênçãos, Jacó mencionou seu desejo já revelado a José (47.29­31). Ele deveria ser sepultado na cova que está no campo de Macpela (29,30), que foi comprada por Abraão (23.1-20). Era a sepultura dos seus antepassados e de Léia (31), sua esposa. Jacó queria ter certeza de que na vida e na morte seus filhos manteriam os olhos voltados para Canaã como sua verdadeira casa.

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