2015/11/10

Interpretação de João 7

Interpretação de João 7

Interpretação de João 7 


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João 7

J. Jesus na Festa dos Tabernáculos. 7:1-53.
Este capítulo é inteiramente Cristocêntrico no sentido de que Cristo é o assunto de muita discussão e motivo de diferentes reações como também o tema de auto-revelação de Jesus.
1.       Passadas estas cousas. Parece que a referência foi aos acontecimentos do último capítulo. Apesar do afastamento de tantos antigos discípulos, Jesus achou mais seguro permanecer na Galiléia do que voltar para a Judéia, onde havia hostilidade declarada.
2.  O período passado na Galiléia foi demarcado pela Páscoa e Festa dos Tabernáculos, um intervalo um pouquinho superior a seis meses. A julgar pelos Sinóticos, Jesus passou a maior parte desse tempo em lugares afastados dos caminhos, ensinando seus discípulos.
3-9. Com a aproximação desta festa outonal, que atraía judeus de toda parte para as alegres festividades, os irmãos de Jesus acharam que a ocasião era uma oportunidade capital para ele estender sua influência. Seus discípulos na Judéia, talvez incluindo muitos galileus que se sentiram ofendidos e esfriaram em sua atitude, poderiam ser reconquistados vendo suas obras. Os irmãos eram uma miniatura da massa da nação, não duvidando da veracidade das obras, mas não crendo nEle. Seu conselho era que, enquanto Jesus permanecia oculto, precisava ser conhecido pelo mundo. Substancialmente foi isso que Satanás tentou sugerir ao nosso Senhor na segunda tentação. O tempo de Jesus não tinha chegado ainda (em outra parte comumente chamado de "minha hora" – o tempo de sua manifestação na morte). Os irmãos não tinham tal direito espiritual de orientar seus movimentos. Eles não conheciam o ódio do mundo, pois faziam parte dele. De outro lado, Jesus, sendo a verdade, tinha de testificar contra o mal que há no mundo. Ele não podia ir a Jerusalém só para ganhar popularidade. Se Ele fosse, seria para expor o pecado. Por enquanto não subo. A palavra ainda (ERC), está ausente em muitas fontes limpas, e foi provavelmente acrescentada por algum escriba para evitar contradição com o versículo 10. Jesus, com a sua recusa, quis dizer que não subiria nos termos sugeridos pelos seus irmãos. Iria na sua hora e à sua maneira, mas permaneceria na Galiléia por enquanto.
10-13. Quando ele subiu à festa, fê-lo discretamente, em oculto, sem chamar a atenção. Enquanto isso os judeus (os líderes) ficaram à procura dele entre a multidão, perguntando: "Onde está aquele homem?" O povo também discutia a respeito dEle, com algumas diferenças de opinião, oscilando entre o veredito de é bom e engana o povo. O medo dos judeus mantinha os comentários em voz baixa (7:13. cons. 9:22).
14, 15. Em meio à festa, isto é, no meio da semana das festividades, a qual terminava com uma reunião no oitavo dia (Lv. 23:36). Entrando no Templo, Jesus começou a ensinar. Os líderes ficaram atônitos diante de sua exposição, especialmente à vista do fato de que ele não fora treinado nas escolas dos rabis (contraste com Paulo, Atos 22:3).
16-18. Aparentemente era o conteúdo dos ensinamentos de Jesus e não a sua maneira ou dicção que causava o espanto. Em lugar de se vangloriar pela sua capacidade, Jesus explicava que os ensinamentos pertenciam Àquele que o enviara, remontando diretamente a Deus, em vez de admitir que devia a algum mestre humano, tal como os escribas costumavam fazer. Qualquer um que tinha o alvo moral de agradar a Deus (fazendo a Sua vontade) seria capaz de determinar se os ensinamentos de Jesus eram independentes ou eram fiel reprodução do divino. Tal pessoa perceberia que Jesus não estava buscando sua própria glória, mas a dAquele que o tinha enviado. Tal pessoa se sentiria atraída por Jesus.
9-24. Jesus acusou os judeus de fracasso no cumprimento da Lei. Não estavam fazendo a vontade de Deus nesse sentido. Como, então, poderiam aceitar Aquele a quem Deus tinha enviado? Suas intenções homicidas para com Ele eram por si mesmas violação do sexto mandamento. A multidão, ficando ao lado dos líderes sem conhecer seus desígnios, pensava que Jesus estivesse louco, atormentado por um demônio, imaginando que Sua vida estivesse em perigo (v. 20) . O Senhor tinha de atingir as raízes da animosidade dos líderes. Aquele um só feito que Ele fizera em Jerusalém e que deixara todos maravilhados, mas que colocara os líderes contra Ele, foi a cura do homem aleijado, no sábado (cap. 5). O próprio Moisés, que os judeus respeitavam tanto, ordenou a circuncisão (embora a prática se originasse com os patriarcas e não com Moisés), de modo que ela tinha de ser realizada no oitavo dia (Lv. 12:3), mesmo se caísse no sábado. Pelo motivo (v. 22) não está bastante claro quanto à relação que tem com o assunto. Possivelmente aponta a seguinte linha de pensamento - que a circuncisão no sábado era aceitável e na realidade apontava para a obra que Jesus tinha realizado, uma vez que a restauração de um homem física e espiritualmente era até mais significativo do que a administração do sinal da aliança.
25-27. Aqui encontramos reflexões referentes a Jesus partindo de um grupo que deve ser outro que "a multidão" do versículo 20. Estes eram habitantes de Jerusalém que sabiam que a intenção dos líderes era matar Jesus. Mas o fato de Jesus falar abertamente fê -los especular se os líderes tinham invertido seu pensamento, concluindo que este homem era o Cristo (v. 26). Pensando melhor no problema, anulara esta possibilidade, pois a origem de Jesus o excluía de considerações (cons. 6:42). O Messias tinha de ser um homem misterioso – ninguém saberá de onde ele é (cons. Mt. 24:24-26).
28-31. Jesus garantiu, como ponto de partida, que Seus ouvintes o conheciam e sabiam donde Ele era (v. 28). Entretanto, mesmo no plano terreno, eles não estavam bem informados, ignorando o lugar onde nascera e presumivelmente também as circunstâncias por trás do seu nascimento (cons. v. 52). Eles nada sabiam sobre o Seu ser divino, e assim revelavam sua ignorância sobre Deus que O enviara. Esta repreensão provocou uma exibição de descontentamento. Os homens de Jerusalém estavam prontos a agarrar Jesus, mas foram providencialmente impedidos de executarem seus desígnios (v. 30) . A sua hora é uma referência ao tempo determinado por Deus para a sua morte. Alguns da multidão não queriam abandonar a possibilidade de que Jesus fosse o Cristo, Mas, aparentemente, criam nEle apenas com base nos sinais e portanto não eram diferentes dos ex-crentes que o foram só de nome (cons. 2:23-25).
32-36. Sempre alertas ao que o homem das ruas dizia, os fariseus e os principais sacerdotes (saduceus) enviaram guardas para prenderem Jesus. Eles apareceram novamente na detenção no jardim (18:3, 12). Formavam uma força policial judia para a área do templo. À luz deste desfecho, Jesus insistia que o seu pouco de tempo (cons. 16:16) não seria dirigido por ciladas humanas armadas contra Ele mas pela consumação de sua obra e a sua volta ao Pai (v. 33). Então as pessoas o buscariam em vão. O tempo de buscá-lo corretamente estava se esgotando. Dispersão entre os gregos. Provavelmente significa a dispersão dos judeus entre os gregos, tornando possível alcançar os próprios gregos nas sinagogas judias. Foi exatamente o que Jesus fez por meio de sua Igreja em tempo posterior; assim, a declaração foi inconscientemente profética (cons. 11:52).
37-39. E no último dia... da festa. Poderia ser o sétimo ou o oitavo dia. O oitavo era uma espécie de acessório da festa e também uma conclusão do ciclo de festas do ano. Se a referência que Jesus faz à sede está conscientemente ligada à prática dos sacerdotes de trazerem água em um cântaro de ouro, do tanque de Siloé, todos os dias, para derramá-la no altar, então o convite de Jesus teria significado especial no oitavo dia, quando, ao que parece, esta cerimônia era omitida. A sede na viagem pelo deserto fora satisfatoriamente suprida por Deus, mas ela voltava. Jesus oferecia satisfação espiritual duradoura (cons. 4:14). Novamente o Judaísmo estava sendo exposto por ser inadequado, o pensamento avança; pois o crente em Jesus que encontra essa satisfação transforma-se por sua vez em um canal de bênçãos para os outros como condutor de rios de água viva (7:38).
Qualquer alusão ao próprio Cristo (cons. 19:34) é duvidosa. A Escritura não pode ser identificada. Algumas passagens possíveis são Êx. 17:6; Is. 44:3, 4; 58:11; Ez. 47:1-9; Zc. 14:8. Uma alternativa seria que João não se referia a nenhuma passagem em particular, mas a um consenso de diversas delas. A promessa de vida nova em abundância atribui-se aqui ao Espírito, que é dado a todos os que crêem. Mas nessa ocasião o Espírito não viera ainda no sentido célebre do pentecostes (cons. 14:26; 15:26; 16:7). Glorificado, isto é, alcançado o alvo de sua missão na morte, ressurreição e ascensão. É do Cristo glorificado que o Espírito é o mediador para os homens.
40- 44. A exclamação em voz alta e a natureza das palavras de Jesus levaram muitos dos seus ouvintes a identificá-lO com o profeta que devia vir (Dt. 18:15; Jo. 1:21; 6:14). Outros estavam preparados a considerá-lO o Messias. Isto suscitou o problema de sua origem. Para atender aos requisitos das Escrituras, o Messias tinha de vir da semente de Davi e da cidade de Davi, Belém. O povo, em sua ignorância, achava que Jesus era simplesmente galileu. Aqueles que o tinham por fingido e falso estavam a favor de sua prisão, mas foram providencialmente retidos (7:44).
45-49. Os servidores que foram mandados a buscar Jesus (v. 32) voltaram agora de mãos vazias. Assim como os outros, eles só podiam explicar o seu fracasso com base no fato de que nenhum homem falava como Ele. Sentiram nEle algo sobrenatural e sentiram- se impotentes para desempenhar sua missão. A resposta dos fariseus era que esses homens deviam receber orientação dos seus superiores. Até então os principais sacerdotes (membros do Sinédrio) e os fariseus (que ensinavam o povo) mantinham sólida frente contra Ele. Creu nele porventura alguém...? Era verdade, mas não por muito tempo, uma vez que um deles estava para se declarar a favor de Jesus, ou pelo menos para defendê-lO. Os fariseus procuravam explicar o interesse popular que Jesus despertava com base no fato de que o povo era ignorante da Lei e por isso era amaldiçoado (cons. Dt. 28:15). Fontes judias indicam que freqüentemente havia má vontade entre os fariseus e os am hares, ou povo da terra.
50, 51. Por mais que os fariseus conhecessem a Lei, não viviam de acordo com ela, conforme Nicodemos teve a coragem de denunciar. Eles procuraram prender um homem violando a Lei, a qual exigia que um homem fosse ouvido antes de ser preso desse modo (Dt. 1:16). Assim, os judeus não eram fiéis à sua própria Lei, na qual tanto se orgulhavam (cons. v. 19). Ignorando o desmascaramento feito por Nicodemos, os fariseus apelaram para o regionalismo, como já tinha acabado de apelar para o conceito de classe. Nicodemos tivera a coragem de defender um galileu, como se ele também fosse. O que a Galiléia tinha para oferecer? Não produzira nenhum profeta. Excluindo assim a Jesus das fileiras dos profetas, os fariseus revelaram sua própria ignorância, Pois Jonas pelo menos viera dessa região (II Reis 14:25)

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