2016/01/03

Anjo — Estudo Bíblico

Anjo — Estudo BíblicoANJO

Mensageiros espirituais usados por Deus para diversas atividades e propósitos.

I. A palavra e seus Usos. 

Gr. aggelos e heb. malakh significam mensageiro. Diversos usos: o profeta (Hab. 1:13), um sacerdote (ver Mal. 2:7), ou os seres celestiais (ver Salmos 29:1 e 89:6) podem ter esse título. Um uso mais amplo ainda inclui também a coluna de nuvem (ver Êxo. 14:19), a pestilência (ver II Sam. 24:16,17), os ventos (ver Sal. 104:4), e as pragas (ver Sal. 78:49). Paulo chamou seu espinho na carne de anjo,  isto é, “mensageiro de Satanás” (II Crô. 12:7 e Gál. 4:13,14). Pastores da igreja, Apo. 2:1,8,12, et al.

II. Angelologia. 

Os anjos são referidos na Bíblia de Gênesis ao Apocalipse, desde “os carvalhais de Manre” (Gên. 13:18) até à “ilha chamada Patmos” (Apo. 1:9). As mais antigas evidências arqueológicas em favor da crença na existência dos anjos vêm de Ur-Namus, de cerca de 2250 A.C., onde anjos são vistos a adejar por sobre a cabeça do rei, enquanto este orava. Visto que Abraão chegou àquela região pouco depois disso, é possível que ele estivesse familiarizado com a angelologia desde a juventude. Como é óbvio, a angelologia estava misturada a todas as formas mitológicas possíveis, religiões e supersti- ções primitivas, sendo crença generalizada entre todas as religiões da antiguidade. Que nem todos os conceitos acerca dos anjos correspondem à realidade é algo óbvio, mas isso não significa que tais seres (dotados de impressionantes atributos) não existam. Durante o cativeiro babilônico, a angelologia recebeu maior atenção da parte dos judeus. O zoroastrismo (cerca de 1000 A.C.) sem dúvida muito contribuiu para a angelologia dos hebreus, mas a sua crença na existência desses seres antecede por muitos séculos ao zoroastrismo. Parece que quase todos os povos têm acreditado em seres espirituais que poderíamos chamar de “anjos”, embora seus idiomas não tenham algum vocábulo que possamos traduzir em português dessa maneira (“mensageiro”, ou algo similar). O Novo Testamento se inicia com anjos ocupados em serviço ativo e jamais põe em dúvida a sua existência.

O Anjo do Senhor.  

Em trechos bíblicos como Êxodo 23:21 (onde o Anjo do Senhor parece dotado de autoridade para perdoar a transgressão; e o nome de Deus estava sobre Ele) e Juízes 2:1, encontramos uma manifestação especial de Deus — talvez uma manifestação do Logos preencarnado, conforme creem alguns intérpretes. Nesse caso, esses trechos são paralelos de Apo. 1:1. Acerca disso, entretanto, não podemos ter certeza. (Ver Também Gên. 16:7ss ; 21:17; 22:11,15ss ; 24:7,40; 31:11-13; 32:24-30; Êxo. 3:6; 13:21,22; 14:19; Núm. 22:22; Jos. 5:14; 6:2; Juí. 2:1-5; I Crô. 21:15,18,27 e Eze. 1:10-13). 

III. Origem da Doutrina.  

É óbvio que tanto no Antigo como no Novo Testamentos ha uma angelologia bastante elaborada. Mas muitos eruditos insistem que as culturas não-hebreias tinham crenças acerca de poderosos .seres espirituais (anjos), antes dos tempos veterotestamentános. Talvez se possa achar a origem dessa doutrina na experiência humana, à parte dos Livros Sagrados. Há evidências que nos autorizam a crer na interferência, serviço e interesse, de natureza positiva ou negativa, de seres espirituais. Usualmente são invisíveis, podendo ser detectados por pessoas sensíveis, tanto quanto à sua presença como quanto à sua atuação. Porém, as angelologias formais parecem ter-se desenvolvido inicialmente na religião persa. A fé dos hebreus fez pelo menos alguns empréstimos daquela origem, e o cristianismo preservou as ideias essenciais da angelologia dos hebreus. O judaísmo desenvolveu um sistema elaborado, imaginando que há quatro (ou sete) anjos principais, ou “arcanjos”, cada um dos quais tem miríades de assessores, com vários graus de inteligência e poder. Os anjos teriam funções que variam desde o serviço imediato diante do trono de Deus, até os mais variegados serviços na esfera terrestre, envolvendo nações, comunidades ou indivíduos. Os anjos são os mediadores da mensagem divina, segundo o trecho de Deu. 33:2 ss , que era entendido pelos intérpretes rabínicos. Essa ideia foi adotada pelo autor da epístola aos Hebreus, conforme nos mostra Heb. 2:2. Josefo, Ant. 15, cap. 15:3 confirmando o ponto de vista. E Gál. 3:19 mostra que a lei foi “mediada” pelos anjos. Todavia, em Cristo, temos uma mensagem do Filho (Heb. 2:3), que é superior à mediação angelical. Os anjos também estarão envolvidos no julgamento (M ar. 8:38; 13:27), e se fazem presentes tanto no nascimento de Cristo (Luc. 2:13 ss.) como por ocasião de Sua futura parousia (ver o artigo a respeito). Também estiveram presentes quando da ascensão de Cristo (Mat. 24:31). Podemos entender que eles acompanhavam Jesus Cristo bem de perto, e que fazem o mesmo, posto que secundariamente, com os homens que compartilham da missão salvatícia do Redentor.

IV. A Natureza dos Anjos. 

Somos informados de que eles são seres espirituais criados (Heb. 1:14). Orígenes supunha que não há diferença entre o espirito humano e os anjos, excetuando no grau de queda. Os demônios seriam espíritos caídos em grande escala, e os homens, em menor grau. Os santos anjos não participaram da revolta, e assim retiveram seu estado originai, embora não fossem retratados como todos iguais. Paulo os concebia arranjados em muitas ordens, com diferentes poderes, como se vê em Efé. 1:21. Ver notas completas sobre a questão, no NTI.

Anjos guardiães. 

Os trechos de Mat. 26:53; Heb. 12:22; Apo. 5:11; Sal. 68:17 indicam que eles são muito numerosos. Outras passagens indicam que eles observam os homens, prestando serviços em prol de nações, comunidades e indivíduos. Ver Heb. 1:14; Mat. 18:10; Sal. 9:1; Dan. 10:13; 12:1; Jos. 5:14. Os trechos bíblicos que dão apoio à doutrina dos anjos guardiães são Jó 33:23; Dan. 10:13 (acerca de nações); Mat. 18:10 (onde ver notas completas, no NTI), Heb. 1:14 e Apo. 1:20. Uma antiga doutrina judaica ensina que o anjo guardião tem a semelhança ou aparência daquele a quem guarda, o que talvez seja refletido em Atos 12:15. Essa ideia pode estar ligada à noção oriental do eu-superior ou super-eu do indivíduo. Presumivelmente, a alma não é o elemento superior do indivíduo, mas sim é um instrumento do eu-superior, que é a verdadeira entidade. Esse super-eu é o homem em sua forma mais elevada, um poderosíssimo ser espiritual. Nesse caso, o anjo guardião seria o próprio homem, e a alma seria seu instrumento, tal como o corpo é o instrumento da alma. Há muitos mistérios, e talvez o que aqui dizemos perscrute um tanto esses mistérios, sem desvendá-los. Se esse conceito é veraz, então o indivíduo é seu próprio anjo guardião, ou pelo menos, poderia ser, embora esse anjo exista em uma outra dimensão de seu próprio ser. Isso não negaria a existência de outros espíritos elevados, que poderiam interessar-se em nossas vidas e aos quais poderíamos chamar de “anjos”. O trecho de Mat. 18:10 mostra que esse anjo guardião tem acesso a Deus, um pensamento solene, porque faz Deus chegar bem perto de nós. Tal noção ensina o teísmo (ver o artigo), e não o ateísmo (ver o artigo). O teísmo ensina que Deus não somente criou, mas também interessa-se por Sua criação, continuando a intervir, recompensar, punir e guiar a mesma. O deísmo ensina que a força criadora (pessoal ou impessoal) abandonou o universo, deixando que as leis naturais o governassem. Portanto, Deus é transcendental, sem qualquer contato imediato com os homens e suas vidas.

V. Anjos caídos. 

Em tempos remotos, houve rebelião entre os seres espirituais, nos lugares elevados. Ver Jó. 4:18; Mat. 25:41; II Ped. 2:4; Apo. 12:9. O mais elevado dos anjos (Satanás, ver artigo a respeito) encabeçou essa rebelião. Sem dúvida, alguns demônios (ver o artigo) são anjos caídos, mas muitos deles são débeis demais para serem tanto. Por certo há muitas ordens de seres angelicais, algumas boas e outras más, outras boas e más (como no caso dos homens), algumas dotadas de grande poder, e outras de poder inferior aos homens, algumas elementares, talvez similares aos animais irracionais, e outras com inteligências ainda inferiores aos irracionais. Os espíritos demoníacos poderiam assaltar vindos de vários níveis, o que explicaria a grande diferença entre um poder demoníaco (e sua possessão) e outro. A redenção evidentemente inclui anjos, de tal modo que o caso dos anjos caídos não é irreversível. (Ver Efé. 1:10,23; Col. 1:16). O triunfo de Cristo inclui a derrota dos anjos caídos. (Ver Col. 2:15).

VI. Adoração aos Anjos. 

O respeito aos anjos era profundo no judaísmo, ao ponto de ver um anjo ser considerado como experiência tão grande quanto ver o próprio Deus. (Ver Gên. 16:13; 31:13; Exo. 3:4; Juí. 6:14; 13:22). Talvez certos desses casos fossem teofanias (ver o artigo), ou seja, Deus manifestando-se de alguma forma visível. A teologia judaica posterior encarava os anjos como mediadores entre Deus e os homens (Eze. 40:3; Zac. 3), e a posição tão elevada naturalmente fez com que alguns os adorassem. A adoração aos anjos penetrou na cristandade (ver Col. 2:18.; ver notas completas a respeito, no NTI). As seitas gnósticas incorporaram essa prática (ver < artigo sobre o gnosticismo).  Todavia, a prática não era aceitável para os verdadeiros cristãos (Apo. 19:10). Todavia, no século II D.C., Justino Mártii informa-nos que os cristãos veneravam a hoste dos anjos bons. Após o século IV D.C., o culto aos anjos tornou-se generalizado, sendo honrado especialmente o arcanjo Miguel. Os anjos figuram com destaque na arte e no culto dos cristãos medievais. Os líderes protestantes desencorajaram a prática, e os liberais relegaram os anjos ao domínio da fantasia religiosa e poética.

VII. Homens e Anjos. 

Os textos de Efé. l:10 e Cor. 1:16 mostram que a redenção não excluiu os anjos, embora não saibamos comparar o grau de redenção deles com a redenção humana. Sabemos que a redenção humana, em seu estágio final, envolve a participação na natureza divina (II Ped. 1:4; ver notas completas no NTI), levando-os acima do estado atual dos anjos. O trecho de Heb. 1:14 certamente mostra a subordinação dos anjos aos homens que são herdeiros da salvação.

VIII. Os Anjos e a Espiritualidade. 

E lógico supor que alguns entre os melhores homens têm o poder que demonstram por contarem com a proximidade de seus anjos guardiães. Desse modo, os homens entram em contato com o ser divino, outros seres espirituais servindo de mediadores entre Ele e nós. Também é provável que a iluminação ou revelação espiritual seja mediada pelos anjos. Não há como duvidar que eles não guardam apenas os homens. Deve haver uma intercomunicação de espíritos e de mensagens espirituais. É provável que uma parte da espiritualidade consista no desenvolvimento humano, que o capacita a entrar em comunicação mais livre com o poder espiritual a ele determinado. O poder que alguns manifestam de curar, expulsar demônios, ensinar de modo convincente, pode dever-se ao poder angelical que os acompanha.

IX. O Erro da Demitização. 

Muitos liberais e céticos, que não têm acompanhado de perto as manifestações espirituais que se conhecem em nossos dias, supõem que os milagres, os espíritos angelicais e outros, os mundos espirituais, etc., são invenções de imaginações muito religiosas. Porém, aqueles que estudam as manifestações espirituais de nossa época sabem da existência de uma poderosa realidade imaterial, que inclui seres imateriais. Os milagres de Satya Sai Baba, o santo homem hindu, provam isso. Ele tem sido observado de perto ao criar e transformar a matéria, a curar qualquer tipo de enfermidade, a ressuscitar os mortos; e as pesquisas dos céticos têm-nos convencido de que Sai Baba não é uma fraude. Fenômenos similares ocorrem em outras religiões, incluindo o aspecto evangélico do cristianismo. Apesar de que o milagre, o sinal, o poder nunca são provas de doutrina correta, servem para demonstrar a realidade do mundo espiritual e a importância da espiritualidade. Podemos afirmar com confiança que Jesus fez o que os evangelhos dizem que Ele fez; muitos de Seus milagres são reproduzidos hoje em dia, exatamente como Ele disse que sucederia. O mundo físico é apenas o véu que encobre as realidades espirituais, havendo ‘imensas fronteiras espirituais que ainda precisam ser conquistadas.

X. Inexatidão do Termo Anjo. 

É provável que os mundos espirituais sejam povoados por muitos tipos e gradações de seres. Não há razão para supormos que só existe variedade no nosso mundo físico. E difícil supormos que as dimensões espirituais tenham menos seres que a dimensão física. Portanto, visto que falamos em seres dotados de alta inteligência, que têm interesses e missões espirituais, alguns dos quais entram em vários tipos de contato com os homens, então podemos usar o termo “anjo” como uma espécie de chavão. Porém, cumpre-nos entender que há uma vasta realidade por detrás dessa palavra simples, que ultrapassa toda a nossa imaginação.

XI. Oficias e Poderes Especiais. 

1. Alguns supõem, logicamente, que os anjos têm poderes criativos, podendo estar envolvidos em alguns aspectos da criação, no passado ou no presente. Isso parece lógico, posto que o próprio homem aparentemente é capaz de transformar a energia em matéria. 2. Elementos na adoração e no culto divinos (Apo. 4). 3. Mediadores da mensagem divina, da lei e de muitas comunicações pessoais, que visam prestar orientação aos homens. (Gên. 18:9 ss ; Juí. 13:2-24; Luc. 1:13,30; Gál. 3:19). Na qualidade de transmissores da mensagem divina, os anjos também estão provavelmente envolvidos na iluminação de homens que buscam uma maior espiritualidade. Nisso, eles ajudam o homem a desenvolver-se espiritualmente, como mestres ou guias. (Gên. 24:7,40; Êxo. 14:19). 4. Envolvimento na missão de Cristo, em Seu nascimento, morte e ascensão, e no futuro, em Sua segunda vinda. Ver as referências dadas na discussão anterior. Esse envolvimento inclui o julgamento. (Ver Apo. 20:1-4; Luc. 9:26). 5. Guardar e proteger. Ver as notas sobre as anjos guardiães,  no NTI, em M at. 18:10, bem como a discussão e as referências anteriores. As instâncias bíblicas incluem a experiência de Jacó (Gên. 32:4 ss ), além de muitas outras (ver Êxo. 14:19 ss ; Núm. 22; Jos. 5:14; Dan. 3:28; 6:22; Sal. 91:11; Dan. 10:13; 11:1; Apo. 2:3). Essas referências mostram que essa proteção e orientação é dada a indivíduos, igrejas e nações. 6. Muitos atos de ministração física e espiritual. (Ver Heb. 1:14; Gên. 21:17 ss ; Mar. 1:13 ss ; Mat. 28:2; Atos 5:19; 12:6-11). 7. Um ministério prestado ao Senhor nos lugares celestiais, conforme se vê com abundância no Apocalipse. (Ver Apo. 4). (B C R S Z)

XII. Tarefas dos anjos. 

Estas são variadas, a saber: a. Anunciar e avisar de antemão (ver Gên. 18:9ss; Juí. 13:2-24; Luc. 1:13,30; 2:8-15; Apo. 1-22). b. Guiar e instruir (ver Gên. 24:7,20; 28:12-15; Êxo. 14:19; 23:20; Núm. 20:16; Atos. 7:38,53; Gál. 3:19). Os anjos também interpretam visões (ver Zac. 1:9,19; Dan. 7:16 e Apo. 17:7). c. G uardar e defender, o que explica os anjos guardiães e seus serviços (ver Sal. 34:7; Gên. 32:24 ss ; Êxo. 14:19 ss ; Núm. 22; II Reis 6:17; I Crô. 12:22; Dan. 3:28; 6:22; Sal. 91:11; Dan. 10:13-11:1; Mat. 18:10 (ver nota no NTI) e Apo. 2 e 3 (onde a Igreja é assessorada, guiada, guardada e instruída por agentes angelicais especiais). Ver a afirmação de Jesus de que os anjos poderiam entrar em ação em Sua defesa, em Mat. 26:53. d. Ministrar aos necessitados. (Ver Gên. 21:17ss ; Êxo. 3:7; I Reis 19:5-7; Mar. 1:13; Luc. 22:43; Mat. 28:2; Atos 5:19 e 12:6-11). e. D ar aos homens dons espirituais e ajudá-los nessa utilização (ver I Cor. 12:14). Visto que tais dons, quando genuínos, são originários do Espírito Santo, visto que há um envolvimento angelical que inclui a instrução (ver o ponto b); é possível que os dons possam ser mediados por poderes angelicais, tal como se deu no caso da lei (ver Gál. 3:19). Esse conceito também parece plausível quando consideramos que os anjos muito se atarefam no serviço em favor dos crentes individuais (ver Heb. 1:14); e isso sugere que todos os aspectos da vida dos crentes possam estar envolvidos nesse ministério. Outrossim, muitas religiões além da cristã têm atribuído aos anjos as funções de guias e instrutores espirituais, possibilitando aos homens a cumprirem suas respectivas missões. f. Ajudar os homens a atingirem seu destino. Isso é declarado em Hebreus 1:14. Aqueles que receberem tal ministério herdarão a vida eterna. Antes disso, porém, aquilo que um homem tiver de fazer, a espiritualidade que ele tiver de atingir e as tarefas que ele tiver de cumprir, será com a ajuda dos anjos. Naturalmente, os anjos são agentes de Deus, e não poderes independentes. g. Assessorar no julgamento, tanto o temporal quanto o escatológico, ver Atos 12:23; Mat. 16:27; 25:31; Luc. 9:26; 12:8,9; Mar. 13:27; os eleitos serão recolhidos pelos anjos; os anjos estarão envolvidos, de alguma maneira, na parousia - ver o artigo a respeito. h. Os anjos estão ativos na adoração celeste, servindo tanto agora quanto no estado eterno (ver Apo. 19:1-3; Luc. 2:13 ss.).


XIII. O ministério dos Anjos. 

Rejeito a ideia que diz que nossos anjos guardiães apenas protegem-nos. O trecho de Hebreus 1:14 mostra que o ministério deles atua dentro do contexto espiritual. Também rejeito a noção de que os anjos têm algo a ver com a nossa salvação, como se fossem mediadores; mas creio que eles agem ajudando-nos a crescer espiritualmente. Anjos foram usados como mediadores na outorga da lei, e a lei serviu de aio para conduzir-nos a Cristo (ver Gál. 3:19,24). Quando Jesus foi tentado, foi ajudado por anjos, a fim de que não viesse a falhar naquela sua hora de provação (Mat. 4:11). Os anjos executam a vontade de Deus (Sal. 103:20) e até mesmo guiam na carreira das nações (Dan. 10:12,13,21; 12:1). É difícil supormos que isso se relaciona apenas com questões físicas, materiais. Declara sobre isso a obra Strong’s Theology: “Não poderíamos admitir que os anjos bons influenciam as questões das nações, a fim de contrabalançarem o mal e ajudarem aos bons?” (volume II, pág. 451). Muitos intérpretes acreditam que os anjos das sete igrejas referidas no Apocalipse eram apenas isso, os anjos guardiães daquelas igrejas locais, os poderes que havia por detrás dos pastores daquelas igrejas. Nesse caso, o bem-estar espiritual daquelas comunidades cristãs era influenciado por esses anjos. O trecho de I Coríntios 11:30 diz que os anjos interessam-se pela ordem e pela adoração nas igrejas locais. Essas são questões que influenciam a nossa espiritualidade. Alford opina, acerca dos sete anjos das igrejas do Apocalipse, que eles eram seres sobre-humanos,  nomeados para guardar e representar aquelas igrejas. A leitura daquelas cartas demonstra que o ponto em foco era o desenvolvimento espiritual, e não se alguma carruagem poderia atropelar e ferir a alguém, em alguma das ruas de Éfeso. “Assim como aos espíritos malignos foi permitido atuarem mais ativamente quando o cristianismo começou a atrair aos homens, assim também os anjos bons podiam ser mais frequentemente reconhecidos como os executores dos propósitos divinos” (Strong, idem,  pág. 453). Além disso, ouçamos o seguinte: “Assim como os anjos maus tentam aos homens, assim também é provável que os anjos bons atraiam os homens para a santidade”(Strong, idem,  pág. 453). Em seguida, ele passa a dizer: “Recentes pesquisas desvendam possibilidades quase ilimitadas para outras mentes serem influenciadas através da sugestão. Superficiais fenômenos físicos, como o odor de uma violeta, ou como a visão de uma pétala de rosa, em uma página amassada de um livro, podem dar início a uma série inteira de pensamentos que podem mudar o rumo inteiro de uma vida. Uma palavra ou um olhar pode exercer grande fascínio sobre nós. Fisher, em seu livro, Nature and Method of Revelation (pág. 276), afirma: ‘Os fatos do hipnotismo ilustram a possibilidade de uma mente cair sob uma estranha escravidão a outra mente’. Ora, se outros homens podem nos influenciar tão poderosamente, então é perfeitamente possível que os espíritos que não estão sujeitos às limitações da carne, possam influenciar-nos ainda mais” (idem,  págs. 453 e 454). Strong prossegue, referindo-se à naturalidade dos fenômenos psíquicos, após o que assevera: “A nossa natureza humana é mais ampla e mais susceptível às influências espirituais do que comumente temos acreditado”. Em seguida, ele aborda a questão dos anjos malignos, que atraem os homens a pensamentos e atos maus, da mesma forma que se espera que os anjos bons façam o contrário. Strong foi um teólogo e educador batista, e a sua obra, durante muitas décadas, tem sido utilizada como um compêndio padrão de teologia sistemática. Não penso que eu preciso de qualquer autoridade maior do que essa. Ademais, as Escrituras falam por si mesmas. Por conseguinte, sinto-me perfeitamente justificado ao afirmar que os poderes angelicais podem participar do nosso crescimento espiritual, chegando mesmo a inspirar algum ocasional sermão, quando o pregador eleva-se acima de seu “eu” normal (muitas vezes enfadonho). 

XIV. A Evolução da Vereda Espiritual. 

1. Materialismo. 

Com ou sem a crença em um Ser Supremo (essa crença pode ser meramente teórica, sem qualquer praticalidade na vida diária), os homens podem atirar-se no materialismo. Então a vida é vivida egoisticamente. A alma não volve os olhos para cima, para seu futuro estágio eterno. A vida diária não é influenciada por essa visão do alto. 

2. Superstição.  

Nesse segundo estágio, os homens chegam a reconhecer algo dos poderes sobre-humanos e espirituais, mas aí todo conceito das coisas continua distorcido. As crenças religiosas podem ser até prejudiciais como na prática do sacrifício humano. Os supersticiosos deixam-se levar por toda forma de mitos e imaginações, mas, pelo menos, já chegaram a perceber que existem poderes espirituais. 

3. Fundamentalismo.  

Nesse nível, as revelações divinas, preservadas em Livros Sagrados, são altamente reverenciadas: porém, a letra é posta acima do Espírito. Ver o artigo sobre Bibliolatria. Crenças e credos rígidos cristalizam e entravam o desenvolvimento espiritual. Credos tornam-se motivos fortes de divisão. A arrogância e o gosto pela polêmica são proeminentes nesse estágio. No caso de muitos, o amor é apenas uma questão da boca para fora. Textos de prova resolvem tudo. Tradições são ensinadas como se fossem a própria verdade. Porções dos Livros Sagrados são distorcidas no esforço de obter uma teologia sistemática infalível, que se toma mais importante que a própria verdade. Algumas pessoas, neste estágio, são capazes de atingir um bom grau de piedade e espiritualidade pessoais. Muitos, porém, substituem a espiritualidade pela mera aderência a algum credo. 

4. Filosofia.  

Nesse nível do avanço, os homens já começam a pensar por si mesmos, e não são apenas mata-borrões que somente absorvem ideias alheias. Surge uma espécie de despertamento, após todo o sono dogmático do passado. A tolerância (vide) torna-se a linha mestra principal das atitudes e ações. A lei do amor começa a adquirir importância. As antigas verdades passam a ser entendidas de uma nova maneira, e novas verdades são descobertas e incorporadas. Os credos deixam de ser examinados e seguidos cegamente, conforme sucedera no estágio fundamentalista. É abandonado o antiintelectualismo (vide). 

5. Perseguição e Perseverança. 

A alma começa a ter fome e sede de justiça e verdade. Sente-se aflita, impelida a uma inquirição espiritual mais intensa. Alguns experimentam, nesse estágio, uma reconversão. O estudo torna-se mais importante; a meditação é praticada; a iluminação é procurada; a compaixão e a simpatia substituem a antiga hostilidade. Os homens avançam para além da tolerância, 

6. A Vereda Mística.  

A alma segue a Deus bem de perto; experiências conferem a iluminação. A Presença Divina toma-se uma realidade na vida. A união com Deus é desejada e procurada. O amor é supremo. Ver sobre Misticismo e Cristo-Misticismo. 

7. Glorificação

O estágio final é, realmente, o processo da eterna glorificação (vide).


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