2016/05/26

Interpretação de Oseias 1

Interpretação de Oseias 1

Interpretação de Oseias 1

(Interpretação da Bíblia)
Índice: Oseias 1 Oseias 2 Oseias 3 Oseias 4 Oseias 5 Oseias 6 Oseias 7 Oseias 8 Oseias 9 Oseias 10 Oseias 11 Oseias 12 Oseias 13 Oseias 14

Oséias 1.1-3.5
A. A VIDA PESSOAL DE OSEIAS, Os 1.1-2.1
Deus usa as experiências de seu povo para revelar-se progressivamente no Antigo Testamento, com vista de sua revelação plena em seu Filho, Jesus Cristo. Foi o que sucedeu com Oséias, por quem começamos a entender a manifestação do amor de Deus ao homem.
1. Título (1.1)
A profecia começa com uma frase muito importante: Palavra do SENHOR que foi dita a ()selas (1). Esta expressão pode ser traduzida assim: “O começo do que Jeová falou por Oséias”. Deus não só falava com o profeta, mas, por intermédio dele, comunica­va-se com outras pessoas.
A convicção de que a Palavra do SENHOR vem ao profeta (cf. Jr 1.2; Jl 1.1; Mq 1.1; Sf 1.1; Ag 1.1; Zc 1.1) é fundamental para a profecia hebraica. A inspiração do profeta não é dele, mas de Deus, que está disposto a revelar sua pessoa e sua vontade ao povo atra­vés de seu mensageiro.'
Oséias era filho de Beeri. Nada sabemos sobre seu pai, mas o nome significa “meu poço” ou “o poço de Jeová”. O fato de o profeta estar a par das questões santas indica, talvez, que seu pai era sacerdote.
Conforme indicação, as profecias ocorreram durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel (ver Introdução para inteirar-se de explanações sobre a duração do ministério de Oséias).
2.    O Casamento de Oséias (1.2,3)
Disse, pois, o SENHOR a Oséias: Vai, toma uma mulher de prostituições (2). Os intérpretes não concordam que esta passagem inicia uma narração alegórica amplia­da ou se deve ser considerada literalmente. “Jeová teria ordenado que um homem santo fizesse o que era expressamente proibido aos sacerdotes para, depois, desaprovar Israel como um todo?”2 Agostinho proibiu a interpretação literal, ao basear-se no princípio hermenêutico de que a interpretação literal, a qual aqui era incongruente e moralmente imprópria, seria considerada inferior ao sentido figurado. A experiência não era obvia­mente uma visão. Muitos estudiosos, inclusive Keil, a consideram “intuição interior e espiritual na qual a palavra de Deus foi dirigida ao profeta”.3 Em outras palavras, ela era uma representação alegórica.
Talvez a objeção mais séria a uma interpretação alegórica seja a narrativa em dis­curso direto dada por Oséias. Não há indicação de que seria entendida de outro modo. O texto fornece o nome do pai de Gômer, Diblaim (3), embora nada mais se saiba sobre ele. Um princípio hermenêutico mais forte que o citado por Agostinho é que, a não ser indica­ção em contrário, a Bíblia deve ser considerada em seu sentido claro e óbvio.
O autor deste comentário acredita que a melhor solução está na conjectura de que Gômer, quando se casou, não era mulher de costumes dissolutos. Archer conclui sua análi­se: “Se Oséias entregou sua mensagem quando era mais velho, ele pode ter rememorado sua tragédia doméstica e visto nela a mão orientadora de Deus. Desta forma, o incentivo do Senhor para ele se casar, ainda que a infidelidade futura de Gômer fosse prevista por Deus, teria sido equivalente a uma ordem: Vase-se com uma mulher adúltera', mesmo que o profeta não tivesse recebido esta ordem precisamente nestes termos”.4 O Senhor usou a dramática experiência pessoal de Oséias para revelar o pecado de seu povo esco­lhido e o caráter de sua vontade, a fim de atrair Israel de volta para Ele.
3.    Os Filhos de Oséias (1.4-9)
Gômer era provavelmente uma pessoa comum, conforme indica o fato de o nome de Deus (El ou Jah) não estar incluído em seu nome. A maioria dos nomes das pessoas de classe alta continha o nome divino.
O primeiro filho de Oséias e Gômer foi Jezreel (4). O Senhor ordenou que Oséias desse à criança este nome, que significa “Deus semeia” ou “Deus espalha”. Assim, simbo­licamente, a referência era um ato de julgamento que se daria na destruição de Israel.
O sangue de Jezreel refere-se à cidade de Acabe e Jezabel. Foi nesta localidade que ocorreu o massacre da casa de Acabe (2 Reis 9.21-37). Pela razão de Jeú ter agido com cruelda­de, o julgamento visitaria sua própria casa. A profecia de Oséias falou do início do fim de Israel, embora tenha sido proferida 40 a 60 anos antes da queda de Samaria (ver Diagrama A).
O arco de Israel (5) que seria quebrado no vale de Jezreel representa o poder desta nação. Não se imaginava algo mais indefeso que um israelita guerreiro com um arco quebrado. O vale de Jezreel, que mais tarde seria conhecido por “vale de Esdraelom”, tem sido, desde Débora a Allenby, o campo de batalha do Oriente Próximo. “Onde Jeú tinha pecado, no mesmo lugar, em sua posteridade, o pecado seria punido”.5
Ao dar o nome de Jezreel a seu filho, o profeta simbolizava o derramamento de sangue em Jezreel, quando Jeú ascendeu ao trono. Representava também o esperado julgamento de Deus sobre esta dinastia, por causa do massacre deste rei.
O segundo filho era uma menina, acerca de quem Deus mandou a Oséias: Põe-lhe o nome de Lo-Ruama (6). O nome, em hebraico, significa “não é favorecida” ou “aquela que não é compadecida”. Indica que a criança era ilegítima, gerada sem o amor de pai. Simbolicamente, a menina recebeu este nome para ressaltar que o Senhor não mostraria mais compaixão a uma nação que lhe era rebelde. A misericórdia de Deus com Israel se esgotara. Ele não pouparia mais. Há uma determinação nas palavras finais: Mas tudo lhe tirarei. Assim que Israel fosse levado ao exílio, não haveria volta como sucederia com o Reino do Sul no tempo da restauração. Israel tinha de se conscientizar de que o concerto fora rescindido – que Jeová não era mais seu Deus, que Ele a considerava nação idólatra.
Por outro lado, Deus declarou: Mas da casa de Judá me compadecerei e os salvarei pelo SENHOR, seu Deus (7). Observe que o pronome eu (oculto) foi substitu­ído pelo nome próprio o SENHOR, seu Deus. Embora Judá não estivesse isento da desgraça do exílio, ele foi salvo da apostasia final pelo favor de Deus. Ainda que Oséias não ignore o estado religioso e moral de Judá, ele promete libertação.
A profecia se encerra mostrando que Judá não será salvo pela força de exércitos, mas pelo SENHOR, seu Deus. Israel confiara em recursos terrenos (Os 10.13), mas só quem decisivamente confiara no Senhor e o adorara poderia contar com a absoluta certe­za da libertação.
A ameaça para Israel diz respeito ao castigo imediatamente no futuro (Os 2.1-3), quan­do o julgamento finalizaria a história das dez tribos. Não obstante, como ressalta Keil, “também tem um significado que se aplica a todas as eras, qual seja, quem abandona o Deus vivo cairá em destruição e não pode contar com a misericórdia de Deus nos tempos da necessidade”.6
O terceiro filho nascido de Gômer, um menino, foi chamado Lo-Ami, porque vós não sois meu povo, nem eu serei vosso Deus (9). O ciclo se fecha. O terceiro filho também é ilegítimo e Oséias reconhece que Gômer foi adúltera. O nome sugere a suces­são ininterrupta de desgraças a ocorrer em Israel. Não é meu povo – assim Israel seria chamado. O concerto foi totalmente rescindido. Na última frase, as palavras passam com grande ênfase para a segunda pessoa: “Eu não serei para vós”, ou: “Eu já não pertencerei a vós” (cf. Êx 19.5; Sl 118.6; Ez 16.8). O cumprimento da profecia encontra-se na história trágica de 2 Reis 17.18.
4. Restauração e Renovação (Os 1.10-2.1)
De modo repentino, Oséias passa da tragédia para a promessa. No meio do julga­mento, o Senhor se lembrou da misericórdia. Este apêndice ao capítulo 1 é o anúncio salvífico da restauração final para aqueles que se voltam para o Senhor. O número da posteridade de Israel será como a areia do mar, que não pode medir-se nem con­tar-se (10). A predição do castigo final tem de ser modificada por Deus devido às promes­sas feitas a Abraão em Gênesis 22.17 e 32.12. Oséias não pôde apagar a possibilidade da salvação originalmente prometida pelo Senhor. “Quando Deus faz as mais terríveis ame­aças, ele concomitantemente faz as mais graciosas promessas”!
A profecia expressa a promessa graficamente quando diz que os homens chamados Lo-Ami (não é meu povo) serão chamados filhos do Deus vivo (10). Esta mudança ocorrerá na terra do exílio, tanto para Israel como para Judá (11). Aqui, Jeová é chamado El chai, o Deus vivo, em oposição aos ídolos que Israel criara ou copiara das nações vizinhas. Esta talvez seja a primeira vez que Deus prediz que adotará os gentios. Paulo se refere a esta predição em Romanos 9.24-26.
A magnífica promessa messiânica do Deus vivo fala do restabelecimento das rela­ções entre Israel e Judá: E os filhos de Judá e os filhos de Israel juntos se congre­garão (11). Estas palavras proféticas denotam mais que apenas a volta do cativeiro. O versículo 11 fala do dia de Jezreel, quando, sob uma única cabeça, o Rei-Messias, eles irão à terra que lhes pertence. Se o cumprimento inicial da profecia era a volta de Judá da terra da Babilônia acompanhado de muitos israelitas, o cumprimento final se­ria a “restauração dos judeus, convertidos e crentes no Messias, sob as ordens divinas, de volta à sua própria terra”.
Embora os nomes dos filhos do profeta fossem presságios de tragédia iminente, o quadro de repente muda. A maldição agora é bênção. O dia de Jezreel não é um “espalhamento”, mas uma “reunião” na consumação espiritual final. O Não... meu povo se torna “meu povo” e “aquela que não é compadecida” se torna compadecida ou amada com compaixão (Os 2.1). “Grande será o dia tão destacado pela bondade divina; tão glorioso em graça divina; e tão distinto pelas maravilhosas obras do Senhor que cum­pre o concerto”.

Para confirmar este acontecimento festivo, em Os 2.1 a promessa messiânica se encer­ra com uma convocação: “Falai com vossos irmãos e agora os chamai: Meu povo, e chamai vossas irmãs: Amadas” (Phillips). Visto que Deus ampliou sua misericórdia, os indivídu­os espiritualmente relacionados são exortados a tratar alegremente uns aos outros, com o “novo nome” que receberam do próprio Senhor.

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