2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 17

Estudo sobre Apocalipse 17

Estudo sobre Apocalipse 17



BABILÔNIA, A GRANDE (17.1—19.5)
Um dos anúncios feitos por anjos no cap. 14 proclamou a queda da “grande Babilônia”; e mais tarde, quando a sétima taça do juízo foi derramada, “Deus lembrou-se da grande Babilônia e lhe deu o cálice [...] do furor da sua ira” (16.19). O juízo da grande Babilônia é agora retratado em mais uma visão.

1) A prostituta (17.1-18)
v. 1. Um dos sete anjos que tinham as sete taças: Cf. 15.7; 21.9. grande prostituta: Acerca de descrições semelhantes de outras cidades, cf. Na 3.4 (Nínive); Is 23.15,16. (Tiro); Ez 23.5ss (Samaria). Mesmo Jerusalém é assim retratada em Ez 16.15ss; 23.11ss. que está sentada sobre muitas águas: A linguagem é tomada de Jr 51.13, em que a Babilônia literal “vive junto a muitas águas”; acerca do seu significado presente, cf. o v. 15. v. 2. com quem os reis da terra se prostituíram: Assinaram tratados políticos e econômicos, os habitantes da terra se embriagaram com o vinho da sua prostituição: Cf. 14.8; a referência é ao domínio romano sobre o mundo do Mediterrâneo, v. 3. o anjo me levou no Espírito: Acerca dessa linguagem de êxtase profético, cf. Ez 37.1; 40.1,2. uma mulher montada numa besta vermelha: A besta, evidentemente, é a do mar de 13.lss; a cidade imperial é mantida pelo império. A cor da besta, como os enfeites da mulher (v. 4), descreve o esplendor pomposo de Roma. v. 4. Segurava um cálice de ouro: Cf. Jr 51.7, em que a Babilônia literal “era um cálice de ouro nas mãos do Senhor; ela embriagou a terra toda”, v. 5. Em sua testa havia esta inscrição: MISTÉRIO: “Mistério” indica que o nome que ela está usando (como prostitutas romanas usavam seu nome escrito na testa) não deve ser entendido literalmente, mas alegoricamente: lê-se BABILÔNIA, A GRANDE, mas se quer dizer “Roma” (cf. v. 9,18). 
A MÃE DAS PROSTITUTAS E DAS PRÁTICAS REPUGNANTES: Uma referência à concentração de idolatria, superstição e imoralidade na cidade imperial; cf. a descrição que Tácito faz de Roma como o lugar “em que todas as coisas horríveis e vergonhosas da terra se ajuntam e encontram o seu lar” (embora Tácito, ao contrário de João, inclua o cristianismo entre essas coisas), v. 6. embriagada com o sangue dos santos, o sangue das testemunhas de Jesus: Uma referência à perseguição aos cristãos em Roma, começando com o ataque de Nero a eles depois do grande incêndio em 64 d.C. v. 7. Eu lhe explicarei o mistério dessa mulher. Na literatura apocalíptica, as revelações são feitas por meio de símbolos que são mistérios até que seja fornecida a interpretação adequada; cf. Dn 2.18ss; 4.9ss; 5.5ss; 7.15ss. v. 8. A besta que você viu: A besta é descrita como em 11.7; 13.3,8. Enquanto a besta é o império, a interpretação oscila entre o império e sua personificação no imperador perseguidor que, após o seu ferimento mortal, volta à vida como o último anticristo (cf. v. 11). ela era, agora não é, e entretanto virá: Uma paródia profana do nome divino de 1.4 etc. v. 9. Aqui se requer mente sábia: Cf. 13.18. Aí sete cabeças são sete colinas sobre as quais está sentada a mulher: Mesmo que a polícia do império não entendesse a referência a Roma em outras partes da visão, a expressão proverbial sete colinas, o septimontium, não poderia deixar de ser interpretada. Roma era no início um aglomerado de sete assentamentos sobre colinas à margem esquerda do rio Tibre, sendo o assentamento principal o da colina Palatina, v. 10. São também sete reis: Sete imperadores romanos (gr. basileus é usado nesse sentido em Jo 19.15; At 17.7; IPe 2.13, 17). Cinco já caíram: Se contarmos a partir do primeiro imperador, seriam Augusto (27 a.G-14 d.C.), Tibério (14-37 d.C.), Caio (37-41), Cláudio (41-54) e Nero (54-68). um ainda existe: Provavelmente Vespasiano (69-79); os três imperadores, Galba, Oto e Vitélio, que governaram em rápida sucessão em Roma durante os dezoito meses entre a morte de Nero e a captura de Roma pelas tropas de Vespasiano em 21 de dezembro de 69 d.C., dificilmente entram no cálculo do ponto de vista das províncias orientais. Nelas, a autoridade de Vespasiano era incontestada depois da sua proclamação em Alexandria em 1 de julho de 69 d.C. (Sua ascensão ao trono imperial tinha sido predita dois anos antes por Josefo, que considerava Vespasiano predestinado a cumprir parte das profecias messiânicas.) outro ainda não surgiu [...] deverá permanecer durante pouco tempo: Tito, o sucessor de Vespasiano, governou somente dois anos (79-81 d.C.). v. 11. A besta que era, e agora não é, é o oitavo rei: Aqui novamente temos a oscilação entre o império (a besta) e o imperador (uma das cabeças) que encarnavam o seu poder em qualquer tempo (cf. 13.3,12). No final, o poder do império perseguidor vai ser encarnado no anticristo imperial, que E um dos sete, provavelmente no sentido de que é uma reencarnação de um deles. Era natural que comentaristas a partir do século II o identificassem com Domiciano (81-96), sucessor de seu irmão Tito, e o enxergassem como um segundo Nero. Mas João não está pensando em Domiciano (cuja reputação tradicional como perseguidor da igreja está baseada em fundamento histórico muito precário), mas em uma potestade demoníaca, Nero redivi-vus (v. comentário de 13.3). caminha para a destruição: Cf. 19.20. O anticristo é chamado de “o filho da perdição” em 2Ts 2.3.

v. 12. Os dez chifres têm um significado diferente do de seus protótipos no animal sem nome de Dn 7.7. Eles representam dez reis que ainda vão surgir como dependentes aliados de Roma ao fazerem guerra contra o Cordeiro (v. 13,14), mas que subsequentemente, em aliança com o povo do próprio império, voltam e a destroem (v. 16). Eles não podem ser identificados com personagens conhecidas da história. A cidade de Roma foi de fato saqueada em 410 pelos godos, que tinham se aliado ao imperador; mas é questionável se João teria considerado esse evento o cumprimento da sua visão. Naquela época, Roma já tinha capitulado havia muito tempo diante da soberania de Cristo. Proclamações particulares de juízo nas Escrituras normalmente podem ser abortadas por arrependimento oportuno (cf. Jr 18.7,8; Jn 3.10). Mesmo assim, João nos lembra, com referência ao império que ele conhecia melhor, que o domínio imperial não perdura, e que qualquer poder que se levante “contra o Senhor e o seu ungido” (SI 2.2) assina sua própria sentença de morte. v. 14. mas o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e Rei dos reis: Cf. 19.11-21, sobre os detalhes dessa vitória escatológica, e 19.16, acerca do título do Cordeiro, e vencerão com ele os seus chamados, escolhidos e fiéis: Em 19.14, eles são descritos como “os exércitos dos céus [...] vestidos de linho fino, branco e puro”, v. 16. A besta e os dez chifres [...] odiarão a prostituta: Os aliados imperiais e as províncias se unem nesse ataque aniquilador à grande cidade que reina sobre os reis da terra (v. 18).

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