2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 18

Estudo sobre Apocalipse 18

Estudo sobre Apocalipse 18



O canto fúnebre sobre a Babilônia (18.1-24)
Temos aqui a continuação do tema da queda da grande Babilônia, mas ela é apresentada agora como a destruição de uma grande cidade mercantil. Nos dias de João, Roma era o centro do comércio mundial — “Roma era o mundo todo, e todo o mundo era Roma” (Spenser) — e o que é retratado aqui não é meramente a condenação de uma cidade antiga, mas o colapso certo de toda organização humana, comercial e de outras modalidades que deixa Deus de fora de seu planejamento:
Yede, toda a nossa pompa de ontem E uma com Nínive e Tiro!
Em primeiro lugar, um anjo poderoso e resplendente (v. 1) anuncia a queda da Babilônia (v. 2) em linguagem extraída de Is 21.9 (cf. Ap 14.8); 13.21,22 e Jr 51.8, em que a desolação da Babilônia junto ao Eufrates é vividamente retratada. Acerca da linguagem do v. 3, cf. 14.8; 17.2. Pode parecer desnecessário mencionar que a Babilônia do cap. 18 é a mesma Babilônia do cap. 17, não fosse pelo fato de que alguns comentaristas tentaram fazer uma distinção entre elas. v. 3. seu luxo excessivo: Lit. “o poder da luxúria”, “poder” (gr. dynamis) sendo usado aqui no sentido ampliado do heb. chayil(“poder”, “riqueza”). Em seguida, outra voz do céu chama o povo de Deus a deixar a cidade condenada, em linguagem tirada de Jr 50.8; 51.6,45; Is 48.20; 52.11,12, para que não participem dos seus pecados [...] [das] pragas que vão cair sobre ela (v. 4). v. 5. Pois os pecados da Babilônia acumularam-se até o céu; Cf. Jr 51.9. v. 6. Retribuam-lhe na mesma moeda-. Uma declaração do princípio da retribuição na história humana que ocorre repetidas vezes em toda a Bíblia; cf., com referência especial à Babilônia, SI 137.8; Jr 50.15,29. v. 7. Estou sentada como rainha; não sou viúva..:. Essa e as expressões seguintes são citações de Is 47.7ss, em que é descrita a súplica da Babilônia cativa, v. 8. num só dia: Cf. Is 47.9: “num mesmo instante, num único dia”; cf. tb. v. 10,17,19 adiante (“em apenas uma hora”). Pois poderoso é o Senhor Deus que a julga-. Cf., em contextos semelhantes, Is 47.4; Jr 50.34.
A transferência que João faz de antigas profecias para se adequar a novas condições pode encorajar leitores de hoje (embora eles não possam reivindicar o dom profético de João) a aplicar os princípios da profecia de João aos dias atuais, sempre que forem aplicáveis a estes dias. Mas uma das excentricidades na história da interpretação é que as comunidades cristãs têm sido muito propensas a identificar umas às outras com a Babilônia apocalíptica; é fácil e apropriado demais aplicar as ameaças das Escrituras aos outros e reivindicar as bênçãos para si. v. 9. os reis da terra [...] chorarão e se lamentarão por ela. Os lamentos nos v. 9-19 feitos por governantes e mercadores que prosperaram por meio do seu comércio com a grande cidade fazem eco aos cânticos fúnebres sobre Tiro em Ez 26.17-19; 27.2536. v. 10. Ai! A grande cidade! [...] cidade poderosa!; Cf. Ez 26.17. v. 11. Os negociantes da terra chorarão e se lamentarão por causa dela; Porque a queda da cidade os priva de um mercado tão insaciável para os seus bens. artigos como ouro, prata, pedras preciosas..:. Cf. o catálogo das mercadorias de Tiro em Ez 27.12ss. v. 13. e corpos e almas de seres humanos; Há uma sutil mudança da construção da expressão no grego que sugere que o termo “almas (vidas) de pessoas” está justaposto a “corpos”. Cf. Ez 27.13, em que “as pessoas dos homens” (heb. nephesh ’adam) na LXX é psychai anthrõpõn, a mesma expressão que João usa aqui. Há boa evidência helenística para interpretar “corpos” como “escravos”, v. 17. Todos os pilotos, todos os passageiros e marinheiros dos navios e todos os que ganham a vida no mar ficarão de longe; Cf. Ez 27.29: “os marujos e todos os marinheiros ficarão na praia”. Em Ezequiel, a queda de Tiro é retratada como o afundamento de um grande navio mercante, carregado com bens de muitas terras, “no coração do mar” (Ez 27.25); aqui os espectadores vêm para testemunhar e lamentar sobre o desaparecimento de uma grande cidade em uma grande conflagração, e eles mantêm distância em virtude do intenso calor (v. 9,10,15,17,18); cf. a vista que Abraão teve das cidades de Sodoma e Gomorra em chamas em Gn 19.27,28.
v. 20. Celebrem o que se deu com ela, ó céus!; Esse não é o prazer maligno que alguns têm na derrota dos seus inimigos, mas o chamado para celebrar os juízos de Deus. Há compaixão inequívoca no cântico fúnebre sobre Roma, assim como houve no lamento sobre Tiro do qual faz eco, e não precisamos supor que Ezequiel e João não tenham sentido compaixão no seu coração. Mas “quando se vêem na terra as tuas ordenanças, os habitantes do mundo aprendem justiça” (Is 26.9). Nos juízos de Deus, considerados corretamente, o povo de Deus pode se alegrar de maneira apropriada, mas vai se “alegrar com tremor”, lembrando que os juízos dele começam na sua própria casa (IPe 4.17,18; Ez 9.6; Am 3.2). v. 21. As ações dos anjos em lançar ao mar uma grande pedra de moinho como sinal da aniquilação de Roma lembra a profecia encenada que Jeremias ordenou Seraías a executar contra a Babilônia em 593 a.C. (Jr 51.59-63). O anjo agora retoma o lamento com seu refrão pesado nunca mais (cf. Ez 26.21; 27.36). As atividades e recreações da cidade vão ser completamente interrompidas, e a grande Babilônia vai desaparecer como se nunca tivesse existido, v. 22. Nunca mais se ouvirá em seu meio o som dos harpistas-. Cf. Ez 26.13 (acerca de Tiro), v. 23. Nunca mais se ouvirá ali a voz do noivo e da noiva-. Cf. a linguagem semelhante de Jeremias com relação a Jerusalém (Jr 7.34; 16.9; 25.10). v. 24. Nela foi encontrado sangue de profetas e de santos, e de todos os que foram assassinados na terra: Cf. palavras semelhantes do nosso Senhor acerca da expiação iminente de Jerusalém do “sangue de todos os profetas, derramado desde o princípio do mundo” (Lc 11.50; Mt 23.35). Não é pela sua riqueza e empreendimentos comerciais que a grande cidade é condenada. Se, por um lado, a prosperidade não é prova de aprovação divina, tampouco suscita o ciúme divino. Mas a impiedade atrai o seu próprio castigo merecido, e ali onde a impiedade é associada à exploração inescrupulosa dos desprivilegiados e à perseguição dos justos, nada, a não ser o arrependimento oportuno e total, pode impedir a sentença de morte. No entanto, sempre que os pecados da civilização atingem seus últimos limites e não há mais espaço para arrependimento, o juízo cai com a determinação da “grande pedra de moinho” do v. 21.

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