2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 22

Estudo sobre Apocalipse 22

Estudo sobre Apocalipse 22



EPÍLOGO (22.6-21)
1) Atestação do anjo (22.6,7)
v. 6. Essas palavras são dignas de confiança e verdadeiras-, Cf. 19.9; 21.5. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer. Cf. 1.1; 22.16. Aqui o próprio Jesus parece ser identificado com “o Deus dos espíritos dos profetas” (cf. o final de 19.10). v. 7. venho em breve. O anjo, evidentemente, fala em nome do Senhor. Cf. os v. 12,20. Feliz é aquele que guarda as palavras da profecia deste livro-, A repetição da bem-aventurança de 1.3. Guardar as palavras inclui não somente retê-las na memória, mas regular a sua vida de acordo com elas, especialmente mantendo sua confissão de fé sem fazer concessões.
2) A mensagem é atestada por João (22.8-11)
v. 8. Eu, João, sou aquele que ouviu e viu estas coisas: Cf. 1.1,9. Ele declara que as visões de Apocalipse foram suas experiências autênticas, e não invenções literárias. A recusa do anjo em aceitar a honraria que João tenta lhe prestar (v. 8b,9) segue 19.10 de perto, v. 10. Não sele as palavras da profecia deste livro, pois o tempo está próximo: Daniel recebeu a ordem de selar o registro das suas visões “até o tempo do fim” (Dn 12.4,9), pois séculos se passariam entre o terceiro ano de Ciro (Dn 10.1) e o cumprimento das profecias que eram marcadas por aquele dia; mas essa defasagem de tempo não é vislumbrada aqui (contraste com 10.4). O problema do adiamento da parousia (como se entende comumente) é assim destacado. Visto que o tempo é breve, vai haver pouca oportunidade para arrependimento e mudança; os ímpios são confirmados na sua maldade, os justos, na sua justiça (v. 11; cf. Dn 12.10).
Na doutrina cristã das últimas coisas, a iminência do retorno é moral, mais do que cronológico; cada geração cristã sucessiva, a não ser que haja algo em contrário, pode ser a última geração. Nesse sentido, o tempo sempre está próximo (1.3); portanto, é sábio que os crentes estejam prontos para se encontrar com seu Senhor. Quando ele vier e instituir o julgamento final, o veredicto vai ser aquele que os homens por meio da sua atitude em relação a Deus e seu estilo de vida já atraíram sobre si (cf. Jo 3.18). Até então, a “água da vida” permanece disponível a quem quiser, como o v. 17 deixa claro.
3) A mensagem é atestada por Jesus (22.12-16)
O Senhor anuncia a sua vinda repentina, para recompensar a cada um de acordo com o que fez (v. 12). O princípio já foi estabelecido em 2.23; 20.12; cf. tb. lGo 4.5; Ef 6.8; Cl 3.2325. v. 13. Eu sou o Alfa e o Omega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim: Uma combinação de 1.8,17b; 21.6. v. 14. Felizes os que lavam as suas vestes: Cf. 7.14. Uma variante inferior, mas com boa evidência, traz “Felizes são os que guardam os seus mandamentos” (isso poderia ter surgido da cópia de um texto grego não muito nítido). Os que são excluídos da cidade (v. 15) pertencem às categorias já mencionadas em 21.8,27 (cf. ICo 6.9,10; G1
5.19-21). Os v. 14,15 podem ser um interlúdio entre as duas partes da atestação de Jesus nos v. 13,16; com frequência, se tem suspeitado de que os parágrafos finais de Apocalipse sofreram um deslocamento primitivo, v. 16. Eu, Jesus, enviei o meu anjo: Cf. 1.1; 22.6. a Raiz e o Descendente de Davi: Acerca do primeiro título, cf. 5.5. Seu ser eterno (v. 13) e sua descendência davídica são colocados em justaposição paradoxal; cf. Mc 12.35-37; Rm
1.3,4. a resplandecente Estrela da Manhã: Cf. 2.28. A estrela [...] de Jacó ou o cetro [...] de Israel prenunciados por Balaão (Nm 24.17) eram primariamente uma referência a Davi e sua carreira vencedora, e é por isso transferida, não inadequadamente, ao Filho maior do grande Davi. Nos textos de Gunrã, Nm 24.17 é um testimonium recorrente do guerreiro messiânico do fim dos tempos. Outra referência no NT a Cristo como a estrela da manhã pode ser detectada em 2Pe 1.19 (em que a palavra é phõsphoros, “o que traz luz”; aqui astêr [...] prõinos é a expressão usada).
4) Invocação, convite e resposta (22.17-20)
v. 17. O Espírito e a noiva dizem: “Vem!”: Esse “Vem” é dirigido ao Senhor. Podemos considerar o Espírito como o que habita na comunidade amada e a inspira a reagir assim à promessa do Senhor do v. 12, ou podemos entender o Espírito como sendo o Espírito da profecia, e nesse caso a expressão o Espírito e a noiva “é praticamente equivalente a ‘os profetas e os santos’ ” (H. B. Swete). E todo aquele que ouvir diga: “Vem!”: Todo aquele que ouve a leitura do livro (cf. 1.3) nesse ponto deve interromper com sua resposta pessoal: “Vem!”. A forma aramaica de invocação: Maranatha, “Vem, ó Senhor!” (ICo 16.22), foi mantida até mesmo nas igrejas de fala grega, especialmente na celebração da eucaristia. Concluímos isso do Didaquê (c. 100 d.C.), em que, admiravelmente, Maranatha é imediatamente precedido do chamado: “Se alguém é santo, que venha; se alguém não é, que se arrependa” (Didaquê 10.6). Assim, também aqui a invocação do Senhor está intimamente associada ao convite aos de fora: Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida — tire-a, como 21.6 declara, do Alfa e do Omega, a quem é dado todo o poder. Num livro tão repleto de juízos, é animador encontrar o convite do evangelho estendido de forma tão clara e generosa no final. Nenhuma análise da qualidade cristã de Apocalipse é adequada se não der importância total a essas palavras. Se “quem quiser” é considerado por alguns um problema, é um problema importado de fora; não é um problema apresentado pelo contexto. O idólatra mais cego, o perseguidor mais cruel, até o próprio Nero — e poderíamos acrescentar o mais miserável apóstata? — pode vir se quiser e aceitar os completos e gratuitos benefícios que o evangelho provê. v. 18. Declaro a todos: A advertência de não acrescentar às palavras da profecia nem subtrair nada delas (v.
18,19) faz eco de Dt 4.2; 12.32. Ela não foi dirigida a críticos que preferem leituras mais longas ou mais breves nesse ou em qualquer outro livro do NT! v. 20. Aquele que dá testemunho destas coisas — o próprio Jesus, “a testemunha fiel” (1.5). Sua declaração repetida Sim, venho em breve! é sua resposta à invocação das pessoas (v. 17), e evoca delas mais um clamor: Amém. Vem, Senhor Jesus!. Assim, no Didaquê (10.6), Marana-tha é confirmado pelo Amém.
5) Bênção (22.21)
A bênção final tem uma forma conhecida nas cartas do NT; nossas evidências mais antigas do texto oscilam entre a leitura mais longa, “com todos os santos”, e a mais breve, com todos (“com todos vós” reproduz uma leitura posterior e inferior).

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